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Ricardo Martins (1973-2026)
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Ricardo Martins (1973-2026)

Perdemos hoje um gênio da nossa música. Músico virtuose, compositor, cantor, arranjador, tocava violão, cordeona e piano; homem de campo, ginete, fronteiriço, aporreado... E ilustre desconhecido do grande público.

Tinha o apelido de Taz e não era à toa. Gaúcho com atitude punk. Reza a lenda que ameaçou de morte um colega e que era envolvido nas ilicitudes típicas da fronteira. Era bruto e sensível na mesma medida.

Ganhou a 34ª Califórnia, em 2005 ("Com os pés fincados no chão"), entre tantos outros festivais. No palco, era um intérprete de verdade. Parecia que tinha acabado de apear do cavalo e que tocava violão há séculos. Tocava violão como quem doma um cavalo.

"Romance de um peão posteiro" e "Refazendo os planos" são algumas das canções que compôs. "Diário de Fronteiriço" foi feita pra ele pelo Érlon Péricles, em todos os sentidos: ele deu vida própria ao hino informal de Livramento.

Fez música gaúcha raiz, sotaque e dialeto de fronteira, arranjos ao mesmo tempo terrunhos e modernos. Foi aluno do Leonel Gomez, gravou com o Luiz Marenco (disco "Andarilho"), arranjou o disco "Bem de Bem" do Pirisca Grecco. Os discos "Coza de Loco" vol. 1 e 2 são pérolas esquecidas do nosso cancionero. Seu último disco, "Transcendência", de 2020, repassa sua obra ao lado de muitos parceiros de renome, como Renato Borghetti.

Faleceu hoje na UTI de Livramento, de complicações respiratórias e circulatórias. Deixou uma filha, dois irmãos e um punhado de fãs que não o esquecerão.

u/bugregroove — 8 days ago