

Vocês acham que dá pra escrever bem sobre sofrimento sem ter sofrido de verdade?
Fico pensando ultimamente se existe uma relação direta entre viver tragédias pessoais e conseguir escrever livros realmente bons sobre a dor humana. Peguei o exemplo do Camus: ele cresceu na pobreza extrema na Argélia colonial, perdeu o pai ainda bebê na Primeira Guerra, teve tuberculose (doença que o acompanhou a vida inteira e exigia isolamento/quarentena) — e depois escreveu "A Peste", um livro inteiro sobre isolamento, doença e sofrimento coletivo.
Parece que dá pra traçar uma linha direta entre o que ele viveu e o que ele escreveu, quase como se a obra fosse um reflexo direto da biografia.
Isso é regra geral na literatura, ou é só um exemplo que encaixa bem? Tem muito autor que escreve sobre sofrimento profundo sem ter passado por nada parecido na vida real, ou o sofrimento pessoal costuma ser mesmo um "ingrediente" recorrente por trás de obras marcantes sobre dor humana?
Qual é a opinião de vocês?
Quais são os melhores livros nacionais clássicos/contemporâneo na opinião de vocês?
Estou perguntando isso para ver se consigo pescar algo para botar na minha lista, já tenho ainda estou aqui na lista e vidas secas que é minha leitura atual.
Obs: nunca fui muito de ler literatura nacional.
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