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Não sei mais o que pensar desse país

Sinceramente, estava muito confiante e esperançoso de que Lula ganharia de lavada. Porque, né? Tivemos o Banco Master, o Flávio apoiando um cara que matou uma menina de 5 anos, o vice acusado de pedofilia... Mas, para a maioria dos brasileiros, nada disso parece ter importado.

Ninguém, absolutamente ninguém que se candidatou e estava envolvido com o Master vai sofrer qualquer consequência. Alguns foram até eleitos. E não tem mais esse papo de “ah, o povo é ignorante”. Não. Isso já é mau-caratismo mesmo. São pessoas ruins, horríveis. Simples assim.

Parte de nós, daqui para frente, é tentar conversar com os 30 milhões de pessoas que se abstiveram. Essas pessoas ainda têm esperança. Se forem da sua família, conversem com elas. Mostrem pessoas politizadas e inteligentes, para que possam conhecer outros pontos de vista e enxergar o outro lado.

Vi o post de um cara que fez algo interessante para tirar a mãe do algoritmo da extrema direita: um dia, pediu o celular emprestado e começou a seguir vários perfis de esquerda. E, “puff”, o algoritmo dela mudou — e, com o tempo, a opinião dela também.

Nosso papel, enquanto pessoas que acreditam em um Brasil de esquerda, ou pelo menos em um Brasil politicamente moderado e nacionalista, é tentar promover mudanças. É conversar com quem está disposto ao diálogo e tentar trazer essas pessoas para o nosso lado.

Nunca foi fácil e nunca vai ser.

Por isso, não adianta apenas reclamar na internet. Escolha algumas pessoas próximas que ainda estejam abertas ao diálogo e converse com elas. Compartilhe informações, apresente fontes, incentive o pensamento crítico e, principalmente, escute antes de tentar convencer. Não transforme cada conversa em uma briga.

Nas redes sociais, faça a sua parte também: compartilhe conteúdos que considere relevantes, dê visibilidade a bons argumentos, siga e fortaleça pessoas que produzem conteúdo político de qualidade e ajude a furar as bolhas dos algoritmos. Não é sobre sair atacando quem pensa diferente, mas sobre garantir que outras pessoas também tenham acesso a informações e perspectivas que talvez nunca apareçam no feed delas.

E, fora da internet, participe. Procure movimentos, organizações, coletivos, associações comunitárias ou grupos políticos sérios da sua cidade. Ajude em campanhas, debates, projetos sociais e iniciativas que estejam alinhadas com aquilo em que você acredita. Se não encontrar uma organização que faça sentido para você, reúna algumas pessoas e comece algo pequeno.

Não precisamos esperar por uma grande organização surgir para começar a agir. Podemos começar conversando com cinco pessoas, ajudando em um projeto, compartilhando uma informação confiável ou trazendo alguém para uma discussão política de forma respeitosa.

Se queremos mudar o país, precisamos parar de tratar política como algo que acontece apenas a cada quatro anos. A mudança começa muito antes da eleição — nas conversas, nas comunidades, nas redes e na organização cotidiana.

Nunca foi fácil e nunca vai ser. Mas ficar parado também é uma escolha. Vocês participariam de uma organização política? Ou acham que não vale a pena?

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u/Individual-Donut5011 — 11 days ago