A gráfica de Santa Catarina que era a máquina de propaganda fascista nos anos 30

A gráfica de Santa Catarina que era a máquina de propaganda fascista nos anos 30

Por baixo do verniz turístico de SC, os arquivos escondem muita coisa pesada. Na minha newsletter sobre memória gráfica, contei a história da Empreza Graphica Nietsche & Hömke, de Blumenau.

Rótulo do Bitter São Marco, produzido pela F. Diefenthaler & Cia., de Santa Maria (RS), e impresso pela Hömke Irmãos.

Na década de 1930, além de rótulos comerciais, eles imprimiam almanaques e boletins oficiais do Partido Nazista. E não era por acaso: um dos donos, Franz Nietsche, era o chefe estadual do NSDAP. O CEO da gráfica era o CEO nazista no estado.

Reunião do Hitler-Ortsgruppe (seção local do Partido Nazista) em Bella Aliança (atual Rio do Sul), em 1929.

Quando Getúlio Vargas proibiu partidos estrangeiros, eles mudaram o nome da empresa para "Empresa Gráfica Catarinense" só para apagar os rastros e não perder as prensas. A repressão não matou a ideologia, só jogou para baixo do tapete. E a gente vê o reflexo disso nas dezenas de células neonazistas sendo desarticuladas hoje no estado.

Capa do Blumenauer Volkskalender, 1934. O almanaque era uma ferramenta de disseminação de supremacismo, racismo, antissemitismo e anticomunismo.

Escrevi um texto completo, com fotos, documentos da época e nenhuma paciência pra quem passa pano.

O texto completo e sem paciência pra extremista tá aqui: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-10-a-grafica-que-imprimia

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u/Ok-Sell-7681 — 7 days ago

A primeira mulher a dirigir uma gráfica na história de Joinville (e de Santa Catarina)

Se tu pesquisar sobre o Kolonie-Zeitung (o segundo jornal alemão do sul do Brasil) e a Tipografia Boehm, que operava em Joinville no século XIX, a história oficial vai dar todo o crédito aos homens: Ottokar Doerffel, Carl Wilhelm Boehm e o filho herdeiro, Otto Boehm, que foi prefeito e deputado estadual.

https://preview.redd.it/s5xjbbmexblh1.png?width=1839&format=png&auto=webp&s=b8024211d063267ee7aa59b490cd86fc6ca6fd73

Mas fuçando arquivos e obituários antigos, encontrei uma história que costuma ficar escondida nos rodapés. Quem realmente segurou as pontas da maior gráfica do estado por quase 50 anos foi Therese Alwine Boehm.

https://preview.redd.it/efy47l1hxblh1.jpg?width=427&format=pjpg&auto=webp&s=43c4734b270909de7fd442310e8e22856403f405

Enquanto o filho Otto acompanhava revoluções e ficava em gabinetes políticos, era Alwine quem operava as pesadas caixas de tipos de chumbo e administrava o negócio. Tem até registro dela fechando a impressão de rótulos de cerveja em grande escala com a dona da maior cervejaria da região na época, que também era viúva.

https://preview.redd.it/osd4gdraxblh1.png?width=1000&format=png&auto=webp&s=5a1cdbdfed8747cafa48501a202da9edb861bdbc

O texto fala sobre como a burocracia do século XIX forçava as mulheres a esconderem seus nomes dos registros comerciais, sendo chamadas apenas de "A Viúva de fulano", mesmo sendo elas que operavam o maquinário pesado.

Pra quem gosta de história de SC, imigração e resgate histórico, publiquei o texto completo na minha newsletter com os recortes dos jornais da época provando o trabalho dela: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-9-therese-alwine-obst-boehm

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u/Ok-Sell-7681 — 1 month ago

A primeira mulher a comandar uma gráfica em SC

Se tu pesquisar sobre o Kolonie-Zeitung (o segundo jornal alemão do sul do Brasil) e a Tipografia Boehm, que operava em Joinville no século XIX, a história oficial vai dar todo o crédito aos homens: Ottokar Doerffel, Carl Wilhelm Boehm e o filho herdeiro, Otto Boehm, que foi prefeito e deputado estadual.

https://preview.redd.it/s5xjbbmexblh1.png?width=1839&format=png&auto=webp&s=b8024211d063267ee7aa59b490cd86fc6ca6fd73

Mas fuçando arquivos e obituários antigos, encontrei uma história que costuma ficar escondida nos rodapés. Quem realmente segurou as pontas da maior gráfica do estado por quase 50 anos foi Therese Alwine Boehm.

https://preview.redd.it/efy47l1hxblh1.jpg?width=427&format=pjpg&auto=webp&s=43c4734b270909de7fd442310e8e22856403f405

Enquanto o filho Otto acompanhava revoluções e ficava em gabinetes políticos, era Alwine quem operava as pesadas caixas de tipos de chumbo e administrava o negócio. Tem até registro dela fechando a impressão de rótulos de cerveja em grande escala com a dona da maior cervejaria da região na época, que também era viúva.

https://preview.redd.it/osd4gdraxblh1.png?width=1000&format=png&auto=webp&s=5a1cdbdfed8747cafa48501a202da9edb861bdbc

O texto fala sobre como a burocracia do século XIX forçava as mulheres a esconderem seus nomes dos registros comerciais, sendo chamadas apenas de "A Viúva de fulano", mesmo sendo elas que operavam o maquinário pesado.

Pra quem gosta de história de SC, imigração e resgate histórico, publiquei o texto completo na minha newsletter com os recortes dos jornais da época provando o trabalho dela: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-9-therese-alwine-obst-boehm

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u/Ok-Sell-7681 — 2 months ago

O duplo sentido de "viúva tipográfica"

Todo mundo que já diagramou um texto conhece a "viúva", aquela palavra que fica isolada no começo de uma página, um erro clássico de layout. Mas pesquisando sobre história da tipografia, acabei esbarrando num outro significado pra isso: o das "viúvas impressoras".

https://preview.redd.it/nrs7e8cuvblh1.jpg?width=1080&format=pjpg&auto=webp&s=d7c1e3f35b134a8df7082d5df0c2b06dbe4e0dff

Entre os séculos XV e XIX, as guildas de impressores proibiam mulheres de operar os prelos e os tipos de chumbo. A única brecha legal para uma mulher tocar uma gráfica era quando o marido impressor morria.

https://preview.redd.it/ww7vki75wblh1.png?width=651&format=png&auto=webp&s=3ee9860f28f3340b2d0487bc8abfe28fac9b7f5b

Elas assumiam as gráficas para não falir, rodavam as máquinas, catavam tipos móveis, mas a lei as obrigava a apagar seus nomes de batismo dos impressos. O colofão saía apenas com coisas como "Viúva Sobral" ou "Viúva Ogier".

https://preview.redd.it/482zeu4cwblh1.png?width=1000&format=png&auto=webp&s=c39899ef7f3b43a244202003eba6ccbdd721ad12

Escrevi um artigo sobre esse fenômeno e contando o caso específico de Alwine Boehm, que em 1889 tocava a maior gráfica de Santa Catarina enquanto o filho brincava de ser deputado, e de como ela imprimia os rótulos de cerveja de outra viúva dona da maior cervejaria da região na época.

Quem curtir memória gráfica, maquinário antigo e história do design, pode ler o texto completo (e ver os catálogos de tipos antigos) aqui no meu Substack: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-9-therese-alwine-obst-boehm

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u/Ok-Sell-7681 — 2 months ago

Vocês já leram algum livro de ficção que se passe aqui em SC?

Uma coisa que sempre me chamou a atenção é que a gente consome um monte de livros e filmes que se passam lá fora ou, quando são no Brasil, quase sempre ficam no eixo Rio-São Paulo.

Eu sempre quis ler algo com a nossa vibe, que passasse pelas nossas praias, nossa serra ou explorasse as nossas lendas locais, mas achava muito pouco. Foi justamente essa frustração que me motivou a escrever a minha própria história usando Santa Catarina como cenário.

O livro se chama Tesouros e Maldições e se baseia na lenda de que existe um tesouro jesuíta enterrado na Serra do Rio do Rastro. Tem um pouco de mistério, caça ao tesouro, algumas lendas do nosso folclore e o melhor e pior de nós.

https://preview.redd.it/5veewy96c7ch1.jpg?width=1772&format=pjpg&auto=webp&s=9f9968083905deea07e7274cd11b74ee12123861

Por fim, queria deixar duas questões. A primeira, se vocês conhecerem outras obras de ficção (de qualquer gênero) que usem cidades catarinenses como pano de fundo, deixem aí nos comentários. Depois, que tipo de história catarinense vocês acham que daria um bom livro?

Pra quem ficou curioso sobre o meu livro ou quiser apoiar um autor local, o link é esse aqui: https://tesourosemaldicoes.com ou no Instagram https://www.instagram.com/tesouronaserra/

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u/Ok-Sell-7681 — 3 months ago
▲ 0 r/Design

I write a newsletter about the hidden history of design, vernacular typography, and visual culture (plus a cabinet of random curiosities)

Hey everyone,

I’m a graphic designer and independent researcher from Brazil, and I write a Substack newsletter called Newsletra.

My main focus is on visual memory, graphic design history, and typography, especially the popular, vernacular or forgotten stuff that often goes unnoticed. It’s definitely not that standard "corporate design tips" or UX/UI tutorials.

https://preview.redd.it/5hz07qdohnah1.png?width=1007&format=png&auto=webp&s=608781c8fe81836d928d1085cb067bda403a3570

To give you an idea of the topics, recent editions covered:

  • A deep dive into the graphic design and vernacular typography that helped elect Zohran Mamdani as Mayor of New York.
  • A historical hunt for a forgotten 15-year-old female typographer from 1948 whose work was lost to time.
  • An exploration of an old "Gabinete Typographico" (Typographic Cabinet), unearthing the rich history of letterpress printing, classic type catalogs, and the tactile memory of early graphic design.

I also have a section at the end called Gabinete de Miudezas (Cabinet of Curiosities) where I drop random hyper-fixations: highly curated design content tips (like obscure articles, typography documentaries, and visual culture references), testing cheap Chinese "super shoes" for my half-marathons, weird YouTube rabbit holes, and music discoveries. (I used to include a picture of my dog to boost engagement, but I cut it due to low ROI. A tragic editorial decision because it is called Serifa, serif in Portuguese).

https://preview.redd.it/4j3sx67nhnah1.png?width=701&format=png&auto=webp&s=e51c7a7b3b1c6cf4544194744163bcfcb53eebd0

A quick heads-up: It's written in Portuguese, but I know a lot of folks in niche communities use browser translation these days. I wanted to share it here because I know there are fellow newsletter nerds who appreciate deep, slightly obsessive research into visual culture, regardless of the language barrier.

If that sounds like your kind of rabbit hole, I’d love for you to check it out.

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u/Ok-Sell-7681 — 4 months ago

I write a newsletter about the hidden history of design, vernacular typography, and visual culture (plus a cabinet of random curiosities).

Hey everyone,

I’m a graphic designer and independent researcher from Brazil, and I write a Substack newsletter called Newsletra.

My main focus is on visual memory, graphic design history, and typography, especially the popular, vernacular or forgotten stuff that often goes unnoticed. It’s definitely not that standard "corporate design tips" or UX/UI tutorials.

To give you an idea of the topics, recent editions covered:

  • A deep dive into the graphic design and vernacular typography that helped elect Zohran Mamdani as Mayor of New York.
  • A historical hunt for a forgotten 15-year-old female typographer from 1948 whose work was lost to time.
  • An exploration of an old "Gabinete Typographico" (Typographic Cabinet), unearthing the rich history of letterpress printing, classic type catalogs, and the tactile memory of early graphic design.

I also have a section at the end called Gabinete de Miudezas (Cabinet of Curiosities) where I drop random hyper-fixations: highly curated design content tips (like obscure articles, typography documentaries, and visual culture references), testing cheap Chinese "super shoes" for my half-marathons, weird YouTube rabbit holes, and music discoveries. (I used to include a picture of my dog to boost engagement, but I cut it due to low ROI. A tragic editorial decision).

A quick heads-up: It's written in Portuguese, but I know a lot of folks in niche communities use browser translation these days. I wanted to share it here because I know there are fellow newsletter nerds who appreciate deep, slightly obsessive research into visual culture, regardless of the language barrier.

If that sounds like your kind of rabbit hole, I’d love for you to check it out.

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u/Ok-Sell-7681 — 4 months ago

Mistério na história do design: Alguém já ouviu falar da tipógrafa Abedulia Damasceno Cavalheiro

Pessoal, estou fazendo uma pesquisa sobre a memória gráfica de Santa Catarina e esbarrei num recorte muito curioso na Hemeroteca Digital.

É uma pequena nota no jornal Correio do Norte, de Canoinhas, do ano de 1948. A nota parabeniza uma moça chamada Abedulia Damasceno, descrita como "tipógrafa de Artes Gráficas". Na época da publicação, ela tinha só 15 anos.

https://preview.redd.it/2oq378kygx8h1.jpg?width=1203&format=pjpg&auto=webp&s=d5d33f31b9103e3e6a78da5df4d276448e1eda87

Uma guria de 15 anos trabalhando numa gráfica na década de 40, é um registro raríssimo. Queria muito descobrir se ela realmente trabalhava em alguma oficina gráfica da região ou se foi um "delírio" ou erro do autor da nota.

Fui atrás de registros em cartórios e o nome aparece com várias grafias (Abdulha, Abedília e até Zbedúlia). Ela casou-se com Levi Cavalheiro (sargento rádio-telegrafista da PM) e faleceu muito cedo, em 1974. Tudo indica que a trajetória dela se dividiu entre Canoinhas e Chapecó.

Alguém aqui que estuda história do design brasileiro, impressão tipográfica (letterpress) ou que pesquisa sobre o papel das mulheres na nossa memória gráfica já esbarrou nesse nome ou nessa família em algum arquivo?

Escrevi um texto detalhado sobre essa escavação em arquivos e o mistério de Abedulia na minha newsletter. O link tá aqui: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-08-minha-sophia-se-chama.

Qualquer pista, por menor que seja, ajuda muito!

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u/Ok-Sell-7681 — 4 months ago

Mistério histórico no Planalto Norte/Meio-Oeste: Alguém já ouviu falar de Abedulia Damasceno Cavalheiro?

Pessoal, estou fazendo uma pesquisa sobre a memória gráfica de Santa Catarina e esbarrei num recorte muito curioso na Hemeroteca Digital.

É uma pequena nota no jornal Correio do Norte, de Canoinhas, do ano de 1948. A nota parabeniza uma moça chamada Abedulia Damasceno, descrita como "tipógrafa de Artes Gráficas". Na época da publicação, ela tinha só 15 anos.

https://preview.redd.it/x2kdo6owfx8h1.jpg?width=1203&format=pjpg&auto=webp&s=1ebba0224b1e1505a3fdb84279b62db054c1e19f

Uma guria de 15 anos trabalhando numa gráficana década de 40, é um registro raríssimo. Queria muito descobrir se ela realmente trabalhava em alguma oficina gráfica da região ou se foi um "delírio" ou erro do autor da nota.

Fui atrás de registros em cartórios e o nome aparece com várias grafias (Abdulha, Abedília e até Zbedúlia). Ela casou-se com Levi Cavalheiro (sargento rádio-telegrafista da PM) e faleceu muito cedo, em 1974. Tudo indica que a trajetória dela se dividiu entre Canoinhas e Chapecó.

Alguém da região conhece a família? Tem pais ou avós que trabalharam em jornais e gráficas locais nessa época e poderiam ter ouvido falar dela?

Escrevi um texto detalhado sobre essa escavação em arquivos e o mistério de Abedulia na minha newsletter. O link tá aqui: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-08-minha-sophia-se-chama.

Qualquer pista, por menor que seja, ajuda muito!

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u/Ok-Sell-7681 — 4 months ago

O designer pós-modernista que disputou três Copas do Mundo

De tempos em tempo pipoca por aí algum post relembrando as camisas do Jorge Campos. Ele tá, ao mesmo tempo, na lista das camisas mais icônicas e das mais feias. Mas as análises geralmente têm a profundidade de um pires.

https://preview.redd.it/s4popmw3eo7h1.jpg?width=1200&format=pjpg&auto=webp&s=9b314732089202dd16c4469ecc38ec8cfe949b9f

Mas preparei um ensaio completo (aviso: são uns 15 minutos de leitura) dissecando como um goleiro baixinho, que também era artilheiro e metia gol de voleio, ajudou a revolucionar o design dos uniformes de futebol. Lá falo desde a origem da estética dos uniformes dele, as referências culturais, a influência nos dias de hoje e algumas conexões mais aprofundadas com o design de um modo geral, como as relações com o Grupo Memphis e à teoria de Bernd Löbach.

https://preview.redd.it/h36deu86eo7h1.jpg?width=2160&format=pjpg&auto=webp&s=6740e8c34e492b0077e96d67fb70c68272019d52

Para a galera que gosta de ler sobre sobre design (e futebol) de uma forma mais profunda, o texto está aqui: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-7-o-designer-pos-modernista

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u/Ok-Sell-7681 — 4 months ago

Tipografia, prensas alemãs e tiroteio: a bizarra história de uma gráfica do início do século XX

https://preview.redd.it/4yqnhzqoea3h1.jpg?width=2404&format=pjpg&auto=webp&s=1ff8bea0fb594fd5e5cdc494c74c2b2214d5d071

Fala, pessoal. Tem edição nova da Newsletra no ar. Para quem já esbarra nos meus resgates de memória gráfica por aqui, aviso que essa foi a que mais deu trabalho (e a mais insana).

Fui ao Arquivo de Laguna pesquisar o Gabinete Typographico Patria (1907-1930). A intenção era puramente técnica, investigar o uso das prensas alemãs e tipos móveis da época. Mas o negócio virou um roteiro de faroeste que envolve:

  • Um dos donos da gráfica dando dois tiros à queima-roupa num hóspede de hotel.
  • Um jornal fechado à força por tropas armadas do governador.
  • Uma briga de meses na imprensa local, com donos de jornais trocando xingamentos maravilhosos nas manchetes, como "urubu chumbado", "cão leproso" e "desqualificado pichorra".

https://preview.redd.it/gkw25hlqea3h1.png?width=1007&format=png&auto=webp&s=35f00afcc68bb87878babdc4889030acc712858c

De quebra, essas mesmas prensas rodaram o 1º livro de true crime de SC em 1917. Como a história do livro é louca demais (tem mafioso siciliano e assassino fazendo a autópsia da vítima).

Quem curte história da tipografia, impressos antigos e fofoca de arquivo, fica o convite: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-6-o-gabinete-typographico

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u/Ok-Sell-7681 — 5 months ago

O 1º livro de "true crime" de SC, máfia siciliana em Lages e a gráfica amaldiçoada de Laguna

https://preview.redd.it/k0r5pvqeda3h1.jpg?width=2404&format=pjpg&auto=webp&s=eafd045a7a10de77b18f6284275a1f75502634d1

Fala, pessoal. Quem já esbarrou nas minhas postagens por aqui sabe que escrevo uma newsletter sobre memória gráfica e cultura popular de SC (a Newsletra). Acabei de soltar a edição nova e, de longe, foi a que mais me deu trabalho.

Fui presencialmente ao Arquivo Público de Laguna (que, aliás, precisa de verba para ontem) pesquisar a história de uma tipografia do início do século XX, o Gabinete Typographico Patria. O que era para ser uma pesquisa técnica sobre máquinas alemãs acabou revelando um autêntico roteiro de faroeste catarinense.

https://preview.redd.it/ahxnvtfida3h1.png?width=1007&format=png&auto=webp&s=e7c6a7e8792c32aa629055ef9e5a0656fbe969ff

Para vocês terem ideia do nível de caos, a história da gráfica dos irmãos Bainha envolve:

  • Um dos donos sacando o revólver e dando dois tiros à queima-roupa num hóspede de hotel por causa de um "mal-entendido".
  • O jornal deles sendo fechado à força por tropas armadas a mando do governador Hercílio Luz.
  • Uma briga de meses na imprensa local, com donos de jornais trocando xingamentos maravilhosos nas manchetes, como "urubu chumbado", "cão leproso" e "desqualificado pichorra".

De quebra, foram eles que imprimiram, em 1917, o que pode ser considerado o primeiro livro de true crime de Santa Catarina. É uma história completamente louca que envolve falso médico, mafiosos sicilianos, um assassino que fez a autópsia da própria vítima e o autor do livro sendo assassinado a tiros anos depois.

Dá um baita trabalho desenterrar essas coisas em arquivos esquecidos pelo poder público, então quem curte história de SC, causos bizarros e jornalismo de arquivo, fica o convite para ler: https://rafaelhoffmann.substack.com/p/newsletra-6-o-gabinete-typographico?r=3cmz5m

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u/Ok-Sell-7681 — 5 months ago