Autismo, uso de computador e prejuízos sociais
Desde quando era criança tenha uma relação complicada com o uso de computador. Por volta dos meus 8 anos de idade passei a usar computador e lá se vão 20 anos aproximadamente. Há 04 anos após uma tentativa de suícidio busquei ajuda psicologica e psiquiatrica. Nessa fase da vida já havia formado e já estava inserido no mercado de trabalho.
Lembro na primera consulta com o psicologo que ao final da sessão, eu naquele momento havia contudo quase tudo para ele sobre minha vida, exceto meu uso do computador. Durante grande parte da minha vida minha rotina era p ex. sábado: acordar 9 da manhã, ligar o computador e ficar lá até por volta de 00h, comia na frente do computador, vivia ali.
Após algumas consultas ele me pediu que fosse ao psiquiatria para termos uma avaliação, havia uma suspeita de transtorno bordeline. O psiquiatra com as consultas diagnosticou TDAH e autismo. Realizei testagem neuropsicologica que confirmou a possibilidade. Um dos testes me chamou atenção que era o nível de linguagem que tinha, esse item deu muito superior. O resto ficou na média, exceto organização espacial que ficou abaixo da média.
Desde a infância o uso do computador em 90% do tempo se resume a duas coisas praticamente: vídeos no Youtube e abrir fotos de pessoas do dia a dia com quais queria ter um relacionamento ou interação. Ao abrir várias dessas guias e juntamente com a música do Youtube, começo a criar cenários fícticios na cabeça. Como p. ex: interações sociais, conversas imaginárias, situaçoes que de alguma forma eu estava inserido e me divertindo com aquelas pessoas. Além disso, sempre procuro saber como a pessoa está, se mudou de emprego, se está se relacionando com alguém novo.
Ocorre que hoje quando olho o tempo desperdiçado "nisso" vejo o quanto foi prejudicial para minha vida em todas as áreas. Como poderia ter evoluido muito e ser bem melhor do sou hoje.
Reconheço que é de alguma maneira uma certa procrastinação.
Minha graduação é Direito e vejo relatos de pessoas com hiperfoco que conseguem passar horas e horas apredendo e/ou pesquisando sobre seu hipefoco. Não sei se posso chamar essa criação imaginária que tenha com as pessoas na minha cabeça de hiperfoco, mas eu adoraria que meu hiperfoco fosse no ramo jurídico.
Já me questinei diversas vezes se eu realmente gostava do ramo que escolhi. Na verdade por nunca ter me relacionado, não reconheço o que realmente gosto. Se me perguntarei não sei responder de bate-pronto, pois a única coisa que praticamente fiz em toda minha vida foi estar no computador e criando essas histórias imaginárias com pessoas que pouco me relacionei ou quase nunca falei, apenas conheço.
Após minha tentativa de suícidio fiz um curso de psiquiatria e nesse curso ouvi falar pela primeira de bordeline e me chamou atenção alguns pontos. Entretanto, ao procurar ajuda psicologica e psquiatria essa hipotese foi descartada. Tendo como diagnostico final o autismo, TDAH e depressão.
Hoje me sinto não satisfeito pois algumas vezes ainda perco muito tempo nesse hiperfoco ou passatempo completamente inútil em minha vida. Já me foi dito que isso foi uma forma de regulação emocional pela sensação de abandono na minha infância.
Com isso, gostaria de saber da comunidade se alguém passou por algo semelhante? Como canalizar toda essa energia disperdiçada nesse hiperfoco/passatempo inútil com algo realmente produtivo e focado na área profissional? Quais estratégias vocês usam no dia a dia?