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Em 2021 fiz meu TCC em Contábeis na FEA-RP testando o impacto de adicionar cripto em carteiras médias dos 3 perfis (conservador, moderado, agressivo). Carteiras montadas a partir das recomendações de novembro/2021 de 6 instituições: Itaú, Santander, Bradesco, BB, BTG e XP. Deixei alguns dados como print das partes mais interessantes do trabalho e por fim um estudo mais recente que está em nossos slides de apresentação com clientes feito pelo Mercado Bitcoin confirmando o direcionamento e conclusão da tese.

O racional mostra que um perfil conservador (89% Pós-fixado CDI, 6% Inflação IPCA e 5% multimercado IHFA), que tem baixa volatilidade pela distribuição da carteira, é o mais beneficiado proporcionalmente ao incluir cripto, mas até certo ponto. O sharpe foi de 0,62 (sem cripto) pra ~1,94 com pouca alocação. A partir de ~2%, a curva estabiliza. Ou seja, ter 2% ou 10% de cripto entrega praticamente o mesmo Sharpe pro conservador, mas o drawdown cresce bastante. Isso define um teto prático de alocação: passar de ~2% nesse perfil é só comprar volatilidade sem ganho de eficiência.

Bom ressaltar que meu estudo de 2017 a 2021 tem uma janela de retorno da classe muito positivo, por isso quis trazer o do MB que usamos como referencia já que a janela de análise é maior e o estudo mais recente. Tive como feedback na época que seria interessante ter incluído estudo de cauda e outras coisas mas dificultou muito a Hashdex não fornecer publicamente esses dados para trata-los da melhor forma.

Se alguém quiser o PDF do TCC completo, comenta aí que mando.

u/Emergency-School5500 — 25 days ago

Uma parte do trabalho de gestão de portfólio parte de compreender o que os dados mostram e traduzir isso para os investidores. Brinson, Hood e Beebower (1986, 1991) analisaram 91 planos de pensão americanos e mostraram que a política de alocação, ou seja, o peso estratégico de cada classe de ativo, explica cerca de 91% da variância de retorno ao longo do tempo. Stock-picking e market timing, juntos, respondem pelo resto. Ibbotson e Kaplan replicaram em 2000 com 94 fundos balanceados e chegaram no mesmo lugar.

Do lado da gestão ativa, o SPIVA Scorecard da S&P Dow Jones mostra que em janelas de 20 anos, 94% dos fundos ativos americanos perdem do benchmark. Não é ciclo ruim, é padrão estrutural. Fama e French (2010) já tinham mostrado que skill real de gestor é estatisticamente indistinguível de sorte na maior parte dos casos.

Do lado do rebalanceamento, a Vanguard documentou que rebalancear com banda de 5%, em vez de calendário fixo, adiciona retorno líquido sem aumentar risco, e cria o efeito de comprar sistematicamente em queda e realizar em alta. O oposto do comportamento emocional médio.

O modelo que a pesquisa suporta é claro: alocação estratégica bem desenhada, diversificação entre classes, e rebalanceamento disciplinado por banda.

Trabalho técnico, metódico, sem emoção. Não tem call quente, não tem produto do mês, não tem narrativa de timing. Tem processo. E é justamente por ser processo contínuo, e não venda, que o modelo fee based estrutura bem essa relação, alinhando o que o profissional faz com o que de fato move retorno.

Vou deixar as fontes caso queiram aprofundar. O Estudo da SPIVA geralmente se atualiza anualmente e há outras variações da Black Rock e outras que chegam à mesma conclusão.

Brinson, Hood & Beebower (1986, 1991) no Financial Analysts Journal; Ibbotson & Kaplan (2000); SPIVA U.S. Scorecard 2024; Vanguard “Rational rebalancing” (2022)

u/Emergency-School5500 — 26 days ago