u/ErrorSegFault

Como balancear marciais e casters em D&D 5.5?

No nivel 20, enquanto casters estão conseguindo conjurar meteoros, se transformar em dragões, viajar para outros planos, invocar criaturas misticas.

Os marciais tão dando uns ataques extras. É muito brochante. Sempre que eu mestro uma campanha nivel alto eu tenho que ficar inventando poderzin homebrew pra dar pros meus marciais pra eles não ficarem pra trás em relação aos casters.

Como vocês resolveriam isso?

reddit.com
u/ErrorSegFault — 4 days ago

Amo One Piece, mas não consigo enxergá-lo como um anime tão bom quanto dizem.

Eu amo One Piece, mas não consigo mais considerá-lo um anime tão bom assim.

Assisto One Piece desde os meus 12 anos. Alcancei os episódios semanais no começo de Dressrosa e acompanho semanalmente desde então. One Piece marcou a minha vida, vai sempre ter um espaço especial pra mim e eu provavelmente vou assistir até o final. Dito isso, hoje eu consigo enxergar problemas que quando era mais novo, e tinha bem menos senso crítico, eu ignorava e acabava tratando a obra como uma obra-prima absoluta.

Pra não escrever uma bíblia aqui, vou falar só dos personagens principais (mas quem sabe depois eu não faça um desabafo sobre furos de roteiro e escala de poder?)

Oda é excelente em criar personagens, mas muito ruim em desenvolvê-los. A sensação que eu tenho é que ele tem medo de alterar algo já consolidado, ou talvez goste demais dos próprios “filhos” pra deixá-los crescerem de verdade. E o pior é que os personagens que mais precisavam de desenvolvimento já tiveram ganchos narrativos perfeitos pra isso… mas o Oda simplesmente desperdiçou.

Sanji, por exemplo. Desde o começo ele é mostrado como um “galanteador” (pra não chamar de outra coisa), alguém que constantemente deixa a paixão falar mais alto que a razão. Em Dressrosa ele já sofre um pequeno rebote disso com a Viola, mas nada muito sério. Só que em Whole Cake Island ele literalmente entra num casamento armado, cria sentimentos reais, tem o coração destruído naquela cena icônica da chuva e depois abandona tudo aquilo pra seguir em frente.

Aquilo era a oportunidade perfeita pro personagem amadurecer. Não precisava deixar de gostar de mulheres nem perder a personalidade, mas era o momento ideal pra ele aprender que viver pensando com a cabeça de baixo traz consequências não só pra ele, mas pra tripulação inteira. Ainda mais porque esse arquétipo do personagem pervertido “engraçado” envelheceu muito mal. O que funcionava em anime shounen há 10 ou 15 anos hoje incomoda muita gente.

E o problema não é nem só uma questão “ocidental”. Até no Japão já existe um desgaste com esse tipo de personagem. E sinceramente, One Piece deixou de ser uma obra exclusivamente japonesa há muito tempo. Hoje é uma franquia global, com live action hollywoodiano e protagonista interpretado por um ator que nem japonês é. O contexto mudou, mas o Sanji continua preso exatamente na mesma gag de 20 anos atrás.

No fim, o Sanji pós-Whole Cake parece exatamente o mesmo Sanji pré-Whole Cake, como se nada realmente importante tivesse acontecido.

Usopp é outro caso frustrante. Ele foi introduzido como um covarde cujo sonho é se tornar um guerreiro bravo do mar. Em Enies Lobby, o Sogeking foi uma ideia genial justamente porque funcionava como um alter ego. A máscara era também metafórica, foi o personagem que mais farmou aura naquela saga.

Só que o Oda simplesmente abandonou esse conceito.

Depois, em Dressrosa, o Usopp teve novamente momentos excelentes, talvez os melhores do personagem, agindo de forma genuinamente corajosa mesmo estando aterrorizado. Parecia finalmente existir uma progressão. Mas passou o arco e tudo voltou ao zero. Hoje a função dele frequentemente parece resumida a ficar gritando e surtando a cada novo inimigo que aparece.

Fica difícil acreditar no sonho do personagem quando, depois de mais de mil episódios, ele continua reagindo exatamente como reagia no começo da série.

A Nami talvez seja o caso que mais me incomoda. Muitas vezes parece que ela existe mais como fanservice do que como personagem. E o pior é que os dois grandes power-ups dela passam uma sensação enorme de conveniência narrativa.

O primeiro é em Alabasta. O Usopp sempre foi mostrado como criativo e habilidoso com bugigangas, mas muito mais no sentido de improviso e utilidade geral. Do nada ele cria um bastão tecnológico absurdamente avançado capaz de manipular clima, e a obra nunca tenta explicar minimamente como aquilo funciona. Se fosse o Franky criando, faria sentido porque engenharia absurda literalmente é a especialidade dele. No caso do Usopp, parece só um recurso jogado ali porque o roteiro precisava.

O segundo é o Zeus em Whole Cake. Enquanto o Zeus estava isolado da Big Mom, fazia sentido ele obedecer alguém portando um Vivre Card dela (da filha dela, na verdade), como se estivesse reconhecendo a presença da “mestra”. Mas o negócio escalar ao ponto dele efetivamente trocar de lado e permanecer com a Nami mesmo diante da própria Big Mom soa forçado demais. É como se o Igris traísse o Sung Jin-Woo em Solo Leveling. Ou como um Pokémon simplesmente abandonar o treinador original do nada (isso sainda seria mais aceitável).

Nos dois casos, passa muito a sensação de que o Oda precisava manter a Nami minimamente relevante no nível de poder do grupo, mas não queria gastar tempo construindo isso de maneira realmente coerente.

Luffy, Zoro, Robin e Franky eu acho tranquilos. Eles já são personagens mais “fechados” e funcionam bem dentro da proposta deles. Mas Sanji, Usopp e Nami tinham conflitos internos claros e oportunidades perfeitas de crescimento… e eu sinto que o Oda simplesmente cagou no pau com os três.

Brook e Robin não tiveram muito desenvolvimento mas diferente dos três acima, eles não precisam desse desenvolvimento então eu não ligo. Chopper é chatão, mas pelo menos ele cumpre o papel que lhe foi prometido.

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u/ErrorSegFault — 10 days ago