u/Emergency_Count_2958

A ortodoxia tem mais motivos para votar no Lula que no Flávio: uma discussão necessária

Me refiro aos ortodoxos liberais e não os pré-schumpetereanos e institucionalistas.

É impossível que o corpo de economistas do maistream aceitem seguir um caminho nebuloso e incerto, apenas no sonho de algumas de suas teorias serem aplicadas por um curto período.

A Família Bolsonaro é a égide do populismo barato, moral. Uma ortodoxia que se preze consegue cruzar dados e não ideologia, e sabe que o Lula, a despeito da opção desenvolvimentista de 2006-10, que aliás é incontestável o sucesso, tem maior relacionamento racional com o mercado, além de reconhecer as instituições liberais e democráticas. O lado oposto tem um discurso ortodoxo de jure (basta observar o mandato 2019-22), além de não ter base técnica alguma (ou se acha que o Teto de Gastos foi bem desenhado?).

Mais uma vez a ortodoxia vai escolher promover suas mudanças num período anti-democrático, conservador e populista irracional (o populismo petista é incontestavelmente institucional), além de inconsequente. O discurso de FHC, por exemplo, venceu no debate, na prática (com o policy making), por que não incentivar essa ala política de uma direita que a médio-longo prazo faça mudanças estruturais, ao invés de jogar-se no abismo? A própria ortodoxia ilustrada porteña vê que o radicalismo de Milei, por exemplo, não está surtindo efeito. Será isso, novamente? As elites não sabem pensar mesmo?

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u/Emergency_Count_2958 — 13 days ago

A Escola Austríaca e o Pleno Emprego ou o Barão de Münchhausen Austríaco do Pleno Emprego

É apenas um disparate: a teoria hayekiana dos ciclos só "serve" analiticamente em ambientes de pleno emprego.

A pergunta aqui vai aos austríacos da net, mesmo, uma curiosidade: existe teoria austríaca que sobreviva em ambientes de custo marginal constante?

Vão me dizer que o desemprego é a consequência de um inchaço artificial de demanda anterior, logo a teoria austriaca permanece válida na análise macroeconômica (ciclos), mas aqui acho muito pouco factível.

Sabemos por Kaldor que a Inglaterra no imediato pós-guerra vivenciou um pleno-emprego efetivo (<1%) isso inclusive gerou a controversia do crescimento inflacionário dos modelos com moeda endógena. Por outro lado, logo a situação muda e a Inglaterra administrou ciclos de desemprego por todos os anos 1960 que logo tiveram sua pá de cal nos anos 1980 com Tatcher, isto é, um governo liberal de década não aliviou o desemprego. Ora, num ambiente com desemprego de máquinas e homens é óbvio que o custo marginal é constante se as empresas não operam no máximo da capacidade gerencial de demanda.

Nesse caso, não há nem sinalização do preço, dado que ele não responde ao custo efetivo (de capital, principalmente, já que a taxa de lucro é a razão produto-capital, que expande sem necessidade de aumento de capital): existe nesse caso espaço pra uma teoria dos ciclos reais via choques monetarios?

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u/Emergency_Count_2958 — 15 days ago

Ortodoxia ou heterodoxia?

Vejo muitos aqui comentarem "ortodoxo é isso, heterodoxo é aquilo". Chegam a dizer que tal universidade é uma das duas. Algo que não é totalmente errado. Tem me preocupado, na verdade, que meus colegas não tenham tanto rigor nisso, e apenas vire um jogo de financistas querendo maximizar o ganho em algum governo qualquer.

Dizem que ortodoxos trabalham com modelos, e heterodoxos com história. Que ortodoxia defende "as boas práticas de mercado" e a "ciência", os "dados". Os heterodoxos "planos econômicos", a "nova matriz econômica" e afins. Isso demonstra algo muito profundo. Heterodoxos também tem modelos (olhe o Made/USP). A nova matriz econômica teve traços desenvolvimentistas e também (olha só!) liberais, quando as isenções e política de oferta tomaram a cena. Se me perguntam o que é ortodoxia no país eu mesmo tenho medo de dizer, quando nossos "ortodoxos" criaram o "plano" real, porque o mercado sozinho não dava conta (vide os ajustes ortodoxos do início dos anos 80 de delfim, inclusive a maior arma arguentativa a favor do Plano Cruzado, que tantos julgam errado: o de vocês deu certo, pelo jeito!).

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u/Emergency_Count_2958 — 1 month ago

O conceito de produto potencial convencional é limitado para analisar a inflaçao

É preciso rediscutir o corpo de ensinamentos tidos como "básicos" no ensino convencional de economia, majoritariamente novo-keynesiano.

Compreendo que a heterodoxia no Brasil tem uma força moral gigantesca, mas aqui considero heterodoxia mesmo um campo do pensamento convencional que lida com modelagem, expectativas e mecanismos de mercado, tal qual a ortodoxia, mas que tem um embasamento metodologicamente mais amplo. Isso coloca gente "de direita" economicamente no campo heterodoxo, pelo menos virtualmente, mas não necessariamente no plano convencional (geralmente, quando existe, Kalecki, Wlliansom, pós-keynesianos, Nova Economia Institucional etc, são todos dados no final do curso, com exceção das escolas heterodoxas do Brasil). O Plano Real, de embasamento neoclássico, é reconhecidamente um plano heterodoxo no sentido de abandono do mercado como condição suficiente.

O primeiro ponto que quero chamar a atenção é a limitação do conceito de produto potencial. Ele surge da controvérsia monetarista com os keynesianos neoclássicos, a respeito da Curva de Phillips. Dispensando o rigor absoluto (já que isso não é um artigo), ele me parece muito abstrato e pouco frutifero como categoria-chave pra ação da política econômica. Não sou eu. Na Carta de Conjuntura do FGV-Ibre de junho os próprios neoclássicos admitiram a incapacidade estatistica de medir esse processo, mas aferrados nos modelos novo-keynesianos, usam a incapacidade de medir ele coerentemente como razão insuficiente pra seu abandono, uma vez que os modelos estruturados (DSGE, RBC, DSGE com salários escalonados etc) são razoavelmente comparados aos dados. Não vou entrar na definição dele, afinal o post é feito pra quem já tem conhecimento razoável no assunto, muito menos nas formas mais "abrasileiradas" que os modelos do BCBBR usa essa hipótese, como se as nossas instituições fossem "frouxas" na aplicação prática do conteúdo teórico. O que me interesso é como o conceito de produto de pleno-emprego pode ser uma categoria mais adequada para um país que precisa crescer, se não crescer, pelo menos redistribuir. Para mim a melhor política de redistribuição é uma politica efetiva de crescimento. Isso no entanto serve a outro post. Mas afinal, aqui: por que ainda nos apegamos a essa estopa de retalhos sem embasamento moderno? E as novas hipóteses do lado da oferta, como a restrição dinâmica via aperto financeiro das famílias?

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u/Emergency_Count_2958 — 2 months ago