Coimbra torna-se uma aldeia para conhecer pessoas depois dos 35?
Há uma coisa que me faz alguma confusão e queria perceber se sou só eu a sentir isto ou se é uma cena de Coimbra.
Conhecer pessoas depois dos 35 aqui parece quase uma missão impossível. Coimbra, para isto, às vezes parece uma aldeia. E não digo conhecer pessoas no sentido de "arranjar alguém". Falo mesmo de conhecer pessoas interessantes. Pessoas que te despertem curiosidade. Pessoas emocionalmente disponíveis.
Tenho uma sensação estranha de que, depois desta idade, metade das pessoas ficou emocionalmente partida e a outra metade anda a tentar curar quem ficou partido. Parece que uns ficaram todos lixados da vida e os outros andam a carregar ligaduras emocionais para salvar quem aparece.
E antes que me caiam em cima, eu percebo. Todos temos histórias, todos trazemos bagagem, todos tivemos relações que correram mal, desilusões, perdas, coisas que nos mudaram. Eu também não cheguei aqui num estado "saído de fábrica".
Mas faz-me confusão sentir que já quase não existem pessoas que simplesmente chegaram aos 35, 40 ou mais, e que por alguma curva da vida estão sozinhas... mas bem. Sem grandes feridas abertas. Sem esperar que a próxima pessoa venha reparar aquilo que alguém destruiu.
Onde é que essas pessoas estão?
E não me venham com a conversa de "essas já estão todas ocupadas", porque recuso-me a acreditar nisso. Recuso-me a acreditar que a vida funciona assim. Que não haja mulheres interessantes, bonitas, emocionalmente maduras, leves, que gostem de um pôr do sol tranquilo, de conversas sem jogos, que não demorem três dias a responder porque estão a gerir 38 traumas e mais 14 opções abertas.
Pessoas que simplesmente queiram construir uma coisa boa. Leve. Saudável. Aquelas coisas simples que afinal parecem ter ficado raras: companhia, cumplicidade, paz, vontade de acrescentar à vida do outro e não aparecer para que alguém trate das feridas antigas.
E outra coisa: não me revejo minimamente nas aplicações. Parece um catálogo humano. Scroll para a esquerda, scroll para a direita, pessoas transformadas em montras. Nunca consegui sentir verdade nisso.
E antes que sugiram: não, não me apetece entrar em grupos de pádel, running clubs, workshops de olaria ou aulas de tango só para conhecer alguém.
Queria perceber genuinamente: isto sou só eu? Ou conhecer pessoas interessantes em Coimbra depois dos 35 tornou-se mesmo uma espécie de modo difícil da vida?