Moro em Palmas e estou construindo uma rede social urbana com foco inicial em Goiânia, e preciso de alguém da cidade para tocar isso comigo
Estou desenvolvendo uma plataforma chamada Dê um Rolê, uma rede social georreferenciada construída em torno de uma pergunta bem simples: o que está rolando perto de mim? A proposta é criar uma camada social sobre a própria cidade, conectando eventos, locais, artistas, organizações, comunidades, territórios e pessoas. Você abre o mapa, descobre alguma coisa interessante, entende onde e quando acontece, encontra companhia e sai de casa.
A plataforma já possui infraestrutura para todas as capitais brasileiras e hoje tem cobertura de eventos em Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba, Brasília, Recife/ e Florianópolis. Só que suporte técnico e cobertura de conteúdo não significam adoção. E é justamente aí que está o problema que estou tentando resolver agora.
Tecnicamente, o projeto já foi bem longe. O backend é um monólito modular em Django, com Django Ninja nas APIs e PostgreSQL/PostGIS como fonte de verdade. O frontend é React/TypeScript. Em vez de organizar o sistema em torno de telas ou features isoladas, tentei modelar as entidades fundamentais do domínio e as relações entre elas: Pessoa, Evento, Local, Artista, Organização, Série, Comunidade e Território.
A geografia não é apenas um par de latitude e longitude usado para desenhar pins. Ela faz parte do domínio. Eventos, Locais e Convocações têm contexto territorial, e distância, bairro, proximidade e tempo participam da descoberta. O próprio mapa é temporal: aquilo que está acontecendo agora, o que começa em breve e o que acabou de terminar são estados diferentes da cidade.
Também existe a Convocação, porque nem toda atividade urbana precisa nascer como um evento formal. “Quem topa uma pelada às 18h?”, “alguém anima correr hoje?” ou “bora tomar uma depois do trabalho?” são atividades sociais que podem surgir espontaneamente. Uma Convocação pode reunir algumas pessoas e desaparecer ou ganhar tração e se transformar em algo maior.
A presença também não foi modelada simplesmente como confirmed=true. A relação entre Pessoa e Evento possui estado e temporalidade: Talvez, Vou, Procurando companhia, Cheguei e Já fui embora. Ao redor disso existem convites internos, respostas rápidas, perguntas públicas ao organizador, respostas oficiais, menções e uma superfície temporária de “Acontecendo agora”. A ideia é permitir coordenação social sem transformar presença em rastreamento contínuo de localização.
Outra decisão importante foi não tratar eventos passados como dados descartáveis. Quando um evento termina, continua sendo verdade que determinado artista esteve naquele local, produzido por determinada organização, naquele território e naquele momento. O evento deixa de ser apenas agenda e passa a funcionar como evidência histórica. Com o tempo, a plataforma começa a acumular uma memória estruturada da atividade urbana.
É daí que surge a camada de wiki urbana. Locais, Artistas, Organizações, Séries e Territórios possuem páginas próprias e podem acumular descrição, histórico, autoria, revisões, fontes e proveniência. A wiki não é um CMS separado da rede social, é outra projeção das mesmas entidades que aparecem no mapa e nos eventos.
Por baixo disso existe uma camada de conhecimento com entidades canônicas, aliases, claims, relações tipadas, fontes e validade temporal. Na prática o domínio começa a assumir características de um temporal geospatial knowledge graph. Não é apenas representar que A está relacionado com B, mas potencialmente qual é essa relação, onde aconteceu, quando era válida e qual evidência sustenta aquilo. Esse conhecimento também pode ser consultado por APIs públicas.
No final, várias coisas que parecem sistemas independentes são projeções das mesmas primitivas: mapa -> agenda -> rede social -> presença -> memória -> wiki -> knowledge graph -> API -> dados urbanos. E essa é justamente a parte do projeto que considero tecnicamente mais interessante.
Só que cheguei a uma conclusão bastante simples: continuar adicionando features não resolve o problema atual. Rede social depende de densidade. Um mapa tecnicamente perfeito continua sendo um mapa vazio se as pessoas daquele território não estiverem usando, publicando, convidando, confirmando presença e voltando na semana seguinte.
Por isso quero concentrar a validação inicialmente em Goiânia. Mas existe uma limitação bastante concreta: eu moro em Palmas, Tocantins (apesar de ter morado a vida inteira em Goiânia). Consigo desenvolver e operar a plataforma remotamente, mas não consigo estar inserido diariamente na dinâmica social de Goiânia. E uma rede social urbana não pode ser construída apenas olhando para a cidade através de um banco de dados.
A pergunta que quero responder agora não é “qual feature está faltando?”. É algo muito mais difícil: como fazemos 50 pessoas de uma mesma cena terem motivo para abrir isso toda semana?
E é justamente por isso que estou procurando alguém de Goiânia, preferencialmente de Publicidade e Propaganda, Comunicação, Marketing, Relações Públicas, Produção Cultural ou áreas próximas, que se identifique com a proposta e queira entrar como parceiro nessa jornada. Não estou procurando simplesmente alguém para fazer posts no Instagram ou rodar tráfego pago. Preciso de alguém interessado no problema de distribuição e comunidade como parte do próprio produto.
No começo isso provavelmente significa fazer coisas que não escalam: conversar individualmente com produtores, conhecer coletivos, chegar às casas, trazer organizações, falar com artistas, entender onde as comunidades já existem e colocar os primeiros grupos dentro da plataforma. Depois observar. Por que alguém voltou? Por que não voltou? Por que criou uma Convocação? O convite levou alguém para o evento? A organização publicou novamente? O grupo continuou interagindo depois do rolê?
Eu consigo continuar trabalhando daqui em Palmas na engenharia, produto, dados e infraestrutura. O que não consigo reproduzir remotamente é o conhecimento in loco de quem está em Goiânia: saber qual festa está começando a crescer, qual coletivo está movimentando determinada cena, qual bar virou ponto de encontro, quem organiza corrida todo fim de semana ou simplesmente quem precisa conversar com quem para alguma coisa começar a acontecer.
O ciclo que quero conseguir fechar é mais ou menos organizador -> evento -> público -> convite -> presença -> interação -> próximo evento. Quando isso começar a se repetir espontaneamente dentro de uma comunidade, aí teremos alguma coisa que faz sentido escalar.
Também não procuro necessariamente a pessoa com o melhor currículo de marketing. Pra esse momento, alguém que conheça produtores, coletivos, artistas, bares, casas de show, universidades e comunidades de Goiânia pode ser muito mais valioso. Preciso de alguém que conheça a cidade não apenas como mercado, mas como rede de pessoas.
A engenharia consegue responder rapidamente aos problemas que surgirem dessa validação. O que ela não consegue fazer é fabricar uma comunidade. PostGIS pode calcular distância, o grafo pode representar relações, a API pode expor conhecimento e o software pode coordenar presença. Mas código nenhum consegue decidir que um grupo de pessoas vai querer estar ali.
É justamente essa fronteira entre produto e rua que quero explorar agora.
Se você é de Goiânia, trabalha ou estuda comunicação, publicidade, marketing, produção cultural ou simplesmente está muito inserido na vida cultural/social da cidade e achou a proposta interessante, me chama no privado. Se conhece alguém com esse perfil, também agradeço muito se puder mandar este post para essa pessoa.
A plataforma está em disponível em deumrole.com
No fim, a proposta continua sendo simples: a cidade contada por quem vive nela.