
saudade
“Don't come back. Don't think about us. Don't look back. Don't write. Don't give in to nostalgia. Forget us all”
Excerto de “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore
Tristeza é aquela cidade,
de prédios terracota perdida à beira-mar
arrastada pelo tempo
do relógio de uma casa de parede desbotada
Tic-
Tac
Até morrer.
É mágoa e desalento
aquele ócio quando balança-se as palmeiras
ao vento
de um lado
para outro.
E aquela senhoras na porta de casa
em um delírio constante do passado,
os homens gastos
sentados nas cadeiras de plástico,
respirando
o ar de boémia provinciana,
em uma euforia,
incerta e morna do álcool.
São a antecâmara do submundo.
É o que digo a mim mesmo,
repetidamente,
quando eu estou sozinho
em uma noite de verão,
no meu quarto apertado,
perto e longe de tudo.
Então o vento
torna-se as ondas que sussurram
puxando.
Quero ser ninguém,
que tudo seja um bloco sólido e certo
de mármore
a lapidar.
Levanto-me e vou à varanda,
com a cidade
calada na madrugada,
a realidade bóia ao luar.
são os poucos momentos,
onde há sentido no mundo.
Talvez o sejam
porque são curtos
e acabam.
Talvez a lua que me banhe seja bela,
apenas porque está longe.