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Felv: como saber até onde eu devo tentar?
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Felv: como saber até onde eu devo tentar?

Oi, pessoal, tudo bem?

Há um tempo compartilhei aqui que adotei dois gatos e estava lidando com a possibilidade do machinho, hoje com 7/8 meses, ser FeLV+. A suspeita se confirmou no PCR (Ct = 25,00/40). Desde então, venho tentando fortalecer meu psicológico e cuidar dos dois da melhor forma possível, evitando ao máximo que a gatinha se infecte. Ela foi vacinada, mas, mesmo assim, eu não os separei em nenhum momento, foi uma escolha consciente. O Guto só deixou de ser tão medroso e arisco também por causa da convivência com a irmãzinha amorosa, a Lara.

Eu me apaixonei demais pelo Guto. Aos poucos, fui vendo ele se tornar mais carinhoso e, finalmente, aceitar meu afeto. Ele tem um histórico muito sofrido: foi resgatado da rua, pretinho, adotado por alguém que o maltratava e agredia, e ainda convivia com outros gatos sem adaptação adequada, que batiam nele. Depois, foi devolvido à protetora e, por fim, chegou até mim. E eu confesso que o que mais me dói, é saber que se eu soubesse inicialmente que ele é felv+, eu também diria não ao meu bebê devido a todo o pânico que geram sobre a doença, como se não valesse a pena.

No começo, ele se afastava com medo e abaixava a cabeça sempre que eu aproximava a mão, claramente traumatizado. Foi um processo muito delicado ajudá-lo a “desabrochar”. Investi em ração super premium (Formula Natural Fresh Meat), areia boa, suplementos, gastei muito com antecipações de carência do plano de saúde para que ele passasse por boas consultas, fizesse protocolo vacinal e exames, medicações, ainda enfrentei o tratamento da rinotraqueíte que ele já trouxe.

Na segunda-feira, apenas com dois meses e meio deles comigo, meu mundo começou a desmoronar. Notei que ele estava mais prostrado, com apetite reduzido, e só queria ficar deitado na cobertinha. Ele até aceitava comida e usava a caixa de areia, mas bem pouco. Fiquei receosa de levá-lo ao veterinário naquele momento e acabar estressando ainda mais. Minha namorada também achou que seria exagero, já que ele ainda estava comendo e poderíamos observar por mais um pouco.

Só que, de um dia para o outro, tudo piorou. Na terça-feira, quando cheguei do trabalho, ele estava exatamente na mesma posição em que eu o deixei de manhã. Ali bateu o desespero. Tentei oferecer comida e petiscos que ele costuma gostar, mas parecia ter dificuldade para mastigar. Ele estava rígido, resistente a carinho… e, na madrugada, levamos ao veterinário. Ele ficou internado.

Inicialmente, a veterinária percebeu muita dor na coluna. Lesão articular parecia improvável. Uma possibilidade era dor como consequência dos maus-tratos antigos porque, apesar de filhote, o Guto não brincava de pular, escalar ou subir em lugares: ele sempre ficava no chão. Meu coração se partiu. Eu me perguntei há quanto tempo ele poderia estar sentindo isso. Outra hipótese seria dor abdominal irradiando para a coluna. Além disso, ele estava com uma gengivite avançada (que eu não tinha notado), muito hiperreflexivo, apresentando níveis altíssimos de dor, foi medicado com morfina, enfim. Porrada de exames e exames e exames.

Resumo do quadro: o raio-x da coluna não mostrou lesão, mas o ultrassom abdominal preocupou muito. Havia grande quantidade de líquido e, principalmente, um aumento MUITO desproporcional dos linfonodos. O hemograma, que há um mês estava perfeito, agora veio com alteração significativa na imunidade e sinais de infecção ativa, além de rim inflamado. A hipótese mais provável levantada foi linfoma.

A veterinária pediu uma citologia guiada pelo abdômen, e agora estamos aguardando o resultado confirmando o possível cancer.

Conversei com um amigo que encaminhou o caso e os exames para uma colega especialista. Ela retornou dizendo que o prognóstico é muito ruim: por ele ser filhote e imunossuprimido, sofreria muito com quimioterapia, está com dor, e provavelmente, em breve, meu filho vai a óbito.

Meu bebê… e eu tinha tantos planos: brincar, ver crescer. Ainda me culpo, pensando se esse estresse pode ter sido desencadeado pela minha mudança de casa, que está acontecendo e foi obrigatória.

Tenho conversado com muitas pessoas e o que mais ouço é: “não deixe ele sofrer”, “não vale a pena”, “você vai gastar muito e ele não vai estar feliz”. Mas eu vivo em dúvida, porque ontem fui visitá-lo e ele parecia mais tranquilo, mais “bonzinho”, com menos dor.

Quero muito ouvir a experiência e a opinião pessoal de vocês. Até quando vale a pena lutar? Quais as chances de uma citologia estar errada? Qual é a hora certa de partir? Queria que ele se permitisse descansar sozinho, mas e se ele continuar sofrendo? Os antivirais, como foi a experiência em casos assim? Vale?

Quero opiniões sinceras. Por mais dolorida que tenha sido, a mensagem da especialista me trouxe os pés no chão. E é isso que eu busco agora: realismo. Porque qualquer impulso de esperança falsa pode me dilacerar.

u/Deep-Highlight-6140 — 8 days ago