u/Express_Pineapple615

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Análise psicológica do filme "Os Banshees de Inisherin"

O que você faria se o seu melhor amigo simplesmente falasse que não quer mais sua amizade?

Você iria aceitar sem reclamar? Você iria implorar pela amizade? Até onde você iria? Bom, o filme The Banshees of Inisherin (2022) questiona justamente como a recusa da perda de uma amizade significativa pode levar a caminhos desastrosos e até mesmo surreais e absurdos.

A recusa incessante do protagonista Pádraic Súilleabháin de deixar de se vincular ao seu ex-melhor amigo Colm Doherty mostra o caminho perigoso do caráter humano de até onde uma situação, como o fim de uma amizade, pode escalar destrutivamente a ambos. levando a atos como perseguição, negação, e até mesmo mudanças corporais extremas diante da recusa do vínculo com o outro.

Pádraic encontra-se totalmente conectado a Colm, tanto é que, ao ultimado de Colm sobre simplesmente não gostar mais do Pádraic e não querer sua amizade, o mesmo congela. sua existência não faz mais sentido, entra em um buraco negro de melancolia, oque vinha dando sentido a sua existência já não mais o quer por perto.

A partir desse ponto percebe-se que a forma ao qual Pádraic tem se liga ao desejo está codificado pela regra exterior do prazer, de um ideal transcendente, regida pela lei negativa da falta, regida por uma carência de completude.

Exemplifica-se melhor essa afirmação no desenrolar do filme, onde na perda do melhor amigo Pádraic está sempre na busca de respostas exteriores a si mesmo, sempre na busca de um Outro que dê a ele uma direção e orientação de como deva seguir diante da perda da amizade.

Desde as respostas da irmã, única figura realmente afetiva que lhe restava, os conselhos do dono do único bar da cidade no qual Colm Doherty também frequentava e por fim sempre ia em direção aos piores conselhos do filho problemático e tolo do único policial da cidade. Estando à deriva, capturado por um desejo que não é seu, mas sim um desejo do Outro.

A perspectiva sobre o protagonista sussurra “Desejo é falta”, mas como não seria ele carente daquilo que deseja? Orientando-se na direção da reprodução, bloqueando ou reprimindo a invenção de um novo, sempre na tentativa de recuperar a amizade que já está constituida pelo negativo, sempre provocando com que a situação piore das formas mais desastrosas e absurdas possíveis.

Pádraic se encontra preso na memória daquilo que uma vez foi uma amizade… terrível memória, que organiza e traça signos da falta submetido exclusivamente à regra do prazer que o pontua de fora.

“Acontece que existe uma alegria imanente ao desejo, como se ele se preenchesse de si mesmo e de suas contemplações, fato que não implica falta alguma, impossibilidade alguma, que não se equipara e que também não se mede pelo prazer, posto que é esta alegria que distribuirá as intensidades de prazer e impedirá que sejam penetradas de angústia, de vergonha, de culpa.” – Deleuze & Guattari, MIL PLATOS 3, p. 15

Para a esquizoanálise, o desejo se define como processo de produção e não como insistência em reeditar um objeto perdido e jamais tido. O Desejo esté sem referência a qualquer instância exterior –- falta que viria torná-lo oco, prazer que viria preenchê-lo.

funcionamento com base na pura positividade, numa espécie de vontade de invenção, de criação, por um puro impulso ao Novo Absoluto, ao Retorno da Diferença Essencial que é virtual. Nesse sentido, o violinista e músico Colm apresenta uma forma desejante voltado para a perspectiva da esquizoanálise.

Colm rompe radicalmente sua amizade com Pádraic em busca de entrar em contato com o seu desejo pela música, estando cansado das mesmas conversas sem sentidos com seu ex-melhor amigo, questionando-se sobre o que quer deixar para posteridade. Assim, decide que quer gastar o tempo seu tempo na composição e produção musical. Gastando o tempo que lhe resta em sua vida pela música.

Instaura-se uma diferença com o caminho que estava seguindo, se instaura um processo de transformação, agora buscando a produção do novo, o desejo de devir outro, da potência vital de criação para uma nova música que dure mais que sua própria existência. Neste processo radical de diferença possibilita traçar o caminho de criatividade.

O conflito do filme se da por Pétric, no lugar de criar alternativas sobre a perda da amizade, ele se enche de ressentimento, remorso, lamento, busca de vingança diante do que ele atribui como falta. seriam como maldições lançadas contra o desejo, por meio das quais o desejo é traído, arrancado de seu campo de imanência, onde precisamente ele se define como processo de produção, como visto em Colm.

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u/Express_Pineapple615 — 4 days ago