u/Extension-Director88

Minha tia é uma bruxa, e eu posso provar.

Eu não sou fã do Reddit.

Na verdade, nunca postei ou usei este site, nem participei de teorias da conspiração, nem li relatos sobrenaturais, nem nada do tipo.

Mas, vendo que as pessoas adoram postar suas próprias histórias e experiências aqui, hoje, um dia depois do meu aniversário de 15 anos, pensei que seria o momento certo para falar sobre tudo o que tem acontecido comigo.

Desde que nasci, minha tia me visita todos os dias no meu aniversário – até aí, tudo bem – o problema é que ela sempre pede para passar uma hora sozinha comigo no quarto dela.

Sempre achei isso meio estranho.

Não é como se houvesse algo romântico ou algo do tipo, pelo contrário, ela sempre tentava ficar o mais longe possível de mim. Nossas conversas, que tinham que durar exatamente uma hora (nem mais, nem menos), começavam com coisas triviais – escola, família, amigos, namoradas – mas se desenrolavam em uma direção meio... sinistra.

Ela adorava falar sobre veados, chifres, suspiros. Sim, eu me lembro dos suspiros. E ela sempre me pedia, no final, para me dar um beijo na bochecha esquerda; o batom dela deixava uma marca na minha bochecha. Vermelha. Depois, líamos o capítulo bíblico em que Judas beija a bochecha de Jesus para identificá-lo. Assim, saíamos do quarto, como se nada tivesse acontecido, minha mãe, já preparada, arrumava a mesa, jantávamos, cantávamos parabéns e ela saía. Eu nunca a vi sair de fato, quer dizer, fechávamos a porta depois de um "tchau! Até o ano que vem!", e era isso. Eu nunca a vi sair do prédio. É difícil explicar.

Agora, aos 15 anos, esse ritual volta à minha mente, considerando os acontecimentos de ontem.

Passei minha hora com ela no quarto (ontem foi meu aniversário, repito) como de costume e, diferentemente desta vez, comecei a conversa respondendo à pergunta dela: "Como você está?", falando sobre um menino que disse coisas muito ruins sobre mim na escola e para os amigos dele, o famoso "bullying". Minha tia permaneceu impassível e perguntou o nome do menino. Eu disse. Foi só isso. Simples assim. Continuamos o encontro normalmente, conversando.

Só que dessa vez, ela me deu um beijo na bochecha direita. E lemos um evangelho diferente, não o de Mateus, como de costume. O de João. Nem sequer lemos a parte do beijo – já que o autor omitiu essa parte. Estranho. Jantamos, ela foi embora, como sempre, e fechamos a porta.

Minha mãe recebeu um telefonema: o menino que me fazia bullying tinha se suicidado num surto psicótico.

Fiquei perturbada. A princípio, não conseguia nem ligar os dois fatos. Fui dormir, até que, na cama, notei uma caixa de presente, bem embrulhada, bonita.

"Para (meu nome).

Com amor, da sua tia Zazá."

Abri a caixa e vi uma pequena boneca de pano branca, cheia de beijos e mais beijos. O batom vermelho destoando do branco e do vermelho-sangue.

Hoje, na escola, meus (poucos) amigos me mostraram a foto do corpo do menino.

E eu nunca vou esquecer essa imagem.

O menino, só de cueca, pendurado, todo avermelhado. O beijo de Judas.

reddit.com
u/Extension-Director88 — 4 days ago

My aunt is a witch, and I can prove it

I'm not a Reddit fan.

In fact, I've never posted or used this site, nor participated in conspiracy theories, nor read supernatural accounts, nor anything of the sort.

But, seeing that people love to post their own stories and experiences here, today, a day after my 15th birthday, I thought it would be the right time to talk about everything that's been happening to me.

Since I was born, my aunt has visited me every day on my birthday - so far, so good - the problem is that she always asks to spend an hour alone with me in her room.

I always found that kind of strange.

It's not like there's anything romantic or anything like that, on the contrary, she always tried to stay as far away from me as possible. Our conversations, which had to last exactly an hour (no more, no less), started with trivial things - school, family, friends, girlfriends - but unfolded in a kind of... sinister direction.

She loved to talk about deer, antlers, sighs. Yes, I remember the sighs. And I always asked her, at the end, to give me a kiss on my left cheek, her lipstick would leave a mark on my cheek. Red. Then, we would read the biblical chapter in which Judas kisses Jesus' cheek to identify him. Just like that, we would leave the room, as if nothing had happened, my mother, already ready, would set the table, we would have dinner, sing happy birthday, and she would leave. I never actually saw her leave, I mean, we would close the door after a "bye! See you next year!", and that was it. I never saw her leave the building. It's hard to explain.

Now at 15, this ritual comes back to my mind, considering yesterday's events.

I spent my hour with her in the room (yesterday was my birthday, I reiterate) as usual, and, unlike this time, I started the conversation by answering her question - "How are you?" - talking about a boy who said very bad things about me at school, and to his friends, the famous "bullying". My aunt remained impassive, asked for the boy's name. I gave it to her. That was it. Simple as that. We continued the meeting normally, chatting.

Except this time, she kissed me on the right cheek. And we read a different gospel, not Matthew's, as usual. John's. We didn't even read the part about the kiss – since the author omitted that part. Strange. We had dinner, she left, as usual, we closed the door.

My mother received a call; the boy who bullied me had, in a psychotic episode, killed himself.

I was disturbed. At first, I couldn't even connect the two things. I went to sleep, until, on the bed, I noticed a gift box, nicely wrapped, pretty.

"For (my name).

With love, from your Aunt Zazá."

I opened the box, and saw a small white rag doll, stuffed with kisses and kisses and more kisses. The red lipstick clashing with the white and blood-red color.

reddit.com
u/Extension-Director88 — 4 days ago

My aunt is a witch, and I can prove it.

Não sou fã do Reddit.

Na verdade, nunca postei ou usei este site, nem participei de teorias da conspiração, nem li relatos sobrenaturais, nem nada do tipo.

Mas, vendo que as pessoas adoram postar suas próprias histórias e experiências aqui, hoje, um dia depois do meu aniversário de 15 anos, pensei que seria o momento certo para falar sobre tudo o que tem acontecido comigo.

Desde que nasci, minha tia me visita todos os dias no meu aniversário - até aí, tudo bem - o problema é que ela sempre pede para passar uma hora sozinha comigo no quarto dela.

Sempre achei isso meio estranho.

Não é como se houvesse algo romântico ou algo do tipo, pelo contrário, ela sempre tentou ficar o mais longe possível de mim. Nossas conversas, que tinham que durar exatamente uma hora (nem mais, nem menos), começavam com coisas triviais — escola, família, amigos, namoradas — mas se desenrolavam numa direção meio... sinistra.

Ela adorava falar sobre veados, chifres, suspiros. Sim, eu me lembro dos suspiros. E ela sempre me pedia, no final, um beijo na minha bochecha esquerda; o batom dela deixava uma marca na minha bochecha. Vermelha. Então, líamos o capítulo bíblico em que Judas beija a bochecha de Jesus para identificá-lo. Assim, saíamos da sala, como se nada tivesse acontecido, minha mãe, já preparada, arrumava a mesa, jantávamos, cantávamos parabéns e ela saía. Eu nunca a vi sair de fato, quer dizer, fechávamos a porta depois de um "tchau! Até o ano que vem!", e pronto. Nunca a vi sair do prédio. É difícil explicar.

Agora, aos 15 anos, esse ritual me vem à mente, considerando os eventos de ontem.

Passei minha hora com ela no quarto (ontem foi meu aniversário, repito) como de costume e, diferentemente desta vez, comecei a conversa respondendo à sua pergunta: "Como você está?", falando sobre um menino que disse coisas muito ruins sobre mim na escola e para os amigos dele, o famoso "bullying". Minha tia permaneceu impassível, perguntou o nome do menino. Eu disse a ela. Foi só isso. Simples assim. Continuamos o encontro normalmente, conversando.

Só que desta vez, ela me deu um beijo na bochecha direita. E lemos um evangelho diferente, não o de Mateus, como de costume. O de João. Nem lemos a parte sobre o beijo – já que o autor omitiu essa parte. Estranho. Jantamos, ela foi embora, como de costume, e fechamos a porta.

Minha mãe recebeu uma ligação; o menino que me fazia bullying havia se suicidado em um surto psicótico.

Fiquei perturbada. No começo, não conseguia nem conectar as duas coisas. Fui dormir e, quando vi uma caixa de presente na cama, bem embrulhada, bonita.

"Para (meu nome).

Com amor, da sua tia Zazá."

Abri a caixa e vi uma pequena boneca de pano branca, cheia de beijos e mais beijos. O batom vermelho contrastando com o branco e o vermelho-sangue.

Hoje, na escola, meus (poucos) amigos me mostraram a foto do corpo do menino.

E eu nunca vou esquecer essa imagem.

O menino, apenas de cueca, pendurado, coberto de vermelhidão por todo o corpo. O beijo de Judas.

reddit.com
u/Extension-Director88 — 4 days ago