Sobre Stock Options
Resolvi fazer esse post para compartilhar algumas reflexões que venho tendo sobre as míticas “Stock Options”. Há alguns anos, venho recebendo stock options na minha empresa atual (startup unicórnio pre-IPO, com beeem menos risco do que outras tantas em estágio Seed ou Series A) como parte to famigerado “total compensation” e, sinceramente, para mim essa conta não fecha.
Muito resumidamente para quem não está familiarizado, stock options são a opção de você comprar uma determinada ação, a um preço definido anteriormente (geralmente com um desconto sobre o valor hipotético de face). Complicado, né? Pois é. Como eles conseguem vender isso dentro de um salário, eu também não faço idéia.
Todas as empresas que tenho conhecimento que oferecem esse modelo de remuneração têm uma estrutura societária fora do Brasil, geralmente Delaware ou algum outro estado americano paraíso fiscal (que país maravilhoso). Além de vários motivos para isso, um deles é que não existe embasamento tributário/trabalhista para esse tipo de remuneração no Brasil. Existe, sim, uma jurisprudência mais ou menos de pé, mas que eu não vou focar nesse texto mas, em linhas gerais, não tem nenhuma prerrogativa legal no Brasil para esse tipo de remuneração. No Brasil, a única remuneração possível é o pagamento do salário em moeda vigente em solo nacional.
A forma como você é avaliado para consegui-las é ainda melhor: depois de trabalhar aquele “extra mile", 120% além do seu job description e no limite de um burnout, você consegue finalmente essa bonificação extra. Você recebe esses direitos em uma carteira fora do Brasil e a empresa deixa claro que ela não pode dar nenhuma consultoria da tratativa tributária. É com você e a sorte. Ainda por cima, toda a papelada é em inglês e, mesmo tendo um inglês funcional, é praticamente impossível de entender o que eles querem dizer (tentei ajuda dos nossos amigos AI e até a explicação deles me pareceu complicada. Enfim, retomando o raciocínio: você troca o seu tempo e sanidade mental hoje para aumentar o mais-valia da empresa e recebe em retorno a possibilidade de quem sabe no futuro poder comprar uma ação a um preço fixo esperando que essa ação esteja valendo mais do que você pagou. Ah, e esse direito de adquirir é diluído em suaves prestações de 48 meses. Sim, o capitalismo é maravilhoso.
Depois de vários anos trabalhando em empresas com esse modelo de remuneração, a minha conclusão é de que o custo benefício não compensa. Você tem um risco alto envolvendo ganhar um dinheiro no futuro e, em troca, precisa investir o seu tempo de trabalho e sanidade mental no hoje. Valeria muito mais +10% fixos no salário, ou um payout maior no bônus anual (esse sim coberto pela CLT e fiscalizado por sindicatos), pois você consegue ter o dinheiro fruto do trabalho hoje e fazer com que ele trabalhe para você (ou pague dívidas).
Complementando, essa avaliação é com base na minha posição na corrida dos ratos (gerente médio, startup). Pode ser que em cargos de diretoria/C-Level ou em outros segmentos do mercado essa conta mude mas, para a peãozada, termina sendo um engana trouxa.