Perda Total
Bateram no meu carro e estou a tentar perceber se estou a ser razoável ou se o sistema de seguros aqui simplesmente funciona assim.
No dia 1 de maio sofri um acidente na A1 Porto-Aveiro (Área de Serviço de Antuã). O outro condutor assumiu a culpa na declaração amigável e a seguradora dele, reconheceu formalmente a responsabilidade poucos dias depois.
Inicialmente, a minha seguradora disse que não iria intervir, porque eu não tinha cobertura de danos próprios. Depois de a outra seguradora assumir a responsabilidade, acabaram por ativar o processo via IDS e assumir a gestão do sinistro.
O carro foi imediatamente para a oficina, mas a primeira peritagem ficou “inconclusiva” porque precisavam de desmontar o veículo. Resultado: fiquei sem carro, sem decisão e sem viatura de substituição durante vários dias, apesar de utilizar o veículo diariamente para trabalhar entre Gaia e Porto.
Tive de ser eu próprio a citar o artigo 42.º do DL 291/2007 para relembrar que, em caso de imobilização do veículo e responsabilidade assumida, existe direito a viatura de substituição — e, mesmo assim, não adiantou de nada.
Agora, finalmente, declararam perda total (21/05).
Os números:
- Reparação estimada: 10.077 €
- Possível agravamento: +20%
- Valor venal atribuído: 11.000 €
- Valor do salvado: 3.600 €
- Indemnização proposta: 7.400 €
O problema? Ainda devo cerca de 13.200 € do financiamento.
Ou seja:
- fico sem carro;
- e continuo a dever quase 2.200 € ao banco.
Entretanto, descobri também que o seguro associado ao financiamento aparentemente NÃO é GAP, apesar de eu pagar um seguro mensal juntamente com o crédito.
Agora estou a tentar perceber:
- se vale a pena contestar o valor venal;
- e até que ponto faz sentido envolver a proteção jurídica ou a ASF.
Sinceramente, o mais frustrante nem é a perda total em si — é perceber como uma pessoa sem culpa pode acabar financeiramente destruída, mesmo tendo seguro e tudo em ordem.