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Me sinto um pouco idiota por estar gostando de uma pessoa que namora.

Tenho 20 anos e estou passando por uma situação que, sinceramente, às vezes me faz sentir um pouco idiota.

Conheci uma garota na faculdade. Ela é veterana do meu curso, participa de um laboratório e, desde o começo, foi muito receptiva comigo. A gente se conheceu por meio de uma amiga em comum e, aos poucos, começamos a conversar sobre faculdade, nossas rotinas e outras coisas aleatórias.

Desde o início, sempre gostei muito da maneira como ela conversa comigo. Ela é simpática, espontânea e parece ter facilidade para compartilhar pequenas coisas da vida. A gente conversava sobre assuntos aleatórios, comida, família, rotina, faculdade e outras coisas. Às vezes, ficávamos brincando um com o outro, e eu gostava bastante dessa leveza. Não eram necessariamente conversas profundas ou grandes momentos, mas eu gostava muito da naturalidade que existia entre nós.

Uma das coisas de que mais gosto nela é justamente essa facilidade. Lembro de algumas situações pequenas que me marcaram. Uma vez, uma amiga em comum estava distribuindo pirulitos e ela resolveu tirar uma foto com a gente. Me chamou para sentar ao lado dela e fazer uma foto meio no estilo Tumblr, com os pirulitos. Em outra ocasião, ela me convidou para conhecer o laboratório onde trabalha como bolsista. Também já aconteceu de eu começar a falar sobre motos, um assunto pelo qual sou completamente fascinado, e ela simplesmente ficar ali me ouvindo.

Pode parecer pouca coisa, mas, depois de um período bastante complicado na minha vida, encontrar alguém com quem eu pudesse conversar de maneira tão leve foi muito bom.

O problema é que, em algum momento, comecei a gostar dela de um jeito que ultrapassava a amizade.

E tem um detalhe importante: ela namora. Pelo que sei, está em um relacionamento de alguns anos.

Quando descobri isso, comecei a pensar que não fazia sentido alimentar qualquer expectativa. Não queria me colocar numa situação em que ficasse esperando que alguém comprometido me escolhesse. Também tinha minhas próprias inseguranças e, para ser sincero, achava difícil imaginar que ela pudesse sentir algo por mim, ainda mais estando em um relacionamento tão estabelecido.

Então, comecei a me afastar.

Passei a frequentar menos o laboratório, procurá-la menos e, em algumas situações, deixei de responder ou de iniciar conversas. Não houve uma briga, uma discussão ou algum acontecimento específico entre nós. Foi algo que aconteceu gradualmente, muito por causa das coisas que eu estava pensando e sentindo.

Só que o afastamento acabou se tornando uma coisa meio estranha. Antes, a gente brincava, implicava um com o outro e conversava com certa frequência. Depois, passamos a trocar apenas cumprimentos e acenos, como se fôssemos quase desconhecidos.

E isso me deixou triste.

Havia também uma situação envolvendo uma amiga em comum, com quem tive um desentendimento depois de uma viagem a São Paulo. Essa amiga já era próxima dela antes de me conhecer. Não sei se o que aconteceu entre nós influenciou de alguma maneira a relação que eu tinha com essa garota. Não tenho como afirmar isso, e também reconheço que fui responsável por parte do afastamento. Mas, em algum momento, fiquei pensando se as coisas teriam sido diferentes caso eu não tivesse me retraído tanto.

O curioso é que, mesmo depois de toda essa distância, ainda existem momentos em que parece que a antiga naturalidade volta.

Recentemente, encontrei essa garota na faculdade. Ela me parou para conversar, perguntou como eu estava e, espontaneamente, começamos a falar sobre comida. Descobri algumas coisas sobre os gostos dela, a alimentação e a rotina. Ela brincou comigo por causa de um hábito alimentar meu, e a conversa foi tão natural que acabou se estendendo. Em determinado momento, ela até se ofereceu para me acompanhar ao restaurante universitário.

Mais tarde, nos encontramos de novo e conversamos sobre eventos, palestras, faculdade e outras coisas do cotidiano. Foi um daqueles dias em que eu estava cansado, com a cabeça cheia, e uma conversa simples acabou deixando tudo um pouco mais leve.

E aí está uma das coisas que mais me confundem: eu gosto muito da companhia dela. Gosto da maneira como ela conversa comigo, da espontaneidade, das brincadeiras e da sensação de que não preciso fazer um esforço enorme para manter uma interação.

Recentemente, por exemplo, enquanto lembrava de uma conversa que tivemos sobre cozinhar, me veio à cabeça a possibilidade de preparar alguma receita que ela comentou que gostaria de fazer. Eu gosto muito de cozinhar e costumo experimentar receitas sempre que vejo alguma coisa interessante. Por alguns instantes, pensei em fazer algo para ela.

Mas imediatamente percebi que, para mim, aquele gesto teria um significado afetivo muito maior do que simplesmente preparar uma comida. E decidi que não faria isso. Não quero ultrapassar limites nem transformar pequenos comentários dela em oportunidades para demonstrar sentimentos que não cabem nessa situação.

O mais engraçado é que eu realmente quero sustentar essa decisão. Não quero interferir no relacionamento dela, não quero criar expectativas e muito menos ficar esperando que alguma coisa aconteça. Sei que ela tem a própria vida e que não me deve absolutamente nada.

Ao mesmo tempo, não consigo simplesmente desligar o que sinto.

E é aí que começo a me sentir meio idiota. Porque, racionalmente, sei que não há muito o que fazer. Ela namora, eu respeito isso e não pretendo tomar nenhuma atitude romântica. Só que, emocionalmente, ainda fico feliz quando ela vem conversar comigo, quando compartilha alguma coisa da vida dela ou quando temos aqueles momentos de brincadeira que costumávamos ter.

Às vezes, fico pensando se estou confundindo a gentileza e a amizade dela com algo maior. Não acho que ela esteja necessariamente flertando comigo, nem quero interpretar cada interação como um sinal. Talvez ela simplesmente goste da minha companhia, assim como eu gosto da dela. E, honestamente, isso já seria algo bom por si só.

Também me pergunto se estou prolongando um sentimento que deveria deixar para trás. Afinal, não é como se eu estivesse conhecendo alguém solteiro e tentando descobrir se existe interesse mútuo. Existe uma pessoa comprometida, e eu não quero ser o motivo de qualquer complicação.

O que torna tudo mais difícil é que não estou necessariamente procurando um relacionamento agora. Passei por muita coisa nos últimos tempos, inclusive a perda da minha mãe, e ainda estou tentando reorganizar minha vida. Sei que não estou no melhor momento emocional para assumir um compromisso sério. Talvez parte do que me atrai nessa garota seja justamente a leveza que sinto quando estou perto dela, especialmente em uma fase em que tantas coisas parecem pesadas.

Não quero colocar nela a responsabilidade de me fazer bem, nem transformar a amizade em uma espécie de refúgio emocional. Mas também não quero fingir que a presença dela não significa nada para mim.

No fundo, acho que estou tentando encontrar um equilíbrio entre gostar da companhia de alguém, reconhecer que existe um sentimento a mais e entender que isso não significa que eu precise fazer alguma coisa a respeito.

Não sei se o certo é simplesmente deixar esse sentimento diminuir com o tempo, manter a amizade dentro dos limites que considero adequados ou me afastar um pouco mais para não alimentar algo que não tem espaço para acontecer.

E talvez eu esteja complicando uma situação que, vista de fora, seja bastante simples: gosto de uma amiga que namora e preciso respeitar isso.

Mas, para quem está vivendo a situação, nem sempre é tão simples assim.

Vocês já passaram por algo parecido? Como lidaram com o sentimento de gostar de alguém que está em um relacionamento, especialmente quando essa pessoa também é sua amiga e vocês gostam genuinamente da companhia um do outro?

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u/BerryDistinct4815 — 11 days ago