u/IndicationOk1039

Procuro relatos sobrenaturais brasileiros "antigos" (anos 80, 90 ou antes)

Oi pessoal! Estou à procura de relatos sobrenaturais mais antigos, daqueles bem brasileiros e com cara de causo de família.

Tenho um canal onde narro relatos (sempre com autorização de quem escreveu) e gosto muito de histórias dos anos 80, 90 ou até antes. Relatos de interior, sítio, fazenda, estrada, casas antigas, escola, hospital... aquelas histórias que alguém da família viveu e que ficaram sendo contadas por anos.

Se alguém tiver um relato nesse estilo e topar que eu narre no canal, me ajudaria muito. E não se preocupem se a história for longa, eu amo relatos longos e detalhados.

reddit.com
u/IndicationOk1039 — 4 days ago

ASSOMBRAÇÃO NA ESCOLA JAPONESA

Vocês gostaram do relato da fazenda de MG, então resolvi compartilhar um relato pessoal que vivi quando morei no Japão.

Esse episódio aconteceu quando eu tinha por volta de uns 11 anos, então eu acredito que foi no ano de 2001. Eu morava na cidade de Hekinan, que fica na província de Aichi-ken, e meus pais estavam se preparando para voltar para o Brasil. Eu estudei a maior parte da minha infância em escolas japonesas, então geralmente, quando alguns brasileiros pretendem voltar para o Brasil, eles matriculam os filhos em uma escola brasileira para imigrantes. Lá, as crianças fazem uma espécie de supletivo para poderem estudar no Brasil, e foi nessa escola que isso aconteceu.

Essa escola ficava em um prédio de 4 andares. Do lado esquerdo desse prédio tinha uma escada que conectava todos os andares e, quando você descia, dava para um pátio. E ao lado desse pátio tinha um muro bem baixo, depois dele uma cerca baixinha também, e do lado de lá da cerca tinha uma casa tipicamente japonesa, de tamanho médio, com uma arquitetura antiga. Tanto o terreno quanto a casa pareciam estar abandonados. Em volta dela estava tudo tomado pelo mato.

Do pátio da escola também dava para ver o que tinha dentro da casa, porque tinha uma janela aberta pela metade, que dava para um cômodo cheio de entulhos, muita poeira. Esse cômodo ficava escuro na maior parte do tempo, e às vezes a gente conseguia enxergar um móvel ou outro por causa do reflexo do sol.

A casa sempre foi um mistério pra gente e para o resto dos alunos da escola. Tinha muita cara de mal-assombrada. Então, às vezes, no recreio, a gente tentava bisbilhotar, subir no murinho da escola e tentar ver o que tinha dentro. Quem tinha mais medo nem chegava perto daquela parte do pátio, porque olhar pra dentro da casa causava um incômodo mesmo.

Ainda nessa época, eu, que sempre me interessei por esses assuntos sobrenaturais, comecei a instigar mais duas amigas a brincar da brincadeira do compasso. Começamos a brincar com muito receio, com toda uma preparação, mas aos poucos fomos ficando meio viciadas naquilo. Chegou um ponto que, quando tocava o sino do intervalo, a gente nem saía mais da sala, só ficava brincando com o compasso.

Com o passar do tempo, mais colegas foram se juntando ali e o jogo virou a atração da nossa sala. Até então, fazíamos perguntas inocentes: “Ah, fulano vai casar um dia?”, “Ciclano gosta de fulana?”, “A prova vai ser difícil?” Essas coisas de criança.

Certo dia, um dos meninos da sala, que todos achavam bonitinho, chegou perto da mesa que estávamos jogando, e ele até fez uma piadinha. Para provar que o jogo funcionava, perguntamos na frente dele o nome da menina que ele gostava. Em questão de segundos, o compasso escreveu o nome “Jeniffer”. Esse menino ficou pálido e saiu correndo.

Fomos atrás dele e perguntamos se era esse o nome da menina. Ele estava tremendo, acuado no final do corredor, e confirmou.

Depois daquele dia, ficamos com um pouco de medo. Paramos de jogar por um tempo...

Pouco tempo depois, estávamos fazendo uma atividade na aula antes do recreio, e, à medida que íamos terminando, a professora ia nos liberando para sair e descer para o pátio. Minha melhor amiga da época, que eu vou chamar de Natália, que jogava o jogo comigo, terminou a atividade e desceu com nossa outra amiga.

Enquanto eu terminava a atividade, eu ouvi uma correria e gritos que vinham do pátio. Estavam todos descendo as escadas correndo para ver o que tinha acontecido. Nesse dia, todos desceram, até a professora.

Quando cheguei no pátio, encontrei a Natália aos prantos e tremendo perto do murinho que dava para a tal casa abandonada, e mais outras cinco crianças perto, em estado de choque. Outras estavam chorando.

Natália tentou me explicar, mas não conseguia. Busquei água para ela, pedi para ela tentar se acalmar. Ela só chorava e apontava para a janela da tal casa e gritava:

“Eu vi, eu vi o homem! Estava todo deformado!”

Na confusão, perguntei para as outras crianças e elas disseram que tinha um rosto na janela, todo deformado.

Nisso, os professores, coordenadoras e alunos foram se aglomerando para entender o que tinha acontecido.

Depois de alguns minutos, Natália se acalmou um pouco, e eu perguntei o que exatamente ela tinha visto.

Ela disse:

“Não sei se era real ou um fantasma, mas tinha um rosto ali, nos encarando, todo deformado. Parecia ser de um homem mais velho, mas parecia estar derretendo igual vela. A pele, a carne... parecia estar se desfazendo e soltando dos ossos.”

Perguntei para ela se não era alguém que tinha sofrido um acidente, o dono da casa, que poderia ter alguma condição, e ela disse que aquilo não era coisa desse mundo, não tinha explicação para um rosto daquele jeito.

Perguntei para as outras crianças que viram, e elas deram a mesma descrição.

Aos poucos, os adultos foram acalmando os alunos, mas o clima na escola ficou muito pesado. As crianças começaram a ficar com medo de ir para a escola, criando quase que um pânico coletivo mesmo.

A direção precisou intervir, fazer reunião com a gente, com os pais. Eles improvisaram uma tábua fechando a parte que dava para a casa e, depois disso, construíram um muro.

Depois disso, não jogamos mais com o compasso, e Natália não gostava de tocar muito no assunto.

Fiquei com isso na cabeça por muitos anos.

Vários anos depois, encontrei Natália no Orkut. Ela já estava morando no Brasil. Começamos a conversar e perguntei para ela sobre esse dia, se ela se lembrava.

Ela disse que sim, que nunca se esqueceu.

Eu disse:

“Nat... e realmente tinha esse rosto lá mesmo?”

Ela confirmou que foi a coisa mais bizarra que tinha visto na vida.

Depois disso perdemos o contato, mas nunca me esqueci desse dia.

reddit.com
u/IndicationOk1039 — 16 days ago

Esse é um dos relatos de uma fazenda antiga mais macabros que já contei no meu canal. ALERTA DE GATILHO*

*ALERTA DE GATILHO*

Esse é um dos relatos de uma fazenda antiga mais macabros que já ouvi. Aconteceu com uma pessoa do meu convívio e eu contei no meu canal. Nomes e lugares foram trocados.

Essa história provavelmente aconteceu entre os anos de 1910 e 1915. Quem contou foi a dona Aparecida, que hoje tem 80 anos, e isso aconteceu com a avó dela quando era muito jovem.

A avó da dona Aparecida, que eu vou chamar de Francisca, ficou viúva com 19 anos. Nessa época ela já tinha três filhos: uma menininha de 4 anos, a mãe da dona Aparecida tinha 2 anos e um bebê de 4 meses.

Quando o marido da Francisca morreu, ela ficou sem ter para onde ir. Então os irmãos mais velhos dela, que eram jagunços em uma fazenda aqui no interior de Minas, deixaram que ela ficasse lá por alguns meses. Em troca, ela fazia alguns serviços ali na fazenda.

Depois de um tempo, os irmãos sentaram com a Francisca e disseram que eles não iriam cuidar dela nem dos filhos, e que iriam arranjar um casamento para ela. Caso ela não aceitasse se casar, ela iria morrer de fome.

Eles então decidiram que ela iria se casar com Agenor Arantes, um fazendeiro de 60 anos, também viúvo e com seis filhos.

Eles se casaram, e Francisca se mudou com os filhos para a fazenda do Agenor, que ficava no interior do Triângulo Mineiro, no município de Pardais. Os filhos do Agenor já eram adultos e casados, então lá moravam apenas o casal e as três crianças.

Assim que Francisca chegou na casa, ela ouviu os funcionários e o pessoal da região comentando que a fazenda era mal-assombrada, que não era muito bom ficar zanzando por ali depois que anoitecia.

A lida dela era bem puxada. Durante o dia ela cuidava da casa, das crianças, cozinhava para os peões da fazenda, fazia queijo e, à noite, costurava praticamente para todo mundo: desde os filhos até os funcionários. Fazia remendo de roupa, barra de calça, reparos… e para adiantar o serviço ela ficava até mais tarde costurando.

O Agenor costumava deitar mais cedo, ou às vezes viajava a trabalho. E para não ficar totalmente sozinha ali na sala costurando — porque ela tinha muito medo — ela prometia fazer alguma comida que as crianças gostavam para mantê-las acordadas com ela.

Naquela época não tinha televisão, nem rádio, então ela fazia isso para entretê-las.

Certa noite, ela prometeu fritar bolinho de chuva para as crianças e ficou costurando até quase meia-noite. As crianças já tinham comido os bolinhos e estavam pingando de sono.

Francisca tinha o costume de lavar os pezinhos deles em uma bacia de água antes de irem para a cama, porque eles brincavam muito na roça e os pés ficavam empoeirados.

A casa tinha aquela porta holandesa, que é repartida no meio. Então todo dia Francisca só abria a parte de cima para jogar a água da bacia fora.

E assim ela fez.

Mas quando abriu a parte de cima da porta, ela deu de cara com um senhor muito magro, esquelético, segurando um prato e uma colher.

Ele estava completamente nu, com os cabelos quase encostando no chão.

Ele olhava para Francisca desesperado e dizia:

— Estou com fome… estou com fome…

Na mesma hora Francisca deu um grito e bateu a porta.

Agenor acordou assustado e disse a ela que aquele era o antigo dono da fazenda. Disse que ele havia ficado louco antes de morrer, que tinha parado de tomar banho e de cortar o cabelo, e que sempre depois que escurecia ficava vagando pela fazenda segurando esse prato e essa colher, gritando que estava com fome.

Ele pediu para que ela fosse deitar às oito da noite e que não abrisse mais portas nem janelas depois desse horário.

Apavorada, Francisca passou a deitar mais cedo com as crianças.

Só que depois de um tempo ela foi esquecendo daquilo. Como não viu mais nada, passou a ficar até tarde costurando de novo.

Em uma dessas noites, ela disse que iria fazer pipoca para as crianças.

Terminou de costurar uma leva de roupas e, enquanto as crianças comiam, ela lavou os pezinhos deles na bacia.

Quando abriu a parte de cima da porta para jogar a água fora…

o homem estava parado lá novamente.

Mas dessa vez a imagem era ainda mais perturbadora.

Ele estava com os braços abertos, a língua para fora e uma corda no pescoço.

Francisca deu outro grito de pavor.

Agenor veio socorrer, e ela ainda achou que aquilo podia ser coisa da cabeça dela.

Agenor não disse nada na hora. Só esperou ela se acalmar.

Foram dormir.

No dia seguinte, ele contou toda a história.

Ele havia comprado aquela fazenda da viúva daquele homem.

O antigo dono acabou falindo, perdeu tudo, enlouqueceu… e por causa disso cometeu o ato extremo de tirar a própria vida daquela mesma forma que Francisca tinha visto.

Depois disso, Francisca nunca mais costurou até tarde.

Quando dava oito horas da noite, ela colocava as crianças para dormir, fechava a casa toda… e só voltava a abrir quando o sol nascia.

Dona Aparecida disse que a mãe dela contava essa história sempre se arrepiando todinha.

Fonte: May Hayashi | Sussurros no Quintal

Este relato foi adaptado e recontado por mim para o canal. Se decidir compartilhar esta história em outro lugar, peço apenas a gentileza de citar a fonte para que mais pessoas possam conhecer o trabalho do Sussurros no Quintal.

u/IndicationOk1039 — 20 days ago