O banho é um Éden disfarçado
Já pararam pra pensar que o ato de tomar banho pode ser, na verdade, um Jardim do Éden?
Estava me banhando há poucas horas atrás e me deparei com a seguinte situação: um fim de semana após uma semana cansativa, visita de parentes e, finalmente, um tempo sozinho. Resolvi gastá-lo na queda d'água Lorenzetti. Enquanto me lavava, como um bom brasileiro que sou, percebi que aquele momento era ímpar.
A passagem do tempo era imperceptível, o prazer calmo era inestimável, o conforto térmico era inefável. Parecia que cada espuma desacelerava para cair no chão de propósito para não fazer barulho. Aí, chegou um sentimento interruptor. Talvez tenha sido uma preocupação com a conta de luz, ou talvez seja o hábito familiar de não gastar muito tempo no chuveiro. Não sei. Não me interessa no momento.
Realizei um breve desligamento e saída da área molhada. De repente, eu me vi nu. De repente, eu já não me sentia longe das aflições cotidianas. Rapidamente, me cobri com minha toalha, e escutei minha mãe me chamar, da mesma forma como a vida nos conclama para trabalhar.
Fui expluso daquele paraíso, do Jardim do Éden, o qual chamo pessoalmente de banho.