
socorro
Há alguns meses venho percebendo coisas estranhas na minha vida e já não sei mais o que fazer sobre isso. Achei esse sub por acaso e talvez aqui alguém acredite em mim, porque sempre que tento conversar sobre isso com alguém, as pessoas dizem que estou cansado, estressado ou ficando paranoico. Mas eu sei o que estou vendo. Algo está me perseguindo há meses. Algo que eu não consigo enxergar direito, mas sei que está ali.
Tudo começou há algum tempo, enquanto eu lavava a louça. Era de noite, eu estava sozinho em casa e lembro de ter visto claramente alguma coisa entrando na cozinha pelo canto do meu olho. Foi apenas uma sombra, passou rápido pela entrada, rápido o suficiente para eu pensar que talvez tivesse sido impressão minha. Virei na mesma hora, mas não havia ninguém. Olhei atrás da geladeira, no corredor, até abri a porta de casa para conferir se alguém tinha entrado, mas nada. Naquela noite achei estranho, mas acabei ignorando.
Eu não deveria ter ignorado.
Depois daquele dia, minha vida virou uma mistura de insegurança e medo. A todo momento eu conseguia ver alguma coisa pelo canto do olho. Às vezes parecia uma pessoa parada no final de um corredor, outras vezes era apenas uma cabeça desaparecendo atrás de uma porta. No trabalho eu via aquilo entre as mesas. Na faculdade, sentado algumas fileiras atrás de mim. Em casa era ainda pior, porque parecia gostar de ficar nas portas, sempre parado, sempre me observando. Quando eu virava para olhar, não tinha nada.
Meus amigos começaram a perceber que eu não estava dormindo direito. Eu ficava assustado por qualquer coisa, evitava ficar sozinho e comecei a faltar na faculdade. O problema é que dormir tinha se tornado quase impossível. Toda vez que fechava os olhos, eu tinha a sensação de que aquilo finalmente poderia se aproximar sem que eu percebesse. Algumas noites eu ficava acordado até o sol nascer, sentado na cama e olhando para a porta do quarto.
Eu tentei de tudo.
Coloquei câmeras pela casa, deixei meu celular gravando enquanto dormia, tentei usar espelhos para enxergar aquilo sem precisar virar o rosto. Nunca aparecia nada. Nas gravações eu estava sempre sozinho. Nos espelhos também. Às vezes eu passava horas revendo os vídeos procurando qualquer movimento estranho, mas só encontrava eu mesmo andando pela casa feito um maluco.
Comecei realmente a acreditar que estava ficando louco.
Até algumas semanas atrás.
Eu estava assistindo televisão de madrugada porque, como sempre, não conseguia dormir. A sala estava escura, só com a luz da TV iluminando um pouco o ambiente. Eu estava sentado no sofá quando senti alguma coisa ao lado do meu rosto.
Não foi impressão.
Eu senti alguém ali.
Tão perto que por alguns segundos fiquei completamente imóvel. Primeiro senti o ar frio perto da minha orelha. Depois veio um cheiro podre, forte, como carne deixada por dias em algum lugar quente. Meu estômago embrulhou. Eu queria virar o rosto, mas estava com medo demais.
Então olhei apenas com o canto dos olhos.
Foi a primeira vez que consegui ver uma parte dele.
Um pedaço de rosto extremamente pálido estava ao lado do meu. A pele parecia lisa demais, quase sem expressão, e eu não conseguia enxergar o resto. Era como se meu próprio olho se recusasse a focar naquela coisa.
Virei rapidamente.
Não tinha nada.
Levantei do sofá e quase tropecei tentando acender a luz. Olhei atrás de mim, procurei pela sala inteira, fui até a cozinha. Nada. Voltei para a televisão e olhei para o reflexo da tela preta.
Eu estava sozinho.
Depois daquela noite tudo começou a piorar.
Minha casa tem apenas três cômodos. O quarto, a sala e a cozinha, sendo que a sala e a cozinha são separadas apenas por um pequeno muro com uma bancada. Uma noite acordei com sede e fui beber água. Não acendi todas as luzes porque já estava começando a tentar me convencer de que aquilo não existia.
Abri a geladeira, peguei uma garrafa e, quando fechei a porta, vi alguma coisa do outro lado da bancada.
Dessa vez não foi uma sombra.
Eram olhos.
Dois olhos me observando por cima da bancada.
O resto da cabeça estava escondido.
Eu fiquei paralisado olhando para eles pelo canto da visão. Não sei explicar como eram exatamente, porque quanto mais eu tentava prestar atenção, mais minha visão parecia falhar. Mas tenho certeza de uma coisa.
Eles estavam olhando diretamente para mim.
Eu virei.
Não tinha nada.
Caí para trás e comecei a gritar. Meu coração parecia que ia sair pela boca. Levantei e corri para olhar atrás da bancada, mesmo sem querer chegar perto daquele lugar.
Não havia ninguém.
Naquela mesma semana decidi sair de casa. Passei alguns dias na casa de um amigo, depois fui para a casa da minha mãe e, por fim, aluguei outro lugar. Eu realmente achei que pudesse haver alguma coisa naquela casa.
Não adiantou.
Ele veio comigo.
Na primeira noite no apartamento novo eu o vi parado no corredor.
Depois no banheiro.
Depois atrás de mim no reflexo de uma janela, mesmo que os espelhos continuassem não mostrando nada.
Comecei a tentar ignorar.
Essa foi provavelmente a pior decisão que tomei.
Quanto mais eu fingia que não via, mais perto ele aparecia.
Ontem eu estava deitado mexendo no celular quando percebi uma figura parada na porta do meu quarto. Eu conseguia ver pelo canto esquerdo do olho. Era alta, quase chegando no topo da porta, e dessa vez eu conseguia distinguir o formato dos braços.
Continuei olhando para o celular.
Fingi que não tinha nada ali.
Meu coração estava disparado, mas eu continuei passando os vídeos como se estivesse tudo normal.
Olhei novamente de canto.
Ele não estava mais na porta.
Por alguns segundos achei que tinha funcionado.
Então percebi duas pernas na minha frente.
Aquela coisa estava parada ao lado da cama.
Eu conseguia ver os pés, as pernas extremamente finas e uma parte do corpo desaparecendo acima do limite da minha visão. Estava tão perto que, se esticasse o braço, provavelmente conseguiria tocar nela.
Dei um pulo da cama.
Não havia nada ali.
Não dormi.
E hoje aconteceu uma coisa diferente.
Eu não sei explicar isso sem parecer completamente louco, mas desde que acordei sinto meu corpo mais pesado. Não ganhei peso, não estou doente. É diferente.
Parece que estou carregando alguém.
Às vezes sinto pressão nos meus ombros, como se duas mãos estivessem apoiadas neles. Quando estou sentado, sinto alguma coisa pressionando minhas costas. Quando ando, sinto o peso mudar de posição.
Há algumas horas entrei no banheiro e fiquei olhando para o chão enquanto escovava os dentes. Foi quando percebi uma coisa pelo canto do olho.
Um braço.
Ele estava passando por cima do meu ombro.
Não vi a criatura atrás de mim.
Só o braço.
Comprido, pálido, apoiado sobre meu peito como se alguém estivesse agarrado às minhas costas.
Virei imediatamente.
Nada.
Mas o peso continuou.
É por isso que estou escrevendo isso agora.
Ele não desaparece mais quando eu olho.
Eu apenas não consigo vê-lo.
Enquanto digito, consigo sentir alguma coisa respirando perto da minha nuca. Meu ombro esquerdo está ficando cada vez mais pesado e, de vez em quando, alguma coisa encosta no meu cabelo.
Eu não sei mais se ele está me seguindo.
Acho que ele nunca esteve me seguindo.
Acho que estava chegando mais perto.
E acho que agora chegou.
Há poucos minutos tentei levantar da cadeira e não consegui. Alguma coisa me empurrou de volta. Depois senti dedos fechando devagar em volta do meu pescoço.
Ainda consigo respirar.
Por enquanto.
O mais estranho é que agora não vejo mais vultos pelos cantos dos olhos.
Não vejo nada atrás das portas.
Nada nos corredores.
Nada perto da cama.
Talvez porque ele não precise mais ficar longe.
Enquanto termino de escrever isso, consigo sentir o peso inteiro dele sobre minhas costas.
E alguma coisa acabou de encostar o rosto no meu.
espero que isso sirva de aviso para alguém, eu não sei quanto tempo eu tenho, ou o que ele vai fazer comigo, mas saiba, se você ver algum vulto ou sentir alguém observando... não ignore realmente algo te observa.