u/NoTotal7413

Restaurante de Estrada

Quando eu era mais novo, eu e meus pais sempre viajavamos para o interior de São Paulo, na época de fim de ano.

Por volta dos meus 09/10 anos de idade não foi diferente. No final daquele ano fomos viajar de carro. Um clima muito legal de madrugada, um frio que ensejava um café.

Por volta das 04:00 meu pai parou naquele restaurante de estrada, o "Graal". Eu sempre gostei de ir lá, principalmente por conta da comida.

A primeira coisa que eu fiz foi ir no banheiro, sozinho, sem avisar os meus pais, entretanto foi uma péssima escolha.

Quando eu entrei no banheiro tinha 02 velhos buxa pelados tomando banho juntos no chuveiro, sendo possivelmente caminhoneiros. No banheiro do Graal existem chuveiros justamente para caminhoneiros ou viajantes, mas são cabines, então o correto é fechar a porta, mas eles não fecharam. Alias, por qual motivo estavam tomando banho juntos se ali tinha mais chuveiros? Nunca quis saber.

A cena foi biazarra. Ambos estavam se ajudando no banho, o corpo deles cheio de manchas e a jeba deles parecia uma berinjela estragada. O banheiro estava fedendo por completo.

Eles olharam pra mim e eu, como qualquer criança faria, saiu correndo dali com muito medo.

Ali, eu contei para os meus pais e levei uma bronca por ter ido no banheiro sozinho. Comemos e fomos embora do Graal.

Enquanto o carro se afastava do restaurante, naquela madrugada, eu ficava olhando e imaginando o motivo daqueles dois velhos buxa estarem tomando banhos juntos (lembrando, eu era apenas uma criança).

Hoje, bem mais velho, reflito o perigo de ter ido sozinho, com 09/10 anos, naquele banheiro.

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u/NoTotal7413 — 4 days ago

Vivendo por obrigação

Permita-me desafabar um pouco.

Esses últimos anos têm sido complicados para mim. Acho importante dar um contexto sobre quem eu sou. Tenho 23 anos, curso Direito e estou no 9º semestre. Trabalho em um escritório e fui aprovado na OAB no início deste ano.

Ultimamente, venho sentindo algo que acredito que muitas pessoas também sentem: a sensação de fazer, fazer e continuar exatamente no mesmo lugar. É como andar em círculos. Você se esforça ao máximo, dedica anos da sua vida, mas olha ao redor e percebe que nada realmente mudou, que nada evoluiu. Tudo parece permanecer igual. Já ouvi inúmeras vezes frases como “tudo tem o seu tempo” ou “cada coisa acontece na hora certa”, mas, sinceramente, isso já soa como uma fábula para mim. Porque, mesmo após tanto esforço, continuo com a sensação de estagnação e com o medo de que o futuro não seja diferente.

O problema é que perceber essa repetição constante acaba desanimando. Aos poucos, você começa a viver no automático. Vive porque precisa, não porque quer. Não por prazer ou entusiasmo, mas quase como uma obrigação.

E quando a vida passa a ser apenas uma obrigação, nada mais parece ter graça. Amigos, família, convivência social… tudo perde o interesse. Não consigo mais sentir emoções positivas de verdade; apenas negativas. Quando estou com minha família, sinto um peso enorme por não conseguir ajudá-los da forma que gostaria. Às vezes, sequer consigo olhar nos olhos deles. Quando estou com amigos e os vejo falando sobre seus progressos, fico feliz por eles, mas, ao mesmo tempo, me sinto envergonhado por estar ali. É como se eu fosse inferior, incapaz, alguém que ficou para trás.

Por não me sentir bem em nenhuma esfera social da minha vida, acabo preferindo ficar sozinho, trancado no quarto. Ali, pelo menos, não corro o risco de me machucar emocionalmente, porque tenho a sensação de que tudo, no fim, terminará em humilhação para mim.

A vida perde a cor, perde a graça, e tudo se torna automático. É como viver apenas por obrigação. Viver o próprio mito de Sísifo.

No fim, quando tudo perde o sentido, viver deixa de ser uma preferência. Não estou dizendo que tirar a própria vida seja algo que eu pretenda fazer, até porque existem certos freios mentais que ainda me impedem disso, mas, sinceramente, se Deus aparecesse diante de mim agora e perguntasse se eu gostaria que Ele encerrasse minha vida, eu aceitaria sem hesitar.

Antes de dormir, muitas vezes penso apenas em fechar os olhos e não acordar mais. Às vezes imagino uma parada cardíaca, algo assim. E, diariamente, acordo desanimado simplesmente por ainda estar respirando.

Em muitas madrugadas, saio de casa e caminho pelas ruas vazias da cidade. Faço isso de madrugada porque tudo está silencioso, frio e vazio. Naquele momento, parece que me desconecto do mundo e, por alguns instantes, sinto um certo alívio. Mas inevitavelmente preciso voltar para casa e retornar à mesma rotina vivida em total obrigação.

Confesso que estou com medo. A cada dia que passa, menos interesse as coisas despertam em mim, e sinto que estou chegando a um extremo que nunca havia alcançado antes. Tenho medo de atingir um nível ainda pior.

Mas, por enquanto, continuarei vivendo, ainda que apenas por obrigação.

Obrigado a quem leu até aqui.

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u/NoTotal7413 — 1 month ago