▲ 25 r/Livros

A ficção especulativa é rara na história da literatura do Brasil?

Ficção especulativa é um termo geral para identificar gêneros literários baseados em conceitos extrapolados além da realidade mundana, como Fantasia, Ficção Científica, História Alternativa, e alguns casos de Horror/Terror. É o caso de Cem Anos de Solidão, O Senhor dos Anéis, 20.000 Léguas Submarinas, O Homem Invisível, Guerra dos Mundos, As Crônicas de Nárnia, Harry Potter, Drácula, Frankenstein etc..

Entretanto, a literatura brasileira me parece carente desses gêneros. Seja Romantismo, Realismo-Naturalismo, Parnasianismo, Modernismo, Simbolismo etc, a maioria dos nossos clássicos não possui eventos e ambientações extraordinários como premissa.

Dom Casmurro, O Guarani, Iracema, Grande Sertão: Veredas, Os Sertões, Quincas Borba, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Memórias de um Sargento de Milícias, Vidas Secas, A Hora da Estrela, A Moreninha, todos emblemáticos, mas que não focam em mundos fictícios e eventos extraordinários — se muito, exploram-nos de forma secundária. Memórias Póstumas de Brás Cubas protagoniza um defunto autor que se comunica conosco do além-túmulo, mas sua história de vida é mundana.

Claro, há exceções, a maior das quais talvez seja Sítio do Picapau Amerelo com todos os seus brinquedos vivos, animais falantes, personagens de mitos e contos de fada e viagens pelo espaço-tempo com o pó de pirlimpimpim. Também há muitos temas místicos em Macunaíma e O Alquimista.

Principalmente, é impossível ignorar a literatura de cordel, que frequentemente involve ficção científica, fantasia e até temas inspirados por contos de fadas de forma imaginativa. Mas até hoje em dia, ficção especulativa não parece ser um tema-chave para entender a literatura brasileira. Não há grandes sucessos nacionais de ficção especulativa atualmente.

Achei isso curioso, porque o famoso Realismo Mágico, considerado um gênero inconfundível na América Latina do século XX, não parece ter tido sucesso aqui e permaneceu no espanhol. E como dito antes, nossa narrativa folclórica já usa bastante o fantástico nos contos populares e na literatura de cordel, o que me faz estranhar a falta de influência da fantasia nos grandes clássicos.

Vocês acham que há uma razão causada pelo nosso contexto próprio? Há outras discussões e artigos a respeito?

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u/Academic_Paramedic72 — 3 days ago

In my new Medieval Fantasy, everything is actually based on the Renaissance but there is no gunpowder or ships

I really wanted to emphasize the plague doctor clothing, Romanticist palaces and the Absolutism to get that true classical feeling of the Middle Ages, you know? I avoided firearms though, that gets into steampunk territory. I also had to avoid all that Age of Exploration stuff, it's too piratepunk.

u/Academic_Paramedic72 — 7 days ago
▲ 2.0k r/brasil

A pior parte da normalização dos comerciais de "bets" na televisão aberta é a indireta de que, se o cidadão se endividar com um aplicativo feito especificamente para endividá-lo, a culpa é dele.

É a humilhação suprema do espectador. Você aposta, perde todo o dinheiro porque o objetivo é fazer você perder, e o comercial da aposta ainda diz que o otário é você. E aliás me recuso a chamá-las de "bets", que é uma outra humilhação pela cara de pau. Será que se bebêssemos "Poison" não morreríamos envenenados?

u/Academic_Paramedic72 — 17 days ago

Favorite Latino creators whose nationality you never questioned because you are not American?

Latino is neither a race nor an ethnicity. Joking that an actor looks or doesn't look "latino" is as nonsensical as saying that Samuel L Jackson doesn't look "North-American" because he doesn't look like Brad Pitt.

u/Academic_Paramedic72 — 21 days ago

Hey Ice, remember the time I canonically worked as a spy during the Brazilian Military Dictatorship?

uj/ Fire was created after the "Anos de Chumbo", the main years of violent repression in the military regime between 1968 and 1974, had already ended and Brazil was in its redemocratization, but it's still tone-deaf that no writer realized what exactly a spy actually does.

rj/ Never ask Fire where she was during the Riocentro terrorist attack of 1981.

u/Academic_Paramedic72 — 24 days ago
▲ 7 r/Livros

Qual é seu romance favorito do Machado de Assis fora da Trilogia Realista?

Machado de Assis é talvez o autor de maior renome da literatura nacional, e grande parte vem sem dúvida do que críticos contemporâneos chamam de "Trilogia Realista" devido a seus temas, estilos e ambientações semelhantes: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1899) — todos com capítulos curtos e erráticos, metalinguagem, humor irônico, reflexões da condição humana e denúncia da hipocrisia e do arrivismo da elite social brasileira oitocentista.

Mas Machado escreveu muito além disso: não apenas novelas, contos, poemas, ensaios e resenhas, mas também outros romances, da sua fase Romântica e da fase Realista posteriormente a Dom Casmurro.

São eles:

  • Ressurreição
  • A Mão e a Luva
  • Helena
  • Iaiá Garcia
  • Esaú e Jacó
  • Memorial de Aires

Como já li a Trilogia Realista e O Alienista, gostaria de continuar às obras menos emblemáticas machadianas. Qual destes livros você recomendaria? E quais não?

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u/Academic_Paramedic72 — 25 days ago

We need a Darth Vader spin-off movie. Maybe focusing on his inner turmoil and how he turned to the Dark Side to save his wife? Then we could have a sequel trilogy with him in his prime fighting the Rebel Order and winning a rematch against Obi-Wan. We could even see Luke's reaction to his father.

My sketch is that it ends with Darth Vader sacrificing himself to betray Palpatine. I think it's a good resolution to his character and an exploration of a more vulnerable side we haven't seen yet. This could finally save Star Wars, it would be huge!

u/Academic_Paramedic72 — 26 days ago
▲ 7 r/Livros

Em Quincas Borba, o que representa o enforcamento público que Rubião presencia?

Este ano li Quincas Borba pela primeira vez. Embora não seja o meu favorito do Machado de Assis, ainda assim me encantou, principalmente pela narração e como ela se comunica com o leitor.

Mas uma cena no Capítulo XLVII me deixou com o sentimento de estar perdendo algo. Depois de fazer uma confissão amorosa inconveniente a Sofia em Santa Teresa, Rubião está voltando pra casa à noite e rumina num outro cenário em que sua indecisão e descuido afetam-no, quando ele viajou ao Rio de Janeiro na juventude e testemunhou a execução em praça pública de um homem negro. O alarde causou muita curiosidade mórbida, e algumas vozes diziam que o homem seria um assassino. O fato é que Rubião ficou muito indeciso se continuava o caminho no tílburi ou se via a execução, que seria coisa rara de se ver pra alguém da província. O homem é enforcado e Rubião dá um grito de choque.

Interpreto que o capítulo é um exemplo da indecisão do Rubião, mas essa cena me deixou encucado. Execuções públicas eram comuns nos meados do século XIX? Se sim, Machado de Assis estava criticando a prática? A multidão dizendo que o homem era um assassino seria uma justificativa descabida para o entusiasmo deles? É uma crítica a escravidão e o homem negro seria um escravo injustamente morto Mostra a vulnerabilidade de Rubião, chocado com a morte, que seu mentor insano disse que supostamente nem existe?

O que vocês interpretam desse capítulo?

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u/Academic_Paramedic72 — 1 month ago
▲ 188 r/Livros

Como O Alquimista conseguiu a proeza de ser o livro de maior sucesso da literatura portuguesa pelo mundo e um dos mais lidos da História?!

"O Alquimista" de Paulo Coelho é um dos livros mais lidos e traduzidos no mundo, no mesmo patamar que Harry Potter e O Pequeno Príncipe, mas o que me deixa chocado é que não é um livro tão famoso assim no Brasil. Dentre Machado de Assis, Luís de Camões, Gil Vicente, Mia Couto, Clarice Lispector, Monteiro Lobato, José de Alencar, Guimarães Rosa, Lima Barreto, Graciliano Ramos, por que foi Paulo Coelho quem furou a bolha do português e conquistou o público internacional? Sem ofensa nenhuma ao Paulo Coelho, claro, mas realmente não compreendo por que foi ele o autor adotado pelo mundo, e por que eles se interessaram tanto por um livro brasileiro de 1988 quando nunca haviam antes.

É porque Coelho é mais recente? Mas Dom Quixote também está entre os mais lidos do mundo e foi um dos pilares da literatura espanhola, mesmo escrito séculos atrás.

A França, pelo menos ao meu ver, ama O Pequeno Príncipe, a Inglaterra ama Harry Potter, a Espanha é alucinada por Dom Quixote. Mas nunca vejo O Alquimista fazendo fervoroço no Brasil. Nem sequer estava na lista dos mais lidos de 2025, em que A Hora da Estrela fica acima entre os nacionais.

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u/Academic_Paramedic72 — 1 month ago
▲ 126 r/superman

I think that a perfect gimmick for a Superman videogame should be applying the Superman/Clark Kent duality to gameplay, making the player as much of an investigator as a superhero

A challenge in including Superman in video games is that his invincibility (to normal enemies, that is) is too iconic to the character, to the point that it could get old to make him only fight mooks armed with kryptonite or robots. However, I think something that should be indispensable is the superhero/journalist dichotomy in Superman's character, which would not only justify struggles against common enemies in combat but also diversify gameplay.

The idea is that Superman functions as a hero not only in his role as Superman but also in his role as Clark Kent, going on investigations in which a health bar is replaced by a "Cover Bar". Clark will not be truly injured whenever he gets shot, but his cover might get blown. So the player needs to act as if Clark were a human whenever he is in his disguise, or else both the enemies and the Daily Planet will find out he is Superman, and the phase is lost. The most lethal the weapon, the less believable it is that a mild-mannered journalist can survive getting hit by it.

For example, let's say that Superman finds out that there is a clue to an evil plan inside a factory. But he can't break in as Superman, or else he would alert the criminals he needs to investigate and interrogate. Therefore, the player must enter as Clark Kent in an investigation for the Daily Planet and evade attacks by the enemies. Each time Clark gets "injured," the believability of his lies decreases ("It just grazed me!", "That was a close one, I almost got shot!", "Good thing I'm wearing a bulletproof vest!") until his cover bar depletes and the player needs to restart.

Therefore, the player would use phone booths spread around Metropolis to transition between the two personas as needed for different missions and goals.

If the player needs to overtly use superpowers, such as in map navigation and boss battles, they switch to Superman; if they need to sneak in to investigate an area in which Superman wouldn't be allowed inside without alarm, such as a crime scene or an evil lair, they switch to Clark Kent. Every time the player is in Clark Kent mode, they get access to Lois Lane and Jimmy Olsen as helpful companion NPCs. For example, if there is kryptonite in a region, the player switches to Clark in a nearby phone booth and gets it away with their help, expanding the map in a way they could not as Superman.

This mechanic could also lead to tense situations in the narrative. Superman couldn't just get into LexCorp, but as Clark Kent, he could interrogate Lex Luthor for clues in missions in which the player would need to be extra careful to not blow his cover.

The gameplay mechanics change from action-adventure as Superman to stealth detective as Clark. To keep Clark's sections from being too monotonous, though, Clark should still get to use his powers: super hearing and x-ray vision would be allowed all the time, but the others could only be used in secret; if the player misses the timing, the Cover Bar decreases. For example, Clark needs to use his laser vision to open a coffin with a clue inside, but there are enemies nearby: he must distract them first before getting the right timing to use his powers.

u/Academic_Paramedic72 — 2 months ago

In "The Shape of Water" (2017), an American white woman shelters a disabled, marginalized, Indigenous victim of trafficking from South America, makes him sleep under precarious and isolated living conditions inside her bathtub, and uses him for sexual favors.

u/Academic_Paramedic72 — 2 months ago
▲ 14 r/brasil

Ao seu ver, quais foram as mudanças na violência do crime no Brasil ao longo da história? O país ficou mais violento, ou o banditismo apenas mudou de cara?

As notícias do PCC, Comando Vermelho e milícias se alastrando nas cidades e assassinando e extorquindo civis nos deixam apavorados. Notícias de latrocínios, feminicídios e tiroteios entre facções criminosas enchem os noticiários todos os dias, dando a sensação de que vivemos praticamente num narcoestado.

Mas eu me pergunto: a violência ilícita que vemos atualmente é um fenômeno novo? Houve uma época em que a violência era algo distante que não nos passaria na mente? Ou o nível é o mesmo desde a primeira feitoria portuguesa na costa e apenas achamos que está pior por conta da era da informação?

Por um lado, não há como negar que o tráfico de drogas tem crescido nas últimas décadas; talvez pela evolução dos transportes e comunicação. Mas é fato que os traficantes e milicianos da atualidade tem muito em comum com os cangaceiros entre os séculos XIX e XX, que também saqueavam cidades e alastravam terror na população. Claro, se voltarmos mais ainda, o Brasil nunca foi um país pacífico: sempre houve conflitos entre o governo e indígenas, guerras entre escravagistas e quilombos, a tortura sangrenta diária contra escravos na chibata e até mesmo nossas guerras civis e de independência.

Ainda assim, não consigo parar de pensar que a violência do crime organizado atual é diferente. Parece-me às vezes que não é nem mais o governo infiltrado na facção, é a facção infiltrada no governo. Ao mesmo tempo, é inegável que o Brasil é menos violento do que apenas a um século atrás. Será que, contra toda a lógica, o saldo atual de violência na verdade é positivo? O que vocês acham?

u/Academic_Paramedic72 — 2 months ago
▲ 304 r/superman

The main challenge for a Superman videogame would honestly only be the flight. But even then Spider-Man had a similar feature with the web-swinging and it went fine.

u/Academic_Paramedic72 — 2 months ago