u/Gullible_Prize_3826

Image 1 — Quem minimiza a violência da RMS e (ainda) acha que RJ/SP são muito piores são negacionistas do pior tipo!
Image 2 — Quem minimiza a violência da RMS e (ainda) acha que RJ/SP são muito piores são negacionistas do pior tipo!
Image 3 — Quem minimiza a violência da RMS e (ainda) acha que RJ/SP são muito piores são negacionistas do pior tipo!
Image 4 — Quem minimiza a violência da RMS e (ainda) acha que RJ/SP são muito piores são negacionistas do pior tipo!
Image 5 — Quem minimiza a violência da RMS e (ainda) acha que RJ/SP são muito piores são negacionistas do pior tipo!
Image 6 — Quem minimiza a violência da RMS e (ainda) acha que RJ/SP são muito piores são negacionistas do pior tipo!

Quem minimiza a violência da RMS e (ainda) acha que RJ/SP são muito piores são negacionistas do pior tipo!

Vi mais cedo essa notícia, junto com a foto e apesar de ser tragicômica, e me despertou para o que tenho visto em conversas com amigos, parentes nos últimos sete anos desde que saí de Salvador e que nos últimos meses vejo diariamente aqui no sub: a minimização das causas dessa violência toda, e a minimização por parte da população dos efeitos da violência. Chegou a certo ponto onde basicamente virou uma cegueira e dessenssibilização coletiva.

  • Capital mais violenta do país
  • Salvador e Lauro no Top5 cidades onde há mais aparelhos celulares subtraídos
  • NOVE cidades entre as Top20 (homicídios), sendo 5 no Top10
  • SEIS cidades no Top10 em MDIP (mortes decorrentes de intervenção policial)

Vira e mexe ouço "meu Deus, mas você mora no RJ, aí é barra pesada" e penso: Será que essa pessoa está cega?

E a resposta é que sim, os soteropolitanos - mesmo aqueles mais conscientes do estado das coisas - estão completamente desenssibilizados a ponto de não conseguirem sequer comparar as coisas, mesmo quando os números estão estampados na cara.

Chegou ao ponto de não perceberem o estado de estresse crônico em que estão imersos, onde a rotina semanal e mensal sequer pensam em opções de lazer normais para o ser humano porque já há um filtro inconsciente feito para evitar certos espaços e situações.

Não existe caminhar pela cidade para apreciar a paisagem da qual tanto se gabam, ou aproveitar a cultura regional - duas coisas que correm para falar sobre quando querem se amostrar e ficar de nariz empinado se achando melhores em relação a outras capitais enquanto falam "É a Bahia porra!!" ou "A Bahia é o mundo!".

Aliás esqueça caminhar, sequer existe apreciar a paisagem de dentro do carro mesmo! Ninguém está saindo de casa para fazer amenidades mais, é somente o estrito necessário.

E boa parte do sumiço da vida noturna, da cultura, da degradação dos equipamentos culturais, do mercantilismo cultural promovido pelos políticos na última década se origina daí! Porque quando a população tem vida ativa, zela e faz uso de tudo isso, o espaço para tudo de ruim que citei acima acontecer é minimizado. Político só se espalha quando a população não liga o suficiente.

"Mas porque eu, indivíduo hipotético soteropolitano, deveria ligar para a degradação do Glauber Rocha, nem vou lá - ali perto é cheio de sacizeiro"

Junte dois milhões e meio de pessoas assim e voilà.

A degradação do vocabulário é outra coisa que notei. Nos últimos três anos foi naturalizado não apenas na periferia, mas em toda a cidade, tentar copiar o linguajar de traficante e seus termos. E isso até entre os mais velhos (+45) e pessoas com ensino superior.
Ao meu ver é um claro reflexo de uma mente que foi corrompida pelo estresse crônico, e narcoestado implantado. A mente dos soteropolitanos passou a calcular o mundo primeiramente sob as lentes do marginal, depois aí sim passa pela mente da "pessoa normal".

Noto e alerto isso há muitos anos para amigos e familiares: como mesmo as pessoas mais certinhas ou crentes pensam: "Opai, fulana tá dando mole, se eu fosse ladrão já teria pisado na roda no ônibus, pendurado na janela e já era celular"

Ver isso me deprime fortemente.
Mas sabe o que me faz pensar "Eles merecem tudo isso!" logo depois?

Ver que a maioria minimiza isso.
A maioria compara com realidades que Salvador já superou há muito tempo só porque viu no "Tropa de Elite" ou no "Cidade de Deus" há mais de quinze anos.

A maioria se atém às notícias de jornal nacional, ao invés dos dados, ao invés de investigar como a própria percepção de mundo, de vida mudou por conta da violência da cidade.

Acordem, o que passa na TV sobre os outros lugares é fichinha comparado ao que está acontecendo aí! Simplesmente é noticiado mais porque Salvador tem quase zero importância num cenário amplo nacional quando comparado com as cidades maiores.
Se ocorrer uma chac*na onde 15 pessoas são mortas aqui no RJ, isso vira notícia internacional na BBC, Al Jazeera e o escambau. Se acontecer o mesmo em Salvador, o máximo que vai acontecer é uma reportagem de um minuto e meio no JN, seguido pelo reporte de cinco minutos sobre a inflação e a bolsa de valores.

Vocês estão num inferno. E nem estão sentindo mais o capeta espetando o garfo no ** de vocês.

Soluções? Quem é o responsável por chegar nesse estado das coisas?
Não sei dizer e não tenho esse papel, graças a Deus.

Note que não citei partidos políticos, políticos específicos ou coisa do gênero. E foi de propósito, porque acredito que esses que estão aí são o melhor que conseguimos produzir como sociedade (município e estado). Não tem outra explicação! São cargos eletivos. Se estão lá é porque alguém votou. Ou pior, ainda brigou com tios, irmãos e primos que votariam no adversário.
E apesar de ter minhas opiniões e posicionamento à respeito dos políticos parcialmente responsáveis por isso, não expressei porque quero focar no problema principal: o povo.

Seria interessante que, se alguma discussão sobre for para a frente nos comentários, se atessem a isso também. Mas duvido muito que isso vá acontecer e provavelmente um ou outro comentário vai descambar para culpar o governador ou o prefeito. Uma lástima.

Esse foi um desabafo de alguém que odeia ver os poucos que desejam de coração sair dessa situação e não estão dormentes ainda, porém não podem sair - por N razões - pagarem pela inépcia e inércia da maioria.

u/Gullible_Prize_3826 — 10 days ago