O Autor.
Galera estou produzindo um thriller psicológico, onde já tenho 4 partes desenvolvidas, e queria uma opinião sincera em relação a ela.
Essa vida é insuportável…
Todos os dias se repetem como uma fita cassete velha. Toda noite rebobina e volta ao início.
A única coisa que ainda me arranca dessa realidade são os livros que escrevo. Obras magníficas… infelizmente incompreendidas pelo porco do meu chefe. Um homem tão estúpido que consegue recusar todas as minhas ideias sem sequer entendê-las.
Ainda não consigo compreender como alguém com um cérebro tão pequeno conseguiu se tornar diretor de uma editora. Recentemente publicou a história ridícula de um iniciante… um bombeiro que salva pessoas de incêndios. Patético. Medíocre.
Medíocre… acho que essa é a palavra perfeita para descrever todos aqui.
Eles realmente acreditam que suas “grandes tirinhas” possuem alguma importância. E ainda se acham no direito de me menosprezar só porque nunca publiquei um livro.
Mas isso vai mudar.
Esse livro que estou escrevendo será minha obra-prima.
Não…
Ele precisa ser.
JONAS!
Vem até minha sala. Agora.”
Por que aquele porco insiste em errar meu nome?
José.
É simples.
Tenho certeza de que faz isso de propósito.
— Sim, chefe? Aconteceu alguma coisa?
Ele segurava algumas folhas do texto recém-publicado da editora.
— Você alterou isso aqui?
— É José… chefe. E sim, alterei algumas partes. Achei que o texto ficaria mais fluido dessa forma.
Ele me encarou por alguns segundos. A expressão parecia cansada… quase decepcionada.
— José, Jonas… pouco me importa.
Jogou as folhas sobre a mesa.
— Nunca mais altere nada aqui sem autorização.
Meu maxilar travou.
— Eu só tentei melhorar o texto.
— Melhorar?
Ele riu pelo nariz.
— Você só continua trabalhando aqui porque sua mãe praticamente implorou por isso.
Silêncio.
— Agora sai da minha frente.
Ainda estou produzindo o restante.