



Essa resenha é mais voltada para quem já leu o livro.
Mulher em Queda foi uma leitura preguiçosa. O livro não é longo, mas parecia ter umas 450 páginas. Eu sou um leitor vagaroso, leio sem pressa, degusto o que estou lendo. Isso não é necessariamente um problema, mas tenho dificuldades de atenção, então encontrei minha própria forma de ler livros sem tornar a experiência tão exaustiva. Não pelo processo em si, mas pelas minhas limitações. Não tenho diagnóstico de TDAH, mas sinceramente acho que tenho.
Enfim. Que besteira, ninguém quer saber disso. Mas vamos ao livro.
Eu gostei e não gostei ao mesmo tempo. Achei a ideia boa, em algum nível original, mas ela cai em muitos clichês, e senti que o livro precisava de mais revisão e polimento em várias partes. Os pensamentos da protagonista se repetem demais, o que acaba sendo cansativo, e parece que a história não anda, fica sempre naquele vai e não vai.
Como eu disse, gostei da ideia. Tem alguns plots interessantes que realmente me fizeram pensar: “Caramba, me pegou.” O “detetive” misterioso, o romance tórrido dos dois, ele mentindo sobre literalmente tudo e tendo pessoas próximas da Petra como cúmplices. A Mari, dona do chalé, e a melhor amiga da Petra. Esse último plot foi o que mais me pegou, apesar de simples. Acho que a Colleen conseguiu amarrar isso muito bem.
Mas o que me incomodou foi a própria escrita e as repetições da autora, como se ela não confiasse que o leitor já entendeu o que está acontecendo. Tipo: ok, já ficou claro, agora segue o baile. Alguns trechos também me soaram meio amadores, abaixo da média. Para uma escritora com dezenas de livros publicados — e sendo esse o mais recente — confesso que esperava mais maturidade na escrita.
E não, eu não sou hater. Só estou compartilhando minha percepção sincera, sem desrespeitar a autora. O livro não é um desastre. Tem boas sacadas, boas soluções e algumas amarrações interessantes que dão certa coesão à história. Mas, ao mesmo tempo, os acontecimentos são tão absurdos, e a ingenuidade da Petra me irritou tanto, mas tanto, que em vários momentos ficou difícil comprar as decisões dela.
O cara era claramente um sádico perturbado. Quem, em sã consciência, colocaria toda a própria vida em risco por algumas migalhas de inspiração? Essa justificativa de que é necessário viver certas experiências na pele para descrevê-las com autenticidade até faz algum sentido, mas não em extremos como os apresentados no livro.
E no fim, fica meio claro que ela vai ceder ao jogo doentio do Saint/Erick/Cam porque, lá no fundo, ela é tão perturbada quanto ele.
Minha nota para o livro é 5. Bem mediano. Boas ideias que seriam ainda melhores se a autora tivesse tido mais cuidado com a execução da história. Mas confesso que gostaria de assistir a uma adaptação.
CONTÉM SPOILERS!
Sinopse retirada da página do livro na Amazon:
Christine acorda numa cama estranha, ao lado de um homem com uma aliança no dedo. Sua primeira reação é pensar que se envolveu com um homem casado na noite anterior. Enquanto se esforça para lembrar o que aconteceu, pensando numa provável esposa traída, ela finalmente se olha no espelho. E não reconhece o reflexo. Pelo menos vinte anos mais velho do que esperava encontrar.
Então o homem lhe revela algo perturbador: todos os dias, sua memória se apaga sempre que ela dorme. O estranho, seu marido Ben, é obrigado a recontar a vida deles todas as manhãs. Encorajada por seu médico, ela começa a escrever um diário para ajudá-la a recuperar suas lembranças. Certa manhã, ela o abre e se depara com quatro palavras assustadoras: “Não confie em Ben”. E passa a se perguntar... Que acidente a fez ficar assim? Em quem ela pode confiar?
Alguém já leu? É aquele típico thriller cheio de conveniências e furos óbvios, mas que não chega a ser um desastre total. Eu gosto da ideia e de boa parte da construção narrativa, mas o problema é que se perde e acaba se agarrando às conveniências. Em vários momentos, senti que o autor insultou minha inteligência. Por mais debilitante que seja o estado da protagonista, ela ainda descobre um monte de coisas sozinha e com a ajuda do doutor que a trata — menos justamente o que está bem diante do nariz dela.
Enfim, terminei o livro recentemente e minha nota é 5. Encontrei mais lógica na adaptação; achei que a história ficou melhor amarrada, embora os furos ainda estejam ali. E tudo acontece muito rápido. Mas a Nicole Kidman está muito bem como Christine Lucas. Nota 6 pro filme.