Adotar um cachorro foi a pior coisa que eu poderia ter feito
Tempos atrás estou eu fazendo não lembro o quê em minha nova casa, moradia.
Passa pela rua o dono da casa.
O dono dessa casa, chácara, é o mesmo dono do quarto onde eu tava morando antes (antes eu tava morando num complexo de quartos, kitnets).
Conversa vai, conversa vem. Ele comenta comigo sobre o cachorro da rua de cima que, por sua vez, estava abandonado. Ele disse que, talvez, seria uma boa ideia ter um cachorro na chácara.
Meu pensamento: sim, óbviamente que sim. Então aceitei quase que instantaneamente. Só não tão instantâneo assim devido às condições estabelecidas por mim: se eu mudasse de endereço, não teria como levar o cachorro comigo. Combinamos, portanto, que nesse caso o cachorro ficaria com o dono da chácara.
Hoje eu sei que não é tão simples assim. Recomendo que vocês, leitores, pesquisem melhor sobre essa coisa da "guarda compartilhada" de pets.
Como cachorro ficou comigo na esmagadora maior parte do tempo, eu poderia ter me ferrado bastante nessa história.
Enfim.
Primeiro cachorro que seria "meu" e não da minha família. Moro sozinho desde 2019 e sempre tive receio em ter cachorro, gato, etc.
Então os primeiros problemas começaram a aparecer...
O mais definitivo apareceu logo de primeira: a questão das fugas.
Como é uma chácara mais, digamos, antiga, e cercada por cercas não tão boas, o cachorro sempre achava um lugar por onde fugir.
Eu perdi muito tempo tapando os buracos da cerca.
É meio dificil de explicar... É uma cerca irregular, improvisada, feita de vários materiais diferentes.
Depois: a questão dos gastos em vão.
Paguei R$150 numa casinha para protegê-lo do frio, mas, ele preferia dormir na terra, concreto, etc.
Paguei R$50 aprox. numa roupinha, mas, ele rasgou a roupinha dum jeito que até hoje me deixa intrigado. Ele fez um corte tão perfeito que, na época, pensei que algum vizinho teria ficado com dó, sei lá, e cortado a roupinha dele com uma tesoura. Por motivos de os dias alternarem do frio extremo para o calor muito rápido, de forma imprevisível.
Mas, não... encontrei indicios de que ele mesmo rasgou a própria roupinha, provavelmente, se esgueirando por uma nova brecha na cerca onde, por sua vez, havia um prego. Isso bem perto de onde achei a roupinha jogada.
Depois o custo.
Eu tava me programando pra comprar um saco grande de ração que sairia por um preço mais barato. Só que sempre eu me via na situação de comprar o pacote pequeno de 3 em 3 dias, aproximadamente. Quase toda compra que eu fazia, agora, tinha mais R$10 de ração para o cachorro.
Depois a questão do tempo, paranoia, etc.
Eu não conseguia me programar para fazer as coisas por causa disso. Ele latia muito, para qualquer coisa. E, sempre que ele latia, eu saía pra fora para dar uma conferida. E nessas idas e vindas vi que, realmente, ele latia para qualquer coisa... até carros parados, pombos, etc.
Certa vez ele ficou latindo para a rua vazia. Num lugar que não teria como alguém estar "escondido". Espíritos, talvez? Nunca saberemos.
Mas, eu sinto que a quantidade de alarmes falsos me prejudicou... Fazendo com que meu rendimento, planejamento, disciplina, etc. caísse drasticamente. Tendo, como consequência, a retomada de velhos hábitos.
Ok... Tudo isso, por si só, já estava me causando todo um "questionamento" sobre o tema. Só que o que aconteceu em mais uma de suas fugas pegou todo mundo de surpresa.
Ele fugiu e pulou numa criança. Ele tem esse comportamento besta de ficar pulando nos outros, enfim. Só que a mãe da criança ficou, segundo boatos, "caçando" o dono para, posteriormente, ameaçá-lo de processo.
Isso os próprios vizinhos avisaram pra mim.
Se eles não tivessem me avisado e eu tivesse, simplesmente, "aceitado" o cachorro de volta, deixando-o circulando no quintal normalmente, a tal da mulher apareceria no meu portão e, no mínimo, teria um barraco ou algo do tipo.
Eles alegaram que a "carrocinha" já estava vindo e eu falei que podia levar. Hoje eu sei que nem existe isso de carrocinha... Então, simplesmente, apareceram no meu portão com o cachorro e falaram pra eu esconder ele ou sei lá.
Deixá-lo na rua também configuraria abandono.
Então fiquei sem saídas, porque, sim, ele fugiria novamente. Até porque isso aconteceu exatamente um dia após eu consertar a cerca, NOVAMENTE. Eu consertei a cerca, tentei atraí-lo pra fora com um pedaço de carne. Ele ficou chorando e tentando pular, mas, NAQUELE momento, ele não conseguiu pular de nenhum jeito.
Eu pensei que, finalmente, o problema tinha sido resolvido. E, no outro dia, quando volto pra casa... novamente ele tinha fugido.
Então, sim, não adiantaria consertar a cerca. Ele encontraria outra brecha, ele forçaria passagem por outros espaços.
Deixei ele preso dentro de casa. Livre pra circular entre a sala e cozinha. E comecei a ligar pra todo mundo e a contactar vários grupos. Um do Whats, uma página do Insta e mais um grupo do Face.
Aliás, me surpreendi muito positivamente com a eficiência desses grupos.
Posteriormente, posso estar fazendo outro relato com maior profundidade nesses detalhes.
Mas, é isso. Em menos de 24h me livrei do cachorro.
Obs.: O dono da chácara me ajudou demais. Foi o que mais me ajudou nesse sentido. Ele cumpriu o que tínhamos combinado lá atrás e eu achei isso muito foda, porque, querendo ou não, é algo raro nos dias de hoje. Por outro lado... tive mais uma decepção com familiares que, por sua vez, não quiseram ceder espaço, transporte, nada.
O cachorro teria que ficar dias a fio confinado dentro dos cômodos até eu encontrar uma solução.
Mas, enfim, foi isso. Pensem bem nas questões juridicas antes de terem pet.
Outra coisa que esqueci de mencionar: todo dia eu tava tendo que comer fora devido preocupação, estresse e, principalmente, dias perdidos consertando a cerca.
Esqueci de falar, também, que nos dias de frio extremo ele levou duas cobertas pra fora e essas cobertas, por sua vez, molharam na chuva. Eu também não consegui secá-las porque... ele tirava elas do varal.
Numa madrugada chegou a fazer 6 graus.
Enfim.
Sentimento estranho.
A ultima noite ele dormiu comigo no quarto. Não fez bagunça como pensei que ele fosse fazer.
Chorei bastante, também, confesso.
Mas... é isso. A vida tem dessas. Momentos dificeis, dilemas... A vida é feita disso.
Eu não podia deixar a emoção falar mais alto que a razão.
Aos poucos sinto minha liberdade e disciplina retornando...
Repito: Pensem bem antes de assumir essa responsabilidade.