

A IA matou minha profissão e triplicou a carga de trabalho
Sem alarde, não é alarmismo, inclusive sou entusiasta de IA e uso todos os dias no trabalho.
O problema não é o uso dela, mas sim a percepção de que por ela existir, todo mundo vai render infinitamente. O microgerenciamento aumentou a um nível insustentável. Trabalho com treinamentos corporativos, e um tempo atrás, a rotina intensa era de 20 demandas simultâneas, com cerca de 500 interações no mês, mas hoje tenho dias com 300 movimentações de projetos, meses com 5.000 interações de fluxos com 10, 12 etapas, tudo a ser acompanhado pra “garantir qualidade” e revisar o trabalho da IA, o que acabou destruindo o workflow.
Prazos de um objeto para revisão de 70, acumulo de projetos equivalentes a 4 ou 5 profissionais em um só. Queria poder dizer que é a empresa, mas tenho visto isso de forma geral.
Pra mim, ficou cognitivamente impossível preservar. No gera encabeço IA nas atuações e por isso acabo sendo requisitado, mas estou sendo tão atropelado por esse volume insano de requisições que desisti. Ano passado saí de um emprego que pagava o dobro por causa do volume de trabalho, justamente por decidir o quanto estava disposto a entregar e não priorizar a grana, mas depois de 4 meses no emprego novo, as coisas começaram a desandar até chegar a um ponto em que está igual, até pior, dependendo da perspectiva, por metade do valor, o que é surreal.
Estou respirando bem fundo para segurar a onda até férias, em alguns dias, e meu plano é usar as férias para tentar garantir um PJ ou algo similar. Tenho uma reserva de 6 meses e uma despesa baixa, então minha intenção é não voltar depois das férias, no máximo cumprir um aviso prévio, porém, para esse período posterior, se não rolar projetos PJ, acho que escritório acabou pra mim, vou aproveitar a cidade de interior pra procurar um emprego menor e abandonar a carreira.