Você é cético sobre alguma área de atuação?
Tenho ceticismo sobre a área dos "detetives particulares".
Entendo que a curiosidade humana, o ímpeto "bisbilhoteiro", possa ser explorado e comercializado de alguma forma. No entanto, se eu quisesse explorar isso, o faria com a abordagem dum "cientista de dados" ou algo do tipo. Não é segredo pra ninguém que bancos de dados são muito valiosos hoje em dia, recebendo classificação de "commodities" por alguns.
No entanto, toda a discussão sobre painéis, espionagem, lgpd, etc. parece tabu demais para ser discutido cara a cara com clientes de carne e osso dentro duma sala/escritório físico. Assisti muitos relatos de detetives particulares na internet e é perceptível um cenário de clientes emocionalmente instáveis. Com histórias que vão de:
- Clientes que se recusam a pagar quando o detetive não descobre "nada";
- Clientes que ficam tão revoltados pela traição descoberta, que se recusam a pagar pelo serviço prestado;
- Clientes que pagam corretamente, mas, que não acreditam na traição, mesmo com todas evidências;
- Clientes que revelam pro "alvo" que ele está sendo monitorado;
- Até clientes dispostos a perpetrar tragédias, como, "liquidar" o(a) traidor(a)/amante.
A clientela deste ramo de atuação específico me parece muito emocionalmente instável. De forma que, simplesmente, não parece sustentável pra mim investir nisso. Parece o tipo de empreendimento feito para atrair problema.
Claro que o ramo não se restringe à diâmica dos casos conjugais. Uma das detetives particulares que mais fez participação em podcasts por aí, por exemplo, foi a que conseguiu imagens da Najila na delegacia naquele caso do Neymar. E, creio eu, ela foi bem recompensada pelas emissoras de TV por isso.
Paparazzis, caçadores de autógrafos, etc. são outros exemplos do que dá pra fazer como detetive particular que me vêm à cabeça agora. Também podem atuar em conjunto com despachantes, advogados, na localização e recuperação de ativos (carros e motos "np"). Enfim. Várias possibilidades.
Mas, percebo essa insistência para casos conjugais, que, no meu entendimento, não parece sustentável. Todo "marketing" sobre a profissão de detetive particular parece envolver o elemento das investigações conjugais e eu não consigo entender o porquê disso.