

Meu Mundo: um relato de um jovem autista com um medo profundo de abandono e solidão
Em uma quinta-feira no meio do inverno, escutando Wild Heart do Current Joys, pego-me novamente sofrendo com um apego ansioso. Um medo intenso do abandono, de ser deixado para trás por todos. O mundo gira, o tempo passa, as pessoas mudam. Mas eu me encontro parado no mesmo lugar, pois meu pequeno mundinho parou de girar quando eu tinha 5.
E desde então encontro-me preso nos mesmos traumas e receios. Quando tinha 6, fui picado por um marimbondo e desde então tenho um pavor tremendo dessas pequenas criaturinhas. Hoje observei um deles. Uma vida tão simples: pousando à beira da piscina, se banhando ao sol e bebendo uma água certamente refrescante. Marimbondos tem asas. Eu não posso voar.
Sinto que superficialmente consigo atrair muitas pessoas para perto de mim. Como se minha personalidade de fachada fosse capaz de gerar um sentimento profundo de identificação e admiração nos outros. Mas a partir do momento em que me revelo, em que me permito ser eu, as pessoas se afastam. O que há dentro de mim, que causa tanto medo?
Lido constantemente com um medo de que ninguém nunca irá se aventurar dentro do meu mundo. Tenho pavor de ficar sozinho, mas tenho pavor de ser eu mesmo diante dos outros. A melancolia solitária é viciante e me mantém em um paradoxo cíclico de apego, medo de abandono e auto isolamento.
Eu sou complexo como qualquer outro ser humano. Tenho medo de não ser amado por quem verdadeiramente sou. Tenho medo de beijar e não ser bom o suficiente. Tenho medo de decepcionar quem está ao meu redor. Tenho medo de ser um estorvo, um incômodo, um mero ruído inconveniente ao ouvido alheio.
Sei que sou muito inteligente, mas me escondo atrás de uma persona boba, caricata, como um verdadeiro bobo da corte. Tenho medo de que os outros me achem irritante ao fazer comentários inteligentes. Tenho medo de mostrar meus talentos, ao mesmo tempo que questiono se meus talentos realmente existem.
Quanto tempo levará até que as pessoas que estão em minha vida agora me deixem para trás? Meu mundo parou de girar e parece que não consigo crescer. Os outros seguem em frente, enquanto eu me afundo na nostalgia de tempos que não voltarão. Estou preso nas minhas fantasias, nessa imaginação, um mundinho vasto e inexplorado.
Será que algum dia encontrarei alguém disposto a desbravar meu mundo? Será que algum dia encontrarei alguém que não se assuste e se afaste ao descobrir a alma que habita dentro deste corpo?
Minha alma é um cachorro em busca de um dono. Um servo em busca de um mestre. Quero pertencer à alguém. Quero ser a raposa do pequeno príncipe, cativado por uma força maior, um pequeno planeta que orbita uma estrela grandiosa.
Quero ser invisível ao mundo, mas cintilante à poucas pessoas que me aceitem como sou.
Quero ser; quero pertencer; quero alguém que não me deixe para trás; quero alguém disposto a entrar no meu mundo.
Shopping vazio após assistir o filme Backrooms
Where do you think Dan is shitting the hardest?
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