Hipocrisia
Sinto um certo apreço pela hipocrisia
Essa que é tão minha
Não me abandona jamais
Não quero morrer, mas me volto constantemente a coisas que me aproximam da morte
Não quero mais amar, mas amo estar apaixonado
Gosto do calor, do abraço
Daquelas trocas de olhares em que a alma se despe por completo
Mas não me entrego
Afinal, eu e meu ego
Sabem que no fundo tudo tem um final
Gosto de opostos,
Da intelectualidade e da vagabundagem
Da solitude e da multidão
Do inverno e do verão
Enfim, como dizer não?
Se o não implica negação
E da vida quero tudo
Então me entrego às tentações
E em meio delas eu esqueço,
Ao menos por um pouco, o meu ego