u/Solid_Pirate_9375

Alguém sabe onde conseguir acessórios para o V3 PRO Baratos?

Galera, queria um bubble para meu V3 PRo e etc, mas nos sites aqui no brazucas ta caro d+. Possuem algum link da aliexpress e etc pra comprar acessórios?

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u/Solid_Pirate_9375 — 3 days ago

Não vou me aprofundar em quem eu sou, porque este é um fenômeno coletivo. Vou apenas dizer o necessário para contextualizar minha fala. Não tenho a pretensão de oferecer aqui um retrato total ou geral da situação docente, até porque há várias variáveis, mas sim trazer “alguma coisa para pensar” a partir daquilo que analiso do cenário. Apesar de ser uma análise individual, infelizmente é bastante comum encontrar professores com a mesma experiência.

Sou professor de escola pública. Ensino fundamental II.

Ser professor está cada vez mais difícil, as coisas mudaram. Sempre foi difícil ser professor, principalmente pela questão salarial. Na última década, isso até vem melhorando, mas todo o resto piorou: começando pelos pais ou responsáveis: hoje em dia, trabalha-se demais para manter um padrão mínimo de vida e, por consequência, sobra pouco tempo para criar vínculos com a família — quanto mais para acompanhar o filho na escola. Os pais estão exaustos; as crianças, desacompanhadas e viciadas em estímulos rápidos e eletrônicos.

As secretarias de educação nos enviam demandas inúteis e sem sentido, cheias de pessoas em “cargos de confiança” — nome moderno para voto de cabresto. Muitas vezes, podam qualquer tentativa sincera e pedagógica de ensinar. Um exemplo recente ocorreu em São Paulo, quando um professor que utilizou Assassin’s Creed (um jogo) para abordar a Revolução Industrial foi advertido pela secretaria. Não há apoio, apenas cobrança e vigilância constante. Não é incomum que professores novos peçam exoneração com menos de um ano em sala de aula — já vi casos com menos de um mês. Sem falar na falta de estrutura das escolas. Promovem formações com as famosas “aulas-show”, ignorando que a educação também exige momentos de seriedade e até de certo desconforto, tentando reduzir o professor a um apresentador.

Para piorar, há a atuação de parte da classe política, que frequentemente mobiliza famílias — também imersas no uso excessivo de telas — contra os professores, sob a acusação de que estaríamos “doutrinando” os alunos. Às vezes, é difícil fazer com que produzam até mesmo um mapa mental. Há alunos no 9º ano que não sabem o significado de “município”. Não adianta passar atividades para casa: muitos não fazem. Acabamos recorrendo constantemente às notas como forma de pressão para que produzam algo. Devido à forma como as verbas e metas são distribuídas, é comum ocorrer uma espécie de “aprovação automática”, promovendo alunos que não desenvolveram minimamente as habilidades necessárias. O resultado? Desmotivação generalizada.

A única coisa que faz valer a pena nessa profissão são os alunos — ou deveriam ser. Cada vez mais, porém, estão raivosos, desrespeitosos e descrentes da realidade. Muitos não sabem sequer com o que os pais trabalham, nem têm expectativas para o futuro. Nós, professores, nos tornamos “estraga-prazeres” e inimigos. Sim, eu sei que isso sempre existiu, mas agora está generalizado. Cada vez mais trabalhamos apenas pelo salário, porque nosso público não está interessado no que temos a ensinar. Salas superlotadas de alunos desinteressados, e os poucos que são exceção acabam sufocados pelo coletivo. É doloroso assistir sujeitos a recusarem conhecimentos importantes todos os dias.

Há raras exceções, alunos que transcendem a isso tudo ou aqueles que conseguem aprender o suficiente para de virarem. Há as turmas boas, há muitos momentos que nos aliviam, mas estes estão cara vez mais raros. O cenário atual faz parecer que até Paulo Freire se tornou impraticável: a educação bancária venceu, e qualquer ousadia pedagógica pode custar o emprego — e, no limite, a sobrevivência.

O que estamos fazendo? Para que estamos fazendo? Para quem estamos fazendo?!

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u/Solid_Pirate_9375 — 22 days ago