As pessoas podia parar de usar elas mesmo como régua da realidade.
Eu sou muito ruim em comunicação e redação, mas uma coisa que me incomoda muito, isso não devia ser uma opinião popular se for, mas não achei ninguém com esse tipo pensamento.
Muitas pessoas parecem querer moldar o mundo à própria imagem e semelhança de forma exagerada. O ser humano tem uma mania estranha de usar a própria experiência de vida como régua da realidade, e isso acaba sendo horrível.
Por exemplo: algumas pessoas se sentem bem no cristianismo e, por causa disso, querem que o mundo inteiro vire cristão, acreditando que isso faria todos mais felizes. Já outras se sentem melhores sem religião e também querem que todos abandonem a fé.
Em ambos os casos, a pessoa transforma aquilo que funciona para ela em uma verdade universal.
Eu também tinha uma visão muito rígida da realidade. Até os 18 anos eu só tive uma amiga, então minha experiência social era extremamente limitada. Depois que comecei a conversar com pessoas diferentes, percebi uma coisa rapidamente: quase todo mundo briga “fazendo o mal” enquanto acredita estar “pregando o bem”.
O problema é que o bem pessoal não pode ser automaticamente tratado como bem universal.
Isso ficou ainda mais evidente quando eu procurava ajuda para depressão. Muitas vezes, alguém tentava me oferecer uma filosofia de vida, um estilo de pensamento ou até drogas como solução. Quando eu dizia que aquilo não parecia ser o meu caminho, algumas pessoas reagiam como se eu quisesse permanecer no sofrimento. Mas não era isso. Apenas significava que a solução delas não servia para mim.
No contexto geral, isso acaba sendo insuportável. As pessoas competem até no sofrimento e usam os próprios traumas como medida para comparar a dor dos outros.
Se você diz que sofreu bullying, por exemplo, alguém responde imediatamente:
“eu também sofri”. Mas, quando você explica sua experiência, percebe que as situações eram completamente diferentes. Às vezes, a pessoa foi chamada de gorda na escola, enquanto o seu sofrimento envolvia medo constante de ficar sozinho porque poderia sofrer assédio sexual. Mesmo assim, ela insiste em tratar as duas experiências como se fossem iguais, e ainda questiona por que você não “superou” da mesma forma que ela.
O problema não é reconhecer que ambos sofreram. O problema é ignorar que existem dores diferentes, impactos diferentes e pessoas diferentes.