A ortodoxia tem mais motivos para votar no Lula que no Flávio: uma discussão necessária
Me refiro aos ortodoxos liberais e não os pré-schumpetereanos e institucionalistas.
É impossível que o corpo de economistas do maistream aceitem seguir um caminho nebuloso e incerto, apenas no sonho de algumas de suas teorias serem aplicadas por um curto período.
A Família Bolsonaro é a égide do populismo barato, moral. Uma ortodoxia que se preze consegue cruzar dados e não ideologia, e sabe que o Lula, a despeito da opção desenvolvimentista de 2006-10, que aliás é incontestável o sucesso, tem maior relacionamento racional com o mercado, além de reconhecer as instituições liberais e democráticas. O lado oposto tem um discurso ortodoxo de jure (basta observar o mandato 2019-22), além de não ter base técnica alguma (ou se acha que o Teto de Gastos foi bem desenhado?).
Mais uma vez a ortodoxia vai escolher promover suas mudanças num período anti-democrático, conservador e populista irracional (o populismo petista é incontestavelmente institucional), além de inconsequente. O discurso de FHC, por exemplo, venceu no debate, na prática (com o policy making), por que não incentivar essa ala política de uma direita que a médio-longo prazo faça mudanças estruturais, ao invés de jogar-se no abismo? A própria ortodoxia ilustrada porteña vê que o radicalismo de Milei, por exemplo, não está surtindo efeito. Será isso, novamente? As elites não sabem pensar mesmo?