Análise crítica sobre o Solon Maia
Vejo muita gente cagando nele ( com razão em alguns aspectos ). Mas queria abrir uma discussão mais equilibrada sobre a figura dele.
O ponto positivo, na minha visão, é que ele toca em temas que muita gente na medicina evita: saturação do mercado, abertura desenfreada de faculdades, ilusão com plantões, falta de educação financeira e dependência exclusiva da renda médica. Para um estudante ou recém-formado que ainda está no modo “qualquer médico ganha muito”, esse choque de realidade pode ser útil. Ao mesmo tempo, acho que vale separar algumas coisas. Uma coisa é alguém ter experiência prática e uma visão forte sobre carreira médica. Outra coisa é transformar essa visão em pessimismo absoluto.
O problema é que o choque de realidade pode virar um filtro excessivamente negativo. Às vezes o discurso parece sair da crítica legítima para uma conclusão mais ampla: a medicina está degradada, o sistema está contra você, o Estado te rouba, os investimentos tradicionais são insuficientes, o médico comum é ingênuo, clínico vai ganhar "pouco" e médico funcionário será escravo. Isso pode ser útil para acordar algumas pessoas, mas também pode gerar ansiedade e distorcer a tomada de decisão de quem ainda está no começo.
Sinto que existe uma exarcebação na visaão geral das coisas pra tentar vender a consultoria.Esse é o ponto em que eu acho que o Solon deve ser consumido com filtro. Ele parece bom como provocador. O mérito dele é tirar o estudante e o médico da fantasia.
"Eu amo MFC e é isso que eu quero!" Tudo bem! Mas você sabe que é pouco valorizada? Você sabe da demanda do MFC no dia a dia?
"Eu amo anestesia" - Show, que você seja um anestesista nota 10, mas você sabe que vai ter que dar plantão (e muitos)? Mas a tal da clínica da dor? Empreender é difícil e muitos outros também têm essa ideia.
"Vou fazer radio porque a perspectiva é boa, a residência é tranquila e vou ganhar dinheiro" - Tudo bem, mas você gosta de analisar as imagens? do pouquíssimo contato com paciente, do trabalho de "funcionário" da rádio, empreender é difícil e arriscado, será que a ideia de clínica de USG vai dar certo? E a radiointervenção? É muito fechada, tem muito intervencionista complementando renda com telelaudo.
"Sempre quis neuro, vou ser neuro e voltar pra minha vila de 550 habitantes"
Clássico também
Existem muitas posicionamentos legais que eu gosto: criar uma reserva de emergência bacana em especialidades que atingem o teto rápido, cautela na escolha da residência, evitar pós graduações pois não são diferenciais embora seja ético e legal, não escolher só por renda e não escolher só por "afinidade".
Acho que o problema é você literalmente engolir tudo que o cara fala, aí não tem jeito, você cai em Uro, Plástica, Vascular, Psiquiatria e Dermato e as outras queridinhas.
Um vídeo que eu vi dele que me fez pensar nisso foi o "Bate-Papo: O que ninguém te conta antes de escolher sua especialidade". Achei muito bom. Nesse vídeo esse parece o Solon mais próximo da realidade do que o Doutor Urologista Vascular Plástico
Enfim, a melhor forma de consumir esse tipo de conteúdo talvez seja ouvir com atenção, usar como alerta e depois comparar com a realidade de médicos de diferentes áreas, cidades e gerações. O Solon parece menos importante pelas respostas que dá e mais pelas perguntas que obriga a fazer.