
É assim que se retribui nudes, gentch?
Vocês prefeririam um nude ou um poema? 😅
Edit: me referi assim que liberam o álbum contendo nudes 🙂, antes de qualquer conversa

Vocês prefeririam um nude ou um poema? 😅
Edit: me referi assim que liberam o álbum contendo nudes 🙂, antes de qualquer conversa
Essa é minha primeira história ficcional, inspirado em alguns desejos pessoais. Envolve poliamor, cotidiano e convivência.
Não é de cunho sexualmente explícito.
Eu assumo que é uma idealização romântica minha. Uma maneira particular de enxergar o amor nos pequenos detalhes, que eu me identifico, e que pode te fazer sentir aquele quentinho no coração. Quem sabe até um raio de esperança, que eu também sinto ao ler isto. ✨
Espero que gostem 🫶
Obs: História fictícia, com nomes fictícios.
________________
[…]
Victor tinha aprendido que uma casa podia ter mais de uma maneira de ser silenciosa.
Havia o silêncio de quando se estava sozinho.
Havia o silêncio confortável de quando alguém que você amava estava lendo no sofá.
E havia aquele silêncio peculiar das manhãs em que três pessoas dividiam uma casa, mas duas ainda estavam dormindo.
Era esse que Victor ouvia naquela terça-feira.
6h47.
Ele estava deitado de lado, olhando para o teto, enquanto a luz azulada da manhã atravessava a fresta da cortina.
Do outro lado da cama, Rafael dormia profundamente.
Rafael tinha 24 anos e uma habilidade irritante de dormir como se o mundo não tivesse nenhuma obrigação de existir antes das nove da manhã.
Victor sorriu sozinho.
No outro quarto, Daniel provavelmente ainda estava dormindo também.
Daniel tinha 23.
E, ao contrário de Rafael, acordava cedo — mas tinha o hábito de ficar alguns minutos parado na cama, simplesmente pensando antes de levantar.
Victor conhecia os dois suficientemente bem para saber disso.
Conhecia também as pequenas diferenças entre eles.
Rafael fazia café forte demais.
Daniel colocava pouco açúcar.
Victor esquecia de comer quando estava concentrado.
Rafael deixava as portas dos armários abertas.
Daniel fechava todas.
Daniel gostava de dormir com a janela aberta.
Rafael reclamava do frio.
E Victor, de algum modo, tinha se acostumado a viver no meio dessas pequenas incompatibilidades.
Ele se levantou cuidadosamente.
Rafael abriu um olho.
— Já vai?
— Vou fazer café.
— Você me ama?
Victor segurou o sorriso.
— Essa é uma pergunta muito ampla para sete da manhã.
Rafael fechou os olhos novamente.
— Então traz café.
— Isso eu posso prometer.
⸻
Na cozinha, Daniel já estava lá.
De costas, usando uma camiseta velha e preparando alguma coisa numa frigideira.
Victor encostou no batente.
— Você acordou.
— Infelizmente.
— Achei que gostasse de acordar cedo.
Daniel virou o rosto.
— Eu gosto de acordar cedo. Não gosto de estar acordado.
Victor riu.
Era uma dessas frases que, depois de alguns meses, começavam a parecer parte da mobília.
A casa ainda tinha sinais de que aquilo tudo era relativamente novo.
Três escovas de dentes no banheiro.
Três pares de tênis próximos à porta.
Uma prateleira dividida de maneira que ninguém conseguia explicar.
Um calendário na geladeira.
E, principalmente, uma lista escrita à mão:
“COISAS QUE PRECISAMOS CONVERSAR.”
A lista havia começado como uma brincadeira.
Não era mais.
Havia coisas como:
dividir despesas;
quem compra comida;
noites individuais;
tempo dos três juntos;
visitas;
privacidade;
como lidar quando alguém estiver com ciúmes;
férias;
e, em letras maiores, sublinhado três vezes:
NÃO PRESUMIR. PERGUNTAR.
Daniel olhou para Victor.
— Você dormiu bem?
— Sim.
— Mentira.
— Como você sabe?
— Você está com essa cara.
— Que cara?
— Cara de quem ficou pensando demais.
Victor puxou uma cadeira.
— Talvez.
Daniel desligou o fogo.
— Quer falar?
Victor hesitou.
Era uma das coisas que mais tinha aprendido naquele relacionamento: nem toda emoção precisava ser transformada imediatamente em uma conversa profunda.
— Depois.
Daniel assentiu.
— Depois.
Sem insistência.
Sem cobrança.
Aquilo também era intimidade.
⸻
Rafael apareceu dez minutos depois, descabelado.
— Bom dia.
Daniel olhou para ele.
— Você está atrasado.
— Para quê?
— Para a vida.
Rafael abriu a geladeira.
— Não tenho compromisso com a vida.
Victor observou os dois discutindo sobre café da manhã e teve aquela sensação estranha que ainda aparecia de vez em quando.
A sensação de que aquilo era real.
Não uma fantasia.
Não uma imagem bonita sobre poliamor.
Real.
Com louça suja.
Com contas.
Com alguém irritado porque o outro deixou toalha no chão.
Com alguém querendo ficar sozinho.
Com alguém querendo companhia.
Com sentimentos que nem sempre chegavam organizados.
E, ainda assim, três pessoas escolhendo continuar ali.
⸻
9h18
Victor trabalhava de casa naquele dia.
Daniel saiu para a faculdade.
Rafael tinha aula somente à tarde.
Então, pela primeira vez naquela semana, Victor e Rafael ficaram sozinhos.
Isso não era extraordinário.
Na verdade, fazia parte da rotina.
Mas existia uma diferença importante entre estar sozinho com alguém e estar “com o casal”.
Victor tinha aprendido a não pensar nos dois como uma entidade única.
Rafael era Rafael.
Daniel era Daniel.
E a relação de Victor com Rafael tinha coisas que simplesmente não existiam entre Victor e Daniel.
Rafael entendia o humor dele de um jeito peculiar.
Era com Rafael que Victor costumava cozinhar tarde da noite.
Era Rafael quem sabia quando Victor estava ansioso antes mesmo de ele perceber.
Com Daniel, era diferente.
Daniel e Victor conversavam durante horas.
Tinham uma curiosidade intelectual parecida.
Às vezes começavam discutindo um filme e terminavam falando sobre o futuro às duas da manhã.
E havia também a relação entre Rafael e Daniel.
Era diferente das duas.
Não precisava ser igual.
Essa talvez tivesse sido uma das maiores descobertas de Victor.
Uma relação não precisava ser replicada para ser legítima.
⸻
12h31
Daniel mandou uma mensagem no grupo:
Daniel: Vou almoçar com uns amigos depois da aula.
Daniel: Não me esperem.
Rafael respondeu imediatamente:
Rafael: Traidor.
Daniel:
Daniel: Sobreviva.
Victor colocou um emoji rindo.
Depois ficou olhando a tela.
Não havia nada de estranho.
Daniel tinha a própria vida.
Victor também.
Rafael também.
Era justamente isso que tornava possível eles escolherem estar juntos.
⸻
15h42
Victor estava trabalhando quando Rafael apareceu na porta.
— Posso entrar?
— Você já entrou.
— Tecnicamente perguntei antes.
— Tecnicamente não.
Rafael sentou no chão.
— Daniel vai sair hoje.
Victor tirou os olhos do computador.
— Vai?
— Com aquele pessoal da faculdade.
— Ah.
— Eu estava pensando…
Rafael fez uma pausa.
— Você quer jantar comigo hoje?
Victor sorriu.
— Quero.
— Só nós dois.
— Claro.
E havia algo curioso nisso.
Victor não sentiu que estavam “deixando Daniel de lado”.
Daniel não estava sendo excluído.
Daniel tinha escolhido sair.
E os dois estavam escolhendo passar aquela noite juntos.
Era possível que, em outro relacionamento, aquilo precisasse ser explicado como uma exceção.
Ali, era apenas terça-feira.
⸻
19h07
Daniel chegou em casa.
Encontrou Victor e Rafael na cozinha.
— Oi.
— Oi — respondeu Victor.
Daniel deixou a mochila no sofá.
— Como foi?
— Bom.
Ele olhou para a mesa.
— Vocês fizeram isso?
— Rafael fez.
Rafael apontou para Victor.
— Mentira. Ele picou tudo.
— Eu fiz a parte difícil.
Daniel riu.
Por alguns segundos, os três ficaram ali.
Sem grande acontecimento.
E talvez fosse justamente isso que Victor mais gostava.
O poliamor, naquela casa, não era uma sequência permanente de momentos extraordinários.
Era:
“Você quer arroz?”
“Quem pegou meu carregador?”
“Seu dia foi ruim?”
“Tem leite?”
“Você quer ficar sozinho?”
“Posso te abraçar?”
“A gente conversa sobre isso depois?”
Amor, descobriu Victor, também era logística.
⸻
21h16
Depois do jantar, Daniel foi para o quarto.
Rafael ficou na sala com Victor.
Eles estavam vendo um filme.
Victor estava distraído quando Rafael perguntou:
— Você está bem?
— Estou.
— Tem certeza?
Victor respirou.
— Estou pensando numa coisa.
— Qual?
— Às vezes eu tenho medo de que isso tudo seja mais fácil na minha cabeça do que na realidade.
Rafael ficou em silêncio.
Victor continuou:
— Tipo… eu sei que acredito nisso. Sei que quero isso. Mas acreditar que consigo lidar com certas coisas e realmente sentir certas coisas são duas coisas diferentes.
Rafael assentiu.
— São.
— Você acha que eu estou sendo ingênuo?
— Não.
— Como você sabe?
Rafael pensou.
— Porque você não está dizendo que nunca vai sentir ciúme. Está dizendo que quer aprender o que fazer quando sentir.
Victor ficou quieto.
Rafael acrescentou:
— E acho que é diferente.
Victor olhou para ele.
— Você sente ciúme?
Rafael deu uma pequena risada.
— Claro.
— E?
— E às vezes eu sou péssimo com isso.
— Isso é reconfortante.
— Não deveria ser.
Os dois riram.
Depois Rafael ficou sério.
— A gente não precisa ser perfeito nisso.
Victor assentiu.
Era talvez a frase que mais precisava ouvir.
⸻
23h48
Daniel apareceu na sala.
— Vocês ainda estão acordados?
— Sim.
Ele sentou no sofá.
Victor olhou para ele.
— Como foi?
— Bom.
— Só “bom”?
Daniel deu de ombros.
— Foi divertido.
Rafael levantou uma sobrancelha.
— Você está com cara de que aconteceu alguma coisa.
Daniel sorriu.
— Talvez.
Victor sentiu curiosidade imediatamente.
Não medo.
Curiosidade.
E percebeu isso.
Talvez essa fosse uma das partes mais estranhas de sua vida agora.
Antigamente, descobrir que alguém que ele amava tinha vivido alguma coisa importante com outra pessoa poderia ter produzido imediatamente uma sensação de ameaça.
Agora, a primeira pergunta que surgiu foi:
“O que aconteceu?”
Daniel contou.
Os três conversaram.
Não havia necessidade de todos terem vivido a mesma coisa.
Daniel tinha uma experiência que era dele.
Victor tinha curiosidade sobre ela.
Rafael também.
E, ao compartilhá-la, Daniel não estava entregando a eles uma propriedade.
Estava convidando-os para dentro de uma parte da sua vida.
⸻
À 1h17, os três foram dormir.
Não havia nenhuma regra dizendo que precisavam dormir juntos.
Às vezes dormiam os três.
Às vezes dois.
Às vezes cada um em seu quarto.
Naquela noite, acabaram os três na mesma cama, conversando no escuro.
Rafael estava no meio.
Daniel de um lado.
Victor do outro.
— Vocês já pensaram onde a gente vai estar daqui a cinco anos? — perguntou Daniel.
— Não — disse Rafael.
— Mentira — respondeu Victor. — Você pensa nisso toda semana.
— Talvez.
Victor sorriu.
— Eu não sei.
Silêncio.
Depois:
— Mas acho que não preciso saber.
Daniel virou o rosto.
— Por quê?
Victor demorou um pouco para responder.
— Porque eu não quero construir isso pensando que precisamos continuar sendo exatamente essas três pessoas para sempre.
Rafael perguntou:
— Então o que você quer?
Victor olhou para os dois.
— Quero que, daqui a cinco anos, a gente ainda consiga olhar um para o outro e dizer: “Foi honesto.”
Daniel sorriu.
Rafael estendeu a mão no escuro e encontrou a de Victor.
Daniel fez o mesmo.
Três mãos se encontraram no meio da cama.
Não como um contrato.
Não como uma promessa de que nada mudaria.
Mas como uma escolha feita naquela noite.
Hoje.
E, para Victor, isso começou a parecer suficiente.
Porque talvez o que ele procurasse nunca tivesse sido a garantia de que ninguém partiria.
Talvez fosse algo mais simples:
um lugar onde amar alguém não exigisse deixar de ser capaz de amar outra pessoa.
E, naquela casa, havia três lugares à mesa.
Nenhum deles era o “terceiro”.