
Vergonha
Eu ensaio tantas palavras
antes de te encontrar,
mas todas parecem desaparecer
quando você chega perto.
Eu queria dizer que gosto de você,
que penso em você mais do que deveria,
que às vezes uma simples fala sua
fica comigo pelo resto do dia.
Mas então você fala comigo,
e eu abaixo os olhos,
como se esconder o rosto
pudesse esconder também o que sinto.
É estranho...
eu consigo imaginar mil conversas contigo,
mas, quando você está diante de mim,
até um “oi” parece difícil demais.
Talvez seja vergonha.
Talvez seja medo
de que minhas palavras revelem
algo que eu ainda não sei como confessar.
Então fico em silêncio,
te observando de longe,
guardando no peito
tudo aquilo que eu gostaria de te dizer.
E, quando você vai embora,
eu penso:
“Da próxima vez, eu falo.”
Mas, no fundo,
eu já sei que, quando você sorrir para mim,
provavelmente vou esquecer de novo
todas as palavras
que passei a noite ensaiando.
Talvez seja meu último poema, eu vou fazer algo com a arma de pregos hoje 🦅