u/Psi_Let_10

O que está acontecendo com o marketing dos psicólogos?

As vezes eu me assusto com alguns conteúdos de psicólogos que aparecem pra mim no Instagram.

Exemplo: vídeos com opiniões fechadas sobre situações que, na prática clínica, dependeriam completamente do caso. Vejo isso principalmente com temas que estão em alta. Tipo: “se ele faz isso, ele é tóxico e não gosta de você”.

Não teria problema se fosse um perfil pessoal opinando, mas quando a pessoa usa “psi” no @ , ela precisa ter cuidado com o conteúdo que produz.

Outro exemplo é o marketing agressivo focado na dor do paciente. Eu entendo que o marketing em geral trabalha com gatilhos mentais. Mas na Psicologia estamos falando com pessoas em sofrimento psíquico, então a gente espera um pouco mais de sensibilidade por parte do psicólogo que está divulgando seu serviço.

Não acho que psicólogo não possa fazer marketing, mas o trabalho precisa ser divulgado de forma ética e responsável. Infelizmente a divulgação de muitos envolve diagnóstico de Instagram, conselho genérico vendido como orientação clínica e exploração da vulnerabilidade de quem está assistindo.

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u/Psi_Let_10 — 3 hours ago

Opinião impopular: a prática da psicoterapia deveria ser limitada ao psicólogo

Eu nem sabia que isso era uma opinião impopular entre psicólogos pra falar a verdade kkkkkkk.

Achei que todos nós concordássemos que a banalização da psicoterapia e, por consequência, a desvalorização da formação do psicólogo fossem um problema.

Existem vários tipos de terapia, além da psicoterapia, que podem ajudar em questões relacionadas à psique.

Não tenho problema, por exemplo, com terapeutas holísticos que utilizam florais, reiki, aromaterapia e outras práticas complementares para ajudar em demandas de ansiedade, depressao etc, desde que deixem claro para os pacientes que isso é COMPLEMENTAR e não substitui a psicoterapia formal, conduzida por um psicólogo, nem, dependendo do caso, o tratamento medicamentoso acompanhado por psiquiatra.

Já os psicanalistas formados por cursos livres de curta duração me incomodam profundamente.

Eu realmente tenho dificuldade em acreditar que alguém consiga compreender com profundidade a atuação clínica, o manejo, a ética, o vínculo, o sigilo, a escuta, os limites profissionais e a responsabilidade envolvida sem uma formação anterior em Psicologia.

Acredito que pessoas sem formação em Psicologia não deveriam praticar nenhum tipo de psicoterapia, incluindo a Psicanálise.

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u/Psi_Let_10 — 4 days ago

Vocês acham que é melhor se especializar por público ou por demanda?

Vejo profissionais se especializando por público, tipo crianças, adolescentes, mães no puerpério ou gestantes.

Mas também vejo muita gente se organizando mais por tipo de demanda, ex: ansiedade, TEA, TDAH, avaliação psicológica, saúde mental no trabalho, transtornos alimentares, etc. 

Na prática, essas duas coisas acabam se misturando, mas queria entender como vocês pensam isso, principalmente em relação a marketing e posicionamento.

Pra vocês faz mais sentido comunicar um público específico ou uma demanda específica?

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u/Psi_Let_10 — 5 days ago

Psicólogos que atendem crianças: qual especialização vocês fizeram?

Além da clássica Psicologia Infantil, encontrei opções como Neuropsicologia Infantil, Psicoterapia na Infância e Adolescência, Psicologia do Desenvolvimento, entre outras.

Minha intenção seria atuar no contexto clínico mesmo, com psicoterapia para crianças e adolescentes, não necessariamente com avaliação neuropsicológica como foco principal.

Pra quem atende esse público: qual formação vocês fizeram depois da graduação?

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u/Psi_Let_10 — 6 days ago

Como é atender crianças e adolescentes?

Desde que decidi cursar Psicologia, tenho vontade de atuar com crianças e adolescentes na clínica, mas não tenho muita referência de pessoas próximas que trabalhem com esse público. Por isso, ainda não sei muito bem o que esperar da prática.

Hoje sou psicóloga clínica e atendo no meu consultório, mas trabalho apenas com adultos.

Vejo muita gente comentando que uma das partes mais difíceis de atender crianças é lidar com os pais/responsáveis, e queria entender melhor como isso aparece na rotina.

Pra quem atende crianças e adolescentes: quais são os maiores desafios?

Como é o trabalho com os responsáveis?

O que acabou sendo muito diferente na prática em relação à teoria?

Queria ter uma visão mais realista da área antes de decidir se faz sentido me aprofundar nisso. Então o que puderem compartilhar, eu agradeço kkkkkk

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u/Psi_Let_10 — 8 days ago

Teve alguma demanda que vocês evitaram atender no começo por não se sentirem preparados?

Eu evitava demandas de avaliação psicológica formal, principalmente quando envolviam suspeitas de TEA, TDAH ou questões cognitivas. Hoje estou fazendo pós em Neuropsicologia justamente para preencher essa lacuna e me sentir mais segura nesse tipo de avaliação.

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u/Psi_Let_10 — 12 days ago

Vocês preferem atender presencialmente ou online?

Eu gosto muito do “olho no olho” do presencial e sinto que algumas coisas aparecem de outro jeito no consultório.

Mas, ao mesmo tempo, percebo que o online suga menos minha energia. Acabo conseguindo fazer mais atendimentos no dia e terminar menos cansada.

Fico curiosa para saber se outros profissionais sentem isso também.

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u/Psi_Let_10 — 13 days ago

Em qual área da Psicologia você nunca se imaginou atuando e acabou virando sua realidade?

No meu caso, eu comecei na psicologia organizacional através do estágio, simplesmente porque foi o que eu consegui arrumar e que pagava mais ou menos bem pra estágio na época. 

O que eu queria mesmo era estagiar em clínica, mas não rolou. Acabei gostando bastante da área, me surpreendi. 

Hoje em dia, atendo em clínica mas nunca me esqueci da psicologia organizacional, tanto que fiz pós na área e penso em voltar a trabalhar com essa frente em breve.

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u/Psi_Let_10 — 15 days ago

Universidade federal prepara melhor do que faculdade particular?

Cursei Psicologia em uma faculdade particular pelo ProUni. Não foi em qualquer uniesquina, foi em uma boa instituição, bem conceituada. 

Acontece que, quando eu me formei e fui atender na prática, percebi que não me sentia preparada. Não tinha repertório suficiente, tinha um conhecimento geral de várias áreas e abordagens, mas nada profundo o suficiente pra me deixar segura para exercer a profissão.

Desde então, eu fiz pós em psicologia clínica e psicologia organizacional, busquei estudar por fora, e, finalmente, comecei a atender.

Hoje, anos depois, eu já tenho conhecimento, repertório e vivência em clínica, mas sempre me pergunto se minha trajetória teria sido diferente, mais simples, se eu tivesse cursado em universidade federal.

Sempre rola esse papo de que federal é melhor que particular, e eu não tenho como concordar ou discordar, porque só tenho experiência com particular. Sei que alguns cursos de psicologia em universidades federais são integrais, então faz sentido pensar que a graduação possa ser mais completa e aprofundada nesse caso.

Psicólogos que se formaram em federais, vocês acham que a universidade ofereceu pra vocês uma base mais estruturada? Vocês se sentiram prontos para atender assim que se formaram?

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u/Psi_Let_10 — 18 days ago

Quantos atendimentos vocês conseguem fazer por dia sem se sentir esgotados?

Em média, quantos pacientes vocês atendem por dia? E por semana?

Vocês sentem que existe um limite saudável de atendimentos diários ou isso varia muito conforme o perfil dos casos?

Também queria saber com que frequência chegam pacientes novos e quanto tempo levou até a agenda de vocês ficar minimamente estável.

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u/Psi_Let_10 — 19 days ago

Qual foi o maior choque de realidade depois que vocês se formaram?

Pra mim foi descobrir que os 5 anos de faculdade não me prepararam pra boa parte das demandas da clínica e que, além da supervisão, que eu já esperava precisar, eu também teria que fazer pós-graduação e estudar muito mais do que esperava pra me sentir segura atendendo. 

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u/Psi_Let_10 — 20 days ago

Psicólogos que atendem demandas de TEA: aparecem muitos adultos?

Penso em me aprofundar na área de TEA e talvez trabalhar com intervenções baseadas em ABA. Mas por mais que eu tenha vontade de atender crianças e adolescentes, sinto que existe uma lacuna muito grande no atendimento voltado para adultos com TEA.

Dificilmente encontro clínicas ou profissionais que se posicionem claramente para esse público. Muitos profissionais com quem já conversei dizem que não limitam a idade do paciente, mas parecem ficar meio “perdidos” quando eu pergunto sobre atendimento de adultos autistas, como se fosse uma demanda pouco considerada.

O mais próximo que encontro são profissionais que se posicionam para neurodivergências em geral, como TEA e TDAH. Mas, na minha visão, por mais que muitas pessoas tenham os dois diagnósticos, ainda são demandas bem diferentes.

Não sei se é falta de procura, falta de encaminhamento ou falta de um olhar para além dos estereótipos sobre o autismo.

Tenho pensado na possibilidade de me especializar e focar meus atendimentos em adultos com TEA, mas fico com receio de não haver tanta demanda ou de ser uma área ainda pouco estruturada.

Gostaria de ouvir a opinião de psicólogos que atuam ou já atuaram com esse público.

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u/Psi_Let_10 — 22 days ago

Quais áreas da Psicologia vocês veem crescendo nos próximos anos?

Tenho pensado bastante sobre isso e, pelo que tenho observado, a Neuropsicologia parece estar em alta, principalmente pela procura por avaliação neuropsicológica.

Também vejo uma demanda crescente por profissionais que tenham mais preparo para lidar com demandas específicas, como TEA e TDAH.

Não sei se essa percepção é geral ou se depende da região e da rede profissional de cada um.

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u/Psi_Let_10 — 26 days ago

O que vocês acham de psicólogos que continuam atendendo por plataformas de valor social mesmo depois de estabilizar a clínica?

Quando comecei a atender, quase todos os meus atendimentos vinham pelo PsyMeet. Hoje em dia, tenho uma quantidade ok de pacientes presenciais, mas mantive alguns pacientes da plataforma e fui fazendo pequenos reajustes no valor ao longo do tempo.

Foi uma plataforma que me ajudou muito no início. Hoje eu já não dependo dela, mas mantenho alguns atendimentos pelo vínculo com os pacientes e porque acredito na importância de tornar o cuidado psicológico mais acessível para pessoas que não conseguiriam pagar os valores habituais da clínica. 

Porém, entendo a problemática da precarização da profissão. Querendo ou não, quando muita gente atende por valores muito baixos nessas plataformas, isso acaba puxando o valor da profissão pra baixo e atrapalha quem tenta viver da clínica cobrando um valor mais justo. 

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u/Psi_Let_10 — 27 days ago

Psicólogo precisa escolher uma área só para ser levado a sério?

No final da faculdade, eu estagiava na área de RH, porque foi o que eu encontrei que pagava minimamente bem na época. Mas eu tinha certeza de que queria atuar em clínica assim que me formasse. 

Me formei, fiz pós em Psicologia Clínica, comecei a atender com supervisão e senti que foi a escolha certa pra mim. Mesmo dando certo e conseguindo uma quantidade ok de pacientes, comecei a sentir falta da rotina do RH e acabei fazendo pós em Psicologia Organizacional. Penso em voltar pro RH em algum momento, mas não queria largar a clínica.

Pra completar, agora comecei Neuropsicologia porque tenho interesse em atuar com avaliação neuropsicológica. 

A questão é: eu tenho vontade de conciliar essas áreas, mas sinto que, dentro da Psicologia, existe uma pressão grande para escolher uma atuação específica.

Quem trabalha com RH geralmente trabalha só com isso. Quem atende em clínica foca só na clínica. Quem faz avaliação, costuma se posicionar só com avaliação.

Eu fico com receio de que atuar em mais de uma frente seja visto como falta de foco, ou como se eu estivesse “atirando pra todo lado” porque nenhuma área deu certo. 

Mas, ao mesmo tempo, eu não sinto que estou pulando de área sem critério. Sinto que construí uma boa base tanto na clínica quanto na organizacional, estou me desenvolvendo na neuropsicologia, e acredito que as 3 áreas conversam mais do que parecem e olham para o comportamento humano em contextos diferentes.

Mais alguém sente essa dificuldade de escolher uma área só? Tem alguém aí que atua em mais de uma área?

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u/Psi_Let_10 — 28 days ago

Desmotivação, exaustão e contexto social

Ultimamente tenho refletido sobre como muitas queixas de desmotivação e falta de produtividade podem ter uma base social, e não apenas individual ou neuropsicológica.

Não estou falando de nenhum caso específico, mas de uma tendência que vejo com frequência: pessoas que sentem que têm algo de errado com elas mesmas quando, na verdade, podem estar respondendo a um contexto de exaustão física e psicológica.

Rotinas pesadas de trabalho, insegurança financeira, falta de descanso...vejo muita gente na internet se culpando por “não conseguir render”, mas a realidade dessas pessoas já é extremamente desgastante.

Como psicóloga, acho triste ver pessoas vulneráveis caindo em discursos de produtividade que ignoram completamente o contexto social.

Acho que esse é um cuidado importante na clínica: trabalhar o acolhimento, a redução de culpa e a construção de estratégias possíveis dentro da realidade da pessoa. Olhar para o sujeito sem ignorar o contexto em que ele vive.

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u/Psi_Let_10 — 29 days ago

Psicólogo recém-formado e os limites da inexperiência

Eu tenho visto algumas discussões nesse sub e em comunidades de psicólogos de outras redes sociais sobre insegurança no começo de carreira, e queria fazer uma reflexão sobre isso.

É super normal não estar 100% preparado assim que sai da faculdade. Na verdade, isso é o mais comum. Mas é pra isso que existem a supervisão clínica, o estudo contínuo e as especializações.

Há várias áreas de atuação em que você pode “aprender fazendo” e improvisar no dia a dia quando você está começando na profissão. A área da saúde não é uma delas. Principalmente quando você é o profissional responsável.

É normal ter dúvidas, somos seres humanos. Mas há um abismo entre ficar em dúvida e simplesmente não ter o preparo necessário para lidar com aquela demanda.

Tá tudo bem não saber. Tá tudo bem reconhecer os próprios limites. Na verdade, esse autoconhecimento e “humildade clínica” é um ótimo sinal de que aquele psicólogo iniciante pode se tornar um profissional excelente, tanto em técnica quanto em ética, se buscar aprender e se aprimorar.

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u/Psi_Let_10 — 1 month ago