u/Artichoke-1674

Amar alguém que vive no ‘quase’ está acabando comigo

Preciso botar isso para fora porque minha cabeça está prestes a explodir e eu já não sei mais se estou ficando louco ou se fui completamente condicionado a aceitar migalhas.

Eu H22 e ela M24. No papel, dois anos de diferença não são nada. Mas, sinceramente? Às vezes me pego questionando se errei feio ao esperar mais maturidade dela justamente por ela ser a mais velha da relação...

Já faz 8 meses que a gente vive num limbo absurdo. É algo intenso demais para ser só amizade, mas indefinido demais para ser real. Conheci ela num evento de tecnologia onde eu estava como mentor, e a conexão foi bizarramente natural no começo. Chamadas de horas, saídas, ela vindo aqui em casa assistir filme, conhecer minha mãe, conversas diárias, um nível de intimidade e cuidado mútuo que, para mim, só tinha um destino lógico: algo sério.

Só que a verdade é que a gente nunca saiu do "quase". E talvez a coisa mais absurda disso tudo seja perceber que em 8 meses eu nunca beijei ela, nunca andei de mãos dadas, nunca abracei ela de verdade sem sentir que estava ultrapassando algum limite invisível.

E quando paro pra pensar friamente, durante esses 8 meses nós saímos só 5 vezes. Duas vezes aqui em casa e 3 em lanchonetes. E ultimamente ela vem adiando muitos encontros, nunca confirma direito nada, sempre parece existir alguma distância. Chegou num ponto em que eu fui perdendo até a força de sugerir alguma coisa, porque parece que estou sempre tentando empurrar uma relação que nunca anda.

E toda santa discussão nossa termina no mesmo muro: a maldita indefinição.

Recentemente tentei ter uma conversa limpa sobre evolução entre nós. Mais proximidade, sabe? Nada de outro mundo. Eu só queria sentir que podia me aproximar dela sem parecer que estava invadindo um perímetro militar ou ultrapassando um limite invisível. Até um abraço às vezes parece algo que ela evita ativamente.

A resposta dela? Um seco "melhor não".

Aquilo grudou na minha mente. Tentei entender o porquê, perguntei o que ela queria dizer com aquilo de verdade. A justificativa dela foi que "já tinha dito várias vezes" e que vivia "deixando spoilers". Velho... que spoilers? Eu não sou adivinho.

E o que mais me machuca é exatamente isso: quanto mais eu tento entender e clarear as coisas, mais perguntar vira um problema. É como se eu tivesse a obrigação de decifrar enigmas para ter o direito de saber onde estou pisando.

E o pior é a assimetria disso. Comigo, ela sempre exigiu respostas claras. Já me colocou em várias saias justas fazendo perguntas desconfortáveis sobre meus sentimentos, sobre como eu a tratava como mulher, sobre minhas atitudes. E eu? Sempre respondi direto, sem rodeios, mesmo quando me incomodava.

Teve uma vez que comentei com ela que minha mãe queria que eu contribuísse com uma grana para um grupo de mulheres comprar algo para ela. A resposta dela foi me perguntar se, caso minha mãe não tivesse falado nada, eu compraria algo para ela por iniciativa própria.

Cara, aquilo me quebrou.

Antes disso eu já tinha feito tanta coisa por ela. Atenção, presença, presentes... inclusive comprei algo muito especial no Dia dos Namorados. Mesmo assim, parecia que eu estava sempre precisando provar alguma coisa.

Ainda assim, engoli seco e respondi diretamente. Nunca deixei ela no vácuo ou na dúvida. Mas quando é a minha vez de entender algo simples, tudo vira mistério, indireta ou briga.

A ambiguidade dela destrói minha saúde mental. Porque a dinâmica é sempre a mesma: quando eu canso, percebo o peso disso e tento me afastar um pouco para respirar e ficar bem, ela vem atrás. Cobra meu afastamento, demonstra incômodo, age como se eu fosse alguém importante pra ela.

Só que, na hora de fazer a relação evoluir de verdade, ela volta atrás.

Fico preso nesse cativeiro emocional. Não consigo ir embora porque sinto que vou machucar alguém que eu amo de verdade, e não consigo me aproximar porque bato direto nessa parede invisível.

E o que me prende no fundo é lembrar de tudo o que construímos. Eu estive lá por ela, de verdade. Quando ela ficou doente, com medo de nunca melhorar, eu não saí do lado dela nem por um segundo. Não mudei meu jeito, não me afastei, não fiz ela se sentir menos amada ou rejeitada por isso.

No lado profissional também, fiz de tudo para ajudar ela a conseguir o estágio atual, apoiei, incentivei, porque tudo o que eu queria era ver ela crescer e ficar bem. Tentei ser parceiro em tudo: nos medos, na carreira, no cuidado, na presença.

Eu já estou muito exausto.

Parece que virei o pacote completo de conforto de alguém. Sou importante demais para ela perder e ter que abrir mão do suporte, mas nunca importante o suficiente para ser realmente escolhido.

Sinceramente, preciso de conselhos. Porque não sei mais se continuo tentando entender alguém que nunca fala claramente comigo, ou se aceito que talvez eu esteja preso numa relação onde só eu estou tentando transformar o “quase” em algo real.

E acho que o pior é perceber o quanto isso mexeu comigo. Nunca imaginei que fosse ficar tão destruído emocionalmente por alguém desse jeito. Às vezes sinto até arrependimento de ter me envolvido tanto, porque parece que quanto mais eu amei, mais preso fiquei nessa dinâmica.

E eu sinceramente não sei como sair disso sem me sentir culpado, vazio ou como se estivesse abandonando alguém que eu amo.

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u/Artichoke-1674 — 3 days ago