u/Both_Athlete_2843

Briguei com o vizinho

Estava eu saindo de casa, quando o farol tinha fechado e uma mina que estava no passageiro do carro pega e joga uma garrafa de água mineral vazia na frente da minha casa.

Peguei a garrafa, andei até o carro e disse:

- Por favor pessoal, não joguem lixo assim na rua não OK. Obrigado.

Entreguei na mão dela, ela pegou de boa e colocou em algum canto dentro do carro.

O cara que era o namorado dela depois de alguns segundos abriu a porta do carro e desceu vindo na minha direção pra tirar satisfação.

- Tu tá maluco ?? HEIN !!! TU TÁ MALUCO MANO ??? !!!!!!

- Tá querendo dizer que minha mina é o que ??

- Vai se * seu * seu filho da *

Bati boca com ele dizendo que a mina tinha jogado lixo na rua, que isso não era certo, que não faltei com respeito e o cara não quis prestar atenção e tentou me acertar um soco na cara.

Errou um, ai tentou acertar outro que acabou me acertando no ombro, ai eu parti pra briga com o cara.

Dei sorte que o cara perdeu o equilíbrio quando bateu o pé na quina da calçada e ai eu acabei dando várias porradas e chutes nele.

Chegou o povo da rua, separou a briga e o cara foi embora.

Me acabaram contando que o cara mora perto, ai peguei carona com um camarada e passei na frente da casa do cara e vi que ele realmente mora perto pois o carro estava lá dentro.

Daí no dia seguinte tive que ir ao supermercado, parei meu carro na rua pois estava com pressa. Comprei o que tinha que comprar, quando eu voltei, vi um pessoal em volta do meu carro, cochichando e rindo. Me aproximei, olhei o capô e me assustei. O desgraçado tinha riscado meu carro, tinha escrito "***" em letras maíusculas seguidas de um símbolo fálico. Meu sangue ferveu na hora.

Olhei pros lados e vi o infeliz, do outro lado da rua, dando gargalhadas igual um demente com uma chave de fenda na mão.

Eu naquele ódio, já tava disposto a matar ele ali mesmo. Abri a porta do carro, peguei um martelo e fui na direção dele igual um touro pra pega-lo, ele entrou correndo dentro de uma casa, fui atrás, enquanto ele tentava se proteger atrás de uma mesa, eu via a janela da sala de jantar grande de fundo. Algo me chamou a atenção:

Vi o que parecia ser uma aeronave não tripulada pequena passando rápido, logo atrás uma espécie de exoesqueleto metálico armado com uma metralhadora, de repente, um estrondo ensurdecedor seguido de um clarão.

Era o início da era das máquinas.

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u/Both_Athlete_2843 — 7 days ago
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Garrucha de família

Essa garrucha está na família desde que foi comprada pelo meu bisavô. Meu avô usou ela e deu para o meu pai, e recentemente quando tive um filho meu pai me repassou ela como uma herança de família.

Porém, como podem ver, ela nunca foi armazenada corretamente (meu pai deixava em uma sacola guardada em um armário) e ela foi se deteriorando.

Mandei ela hoje para reformar em um armeiro aqui da região, minha ideia é reformar ela toda e fazer um quadro para dar ao meu pai de dia dos pais para ele colocar em um espaço novo que inaugurou na casa dele (já que ele gosta muito dessa garrucha e fica todo emocionado em ter algo que seja de família).

Queria talvez deixar um cartão no quadro com umas informações delas mas tenho algumas dúvidas.

Acham legal a ideia de fazer um quadro?

Será que consigo identificar o ano aproximado em que ela foi produzida? Só vi que a produção começou em 1950 e foi até 1968...

Não tem problema em rodar com ela (essas idas e vindas até o armeiro, levar para fabricar o quadro) por é obsoleta, correto? Ou preciso tomar algum cuidado com as autoridades?

u/Both_Athlete_2843 — 9 days ago

Meu relato no Avião Brutal

Meu nome é Carlos Alberto, tenho 42 anos, representante comercial de uma indústria de laticínios. E, sim, eu sei como isso soa. Um homem feito, pai de família, com cara de quem reclama do trânsito e paga boleto, dizendo que foi amarrado e estuprado por uma mulher de cinta-dildo dentro de um avião lotado de cocô. Mas eu juro por minha filha, Luísa, que é a pura verdade.

Era um voo comercial de volta para casa. Seis horas da tarde, calor infernal, aperto no peito. Trampo é duro, mas é aquele dinheiro que paga o leite da menina. Só pensava nela enquanto mastigava aquele rango nojento que a aeromoça me serviu. Carne de cavalo, me disseram depois. O caldo estava morno, a água tinha gosto de ferrugem. Engoli contra a vontade, mas a barriga já embrulhava. Quando a turbulência bateu, foi o fim. Vomitei tudo — e, por azar do destino, o alvo foi o velho alemão sentado ao meu lado.

Esperei o pior. Soco, xingamento, chamar o comandante. Mas o velho só limpou o paletó com a manga, virou a cabeça lentamente e me encarou com olhos de vidro. Ele sorriu. Mostrou os dentes amarelados e sussurrou: "Wöllen sie spaz haben?" — ou algo assim. Não entendi nada, mas o arrepio subiu pela espinha. Antes que eu pudesse pedir desculpas, ele enfiou o próprio dedo na garganta e vomitou uma gosma escura e encaroçada no meu colo. Depois, pegou meu copo de suco, encheu com a própria urina e bebeu como se fosse champanhe.

Eu gelei.

Foi aí que o anão da quinta fileira acordou. Um sujeito baixinho, com cara de sono, que havia passado o voo inteiro trancado no banheiro. Ele saiu de lá andando devagar, parou no meio do corredor e, sem aviso, arriou a bermuda. Não foi um simples peido. Foi um parto. Das entranhas dele saiu uma coisa viva, coberta de milho, fedendo a esgoto e a rio Arruda. Uma criatura disforme, chorosa, que se arrastou pelo carpete encharcado.

O alemão, ao ver aquilo, pareceu ter um orgasmo. Tirou a roupa, pulou em cima do anão e deu nele um beijo tão longo e molhado que deu pra ouvir o barulho da língua. Foi quando a aeromoça tentou correr. Ela escorregou no chão já cagado, caiu de joelhos, e o velho alemão foi cruel: enfiou a mão naquela montanha de fezes e empurrou goela abaixo da pobre moça, enquanto ela engasgava e pedia arrego em nome de Jesus.

Eu pensei: "É um pesadelo, vou acordar."

Mas não acordei. Em vez disso, uma porta que eu nunca tinha visto na fuselagem se abriu. E ela apareceu. Morena, alta, corpuda, uma beleza estonteante. Usava um vestido preto de couro e, na cintura, preso por um cinto de tachas, pendia uma rola de borracha rosa, monstruosa, do tamanho do meu antebraço. Ela se chamava Ivete — Mistress Ivete.

Ela não perdeu tempo. Foi direto no anão, socou a pica de plástico no rabo dele com uma força que fez o coitado arranhar o chão. Depois, virou-se para mim. Com um movimento rápido, me deu um pescoção que quase quebrou minha cervical. Rasgou minha camisa, me amarrou na poltrona com os fones de ouvido e, com a voz doce de uma apresentadora de telejornal, anunciou:

— Atenção, rapaziada! O banquete está servido. Kaviar com milho e ovo cozido. Quem não comer, será punido. Devorem as montanhas de cocô. É relaxante como um banho de ofurô.

Era uma ordem. Eu vi executivos de terno Armani, mulheres de joias caras, todos engatinhando no chão, brigando por um copo de mijo, lambendo a sujeira como se fosse pudim. Se alguém vomitava — e todo mundo vomitava — a Mistress obrigava a reciclar. Comia de novo, vomitava de novo, comia de novo. Meu estômago ardia como ácido. Meu cu sangrava. Eu sentia cada fibra do meu corpo sendo violada enquanto a morena cavalgava em mim, rindo da minha cara.

O cheiro era tão espesso que queimou meus pelos do nariz. O corredor virou uma piscina de bosta, e a primeira classe, aquela elite toda, parecia porcos numa pocilga. Pela janela, o céu estava laranja. Eu jurava que estávamos voando em círculos sobre o inferno.

Não sei quanto tempo durou. Horas? Dias? Só sei que, em dado momento, a cabine despressurizou. Ouvi um apito agudo. As luzes piscaram. A morena sumiu no ar como fumaça, o anão encolheu e virou uma bagagem perdida, e o alemão começou a rezar em latim enquanto a criatura de milho se dissolvia em água podre. Depois, tudo escureceu.

Acordei no hospital. Disseram que o avião fez um pouso forçado no interior de Goiás. Acharam que tínhamos comido algo estragado. Vinte e oito passageiros com intoxicação alimentar. A aeromoça entrou em coma. O anão sumiu. O alemão foi internado num manicômio.

Mas eu sei a verdade.

A Mistress Ivete não era humana. Ela era o demônio travestido de mulher fatal, e aquele avião era o caldeirão dela. Até hoje, eu acordo com gosto de merda na boca. Não consigo comer milho. Não entro num banheiro de avião. Toda vez que vejo uma aeromoça, meu coração dispara.

O senhor pode me prender, me chamar de louco, botar na cela. Mas não me faça pegar outro voo. Porque, no fundo, eu sei que ela está lá. Esperando. Com a cinta afivelada e um sorriso no rosto. Pronta para servir o jantar.

E eu não vou voltar para aquele avião. Nunca mais.

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u/Both_Athlete_2843 — 18 days ago

Aiiii Aiiiii

- Rainha Itália, que é uma das mais conhecidas uvas de mesa. Aqui é a Perlona. Esta aqui é a Tardia de Caxias, que é uma uva, é uma variedade nova. E aqui é a Rubi, que é uma mutação da Uva Itália.

- Estas, mais de mesa. Aqui do lado, Pederneiras. Aqui, por exemplo, tem… AIIIII, AIIIIII

(Barulho da queda no chão)

(Gritos)

- Ajuda aqui!

(...)

- Voltamos em seguida com esporte, o comentário do Paulo Roberto Falcão. Até já.

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u/Both_Athlete_2843 — 2 months ago

“OS OUTROS” - Neil Gaiman

– O tempo é fluido por aqui – disse o demônio.

Ele soube que era um demônio no momento em que o viu.

Assim como soube que ali era o inferno. Não havia nada

mais que um ou o outro pudessem ser.

A sala era comprida, e do outro lado o demônio o esperava

ao lado de um braseiro fumegante. Uma grande variedade de

objetos pendia das paredes cinzentas, cor de pedra, do tipo

que não parecia sensato ou reconfortante inspecionar muito

de perto. O pé-direito era baixo, e o chão, estranhamente

diáfano.

– Chegue mais perto – ordenou o demônio, e ele se

aproximou.

O demônio era esquelético e estava nu. Tinha cicatrizes

profundas, que pareciam ser fruto de um açoite ocorrido num

passado distante. Não tinha orelhas nem sexo. Os lábios

eram finos e ascéticos, e os olhos eram condizentes com os

de um demônio: haviam ido longe demais e visto mais do

que deveriam. Sob aquele olhar, ele se sentia menos

importante do que uma mosca.

– O que acontece agora? – ele perguntou.

– Agora – disse o demônio com uma voz que não

demonstrava sofrimento nem deleite, somente uma

horripilante e neutra resignação – você será torturado.

– Por quanto tempo?

O demônio balançou a cabeça e não respondeu. Ele

percorreu lentamente a parede, examinando um a um os

instrumentos ali pendurados. Na outra extremidade, perto da

porta fechada, havia um açoite feito de arame farpado. O

demônio o apanhou com uma de suas mãos de três dedos e

o carregou com reverência até o outro lado da sala. Pôs as

pontas de arame sobre o braseiro e observou enquanto se

aqueciam.

– Isso é desumano.

– Sim.

As pontas do açoite ganharam um baço brilho alaranjado.

– No futuro, você vai sentir saudade desse momento.

– Você é um mentiroso.

– Não – respondeu o demônio. – A próxima parte é ainda

pior – explicou pouco antes de descer o açoite.

As pontas do açoite atingiram nas costas do homem com um

estalo e um chiado, rasgando as roupas caras. Elas

queimavam, cortavam e estralhaçavam tudo o que tocavam.

Não pela última vez naquele lugar, ele gritou.

Havia duzentos e onze instrumentos nas paredes da sala, e

com o tempo, ele iria experimentar cada um deles.

Por fim, a Filha do Lazareno, que ele acabou conhecendo

intimamente, foi limpa e recolocada na parede na

duocentésima décima primeira posição. Nesse momento, por

entre os lábios rachados, ele soluçou:

– E agora?

– Agora começa a dor de verdade – informou o demônio.

E começou mesmo.

Cada coisa que ele fizera que teria sido melhor não ter feito.

Cada mentira que ele contara – a si mesmo ou aos outros.

Cada pequena mágoa, e todas as grandes mágoas. Cada uma

dessas coisas foi arrancada dele, detalhe por detalhe,

centímetro por centímetro. O demônio descascava a crosta

do esquecimento, tirava tudo até sobrar somente a verdade, e

isso doía mais que qualquer outra coisa.

– Conte o que você pensou quando a viu indo embora –

exigiu o demônio.

– Pensei que meu coração ia se partir.

– Não, não pensou – contestou o demônio, sem ódio. Dirigiu

seu olhar sem expressão para o homem, que se viu forçado a

desviar os olhos.

– Pensei: agora ela nunca vai ficar sabendo que eu dormia

com a irmã dela.

O demônio desconstruiu a vida do homem, momento por

momento, um instante medonho após o outro. Isso levou

cem anos ou talvez mil – eles tinham todo o tempo do

universo naquela sala cinzenta. Lá pelo final, ele percebeu

que o demônio tinha razão. Aquilo era pior que a tortura

física.

Mas acabou.

Só que, quando acabou, começou de novo. E com uma

consciência de si mesmo que ele não tinha da primeira vez,

o que de certa forma tornava tudo ainda pior.

Agora, enquanto falava, se odiava. Não havia mentiras nem

evasivas, nem espaço para nada que não fosse dor e

ressentimento.

Ele falava. Não chorava mais. E, quando terminou, mil anos

depois, rezou para que o demônio fosse até a parede e

pegasse a faca de escalpelar, ou o sufocador, ou a morsa.

– De novo – ordenou o demônio.

Ele começou a gritar. Gritou durante muito tempo.

– De novo – ordenou o demônio quando ele se calou, como

se nada houvesse sido dito até então.

Era como descascar uma cebola. Dessa vez, ao repassar sua

vida, ele aprendeu sobre as conseqüências. Percebeu os

resultados das coisas que fizera; notou que estava cego

quando tomou certas atitudes; tomou conhecimento das

maneiras como inflingira mágoas ao mundo; dos danos que

causara a pessoas que mais conhecera, encontrara ou vira.

Foi a lição mais difícil até aquele momento.

– De novo – ordenou o demônio, mil anos depois.

Ele agachou no chão, ao lado do braseiro, balançando o

corpo de leve, com os olhos fechados, e contou a história de

sua vida, revivendo-a enquanto contava, do nascimento até a

morte, sem mudar nada, sem omitir nada, enfrentando tudo.

Abriu seu coração.

Quando acabou, ficou sentado ali, de olhos fechados,

esperando que a voz dissesse: “de novo”. Porém, nada foi

dito. Ele abriu os olhos.

Lentamente, ficou de pé. Estava sozinho.

Na outra ponta da sala havia uma porta, que, enquanto ele

olhava, se abriu.

Um homem entrou. Havia terror em seu rosto, e também

arrogância e orgulho. O homem, que usava roupas caras, deu

alguns passos hesitantes pela sala e parou.

Ao ver o homem, ele entendeu.

– O tempo é fluido por aqui – disse ao recém-chegado.

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u/Both_Athlete_2843 — 2 months ago