Live on Readings 1983
Two drummers, Andy, percussion and John Marter main kit. Funny.
O centro de saúde da amadora e a tenda da feira.
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Vivemos na era da inteligência artificial, da fibra ótica de alta velocidade, de foguetões reutilizáveis e de mundos virtuais interconectados onde tudo se resolve com um clique à distância de um polegar. Mas depois caímos na realidade do Centro de saúde da Amadora, gerido por uma corja de incompetentes.
Desconto há quarenta anos para a segurança social e sendo português, tive sempre o privilégio de nunca usufruir de um caralho de um médico de família. E agora, como prémios de consolação por esta merda toda, levo com o costume: sou obrigado a enfiar-me numa fila de quatro horas, num único dia estanque do mês, último dia útil do mês, a rezar por uma consulta. E se nesse exato dia estou de cama com febre, se tenho compromissos familiares de todo o tamanho ou se estou a braços com um trabalho inadiável a que simplesmente não consigo faltar? Azar o meu, fodo-me e fico um mês inteiro sem ver um médico, porque estes montes de merda acham que a vida das pessoas cabe numa folha de Excel e num único caralho de um dia.
Vejam bem a aberração: no século XXI, um motorista do INEM que passa os dias a salvar vidas em contrarrelógio e a desatar nós em urgências críticas é obrigado a abandonar o posto e a enfiar-se quatro horas numa fila da treta só para tentar a sorte. O Estado a foder os recursos de quem realmente segura o país de pé na hora da emergência, metido no meio de uma incompetência monumental.
Esta cambada de administradores de meia tigela não percebe um caralho de gestão. Têm a mesma puta da capacidade de organização que uma tenda de feira a vender chouriço. E que ninguém venha com paninhos quentes: se isto não é a mais atroz, imbecil e criminosa incompetência destes sanguessugas com tacho, é pior ainda: é pura e deliberada estratégia para dificultar o acesso à saúde, fechar a porta aos cidadãos e empurrar o povo farto para a mama do privado.