Arquitetos, engenheiros e profissionais que lidam com prefeitura: na cidade de vocês também é assim?
Gostaria de entender a experiência de outros profissionais que dependem de setores públicos municipais para aprovações, regularizações, dúvidas técnicas, protocolos e demais trâmites.
Sou de Mococa/SP e, sinceramente, a sensação que tenho é de que existe uma cultura de fazer apenas o mínimo necessário. Muitos setores parecem não ter vontade real de resolver nada. Quando surge uma dúvida mais específica, começa o famoso jogo de empurra: um setor manda para outro, que manda para outro, e no fim ninguém assume responsabilidade pela resposta.
O mais frustrante é que, muitas vezes, quem supostamente sabe ou poderia resolver a questão “não está”, “não veio”, “saiu”, “volta outro dia” ou simplesmente é inacessível. Diretores e responsáveis técnicos parecem figuras quase inalcançáveis, mesmo quando o assunto depende diretamente deles.
Já aconteceu também de eu chegar a um setor por volta das 16h e os funcionários estarem saindo. Disseram que não iriam me atender, mesmo o expediente do setor sendo até às 17h. Ou seja: o cidadão/profissional precisa se organizar, perder tempo, deslocar-se, tentar resolver algo dentro do horário oficial, mas na prática o atendimento não funciona como deveria.
Outro ponto delicado, e talvez um dos mais graves, é o medo de se indispor com a prefeitura.
Quem trabalha com aprovação de projeto, regularização, alvarás e protocolos depende diretamente desses setores. Então existe sempre aquela sensação incômoda de que, se você questionar demais, insistir demais ou contrariar alguém, pode acabar “marcado”.
E mesmo que isso nunca seja dito abertamente, o medo existe. O profissional fica receoso de que seus próximos processos sejam analisados com mais má vontade, travados por exigências excessivas, empurrados para o fim da fila ou dificultados por detalhes que, em outros casos, talvez fossem tratados com mais razoabilidade.
Isso cria um ambiente péssimo: o profissional não se sente livre para cobrar eficiência, transparência ou cumprimento de prazo, porque depende justamente da boa vontade de quem deveria prestar um serviço técnico, impessoal e público.
No fim, a relação deixa de parecer institucional e passa a parecer pessoal. E quando um serviço público funciona na base do medo, do constrangimento e da necessidade de “não desagradar ninguém”, algo está profundamente errado.
O que mais incomoda é a contradição: impostos cada vez mais altos, burocracia cada vez mais pesada, exigências cada vez maiores para profissionais e contribuintes — mas, na hora de o poder público prestar um serviço minimamente eficiente, parece que estamos pedindo um favor.
E antes que alguém interprete errado: não estou dizendo que todo servidor é ruim ou que não existem pessoas corretas dentro da prefeitura. Com certeza existem. O problema é a estrutura como um todo: setores desarticulados, falta de clareza nos procedimentos, respostas informais, ausência de responsáveis, dificuldade de acesso e pouca previsibilidade.
Para quem trabalha com arquitetura, engenharia, regularização, aprovação de projeto ou cartório, isso atrasa serviço, desgasta cliente, gera insegurança técnica e faz o profissional parecer incompetente por causa de uma máquina pública que não funciona direito.
Não estou falando de exigir privilégio, tratamento especial ou “jeitinho”. Estou falando do básico: procedimento claro, atendimento dentro do horário informado, resposta técnica objetiva, responsáveis acessíveis e segurança de que um processo será analisado por critérios técnicos — não por simpatia, antipatia ou conveniência interna.
Queria ouvir de quem também lida com isso: nas prefeituras das cidades de vocês, os setores funcionam de forma minimamente organizada ou esse jogo de empurra, medo de retaliação e falta de resolução também é o padrão?
Como vocês fazem para cobrar respostas sem se queimar?