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Conselho aos engenheiros

Gostaria de deixar a minha humilde contribuição para os estudantes de engenharia (mais com foco em civil, que foi a minha formação).

Entrei na universidade em 2015 (Universidade de Uberaba) com 17 anos, na época consegui uma bolsa de estudos parcial devido ao meu resultado no vestibular e o restante eu financiei pelo FIES.

Também passei na UFG (nota do ENEM de 2014) e posteriormente na UFU (prova de transferência no segundo período da faculdade) mas não mudei a escolha de fazer a particular. Na época eu não tinha condições de fazer período integral, vinha de uma cidade do interior de Goiás, morava em republica e precisava trabalhar para conseguir manter as contas em dia, optando (compulsoriamente) por estudar no período noturno.

Durante os quatro primeiros períodos eu trabalhava em algo não relacionado à área (telemarketing no primeiro ano e posteriormente auxiliar financeiro em uma empresa de festas) e estudava de noite. A minha vida era relativamente confortável, me recordo que ganhava cerca de 2-3 salários mínimos, o que era suficiente para me sustentar e curtir a vida universitária. Eu não fui exemplo em nenhum dos anos de faculdade, mas também não jogava meu tempo/dinheiro fora colando e empurrando a faculdade com a barriga, sempre fui um aluno media 8+.

Um dia saindo de uma aula de TE, escutei um professor que eu admirava conversando com outro docente. Eles diziam “Entrevistei um engenheiro hoje, cara tem 3 anos de telemarketing de experiência, como que contrata um cara desse? Pra atender telefone?” e o outro respondeu “Não tem condições, os futuros profissionais serão cada vez mais difíceis de se encontrar.” Aquilo me marcou tanto que eu pedi demissão na semana seguinte do meu emprego de aux. financeiro, eu tinha pouco dinheiro guardado, mas não podia continuar no caminho de ser a o engenheiro que os professores comentavam.

Busquei com meus colegas de faculdade oportunidades (que ninguém queriam por questões de remuneração) para eu poder entrar no canteiro de obras. Por indicação de um amigo, passei 6 meses em uma obra vertical multi habitacional sem receber nada além do almoço, me lembro até hoje o dia que fui la e perguntei “Precisam de estagiário aqui?” e me responderam “Serviço tem muito, mas não temos nenhuma bolsa pra oferecer.”

Enfim, depois de um semestre meu coordenador de curso me ajudou a conseguir outro estagio, dessa vez remunerado (R$ 600,00 e VT) que me fez conhecer pessoas que me levaram ao proximo e ultimo estágio antes de formar (R$ 1200 e VT) no fim de 2019.

Assim que formei, a empresa onde eu atuava me ofereceu um cargo de assistente de engenharia (R$ 2500 + VT e VA), como estava longe de casa, não me vi incentivando a continuar, acabei agradecendo e voltando para Goiás. Veio a pandemia e lockdown. Em agosto de 2020, quando a poeira “abaixava” um pouco, consegui meu primeiro emprego (achei a oportunidade nos classificados do jornal) como auxiliar em reformas de edificações publicas ( R$ 3200+ VT), onde passei 6 meses até ser promovido para Engenheiro Junior (R$ 8000,00 saindo da CLT para a PJ).

Apos 1 ano e 6 meses de casa, um coordenador que tinha passado pela empresa me ligou, oferecendo uma vaga como engenheiro de produção em uma obra de conserva rodoviária (basicamente pavimentação, obras de terraplanagem, OAC e OAE) e mesmo sem experiência ele acreditava na minha capacidade, o único problema é que seria para trabalhar no norte do país (PA e TO). Pedi demissão onde trabalhava e fui (inicial R$ 10000,00 e depois de 1 ano R$ 12000,00 e 0,2% de premiação no lucro do meu contrato).

Foram quase 3 anos nas obras de pavimentação, e naquele momento eu já estava realizado, nunca imaginei que com menos de 3 anos de formado já ia ganhar “bem”. Quando o contrato acabou, por uma divergência de visão do futuro com o dono da empresa, eu acabei pedindo demissão novamente para aceitar outro desafio em obras de OAC em um aeroporto.

Nessa nova empresa (R$ 13500), também localizada no norte do Brasil, eu assumi como líder de contrato, responsável por recrutar, alugar maquinário, comprar material, basicamente tudo. Fiquei por 1 ano, até praticamente o fim da obra, quando apareceu a oportunidade que me trouxe onde estou hoje, na área ferroviária.

Pela terceira vez eu pedia demissão de um cargo de engenheiro para assumir um desafio maior, ver mais e ter mais experiências, dessa vez no interior de São Paulo, em um local bem melhor do que as minhas aventuras no norte, já não era o mesmo de 2020, negociei uma boa condição (R$ 16500 + Carro + Alimentação + PLR) e me provei para a empresa, que atualmente, após 2 anos, me convidou para um cargo de gerente (R$ 23000,00 incialmente).

Acho que em resumo, a minha conclusão foi que passar as dificuldades na época do estágio, me possibilitaram a entrada nos locais onde as pessoas pudessem me conhecer e me alavancar por acreditar no meu trabalho. Também fica a dica de que esse mundo da engenharia é pequeno, sua índole importa muito e por fim, o esforço e a necessidade fazem o campeão. Eu não sou especial e pra ser sincero, fui ao meu ver sempre “mediocre” mas o que nunca me faltou foi vontade e compromisso.

Eu batalhei muito pra encontrar o meu primeiro emprego, mas as oportunidades seguintes sempre vieram das relações construídas durante a jornada, eu tinha medo de não conseguir melhores condições, e hoje me vejo recusando empregos que eu nunca recusaria antes, depois que você se prova no mercado, ele te assedia.

Hoje estou indo para o meu 7 ano de formado, e muito feliz em ter feito engenharia, não pelo dinheiro (que é bom sim, sem hipocrisia), mas por poder contribuir diretamente com o crescimento da nação, infraestrutura mudou a minha vida e a da minha familia, e é apenas o começo, não desistam do sonho de vocês por não poder fazer uma federal, ou por ainda não terem conseguido a classificação, na minha experiência, o esforço superou o talento.

Desculpa pela extensão do texto!

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u/Final-Flow4939 — 1 day ago