Resenha do filme: Salò ou os 120 Dias de Sodoma
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Resenha do filme: Salò ou os 120 Dias de Sodoma

Apenas um adendo, minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Mais um filme que me faz questionar não só a natureza humana, mas também o próprio Deus. Eu me recuso a acreditar na existência de um senhor divino no momento em que coisas assim, iguais às deste filme, existem no nosso mundo. Não é possível que Deus escolheria deixar isso acontecer.

Por mais que aqui seja ficção, o fascismo foi real, Epstein foi real, P. Diddy foi real. Violências e abusos sexuais por um prazer doentio são reais, principalmente quando praticados por figuras de poder.

Fico sinceramente sem ter o que comentar deste filme. Foram as duas horas mais longas da minha vida, devido ao tamanho do incômodo que tive durante cada minuto que se passava. Poucas vezes na vida vi uma obra que literalmente quase me fizesse vomitar ou que me fizesse desviar o olhar porque eu não estava aguentando mais ver aquilo à minha frente.

Eu me sinto ridículo de elogiar a atuação de todos, mas, por um segundo, pensei que fosse verdade e que eu estivesse vendo gravações reais, devido à tamanha veracidade dos atores e atrizes ao atuar.

E, depois de tudo isso, no final terminar apenas com aqueles dois dançando como se nada tivesse acontecido e, pior, eu sabendo que ainda iria acontecer muito mais, é devastador. Eu sinceramente me sinto desolado, completamente destruído. E, se um dia eu tive fé na humanidade, ou melhor dizendo, se um dia eu tive fé em Deus, há muito já foi esvaída.

Não pretendo ficar dando detalhes de Salò ou os 120 Dias de Sodoma. Se você não tem amor à vida, tem prazer em se sentir mal, quer perder a fé ou seja lá qual for seu motivo, veja por si só, pois eu não tenho palavras para descrever o horror que acabei de assistir.

Apenas quero terminar citando System of a Down:

"Father, into your hands, I commend my spirit

Father, into your hands

Why have you forsaken me?

In your eyes, forsaken me?

In your thoughts, forsaken me?

In your heart, forsaken me?"

Nota: 4.5/5. Não sei se recomendo ou não, por mais que cinema também seja para incomodar, isso aqui incomoda até demais, veja por sua conta e risco, eu vi e acabou com meu dia.

u/willdoboxe — 1 day ago
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Resenha do filme: Três Homens em Conflito

Apenas um adendo, minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Para começar, esse é um dos filmes em que eu prefiro o título original. Acho que "Três Homens em Conflito" passa a ideia, mas não tão bem quanto "O Bom, O Mau e o Feio". Esse título é genial e maravilhoso. Também gostaria de dizer que assisti à versão estendida.

É impossível não comentar a trilha sonora. O maestro Ennio Morricone fez algo tão icônico que é impossível colocar em palavras. No momento em que alguém ousa citar o gênero "Faroeste", você automaticamente escuta a música. Sim, essa mesma que você está pensando agora.

E ela é de um nível de envolvimento tão grande que eu, aqui no meu sofá, tive que acender um charuto, botei um uísque bourbon no copo e assisti ao filme tomando no bom e velho estilo cowboy. Só me faltou o chapéu e o revólver.

Agora, fugindo um pouco desse ponto, acho interessante como ele retrata a ganância do homem. O filme começa nos apresentando, com calma e da melhor forma, a personalidade de cada um. E acho que faz muito sentido e ajuda a nos passar essa sensação de não pertencimento nós não sabermos o nome de nenhum dos três. Eles não dizem o próprio nome nem quando perguntados, não sabem o nome um dos outros, apenas se conhecem por apelidos.

Eu diria que é difícil dizer qual eu gostei mais, porém estaria mentindo. Infelizmente, Clint Eastwood carrega um carisma indescritível. Ele nasceu para o Faroeste. Mas o Feio e o Mau não ficam tão atrás assim, ambos com um carisma e uma competência em trazer uma tensão absurda.

E, como um bom e velho faroeste, aqui não tem mocinho. Não dá para chamar de vilão. Tem apenas três homens vivendo pelas suas próprias regras, vivendo em meio à Guerra Civil Americana e, em vez de jogar suas vidas fora por motivo algum, decidem pelo menos fazer um qualquer, mesmo que de forma moralmente duvidosa.

Nisso eu volto para o que disse no começo. Por conta disso vem a ganância. Nessa época, 200 mil dólares dava para dividir em três tranquilamente e viver cada um o resto da vida bem demais. Mas é aquilo: 200 mil para um é maior que 66 mil para três.

Isso me faz pensar e questionar até onde vai a minha própria ganância. Não sou hipócrita para dizer que não faria o mesmo. Todos têm seu preço, e, por uma vida de luxo quando você não vem de lugar nenhum e sequer tem um nome? Ah, meu amigo, com o valor correto em mãos, não há nada que eu não faça.

E, só para encerrar, o impasse mexicano ao final é maravilhoso. Clichêzaço que eu NUNCA irei me cansar nessa vida. Sou o maior defensor do impasse mexicano. Não respirei por 1 segundo durante aquela tensão para descobrir o que iria acontecer.

Nota: 4.5/5. Recomendo demais, clássico do faroeste espaguete.

u/willdoboxe — 3 days ago

Resenha do filme: A Odisseia (2026)

Por ser um filme em lançamento e estar causando muito alvoroço, acho interessante comentar até para contextualizar o momento em que estou vendo. Muitas críticas e opiniões estão divididas sobre A Odisseia. De um lado, alguns tratando como a melhor coisa do mundo; de outro, pessoas reclamando da falta de fantasia e/ou fidelidade ao poema de Homero. E há também, por mais ridículo que pareça, aqueles que estão reclamando do casting por ter atores trans e negros.

Eu conheço a Odisseia desconhecendo a Odisseia. Digo isso porque é impossível você nunca ter tido contato com alguma ideia dela em filmes, séries ou desenhos, mas dizer que sou um superleitor de Homero e conheço cada linha? Estou longe disso. E, por isso, digo que não achei nada desconexo. Tudo neste filme faz sentido e encaixa muito bem com a proposta que ele traz desde o início. Não leva para o lado fantasioso demais, a ponto de colocar toda a culpa nos Deuses, assim como também não mantém tudo realista a ponto de ficar estranho.

Não sei até que ponto o filme é lindo por conta da câmera IMAX 70mm ou por conta das paisagens naturais onde foi gravado, mas é fato que o filme é belíssimo. Uma pena que a escolha de gravar tudo em IMAX também traga o revés de não conseguir fazer longos takes. O filme é inteiro CHEIO DE CORTES. Chega a um ponto em que me deu ansiedade e aceleração no coração, porque é corte a todo momento, o filme inteiro. Ele não dá tempo para respirar. Ele não dá tempo para contemplar a beleza que traz. E isso, para mim, foi um ponto que pesou muito para o lado ruim.

Mas, agora deixando de lado a contextualização e a parte técnica, eu tenho uma pergunta que o filme me trouxe:

O divino é realmente a justificativa para os nossos atos? Ou é apenas a desculpa que damos para tirar o peso do homem e colocar em Deus?

Nossa história mostra que não é nada novo guerras, mortes e diversos atos hediondos, ou no mínimo questionáveis, em nome do Divino. A Igreja Católica tem sua história, o Islã hoje tem seguidores que realizam seus atos usando a religião como desculpa, e, naquela época, tudo era feito em nome de Zeus, Poseidon, Hades, Atena e diversos outros.

Mas não é apenas nos Deuses que o homem escora suas desculpas. Agamêmnon escorou a sua em Helena. Mas essa é apenas a desculpa. No fundo, foi por algo muito mais trivial: simplesmente por ter ferido seu ego. Afinal, como assim sequestraram algo que é meu?

Em Tróia, Odisseu não venceu. Muito pelo contrário. Sinceramente, a gente sabe o que dizem, e o que dizem pode ser enfeitado e aumentado o quanto quiser. Mas, depois de Odisseu se perder, provavelmente ele só não voltou para casa porque não aguentava mais aquilo. Aquela vida. Não acreditava mais naqueles que seguia. Por isso sumiu, foi para longe. Mas, quando finalmente se recuperou e se viu pronto para mudar, decidiu voltar.

Realmente, às vezes é muito mais fácil acreditar e culpar o Divino. Nos olhar no espelho, apontar o dedo e atribuir a culpa a nós mesmos é muito mais difícil kkkkkk.

Mas é aquilo. Às vezes tudo isso é só, de fato, uma grande história de fantasia sobre guerras, monstros, mitos e Deuses. E, no fim, eu só estou viajando muito. Afinal, em tudo nessa vida você consegue encontrar um significado se forçar o bastante.

Nota: 3.5/5. Recomendo, mas acho difícil eu assistir a esse filme novamente, para uma primeira e única vista é válido.

u/willdoboxe — 5 days ago

Resenha do filme: La Haine

Le monde est à nous.

O sentimento de revolta é algo que acredito estar presente em quase todo mundo quando se é jovem, principalmente se você faz parte de alguma desvantagem social. Sua cor, seu gênero, se você é pobre ou tem melhores condições financeiras, o lugar onde mora ou está inserido... São muitas coisas. E, mesmo estando do outro lado do continente, ao acompanhar esse dia de Vinz, Saïd e Hubert, parece que fui transportado para quando eu era mais novo.

Acho que faz uns dois ou três dias que um policial agrediu um adolescente de 16 anos, em Catalão, que estava trabalhando. Saiu no jornal, todos os veículos de imprensa noticiaram. Mas e a gente como sociedade? Vê, se indigna e a vida segue. Estamos caindo do prédio repetindo que, até aqui, está tudo bem. Em 2018, Marcos Vinícius aterrissou, e também nada aconteceu. Tanto com o policial que matou quanto com esse que agrediu recentemente, nada aconteceu.

Por diversos motivos, quando eu era moleque, nunca achei que fosse passar dos 20 anos. E, de fato, amigos meus daquela época não passaram.

Mas até aqui está tudo bem.

Por diversas vezes, na porta da escola, enquanto eu e meus amigos esperávamos de bicicleta a hora de entrar, parava uma viatura. Os policiais que patrulhavam a região já nos conheciam. Mandavam a gente colocar a mão na cabeça. Durante a revista, davam braçada no saco, xingavam. Se olhasse feio ou respondesse, vinha um tapa na cara.

Mas até aqui está tudo bem.

Por muitos dias, ouvi professores que deveriam orientar os alunos, ou pelo menos tentar ajudar principalmente os mais perdidos, dizerem que eu não seria ninguém. Que eu acabaria morto ou preso. Que nunca pisaria dentro de uma faculdade e jamais teria uma profissão.

Mas até aqui está tudo bem.

Por diversas vezes, quando eu entrava em lojas, mercados ou shoppings, era seguido por seguranças. Muitas vezes fui abordado e obrigado a mostrar o que havia na minha bolsa para provar que não tinha furtado nada. Tudo isso acompanhado da ameaça de me "levar para a salinha", e todos nós sabemos o que costuma acontecer ali.

Mas até aqui está tudo bem.

E eu poderia ficar horas escrevendo situações como essas. Mas onde quero chegar é que tudo isso gera revolta. Gera ódio. Gera um ciclo que parece não terminar nunca.

Por conta disso, eu parei de estudar. Eu odiava a polícia e desejava a morte de todos. Até hoje não gosto, isso não mudou. Ficava na rua fazendo merda, sempre arrumando problema, andando de bicicleta para cima e para baixo. Me metia em brigas, saía na porrada, conheci drogas, álcool e o crime desde cedo, sem nenhuma perspectiva real de vida.

Eu entendo, do fundo da minha alma, todo o ódio de Vinz, Saïd e Hubert. Mas, ao mesmo tempo, hoje, mais velho e ainda caindo do prédio, também entendo a preocupação do homem que perdeu o carro incendiado e ficou desesperado porque não conseguiria mais trabalhar, já que aquela era a fonte da renda dele.

E, depois que meu filho nasceu, minha maior preocupação passou a ser como guiá-lo para longe desse ciclo de revolta quando ele também se tornar jovem.

Ao ouvir o som do disparo no final do filme, meus olhos encheram de lágrimas. Porque me lembrou que a sociedade está castrada, inclusive eu. As injustiças acontecem e nada, nem ninguém, parece ter força ou disposição para cobrá-las de frente. A gente prefere continuar se matando por motivos banais, como o próprio filme mostra, quando vão atrás do segurança que não quis abrir a porta e atiram nele.

Mas é aquilo...

Até aqui está tudo bem.

Nota: 5/5. Recomendo, filmaço, super atual e importantíssimo para dizer que não devemos brigar entre nós, mas nos unir e brigar com quem nos oprime diariamente, o estado e suas forças.

u/willdoboxe — 6 days ago
▲ 1 r/filmes

O que é o cinema para você?

Quero, antes de tudo, dizer que não existe uma visão certa ou errada. O intuito do post é só ver como outras pessoas enxergam isso que nos une nesta comunidade e conhecer diferentes pontos de vista.

Recentemente, venho fazendo posts querendo entender como a galera se relaciona com filmes, como, por exemplo, se spoiler incomoda ou não, qual critério usam para avaliar um filme, etc.

Pessoalmente, o cinema, para mim, é uma arte, assim como ouvir uma música, apreciar uma pintura, prestigiar uma dança ou contemplar uma construção. Também uso os filmes muito como terapia. Para mim, é muito mais fácil me conectar com os personagens e, a partir daí, analisar o eu, do que sentar de frente para um psicólogo e falar meio quilo de abobrinha.

O cinema me transporta. Ele me faz rir, me faz querer chorar, me causa agonia, mas também me traz conforto. Ao mesmo tempo que um filme conversa comigo, outros eu tenho vontade de bater no diretor de tão porco que é. Mas aí que está a graça da coisa.

Para mim, um filme não é apenas uma forma de entretenimento, como vi algumas pessoas comentarem nos meus posts anteriores, mas sim algo que eu contemplo e que pode ou não ter o poder de mudar minha vida, dependendo de como ele me tocar.

Então fica a pergunta a vocês do Reddit: para você, o que é o cinema? Como vocês se relacionam com a sétima arte?

reddit.com
u/willdoboxe — 8 days ago
▲ 11 r/filmes

Resenha do filme: Eraserhead

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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O que foi isso que acabei de assistir?

Acho que, se eu fosse tentar descrever o que estou sentindo neste momento, seria algo como aquele aperto no coração, frio na barriga e calafrio pelo corpo, junto de uma moleza nas pernas que vem logo após uma grande notícia. Não necessariamente boa ou ruim, mas aquela que você sabe que vai mudar tudo, absolutamente tudo dali para frente, e que sua vida nunca mais será a mesma.

Na minha vida inteira, só me senti assim duas vezes. A primeira, quando saí de casa, e a segunda, quando recebi a notícia de que iria ser pai.

É... Acho que faz sentido eu estar me lembrando dessa sensação depois de assistir a esse filme. Maldito seja David Lynch.

É, de certa forma, engraçado pensar que, de um dia para o outro, tudo virou de ponta-cabeça e eu tive que me tornar alguém que eu não era. Eu não sabia como ser, não tinha para quem perguntar e, por não ter tido um pai, nunca tive uma referência. Do nada, eu, que era novo e mal cuidava de mim mesmo, tive que aprender a cuidar de outra vida.

E aí você me pergunta: "Estava preparado?"

Acho que até hoje não estou, para ser bem sincero.

Mas não quero soar errado também. Não me arrependo de nada. Apenas fico perplexo ao perceber como um filme de 1977 consegue ser como olhar no espelho para tudo o que aconteceu comigo e ainda acontece, de certa forma.

O que Lynch traz aqui em Eraserhead é muito angustiante. Todo esse tom industrial, a trilha sonora metálica, pesada e densa, os cenários apertados e claustrofóbicos, o medo de perder a identidade e a individualidade. Tudo isso junto de uma estética surrealista que te prende do início ao fim pensando: "Que porra é essa?"

E, por mais estranha que seja a ligação que estou prestes a fazer, eu entendo o Henry. De pai para pai, no início eu tive as mesmas incertezas, os mesmos medos.

Recentemente fiz uma resenha de Procurando Nemo, na qual digo que, depois que você tem um filho, ganha duas versões de si mesmo: sua versão normal e sua versão pai. E isso é a mais pura verdade.

No início, de fato, tudo gira muito em torno do bebê. Você se perde, sente que não é ninguém, se vê no espelho apenas como uma extensão de apoio àquela vida. Começa a pensar que quem você era morreu e que quem você é agora é apenas um provedor ambulante, sem tempo para incertezas, sem tempo para suas necessidades particulares, sem tempo para ser você mesmo e sem tempo para sonhos.

Mas, conforme o bebê cresce e passa a fase mais difícil, naturalmente, por incrível que pareça, você vai retornando aos poucos. Lógico que nunca mais igual ao que era antes, mas você volta.

Agora, ao fim deste filme, ao fim desta resenha e depois de pensar muito sobre o que assisti, acho que não foi uma boa ideia ter visto isso logo neste momento...

Que vontade de chorar...

Nota: 5/5. Recomendo, mas acho que pode não conversar bem com muita gente, principalmente porque o David Lynch é maluco das idéias e provavelmente você tem que ser um pouquinho também pra embarcar junto com ele kkkkkk.

u/willdoboxe — 8 days ago
▲ 7 r/filmes

Vocês se incomodam com spoiler?

Um post atípico do que normalmente costumo fazer, mas estive pensando comigo mesmo sobre isso, pessoalmente eu não ligo, saber o que acontece não me impede de ter o mesmo choque pois eu não sei como irá acontecer, então fica elas por elas. Usando uma analogia extremamente podre, você saber como irá morrer não irá mudar muito pois não sabe quando e onde.

De vez em quando posto resenhas aqui e sinceramente não me importo de dar spoiler ou aviso que terá não, afinal, resenha sem spoiler é sinopse, mas já reparei que tem outros colegas de fórum que em suas resenhas colocam um spoiler alert, então eu fico com a pergunta.

Vocês se incomodam com spoiler? Se sim, por que?

reddit.com
u/willdoboxe — 15 days ago
▲ 11 r/filmes

Resenha do filme: Rango

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Rango, o devaneio de um homem, ou de um camaleão, solitário.

Eu já tinha visto Rango passar inúmeras vezes na TV aberta, mas nunca tinha parado para assistir ao filme de fato. Hoje foi o dia, e simplesmente adorei esse caldeirão de comédia, animação infantil, jornada do herói, drama, romance, faroeste, crítica política e reflexão psicológica.

A solidão é algo que, por mais que eu odeie admitir, conheço muito bem. E é muito difícil sair do conforto dela. Dentro do nosso aquário pessoal criamos o ambiente mais aconchegante e confortável do mundo. Mas isso também é perigoso. Afinal, o ser humano é social. Ninguém pode, ou merece, ficar tanto tempo sozinho.

Assim como o Rango, por conta da imprevisibilidade da vida, fui "forçado" a sair do meu aquário. Coloco essa palavra entre aspas porque, de certa forma, também foi um desejo meu. Não sei se foi por conta da pouca idade ou por passar tanto tempo na minha própria companhia, mas eu nunca soube quem eu era. Quando pensava e conversava comigo mesmo, respondia da forma que fosse mais conveniente. E isso me levou a lugares e interações sociais horríveis por causa dessa vontade incessante de me encontrar. Inclusive, quando paro para pensar, devo ter cometido muitos erros por conta disso, fingindo ser alguém que eu não era. Mas como eu poderia saber? Nem eu mesmo sabia quem era.

Quando a coruja canta que o Rango irá morrer em breve, eu me lembro daquela voz que existia dentro de mim naquela época dizendo exatamente a mesma coisa. Se você perguntasse ao Willian daquele momento, ele jamais diria que estaria vivo até hoje. E talvez, assim como o Rango do início, ele realmente tenha morrido. Mas não da forma que imaginava.

Talvez o erro da gente, como ser humano, seja pensar demais, idealizar demais e comparar demais. "Como eu queria ter aquela vida", "como eu queria fazer aquilo", "como eu queria me vestir daquela forma". Mas, além de nunca sabermos qual foi a jornada daquela pessoa para chegar ali, também deixamos de viver a nossa própria jornada para chegar Deus sabe onde. Afinal, cada um vê o que tem que ver.

Naquela época eu me fazia a mesma pergunta que o Rango: "Por que não esperar nenhum carro estar passando para atravessar?". Hoje eu entendo que há coisas na vida que exigem um sacrifício, uma dificuldade que precisa ser enfrentada para que possamos alcançá-las. O autoconhecimento é uma delas.

Em Stalker, do Tarkovsky, o Professor e o Escritor não entram no Quarto no final por medo. Medo de não saber quem verdadeiramente são ou o que verdadeiramente desejam. E isso pode ser traduzido para qualquer situação da vida. Seja alguém com medo de fazer terapia, de consagrar ayahuasca ou de ter aquela conversa delicada que vem sendo adiada há anos. As situações mudam, mas o medo continua sendo o mesmo.

Mas, com dor no coração, completamente humilhado, com vergonha de encarar as pessoas que magoei e para quem disse coisas das quais me arrependo até hoje, eu atravessei a minha estrada e morri, assim como o Rango.

Não digo que hoje sou o melhor ser humano do mundo. Ainda tenho muito a aprender e a melhorar, e sempre terei. Mas, pelo menos, hoje eu sei quem eu sou.

E esse foi o meu renascimento.

Ninguém pode fugir da própria história.

Nota: 4.5/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 15 days ago
▲ 20 r/filmes

Resenha do filme: Ilha dos Cachorros

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Confesso que eu nunca me atraí por stop motion na infância. Todos os filmes que faziam sucesso na época eu simplesmente não suportava assistir. Acho que foi justamente por isso que demorei tanto para ver Ilha dos Cachorros, mesmo sendo um filme tão elogiado desde o lançamento.

Dei play contra a minha vontade e com um pé bem atrás, já esperando me decepcionar e sentir que tinha perdido meu tempo. Porém, me surpreendi. Não sei se fui eu que mudei com o tempo ou se esse stop motion, em específico, é mais bonito que A Fuga das Galinhas, mas que filme legal.

Não é uma obra de extrema complexidade, mas nem tudo precisa ser. O simples também comunica. O fato de, na maior parte do tempo, não entendermos o que os humanos dizem sem tradução, enquanto os únicos que falam o nosso idioma são os cachorros, já cria uma proximidade maior com eles e essa sensação de que estamos marginalizados juntos.

Em poucos diálogos, o filme levanta algumas questões, como: qual é o nosso propósito? Não é um tema muito aprofundado, mas acho interessante refletir sobre ele. Chief pergunta à Nutmeg se ela era uma cadela de exposição, e ela reluta em responder diretamente. Diz apenas que, naquele momento, aquilo já não importava, mas que um dia, sim, foi treinada para isso. Depois devolve a pergunta ao Chief, querendo saber se ele é um vira-lata, ao que ele responde que, naquela ilha, todos acabam sendo.

Os cachorros realmente possuem raças que, ao longo dos anos, foram selecionadas para funções específicas. Mas, trazendo isso para nós, eu acabo me perguntando a mesma coisa: qual é o meu propósito? Não apenas na vida, mas também na sociedade. Talvez eu também seja um vira-lata. Mas até o próprio Chief, no final, acaba se tornando "alguém", por assim dizer. Ele assume o posto de guarda que antes era do Spots, um cachorro que acreditava ter um propósito e dedicou a vida inteira a ele, até se aposentar para ficar ao lado da família que construiu. E essa família passa a ser o seu novo propósito.

O filme também aborda temas como o controle do governo sobre a mídia e a forma como ele tenta manipular a população por meio do sensacionalismo, da sabotagem planejada e da propaganda política. Primeiro, eles mesmos criam a doença, o vírus que afeta os cachorros. Depois criam o pânico na população contra eles. E, por fim, apresentam a solução para o problema que eles próprios criaram: os cães robôs, que serviriam tanto como arma militar quanto, provavelmente, para espionagem dentro das casas dos cidadãos.

Ou seja, por interesse político, tudo é minuciosamente arquitetado. Isso é mais real do que parece e me faz pensar até que ponto eu também sou influenciado pela propaganda e pela mídia. Gosto de acreditar que, por ser uma pessoa que questiona muito, pensa muito e busca conhecimento, não seja tão fácil me manipular assim. Mas vai saber, né? Às vezes essa lavagem cerebral começou no momento em que eu dei as caras neste mundo.

Nota: 3/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 24 days ago

Eletrônica em Santos

Gosto pra crl de techno, hard techno, em sp quando morava la todo fim de semana eu colava em um mas aqui em Santos desconheço os eventos, tem algum legal ou é mais parado? Ja vi muito de house, tech house, mas não é la muito minha brisa nao

reddit.com
u/willdoboxe — 25 days ago
▲ 5 r/filmes

Resenha do filme: The Necessary Death Of Charlie Countryman

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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A primeira vez que vi esse filme foi há muitos anos, passando em algum Telecine. Não me recordo em qual canal. Era legendado, e lembro que gostei bastante. Depois de alguns anos, cismei com ele de novo e fui atrás de descobrir o nome. Depois de horas pesquisando, finalmente encontrei. E achei o título original muito bom, The Necessary Death of Charlie Countryman. Ele conversa muito bem com a proposta do filme, inclusive. Hoje em dia ele é mais conhecido apenas como Charlie Countryman ou, em português, Conquistas Perigosas, apesar de eu nunca tê-lo visto dublado.

E toda essa contextualização é só para dizer que ano vai, ano vem, esse filme continua sendo um dos meus favoritos. Ele é bem bobinho, não é nenhuma obra-prima da sétima arte, mas conversa muito comigo até hoje. E, acima de tudo, cinema é sobre isso.

Com cenas que, em muitos momentos, chegam a ser lúdicas, como Charlie conversando com a mãe depois de morta ou com Victor no avião, você percebe que ele é um rapaz meio perdido. Alguém que tinha seu porto seguro na mãe e que, depois da morte dela, ficou à deriva, sem saber o que fazer.

Eu nunca interpretei essas cenas em que ele parece ter um sexto sentido e conversa com pessoas mortas de forma literal. Sempre enxerguei isso como uma maneira de o subconsciente ajudá-lo a seguir em frente, guiando-o para uma ideia impulsiva e completamente maluca, como ir, sem mais nem menos, para Bucareste. Sim, Bucareste, e não Budapeste.

Durante muitos anos da minha vida eu também me senti assim, meio perdido, sem saber o que fazer, tentando entender como preencher um vazio interno. Mudei de cidade algumas vezes pensando que o problema estava nelas. Usei pessoas como ponto de dependência para tentar ficar bem. E, claro, nada disso resultou em algo bom.

Quando você está nessa situação, principalmente envolvendo depressão, luto, a perda de alguém, um relacionamento que deu errado ou qualquer coisa parecida, é muito difícil seguir em frente. Mas é necessário. Eu passei muitos anos em um ciclo autodestrutivo, mas, depois de morrer, no sentido figurado, reencontrei essa força para continuar. Voltei para a minha cidade, acertei a vida e, todos os dias, alguma coisa melhora. E, se não melhorou hoje, tenho certeza de que amanhã estarei um pouco melhor. Ontem eu estava ruim. Hoje eu estou bem. Amanhã estarei melhor.

E essa sempre foi a forma como esse filme conversou comigo: seguir em frente, sempre. E, se no meio do caminho você acabar se deparando com uma linda mulher que é ex de um mafioso perigoso, não tenha medo de se envolver com ela. Afinal, só se vive uma vez.

Nota: 5/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 30 days ago
▲ 3 r/filmes

Resenha do filme: La Haine

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Le monde est à nous.

O sentimento de revolta é algo que acredito estar presente em quase todo mundo quando se é jovem, principalmente se você faz parte de alguma desvantagem social. Sua cor, seu gênero, se você é pobre ou tem melhores condições financeiras, o lugar onde mora ou está inserido... São muitas coisas. E, mesmo estando do outro lado do continente, ao acompanhar esse dia de Vinz, Saïd e Hubert, parece que fui transportado para quando eu era mais novo.

Acho que faz uns dois ou três dias que um policial agrediu um adolescente de 16 anos, em Catalão, que estava trabalhando. Saiu no jornal, todos os veículos de imprensa noticiaram. Mas e a gente como sociedade? Vê, se indigna e a vida segue. Estamos caindo do prédio repetindo que, até aqui, está tudo bem. Em 2018, Marcos Vinícius aterrissou, e também nada aconteceu. Tanto com o policial que matou quanto com esse que agrediu recentemente, nada aconteceu.

Por diversos motivos, quando eu era moleque, nunca achei que fosse passar dos 20 anos. E, de fato, amigos meus daquela época não passaram.

Mas até aqui está tudo bem.

Por diversas vezes, na porta da escola, enquanto eu e meus amigos esperávamos de bicicleta a hora de entrar, parava uma viatura. Os policiais que patrulhavam a região já nos conheciam. Mandavam a gente colocar a mão na cabeça. Durante a revista, davam braçada no saco, xingavam. Se olhasse feio ou respondesse, vinha um tapa na cara.

Mas até aqui está tudo bem.

Por muitos dias, ouvi professores que deveriam orientar os alunos, ou pelo menos tentar ajudar principalmente os mais perdidos, dizerem que eu não seria ninguém. Que eu acabaria morto ou preso. Que nunca pisaria dentro de uma faculdade e jamais teria uma profissão.

Mas até aqui está tudo bem.

Por diversas vezes, quando eu entrava em lojas, mercados ou shoppings, era seguido por seguranças. Muitas vezes fui abordado e obrigado a mostrar o que havia na minha bolsa para provar que não tinha furtado nada. Tudo isso acompanhado da ameaça de me "levar para a salinha", e todos nós sabemos o que costuma acontecer ali.

Mas até aqui está tudo bem.

E eu poderia ficar horas escrevendo situações como essas. Mas onde quero chegar é que tudo isso gera revolta. Gera ódio. Gera um ciclo que parece não terminar nunca.

Por conta disso, eu parei de estudar. Eu odiava a polícia e desejava a morte de todos. Até hoje não gosto, isso não mudou. Ficava na rua fazendo merda, sempre arrumando problema, andando de bicicleta para cima e para baixo. Me metia em brigas, saía na porrada, conheci drogas, álcool e o crime desde cedo, sem nenhuma perspectiva real de vida.

Eu entendo, do fundo da minha alma, todo o ódio de Vinz, Saïd e Hubert. Mas, ao mesmo tempo, hoje, mais velho e ainda caindo do prédio, também entendo a preocupação do homem que perdeu o carro incendiado e ficou desesperado porque não conseguiria mais trabalhar, já que aquela era a fonte da renda dele.

E, depois que meu filho nasceu, minha maior preocupação passou a ser como guiá-lo para longe desse ciclo de revolta quando ele também se tornar jovem.

Ao ouvir o som do disparo no final do filme, meus olhos encheram de lágrimas. Porque me lembrou que a sociedade está castrada, inclusive eu. As injustiças acontecem e nada, nem ninguém, parece ter força ou disposição para cobrá-las de frente. A gente prefere continuar se matando por motivos banais, como o próprio filme mostra, quando vão atrás do segurança que não quis abrir a porta e atiram nele.

Mas é aquilo...

Até aqui está tudo bem.

Nota: 5/5. Eu recomendo o filme, assim como também recomendo a união dos nossos contra quem nos trata apenas como mais um tijolo na parede.

u/willdoboxe — 1 month ago
▲ 6 r/filmes

Resenha do filme: A Professora De Piano

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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O que falar de A Professora de Piano? Acabei de assistir ao filme e, enquanto escrevo isso, essa é a pergunta que paira na minha cabeça...

Tenho certeza de que me falta um conhecimento mais amplo de música para admirar este filme em todo o seu esplendor. Citações como o crepúsculo de Schumann ou a loucura de Schubert, confesso, me deixam um pouco boiando. E, como eu nunca pesquiso nada antes de fazer a resenha, me forço a entender tudo na medida do possível, mesmo que algumas coisas sejam mais difíceis.

Então gostaria apenas de contextualizar um pouco a personalidade desses três personagens centrais antes de continuar, começando pela Mãe.

A mãe de Érika é uma pessoa um pouco complicada de definir. Seria fácil apontar o dedo e chamá-la de narcisista, controladora, passivo-agressiva, ou dizer que ela abusa física e psicologicamente da filha a ponto de fazê-la surtar diversas vezes. Cenas de abuso físico, como estragar suas roupas, e de abuso psicológico, como criticá-la por absolutamente nada, refletem muito bem isso. A Mãe é, acredito eu, a personagem mais real deste filme.

Em seguida temos Klemmer, um jovem de boa aparência, bem-visto pela família, com habilidades acima da média. Parece uma pessoa muito segura de si, fala muito bem e tem um certo carisma. Mas, depois que vê a apresentação de Érika, passa a querer chamar sua atenção a qualquer custo. Vendo Klemmer no início, sinceramente, ele não me parece nem um pouco interessante. Mas, para Érika, talvez justamente essa desenvoltura seja o que a atraiu. De certa forma, ele é o oposto dela.

Agora, Érika é surreal. Muito complexa, cheia de camadas, uma personagem que reside naquela zona cinzenta da moralidade. É uma mulher que aparenta ter seus quarenta anos, ou seja, completamente formada. Mas, como comentei anteriormente, sofre uma pressão e um abuso constantes por parte da mãe. Então você vê essa professora de piano extremamente rígida, sem expressão, fria, e até bastante cruel com seus alunos. Alguém que chega a dizer, em uma cena, que é "sem sentimentos", mas que frequenta sex shop ou locadora de filmes pornôs, sei lá, para assistir, e também vai a cinemas de carros para observar casais juntos. Tudo isso me parece uma tentativa de recuperar um pouco da própria liberdade e do controle sobre si mesma.

Parando para pensar, são dois lados completamente opostos, socialmente falando. De um lado, uma vida envolta em alta classe, concertos privados e música erudita. Do outro, a "sujeira" do sexo, onde, a princípio, ela parece querer recuperar o controle justamente abrindo mão dele para outra pessoa. Pedidos masoquistas para apanhar, ser humilhada e amordaçada. Isso acontece muito na vida real. Algumas pessoas reencontram no sexo, ou em práticas BDSM, aquele controle, satisfação, segurança ou autoestima que parecia ter sido perdido em outras áreas da vida. Nesse ponto, o filme até me lembrou um pouco A Secretária, que aborda temas parecidos.

Em alguns momentos parecia que esse jogo esquisito entre Érika e Klemmer ia dar certo. Érika parecia estar no controle, dominando a situação, e os dois pareciam de acordo. Mas, de um segundo para o outro, tudo mudava completamente de tom, e Klemmer passava a ocupar essa posição de "dominante". O que Érika faz com sua aluna, colocando vidro dentro do casaco dela para que não pudesse mais tocar ao vê-la próxima de Klemmer, eu não consigo resumir apenas a "ela sentiu ciúmes". Parece haver algo muito maior ali, mas, neste momento, não tenho palavras para descrever.

Eu precisaria até inventar uma palavra que carregasse um peso maior. Porque apenas "nojo" não é suficiente para descrever a cena final, com Klemmer invadindo a casa de Érika e, depois, passando por ela com um sorriso, em meio a um grupo de pessoas rindo, conversando e ainda a cumprimentando como se absolutamente nada tivesse acontecido. É foda pensar que isso acontece muito na realidade.

Enfim...

Agora, refletindo um pouco, não é só a Mãe que é uma personagem extremamente real. Klemmer e Érika também são. Talvez seja justamente por isso que esse filme prenda tanto.

Nota: 4/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 1 month ago
▲ 12 r/filmes

Resenha do filme: Godzilla Minus One

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Não sei por quê, mas desde o início eu tinha a sensação de que não teria um final feliz. Feliz entre aspas, também, porque o filme deixa subentendido que aquele não foi o fim do Godzilla, o que faz sentido. Afinal, os resultados e os traumas da guerra podem até ser superados, mas nunca desaparecem de fato.

Eu, particularmente, acho impressionante como existem tantas versões do Godzilla e, não importa quantas sejam feitas, ele continua sendo um personagem muito bom e rendendo filmes sempre legais de assistir. (Tirando aquelas porcarias feitas pelos Estados Unidos. Se quiser assistir Godzilla de verdade, veja os japoneses.)

Longe de mim defender o Japão, principalmente quando o assunto é a Segunda Guerra Mundial. Mas é complicado ficar medindo trauma. Existe um planeta Terra antes e depois de Hiroshima e Nagasaki, e isso é um fato. Podemos ver esse impacto constantemente nas produções japonesas, inclusive neste filme, com o trauma da guerra e o transtorno de estresse pós-traumático representados no Shikishima, além da forma como a população trata um piloto kamikaze desertor, por assim dizer.

Apesar de as críticas e reflexões que o filme traz não serem as mais complexas do mundo (são bem óbvias e diretas, por sinal), eu não vejo isso como um ponto negativo. Nem tudo precisa ser de difícil entendimento. Inclusive, há um diálogo bem expositivo que literalmente diz: "Este país anda tratando a vida de forma muito barata." Então, desde o início, você entende o que o Godzilla representa. Ele não é apenas um monstrão que gosta de apavorar os moradores de Tóquio.

Godzilla Minus One é, definitivamente, uma das melhores revisitas ao meu monstro favorito do cinema. É um ótimo filme para quem já conhece o personagem e também uma excelente porta de entrada para quem ainda vai conhecê-lo. Tem imagens muito bonitas. Não costumo comentar esse tipo de aspecto, mas, desde o começo do filme, a fotografia me chamou bastante a atenção, então achei justo pontuar kkkkk.

Sei que está para sair uma sequência. Espero que consiga manter o nível, porque esse primeiro filme é muito bom.

Nota: 3/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 1 month ago
▲ 20 r/filmes

Resenha do filme: Climax (2018)

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Nascer é uma oportunidade única.

Sem querer escrever uma sinopse do filme, acho importante comentar a entrevista inicial, pois ela apresenta muito bem cada um dos dançarinos. Claro que, depois, os diálogos entre eles aprofundam mais a personalidade de cada um, mas já ali conhecemos diversos jovens diferentes: homens, mulheres, héteros, LGBTs, negros, brancos, estrangeiros, franceses nativos... E, quando tanta gente diferente se reúne no mesmo lugar, ainda mais jovens, acontece de tudo. É natural.

Eu acho interessante como Climax transmite bem uma viagem de ácido, principalmente quando tudo dá errado e a bad vem. Tive muitas experiências com alucinógenos na vida e, com o tempo, aprendi, na prática, a lidar com os gatilhos. Mas uma coisa que, para mim, é sempre igual é como o LSD parece agir em ciclos. Meio que ele vem em fases: a fase do calor, a fase em que dá vontade de dançar, a que dá vontade de dar risada e falar bobeira, o famoso "gastar a onda", a fase de simplesmente ficar delirando e observando todos os estímulos visuais e sensoriais. E essas fases podem se repetir. Algo pode parecer durar muito mais do que realmente durou. Mas essa é a parte boa.

Quando vem a bad, aí é mais complicado. Também existem várias fases: a da desconfiança, a do looping, que dá a sensação de que tudo está se repetindo e de que você está vivendo a mesma coisa infinitamente, o que gera uma paranoia pesada. Também podem surgir sensações de que nada é real. E é muito difícil sair de uma bad, embora seja possível.

Viver é uma impossibilidade coletiva. E acredito que todos esses ciclos podem ser observados na Selva. Todos estavam dançando e curtindo, mas ela foi a primeira a ter um gatilho e começar a passar mal. E, como o LSD é uma experiência muito coletiva, dá para compartilhar brisas. Todos que já estavam muito alterados acabam entrando no mesmo surto coletivo. Começam a agir como animais, sem racionalidade nenhuma. Até porque, quando se toma um ácido, você fica extremamente vulnerável. E as únicas duas pessoas que não beberam a sangria e poderiam servir de âncora para os outros, justamente por estarem sóbrias em meio à maioria alucinada, acabam sendo neutralizadas: um é expulso para a neve durante a noite, enquanto a outra sofre agressões físicas e psicológicas.

A própria Selva, várias vezes durante seus surtos, quando começa a caminhar para um lado melhor e parece conseguir escapar do abismo da bad, é puxada de volta. Às vezes por um gatilho mínimo, como prender a própria meia-calça; outras, por ver alguém gritando, o que, sob efeito de LSD, é realmente aterrorizante kkkkk. Mas, no final, graças à Ivana e a um bom sexo, ela consegue voltar para a parte boa da viagem e termina dormindo ao lado dela.

Esse filme me deixou agoniado em um nível gigantesco kkkkk. Se, sabendo que tomou uma substância dessas, você já pode acabar indo para o inferno (algo que o filme representa muito bem com a mudança de cores e os movimentos de câmera completamente insanos), imagina tomar sem sequer saber, como aconteceu com eles.

Curiosamente, minhas experiências com cogumelos nunca foram tão "agressivas". Talvez por ser uma substância natural e não sintética, mas sempre tive a impressão de que é uma onda muito mais limpa.

Também é aquilo, né... Depois de uma noite e de uma experiência tão intensa com ácido, muitas vezes a sensação que fica é de que morrer é uma experiência excepcional.

Nota: 4/5. Caso você já tenha tido alguma experiência com alucinógenos, recomendo.

u/willdoboxe — 1 month ago
▲ 15 r/filmes

Resenha do filme: Blade (1998)

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Quando eu era moleque, a cena inicial de Blade foi uma das grandes responsáveis por me fazer interessar por techno e música eletrônica no geral. Eu sempre achei esse filme muito foda: roupas pretas, óculos escuros bolados (óculos pelos quais eu enchi tanto a paciência da minha mãe para ter um igual) e, sem contar que um vampiro negão, eu achava do caralho.

Então eu sempre tive uma memória afetiva muito grande com esse filme. Não sei como nunca assisti de novo depois de grande; fui parar para rever só agora e... puts kkkkkk. Talvez seja porque eu tenha ficado mais chato, mas achei um filme bem bobinho.

Também não vou tacar o pau no filme sendo o mega criterioso chatão, não. Ele é divertido, e talvez isso já seja o suficiente. Mas a forma como tudo acontece, a sequência de eventos, muitos deles completamente no foda-se, confesso que me incomodaram um pouco. Principalmente envolvendo a médica. A mulher viveu uns 30 anos da vida dela, do nada descobre que vampiros existem e aceita isso muito rápido.

É tipo: "Não, pô, tem vampiro? É isso mesmo? Cê é louco, mó fita isso aí... mas vamo que vamo. Eles é vampiro, mas nós é pretão, carai. Aqui é Brooklyn."

E isso me deixa maluco da cabeça. Podia ter pelo menos um draminha a mais kkkkkkk, mas suave.

Sei que Blade é baseado em história em quadrinhos. Não conheço nada dos quadrinhos e, sinceramente, nem pretendo conhecer. E, apesar das inconsistências do filme, que são muitas, ele é extremamente legal e divertido de assistir. Ou, como os mais novos dizem hoje em dia, o Blade "farma aura" toda vez que aparece para descer a porrada em vampiro da cara pálida.

Nota: 2.5/5. Recomendar é uma palavra muito forte, mas se você quiser assistir algo só pra se entreter vale o play.

u/willdoboxe — 1 month ago
▲ 6 r/filmes

Resenha do filme: Os Bons Companheiros

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Toda a história de Henry, ou quase toda, reflete muito bem a juventude pobre e periférica. Acho que isso vale para o mundo todo.

O que todo homem quer? É fácil responder: mulher, dinheiro e poder. Quando eu era criança, lembro que a meta era beijar na boca das meninas. Mas, sendo feio, andando de bicicleta sem freio e usando roupa falsa, era meio difícil kkkkkk.

Então a gente olhava para quem vinha do mesmo lugar que nós, mas já andava de Lacoste, Oakley, moto, carrão, com todas as mina rendendo para eles, e ficava na fissura de ser igual, de querer entrar para o crime também.

Eu nunca tive disposição para isso. Mas alguns amigos meus tiveram, e conseguiram tudo isso, mesmo que por pouco tempo. Alguns vieram a falecer, outros foram presos. E esse é o destino natural desse tipo de vida, algo que Goodfellas mostra muito bem. Henry nunca matou ninguém, mas sabia que, naquele meio, qualquer mínimo vacilo era suficiente para você não acordar no dia seguinte.

E a vida do crime é algo traiçoeiro. Enquanto você está bem, você tem tudo: as melhores comidas, as melhores bebidas, as melhores roupas, os melhores carros, frequenta os melhores lugares e tem as melhores mulheres. Mas, quando você é preso, está sozinho. Quando as coisas ficam ruins, não pensam duas vezes antes de te entregar para se salvarem.

A superficialidade da vida do crime é maravilhosa, desejável e invejável. Mas, na realidade, ela é feita de traição, desconfiança, paranoia e da constante incerteza de que você estará vivo amanhã para contar a história.

Mas é aquilo, né...

Desde que me lembro, eu sempre quis ser um gangster.

Nota: 4/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 2 months ago
▲ 10 r/filmes

Resenha do filme: Blade Runner (1982)

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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"Lembra-te de que sou tua criatura; eu devia ser teu Adão, mas sou antes o anjo caído, que expulsaste da alegria sem ter cometido falta alguma."

Começo com essa citação porque acredito que ela tenha uma ótima correlação com o filme. Assim como o Monstro, os replicantes apenas queriam viver.

Eu penso comigo mesmo: afinal de contas, o que é ser humano? A partir de que momento somos considerados humanos? Será que é quando nascemos? Será que é quando crescemos? Ou, antes mesmo, no momento em que o óvulo é fecundado, já somos considerados humanos?

Se ser humano é o ato de pensar com racionalidade, diferente dos outros animais, então um bebê não é humano? Se ser humano é o ato de sentir, de ter sentimentos e compaixão genuína, então uma pessoa diagnosticada com psicopatia não é humana?

Hoje, com o avanço da inteligência artificial, muitas pessoas dizem que ser humano é ter a capacidade de apreciar e compreender a arte. E isso Roy Batty faz muito bem. Desde sua primeira aparição, ele se mostra sensível, culto e extremamente poético, chegando a citar o poema "America: A Prophecy", de William Blake, que, inclusive, o representa muito bem. Roy se rebelou contra aquilo que lhe foi imposto em busca de liberdade, em busca de vida.

Não vou ficar aqui masturbando o senso comum e falando sobre o quão bonito Blade Runner é, nem elogiando sua trilha sonora ou sua estética neo-noir extremamente charmosa. Prefiro fazer uma pergunta: o que você faria se tivesse um tempo curto e limitado de vida, imposto por outra pessoa, e soubesse exatamente quando iria morrer?

Eu não sei responder à pergunta do que é ser "humano". Mas, se me pedissem agora uma resposta rápida, ou para definir em apenas uma palavra, eu diria: viver. Ser humano é viver. O que chega a ser irônico, já que o ser humano é uma das espécies que mais demonstra descaso pela própria vida.

Sei que, depois de toda a trajetória dos replicantes tentando lutar pela própria existência, eles deram de cara com aquilo que todos nós iremos encontrar um dia: a impossibilidade de evitar o fim. Mas morreram sendo mais humanos do que muitos humanos. Uma pena que o único que percebeu essa humanidade neles, mesmo que tarde demais, foi outro replicante... que, por sinal, nem sabia que era um.

Hora de morrer.

Nota: 5/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 2 months ago
▲ 13 r/filmes

Resenha do filme: Hellraiser (1987)

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Nem mesmo o tudo satisfaz algumas pessoas. Na psicologia, estuda-se a adaptação hedônica, que basicamente diz que nós nos acostumamos com a nossa realidade atual e sempre buscamos mais estímulos para atingir aquela mesma satisfação inicial.

Quando algo entra no campo do vício e da obsessão, não importa o quanto mais nós temos daquilo, mais iremos querer. Nem mesmo ter tudo será o suficiente. E, por algum motivo, isso sempre acaba escalando para práticas e buscas cada vez mais extremas. Afinal, a dor e o prazer são muito mais conectados do que se imagina.

O filme demonstra muito bem uma relação até dependente e codependente, ao meu ver. Infelizmente, o final é bem anticlimático e broxante. Hellraiser, talvez pelo ano em que foi lançado, pelo gênero ou por qualquer outro motivo, tem muita tosquice. Mas essa premissa de um pacto sadomasoquista de "eu não irei te oferecer nada, mas, caso você me peça, entregarei tudo o que você quiser; em troca, quero apenas a sua alma" é muito interessante.

A caixa não tenta ninguém. Ela não procura ninguém. Ela apenas existe. Você a abre se quiser. Só esteja preparado para as consequências de buscar aquilo que você deseja: o tudo.

Eu não sou uma pessoa religiosa, nunca fui. Não sigo nenhuma doutrina e, na verdade, sou um cara bastante cético. Mas, de certo modo, esse filme me lembrou uma citação do Padre Fábio de Melo:

"Você tem um único inimigo que tem o poder de destruir você, um único, e que mora aí dentro. A única pessoa que pode destruir você é você mesmo. Quando você escolhe a pior parte da vida, quando você escolhe o elemento mais mesquinho que você conseguiu produzir para ser o mestre do seu coração, do seu pensamento."

Depois disso ele entra em um discurso de conversão com o qual eu já não concordo e tampouco acredito. Mas existe uma verdade nessa fala que, para mim, faz uma boa ligação com este filme e com a caixa.

Você só será destruído se você mesmo quiser isso, ou se permitir isso por N motivos. No caso de Hellraiser, pela busca incessante de um prazer constante e cada vez maior. Eu já passei por fases autodestrutivas da minha vida e, hoje, estando melhor, percebo que apenas eu sou capaz de me fazer voltar àquele estado.

Termino a resenha com uma citação do Al Pacino em Advogado do Diabo, mudando apenas uma palavra:

"A luxúria é, definitivamente, o meu pecado favorito!"

Nota: 3/5. Caso você já tenha assistido tudo que tinha vontade e não tem nada melhor para assistir, recomendo.

u/willdoboxe — 2 months ago
▲ 8 r/filmes

Resenha do filme: Nascido Para Matar

Apenas um adendo, eu não tenho conhecimento técnico para julgar muita coisa, então minhas resenhas são com base no que o filme me faz refletir, caso tenha uma outra reflexão por favor compartilhe

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Difícil dizer de qual parte eu gostei mais: da primeira ou da segunda.

Eu sei que a escolha de terminar o filme com "Paint It Black", dos Rolling Stones, é perfeita. A música simboliza todo o luto que permeia o filme. O Joker, que outrora foi diminuído por não ter ido a campo de fato, depois de ter que matar a garota vietnamita adquire o famoso "olhar de mil jardas".

Toda a lavagem cerebral que o exército faz nos recrutas é muito bem representada. Aos poucos, eles têm sua humanidade retirada, convencidos de que estão lutando por uma grande causa. Mas, no fim, não é. Nunca é e nunca será. E o único consolo que lhes resta é tentar convencer a si mesmos de que não estão morrendo à toa.

E, no fim de tudo isso, esse filme me faz lembrar de Blade Runner. O que é ser humano? Enquanto lá os androides só queriam viver, aqui os soldados cantam a música do Mickey Mouse em meio a uma cidade destruída e em chamas, depois de matar homens, mulheres e crianças, além de perder companheiros. Eles seguem marchando sem qualquer respeito pela vida.

Se ser humano é apenas ser feito de carne e osso, então a humanidade está fadada à autodestruição desde o início.

Nota: 3.5/5. Recomendo.

u/willdoboxe — 2 months ago