▲ 6 r/EscritoresBrasil+1 crossposts

Hoje vai

Ali estava ela, sentada na escada com um triste olhar. Justamente na escada por onde ele precisaria passar quase que flutuando sobre os degraus.

- Reunião importante? perguntou ela.

Ele tentando passar, apenas balançou a cabeça.

Ao descer uns dois, resolveu olhar pra trás, e percebeu que aquele rosto lhe era familiar.

Parou e por uns instantes se esqueceu da reunião, e disse:

-Foi você que me puxou do carro minutos antes dele explodir? Te procurei por toda parte e não a encontrei, disse ele.

Ela deu um leve sorriso positivando a lembrança. Ele correu para abraçá-la, mas ela fez um sinal para que ele não se aproximasse. Nesse momento um frio intenso percorreu sua barriga.

- Fui a responsável por ter tirado aquele maldito espinho de peixe de sua garganta naquela sexta-feira santa, acrescentou ela.

Ele ficou sem entender, mas concordou com ela.

Meio sem graça, pensou em perguntar se no dia daquela parada cardíaca dentro do motel ela havia feito alguma coisa, ela mais uma vez balançou a cabeça.

E assim foram lembrando outros encontros ocorridos entre eles. Ela sempre o salvando.

-Você é meu annnn.. ..........

Ela o interrompeu.

- Não fale isso, dessa forma você me machuca. Sou a Morte! Não estou conseguindo parar de salvá-lo. Era para eu ter te levado ainda bebê, mas me encantei com aquele sorrisinho que você dava cada vez que eu me aproximava.

- Inferno! continuou ela. Sou ridicularizada toda vez que retorno para o escritório da sucursal. Há outros funcionários que atingem as metas em menos de 10 dias e eu?! O máximo que consegui foi causar em você uma disenteria no carnaval de 98.

- Então foi você quem me deu aquela batidinha em pleno sol das 12h?

Ela, envergonhada, disse que sim.

Totalmente atrasado para a reunião e sabendo que o chefe iria matá-lo, ele olhou pra ela e disse:

- Pode cumprir sua função, me empurre dessa escada, melhor por suas mãos do que pelas mãos daquele homem.

Nesse instante, ouviu-se um forte barulho no cruzamento do bairro, era o trem esmagando o ônibus em que ele deveria ter entrado.

reddit.com
u/Drixmuniz — 14 hours ago

Hoje Vai

Hoje vai

Ali estava ela, sentada na escada com um triste olhar. Justamente na escada por onde ele precisaria passar quase que flutuando sobre os degraus.

- Reunião importante? perguntou ela.

Ele tentando passar, apenas balançou a cabeça.

Ao descer uns dois, resolveu olhar pra trás, e percebeu que aquele rosto lhe era familiar.

Parou e por uns instantes se esqueceu da reunião, e disse:

-Foi você que me puxou do carro minutos antes dele explodir? Te procurei por toda parte e não a encontrei, disse ele.

Ela deu um leve sorriso positivando a lembrança. Ele correu para abraçá-la, mas ela fez um sinal para que ele não se aproximasse. Nesse momento um frio intenso percorreu sua barriga.

- Fui a responsável por ter tirado aquele maldito espinho de peixe de sua garganta naquela sexta-feira santa, acrescentou ela.

Ele ficou sem entender, mas concordou com ela.

Meio sem graça, pensou em perguntar se no dia daquela parada cardíaca dentro do motel ela havia feito alguma coisa, ela mais uma vez balançou a cabeça.

E assim foram lembrando outros encontros ocorridos entre eles. Ela sempre o salvando.

-Você é meu annnn.. ..........

Ela o interrompeu.

- Não fale isso, dessa forma você me machuca. Sou a Morte! Não estou conseguindo parar de salvá-lo. Era para eu ter te levado ainda bebê, mas me encantei com aquele sorrisinho que você dava cada vez que eu me aproximava.

- Inferno! continuou ela. Sou ridicularizada toda vez que retorno para o escritório da sucursal. Há outros funcionários que atingem as metas em menos de 10 dias e eu?! O máximo que consegui foi causar em você uma disenteria no carnaval de 98.

- Então foi você quem me deu aquela batidinha em pleno sol das 12h?

Ela, envergonhada, disse que sim.

Totalmente atrasado para a reunião e sabendo que o chefe iria matá-lo, ele olhou pra ela e disse:

- Pode cumprir sua função, me empurre dessa escada, melhor por suas mãos do que pelas mãos daquele homem.

Nesse instante, ouviu-se um forte barulho no cruzamento do bairro, era o trem esmagando o ônibus em que ele deveria ter entrado.

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u/Drixmuniz — 1 day ago

Hoje vai

Hoje vai

Ali estava ela, sentada na escada com um triste olhar. Justamente na escada por onde ele precisaria passar quase que flutuando sobre os degraus.

- Reunião importante? perguntou ela.

Ele tentando passar, apenas balançou a cabeça.

Ao descer uns dois, resolveu olhar pra trás, e percebeu que aquele rosto lhe era familiar.

Parou e por uns instantes se esqueceu da reunião, e disse:

-Foi você que me puxou do carro minutos antes dele explodir? Te procurei por toda parte e não a encontrei, disse ele.

Ela deu um leve sorriso positivando a lembrança. Ele correu para abraçá-la, mas ela fez um sinal para que ele não se aproximasse. Nesse momento um frio intenso percorreu sua barriga.

- Fui a responsável por ter tirado aquele maldito espinho de peixe de sua garganta naquela sexta-feira santa, acrescentou ela.

Ele ficou sem entender, mas concordou com ela.

Meio sem graça, pensou em perguntar se no dia daquela parada cardíaca dentro do motel ela havia feito alguma coisa, ela mais uma vez balançou a cabeça.

E assim foram lembrando outros encontros ocorridos entre eles. Ela sempre o salvando.

-Você é meu annnn.. ..........

Ela o interrompeu.

- Não fale isso, dessa forma você me machuca. Sou a Morte! Não estou conseguindo parar de salvá-lo. Era para eu ter te levado ainda bebê, mas me encantei com aquele sorrisinho que você dava cada vez que eu me aproximava.

- Inferno! continuou ela. Sou ridicularizada toda vez que retorno para o escritório da sucursal. Há outros funcionários que atingem as metas em menos de 10 dias e eu?! O máximo que consegui foi causar em você uma disenteria no carnaval de 98.

- Então foi você quem me deu aquela batidinha em pleno sol das 12h?

Ela, envergonhada, disse que sim.

Totalmente atrasado para a reunião e sabendo que o chefe iria matá-lo, ele olhou pra ela e disse:

- Pode cumprir sua função, me empurre dessa escada, melhor por suas mãos do que pelas mãos daquele homem.

Nesse instante, ouviu-se um forte barulho no cruzamento do bairro, era o trem esmagando o ônibus em que ele deveria ter entrado.

Drixlima

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u/Drixmuniz — 1 day ago

Dores __

Preciso acreditar nas mentiras que digo a mim mesmo, só isso poderá trazer uma vida verdadeira nesse intervalo de tempo entre meu nascimento e minha morte.

Sei de cada dor sentida pelo meu corpo causada por verdades que eu não disse, mas acreditei ardentemente.

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u/Drixmuniz — 3 days ago

Dores

Preciso acreditar nas mentiras que digo a mim mesmo, só isso poderá trazer uma vida verdadeira nesse intervalo de tempo entre meu nascimento e minha morte.

Sei de cada dor sentida pelo meu corpo causada por verdades que eu não disse, mas acreditei ardentemente.

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u/Drixmuniz — 5 days ago
▲ 7 r/EscritoresBrasil+3 crossposts

De pai pra filho

Parece que cada lágrima sua dói em mim, cada grito adentra com uma força tão bruta que o ar traduzido em palavras sai de mim atingindo você, a quem só resta deixar que lágrimas e gritos dolorosos escapem.

Que dor é essa que movimenta meus desejos, transborda meus medos e me faz temer o não encontro de nossas vidas?

Quero ter mais ar traduzido em palavras que o atinjam com a potência do amor, da alegria. Quero acabar o dia em um abraço gostoso, acreditando que tudo está valendo.

Seu choro me chega triste, assim como ele é. Ensina-me a entender como você entende; ajude-me a saber como você sabe. Quero alegrar-me como você se alegra.

O que ficou de mim em você? Será a mim devolvido?

Quero deixar alegrias, confiança, vivências, risos, arte, paz, sabores. O que for tristeza e dor, por favor, acolha e as trate. Te amo, filho.

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u/Drixmuniz — 5 days ago

[Crônicas] Mentira?

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Aqueles olhos insistiam em dizer algo que só era percebido pelos dois corpos envolvidos em mais uma trama do destino. Foi assim que se despediram, sob olhares atentos que não entendiam a energia sufocada entre os dois. Vontades de dizer e de se tocar foram abafadas por sorrisos e assuntos triviais. Às vezes a vida é um negócio onde há análise de risco envolvida; ninguém arrisca, e ambos concordam que não valeria a pena tamanha ousadia.

Acreditaram juntos na mentira criada por tempo e espaço sorrateiros, que insistiram em concretizá-la naquele momento — uma mentira realizada. Existia também, entre eles, a visão de que se pode escolher em qual felicidade devemos nos agarrar, afinal, a vida é cheia delas. Assim a história deles aconteceu. Outras formas poderiam ter sido contadas, mas foi esta a escolhida.

Na praia, entre as brincadeiras das crianças, a comida e as bebidas compartilhadas, as conversas se atravessavam naquele gostoso emaranhado de pessoas que se gostam. Tudo era iluminado por um sol curioso que insiste em nascer todos os dias para saber como está acontecendo cada enredo humano existente nesse mundo. Era ali que as experiências entre eles eram expressas: contavam como faziam ou não em determinadas situações, concordavam e discordavam. Era uma espécie de ensaio para uma peça que nunca será apresentada. Isso era uma forma de compartilharem uma vida juntos em uma mesma casa — um casal que não existiu. Mas, na imagem sem a ação, tudo é possível, inclusive a inexistência de algumas descobertas desagradáveis trazidas pelo cotidiano.

Naquele dia eram o par perfeito. Talvez, se o juízo final tivesse acontecido naquele momento, se abraçariam por medo do julgamento do Todo-Poderoso. Mas eis que Deus se confundiria se estava diante de dois seguidores da cartilha cristã do matrimônio ou se estavam se permitindo compartilhar uma vida inexistente, dentro de uma margem de segurança chamada imaginação, movida por desejos. Se fosse a segunda opção, iriam para as chamas eternas do inferno — iriam juntos.

Eles viviam o que há de mais gostoso nas companhias: o concordar com as situações e a leveza para sorrir do que não fosse comum entre eles. Afinal, não importava ali se um gosta de acordar cedo ou não, se gosta de passas ou não, se preferem isso ou aquilo, pois jamais precisariam discutir sobre tais temas de fato.

O sorriso na boca dela era constante, sempre de ouvidos atentos aos dizeres dele. Ele sempre imaginando os mistérios que envolviam aquela composição de leveza, beleza, inteligência e força.

As características dela, talvez, fossem o que a empurrava para frente. Sabia bem que na vida o movimento é constante. Ele também sabia disso, mas ficava bem incomodado em pensar como seriam as tardes sem a presença dela, inclusive a falta que faria para os demais ali presentes. Timidamente, disse que sentiria saudades, mas fez questão de, logo depois, encorajá-la a ir, como se fosse preciso ele validar qualquer atitude que ela estivesse pensando em realizar. Ele subestimava a força dela ao mesmo tempo em que achava que manter distantes os pensamentos ou as falas que reivindicassem ao tempo só mais um instante com ela, ou mesmo protestar contra o destino (“Logo agora?!”), serviriam para aliviar quaisquer incômodos sentidos por eles nessa separação. Enquanto isso, ela deixava escorrer, entre um sorriso e outro, uma pergunta: será que ele não sentirá muita falta de mim? Bem que ele poderia reclamar algo do tipo: “Logo agora você precisa partir?”.

Entre esses não ditos, a partida aconteceu. Foi cheia de alegria pelo que foi dito e imaginado. É confortável acreditar em reencontros, em uma mensagem inesperada que surgirá em algum lugar do futuro ou em uma foto que trará boas lembranças. Quem sabe terão novidades para contar em um próximo momento?

Incrivelmente, ele consegue visualizar o dia na praia que não existiu, cada coisa visível ali e até a energia emanada daquele momento. Com a coragem dos loucos, ele assume para si um momento que só ele viveu, sorri de tudo e pensa que isso daria uma boa crônica.

A escrita me ajuda a descobrir minhas emoções, participe dessas descobertas com comentários; críticas, sugestões, elogios são bem vindos.

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u/Drixmuniz — 7 days ago

Mentira?

Aqueles olhos insistiam em dizer algo que só era percebido pelos dois corpos envolvidos em mais uma trama do destino. Foi assim que se despediram, sob olhares atentos que não entendiam a energia sufocada entre os dois. Vontades de dizer e de se tocar foram abafadas por sorrisos e assuntos triviais. Às vezes a vida é um negócio onde há análise de risco envolvida; ninguém arrisca, e ambos concordam que não valeria a pena tamanha ousadia.

Acreditaram juntos na mentira criada por tempo e espaço sorrateiros, que insistiram em concretizá-la naquele momento — uma mentira realizada. Existia também, entre eles, a visão de que se pode escolher em qual felicidade devemos nos agarrar, afinal, a vida é cheia delas. Assim a história deles aconteceu. Outras formas poderiam ter sido contadas, mas foi esta a escolhida.

Na praia, entre as brincadeiras das crianças, a comida e as bebidas compartilhadas, as conversas se atravessavam naquele gostoso emaranhado de pessoas que se gostam. Tudo era iluminado por um sol curioso que insiste em nascer todos os dias para saber como está acontecendo cada enredo humano existente nesse mundo. Era ali que as experiências entre eles eram expressas: contavam como faziam ou não em determinadas situações, concordavam e discordavam. Era uma espécie de ensaio para uma peça que nunca será apresentada. Isso era uma forma de compartilharem uma vida juntos em uma mesma casa — um casal que não existiu. Mas, na imagem sem a ação, tudo é possível, inclusive a inexistência de algumas descobertas desagradáveis trazidas pelo cotidiano.

Naquele dia eram o par perfeito. Talvez, se o juízo final tivesse acontecido naquele momento, se abraçariam por medo do julgamento do Todo-Poderoso. Mas eis que Deus se confundiria se estava diante de dois seguidores da cartilha cristã do matrimônio ou se estavam se permitindo compartilhar uma vida inexistente, dentro de uma margem de segurança chamada imaginação, movida por desejos. Se fosse a segunda opção, iriam para as chamas eternas do inferno — iriam juntos.

Eles viviam o que há de mais gostoso nas companhias: o concordar com as situações e a leveza para sorrir do que não fosse comum entre eles. Afinal, não importava ali se um gosta de acordar cedo ou não, se gosta de passas ou não, se preferem isso ou aquilo, pois jamais precisariam discutir sobre tais temas de fato.

O sorriso na boca dela era constante, sempre de ouvidos atentos aos dizeres dele. Ele sempre imaginando os mistérios que envolviam aquela composição de leveza, beleza, inteligência e força.

As características dela, talvez, fossem o que a empurrava para frente. Sabia bem que na vida o movimento é constante. Ele também sabia disso, mas ficava bem incomodado em pensar como seriam as tardes sem a presença dela, inclusive a falta que faria para os demais ali presentes. Timidamente, disse que sentiria saudades, mas fez questão de, logo depois, encorajá-la a ir, como se fosse preciso ele validar qualquer atitude que ela estivesse pensando em realizar. Ele subestimava a força dela ao mesmo tempo em que achava que manter distantes os pensamentos ou as falas que reivindicassem ao tempo só mais um instante com ela, ou mesmo protestar contra o destino (“Logo agora?!”), serviriam para aliviar quaisquer incômodos sentidos por eles nessa separação. Enquanto isso, ela deixava escorrer, entre um sorriso e outro, uma pergunta: será que ele não sentirá muita falta de mim? Bem que ele poderia reclamar algo do tipo: “Logo agora você precisa partir?”.

Entre esses não ditos, a partida aconteceu. Foi cheia de alegria pelo que foi dito e imaginado. É confortável acreditar em reencontros, em uma mensagem inesperada que surgirá em algum lugar do futuro ou em uma foto que trará boas lembranças. Quem sabe terão novidades para contar em um próximo momento?

Incrivelmente, ele consegue visualizar o dia na praia que não existiu, cada coisa visível ali e até a energia emanada daquele momento. Com a coragem dos loucos, ele assume para si um momento que só ele viveu, sorri de tudo e pensa que isso daria uma boa crônica.

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u/Drixmuniz — 7 days ago

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Aqueles olhos insistiam em dizer algo que só era percebido pelos dois corpos envolvidos em mais uma trama do destino. Foi assim que se despediram, sob olhares atentos que não entendiam a energia sufocada entre os dois. Vontades de dizer e de se tocar foram abafadas por sorrisos e assuntos triviais. Às vezes a vida é um negócio onde há análise de risco envolvida; ninguém arrisca, e ambos concordam que não valeria a pena tamanha ousadia.

Acreditaram juntos na mentira criada por tempo e espaço sorrateiros, que insistiram em concretizá-la naquele momento — uma mentira realizada. Existia também, entre eles, a visão de que se pode escolher em qual felicidade devemos nos agarrar, afinal, a vida é cheia delas. Assim a história deles aconteceu. Outras formas poderiam ter sido contadas, mas foi esta a escolhida.

Na praia, entre as brincadeiras das crianças, a comida e as bebidas compartilhadas, as conversas se atravessavam naquele gostoso emaranhado de pessoas que se gostam. Tudo era iluminado por um sol curioso que insiste em nascer todos os dias para saber como está acontecendo cada enredo humano existente nesse mundo. Era ali que as experiências entre eles eram expressas: contavam como faziam ou não em determinadas situações, concordavam e discordavam. Era uma espécie de ensaio para uma peça que nunca será apresentada. Isso era uma forma de compartilharem uma vida juntos em uma mesma casa — um casal que não existiu. Mas, na imagem sem a ação, tudo é possível, inclusive a inexistência de algumas descobertas desagradáveis trazidas pelo cotidiano.

Naquele dia eram o par perfeito. Talvez, se o juízo final tivesse acontecido naquele momento, se abraçariam por medo do julgamento do Todo-Poderoso. Mas eis que Deus se confundiria se estava diante de dois seguidores da cartilha cristã do matrimônio ou se estavam se permitindo compartilhar uma vida inexistente, dentro de uma margem de segurança chamada imaginação, movida por desejos. Se fosse a segunda opção, iriam para as chamas eternas do inferno — iriam juntos.

Eles viviam o que há de mais gostoso nas companhias: o concordar com as situações e a leveza para sorrir do que não fosse comum entre eles. Afinal, não importava ali se um gosta de acordar cedo ou não, se gosta de passas ou não, se preferem isso ou aquilo, pois jamais precisariam discutir sobre tais temas de fato.

O sorriso na boca dela era constante, sempre de ouvidos atentos aos dizeres dele. Ele sempre imaginando os mistérios que envolviam aquela composição de leveza, beleza, inteligência e força.

As características dela, talvez, fossem o que a empurrava para frente. Sabia bem que na vida o movimento é constante. Ele também sabia disso, mas ficava bem incomodado em pensar como seriam as tardes sem a presença dela, inclusive a falta que faria para os demais ali presentes. Timidamente, disse que sentiria saudades, mas fez questão de, logo depois, encorajá-la a ir, como se fosse preciso ele validar qualquer atitude que ela estivesse pensando em realizar. Ele subestimava a força dela ao mesmo tempo em que achava que manter distantes os pensamentos ou as falas que reivindicassem ao tempo só mais um instante com ela, ou mesmo protestar contra o destino (“Logo agora?!”), serviriam para aliviar quaisquer incômodos sentidos por eles nessa separação. Enquanto isso, ela deixava escorrer, entre um sorriso e outro, uma pergunta: será que ele não sentirá muita falta de mim? Bem que ele poderia reclamar algo do tipo: “Logo agora você precisa partir?”.

Entre esses não ditos, a partida aconteceu. Foi cheia de alegria pelo que foi dito e imaginado. É confortável acreditar em reencontros, em uma mensagem inesperada que surgirá em algum lugar do futuro ou em uma foto que trará boas lembranças. Quem sabe terão novidades para contar em um próximo momento?

Incrivelmente, ele consegue visualizar o dia na praia que não existiu, cada coisa visível ali e até a energia emanada daquele momento. Com a coragem dos loucos, ele assume para si um momento que só ele viveu, sorri de tudo e pensa que isso daria uma boa crônica.

A escrita me ajuda a descobrir minhas emoções, participe dessas descobertas com comentários; críticas, sugestões, elogios são bem vindos.

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u/Drixmuniz — 8 days ago

Mentira?

Mentira?

Aqueles olhos insistiam em dizer algo que só era percebido pelos dois corpos envolvidos em mais uma trama do destino. Foi assim que se despediram, sob olhares atentos que não entendiam a energia sufocada entre os dois. Vontades de dizer e de se tocar foram abafadas por sorrisos e assuntos triviais. Às vezes a vida é um negócio onde há análise de risco envolvida; ninguém arrisca, e ambos concordam que não valeria a pena tamanha ousadia.

Acreditaram juntos na mentira criada por tempo e espaço sorrateiros, que insistiram em concretizá-la naquele momento — uma mentira realizada. Existia também, entre eles, a visão de que se pode escolher em qual felicidade devemos nos agarrar, afinal, a vida é cheia delas. Assim a história deles aconteceu. Outras formas poderiam ter sido contadas, mas foi esta a escolhida.

Na praia, entre as brincadeiras das crianças, a comida e as bebidas compartilhadas, as conversas se atravessavam naquele gostoso emaranhado de pessoas que se gostam. Tudo era iluminado por um sol curioso que insiste em nascer todos os dias para saber como está acontecendo cada enredo humano existente nesse mundo. Era ali que as experiências entre eles eram expressas: contavam como faziam ou não em determinadas situações, concordavam e discordavam. Era uma espécie de ensaio para uma peça que nunca será apresentada. Isso era uma forma de compartilharem uma vida juntos em uma mesma casa — um casal que não existiu. Mas, na imagem sem a ação, tudo é possível, inclusive a inexistência de algumas descobertas desagradáveis trazidas pelo cotidiano.

Naquele dia eram o par perfeito. Talvez, se o juízo final tivesse acontecido naquele momento, se abraçariam por medo do julgamento do Todo-Poderoso. Mas eis que Deus se confundiria se estava diante de dois seguidores da cartilha cristã do matrimônio ou se estavam se permitindo compartilhar uma vida inexistente, dentro de uma margem de segurança chamada imaginação, movida por desejos. Se fosse a segunda opção, iriam para as chamas eternas do inferno — iriam juntos.

Eles viviam o que há de mais gostoso nas companhias: o concordar com as situações e a leveza para sorrir do que não fosse comum entre eles. Afinal, não importava ali se um gosta de acordar cedo ou não, se gosta de passas ou não, se preferem isso ou aquilo, pois jamais precisariam discutir sobre tais temas de fato.

O sorriso na boca dela era constante, sempre de ouvidos atentos aos dizeres dele. Ele sempre imaginando os mistérios que envolviam aquela composição de leveza, beleza, inteligência e força.

As características dela, talvez, fossem o que a empurrava para frente. Sabia bem que na vida o movimento é constante. Ele também sabia disso, mas ficava bem incomodado em pensar como seriam as tardes sem a presença dela, inclusive a falta que faria para os demais ali presentes. Timidamente, disse que sentiria saudades, mas fez questão de, logo depois, encorajá-la a ir, como se fosse preciso ele validar qualquer atitude que ela estivesse pensando em realizar. Ele subestimava a força dela ao mesmo tempo em que achava que manter distantes os pensamentos ou as falas que reivindicassem ao tempo só mais um instante com ela, ou mesmo protestar contra o destino (“Logo agora?!”), serviriam para aliviar quaisquer incômodos sentidos por eles nessa separação. Enquanto isso, ela deixava escorrer, entre um sorriso e outro, uma pergunta: será que ele não sentirá muita falta de mim? Bem que ele poderia reclamar algo do tipo: “Logo agora você precisa partir?”.

Entre esses não ditos, a partida aconteceu. Foi cheia de alegria pelo que foi dito e imaginado. É confortável acreditar em reencontros, em uma mensagem inesperada que surgirá em algum lugar do futuro ou em uma foto que trará boas lembranças. Quem sabe terão novidades para contar em um próximo momento?

Incrivelmente, ele consegue visualizar o dia na praia que não existiu, cada coisa visível ali e até a energia emanada daquele momento. Com a coragem dos loucos, ele assume para si um momento que só ele viveu, sorri de tudo e pensa que isso daria uma boa crônica.

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u/Drixmuniz — 8 days ago

Mentira?

Aqueles olhos insistiam em dizer algo que só era percebido pelos dois corpos envolvidos em mais uma trama do destino. Foi assim que se despediram, sob olhares atentos que não entendiam a energia sufocada entre os dois. Vontades de dizer e de se tocar foram abafadas por sorrisos e assuntos triviais. Às vezes a vida é um negócio onde há análise de risco envolvida; ninguém arrisca, e ambos concordam que não valeria a pena tamanha ousadia.

Acreditaram juntos na mentira criada por tempo e espaço sorrateiros, que insistiram em concretizá-la naquele momento — uma mentira realizada. Existia também, entre eles, a visão de que se pode escolher em qual felicidade devemos nos agarrar, afinal, a vida é cheia delas. Assim a história deles aconteceu. Outras formas poderiam ter sido contadas, mas foi esta a escolhida.

Na praia, entre as brincadeiras das crianças, a comida e as bebidas compartilhadas, as conversas se atravessavam naquele gostoso emaranhado de pessoas que se gostam. Tudo era iluminado por um sol curioso que insiste em nascer todos os dias para saber como está acontecendo cada enredo humano existente nesse mundo. Era ali que as experiências entre eles eram expressas: contavam como faziam ou não em determinadas situações, concordavam e discordavam. Era uma espécie de ensaio para uma peça que nunca será apresentada. Isso era uma forma de compartilharem uma vida juntos em uma mesma casa — um casal que não existiu. Mas, na imagem sem a ação, tudo é possível, inclusive a inexistência de algumas descobertas desagradáveis trazidas pelo cotidiano.

Naquele dia eram o par perfeito. Talvez, se o juízo final tivesse acontecido naquele momento, se abraçariam por medo do julgamento do Todo-Poderoso. Mas eis que Deus se confundiria se estava diante de dois seguidores da cartilha cristã do matrimônio ou se estavam se permitindo compartilhar uma vida inexistente, dentro de uma margem de segurança chamada imaginação, movida por desejos. Se fosse a segunda opção, iriam para as chamas eternas do inferno — iriam juntos.

Eles viviam o que há de mais gostoso nas companhias: o concordar com as situações e a leveza para sorrir do que não fosse comum entre eles. Afinal, não importava ali se um gosta de acordar cedo ou não, se gosta de passas ou não, se preferem isso ou aquilo, pois jamais precisariam discutir sobre tais temas de fato.

O sorriso na boca dela era constante, sempre de ouvidos atentos aos dizeres dele. Ele sempre imaginando os mistérios que envolviam aquela composição de leveza, beleza, inteligência e força.

As características dela, talvez, fossem o que a empurrava para frente. Sabia bem que na vida o movimento é constante. Ele também sabia disso, mas ficava bem incomodado em pensar como seriam as tardes sem a presença dela, inclusive a falta que faria para os demais ali presentes. Timidamente, disse que sentiria saudades, mas fez questão de, logo depois, encorajá-la a ir, como se fosse preciso ele validar qualquer atitude que ela estivesse pensando em realizar. Ele subestimava a força dela ao mesmo tempo em que achava que manter distantes os pensamentos ou as falas que reivindicassem ao tempo só mais um instante com ela, ou mesmo protestar contra o destino (“Logo agora?!”), serviriam para aliviar quaisquer incômodos sentidos por eles nessa separação. Enquanto isso, ela deixava escorrer, entre um sorriso e outro, uma pergunta: será que ele não sentirá muita falta de mim? Bem que ele poderia reclamar algo do tipo: “Logo agora você precisa partir?”.

Entre esses não ditos, a partida aconteceu. Foi cheia de alegria pelo que foi dito e imaginado. É confortável acreditar em reencontros, em uma mensagem inesperada que surgirá em algum lugar do futuro ou em uma foto que trará boas lembranças. Quem sabe terão novidades para contar em um próximo momento?

Incrivelmente, ele consegue visualizar o dia na praia que não existiu, cada coisa visível ali e até a energia emanada daquele momento. Com a coragem dos loucos, ele assume para si um momento que só ele viveu, sorri de tudo e pensa que isso daria uma boa crônica.

A escrita me ajuda a descobrir a vida, participe comigo. Comente com elogios, críticas, sugestões ou interpretações.

reddit.com
u/Drixmuniz — 9 days ago
▲ 1 r/Ajuda

Texto removido na comunidade escritoresbrasil

Por que não consigo postar nada na comunidade escrtoresBrasil aqui no reddit.com eu posto mais é removido na mesma hora.

Sou membro a mais de 24 horas, já comentei postagens , enfim

reddit.com
u/Drixmuniz — 9 days ago

Mentira?

Aqueles olhos insistiam em dizer algo que só era percebido pelos dois corpos envolvidos em mais uma trama do destino. Foi assim que se despediram, sob olhares atentos que não entendiam a energia sufocada entre os dois. Vontades de dizer e de se tocar foram abafadas por sorrisos e assuntos triviais. Às vezes a vida é um negócio onde há análise de risco envolvida; ninguém arrisca, e ambos concordam que não valeria a pena tamanha ousadia.

Acreditaram juntos na mentira criada por tempo e espaço sorrateiros, que insistiram em concretizá-la naquele momento — uma mentira realizada. Existia também, entre eles, a visão de que se pode escolher em qual felicidade devemos nos agarrar, afinal, a vida é cheia delas. Assim a história deles aconteceu. Outras formas poderiam ter sido contadas, mas foi esta a escolhida.

Na praia, entre as brincadeiras das crianças, a comida e as bebidas compartilhadas, as conversas se atravessavam naquele gostoso emaranhado de pessoas que se gostam. Tudo era iluminado por um sol curioso que insiste em nascer todos os dias para saber como está acontecendo cada enredo humano existente nesse mundo. Era ali que as experiências entre eles eram expressas: contavam como faziam ou não em determinadas situações, concordavam e discordavam. Era uma espécie de ensaio para uma peça que nunca será apresentada. Isso era uma forma de compartilharem uma vida juntos em uma mesma casa — um casal que não existiu. Mas, na imagem sem a ação, tudo é possível, inclusive a inexistência de algumas descobertas desagradáveis trazidas pelo cotidiano.

Naquele dia eram o par perfeito. Talvez, se o juízo final tivesse acontecido naquele momento, se abraçariam por medo do julgamento do Todo-Poderoso. Mas eis que Deus se confundiria se estava diante de dois seguidores da cartilha cristã do matrimônio ou se estavam se permitindo compartilhar uma vida inexistente, dentro de uma margem de segurança chamada imaginação, movida por desejos. Se fosse a segunda opção, iriam para as chamas eternas do inferno — iriam juntos.

Eles viviam o que há de mais gostoso nas companhias: o concordar com as situações e a leveza para sorrir do que não fosse comum entre eles. Afinal, não importava ali se um gosta de acordar cedo ou não, se gosta de passas ou não, se preferem isso ou aquilo, pois jamais precisariam discutir sobre tais temas de fato.

O sorriso na boca dela era constante, sempre de ouvidos atentos aos dizeres dele. Ele sempre imaginando os mistérios que envolviam aquela composição de leveza, beleza, inteligência e força.

As características dela, talvez, fossem o que a empurrava para frente. Sabia bem que na vida o movimento é constante. Ele também sabia disso, mas ficava bem incomodado em pensar como seriam as tardes sem a presença dela, inclusive a falta que faria para os demais ali presentes. Timidamente, disse que sentiria saudades, mas fez questão de, logo depois, encorajá-la a ir, como se fosse preciso ele validar qualquer atitude que ela estivesse pensando em realizar. Ele subestimava a força dela ao mesmo tempo em que achava que manter distantes os pensamentos ou as falas que reivindicassem ao tempo só mais um instante com ela, ou mesmo protestar contra o destino (“Logo agora?!”), serviriam para aliviar quaisquer incômodos sentidos por eles nessa separação. Enquanto isso, ela deixava escorrer, entre um sorriso e outro, uma pergunta: será que ele não sentirá muita falta de mim? Bem que ele poderia reclamar algo do tipo: “Logo agora você precisa partir?”.

Entre esses não ditos, a partida aconteceu. Foi cheia de alegria pelo que foi dito e imaginado. É confortável acreditar em reencontros, em uma mensagem inesperada que surgirá em algum lugar do futuro ou em uma foto que trará boas lembranças. Quem sabe terão novidades para contar em um próximo momento?

Incrivelmente, ele consegue visualizar o dia na praia que não existiu, cada coisa visível ali e até a energia emanada daquele momento. Com a coragem dos loucos, ele assume para si um momento que só ele viveu, sorri de tudo e pensa que isso daria uma boa crônica.

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u/Drixmuniz — 10 days ago