Comecei esse projeto de novela, sou novo pra caramba e não tenho tutores ou alguém que possa avaliar com alguma propriedade esse projeto, então eu não faço ideia se estou seguindo um bom caminho ou se tá um desastre tão grande que eu deveria mudar tudo. Julguem, pls ^_________^
Vazio. Apenas vazio. Então surge um ponto de luz. Uma luz que acentuava-se a cada átimo mais, emanando mais e mais energia pelo vazio. Então colapsa em si. Expansão, vastidão, luz, cor, brilho e energia: bolhas, fluxos, esferas maciças e vácuo. Eis o Universo. E um homem saltava sozinho atrás de uma saída.
Não possuía nome ou aparência, apenas essência. Era único na imensidão. O que ele fazia ali, era sua grandiosa pergunta. Enquanto não soubesse, rastejaria-se pelo infinito em busca de algo desconhecido. Afinal, tudo o que possuía era o conhecido para espelhar.
Movia-se por cima de bolhas que resplandeciam cor intensamente, cujo interior era poligonal e multifacetado como espelhos que se estilhaçam e se renovam a cada instante. Ao tocá-las, sentia mãos pequenas segurando as suas, o peito comprimir e o rosto arder, algo emanar dos seus olhos e os lábios tremerem. Encarava-as como que indecifráveis, não as entendia, mas amava-as. Amava-as até o amor tornar-se banal.
Doía bonito.
Viajava através de fluxos; correntes invisíveis que fluem por todo o espaço, ecoando vozes; sussurros íntimos que vêm de dentro. De dentro de onde? Desconhecia. Conhecia-as apenas como vozes: "Eu te a-", "Você não podia...", "E se eu não...?", "Sim, sim." Alguns eram leves, suaves, flutuavam devagar.... A massa deixava de existir. O que é peso? Nada; nada é pesado, tudo flutua. Outros eram densos, apressados; esquentavam o corpo a faziam-lhe a cabeça como pressionada no interior, pulsante por algo.
Algumas vezes, desejava fechar os olhos e ouvir o que ecoa pelo cosmos. Ponderava o que ouvia. Podia ser simplório, talvez rude; podia ser auspicioso. Era um desafio gentil. Quem saberia o que significa dizer que "É isso, acabou"? Provável que nunca descobriria, mas não importava afinal, não era sobre isso.
Outras, deitava-se e fingia-se de morto: não admirava a vastidão, não tocava ou saltava. Existia; meramente existia para si mesmo, e isso, vez ou outra, parecia bastar-lhe.
E então acontecia o ordinário diante dos olhos: bolhas encontravam-se rodeadas por correntes, correntes carregadas de esferas, esferas orbitando bolhas; e eles brilhavam. Isso não era banal, não poderia ser. As extremidades da face retraíam-se. O peito parecia afundar. O ar faltava. Suspirava....! e, logo os olhos que outrora reluziam, tornavam-se opacos. A face nivelada. Havia algo de cotidiano e excepcional no que lhe era o Universo e o que o habitava; prosaico e extraordinário. Se ao menos o entendesse, talvez fizesse parte desse todo, pensava. Nunca o entendeu. Mas como poderia? Era como um buraco negro; denso, invisível e isolado. Suas descobertas, seu entender, tudo lhe era limitado ao observar e sentir. Talvez não precisasse de nada disso, se tratasse de algo infinitamente inútil para ele, mas o era inevitável. As bolhas existiam, apenas isso; e ele também, mas questionava, pensava, sonhava, idealizava e atordoava-se por tudo isso; por si. Pouco sentia com intensidade se não por uma bolha.
Logo então, um fenômeno novo desencadeou-se: três esferas maciças de luz alinhavam-se, uma bolha multifacetada dilatava-se lenta, seus espelhos deixando de estilhaçar-se para assumir uma única forma. Em volta, correntes não mais cantavam diferentes vozes, mas um uníssono. Fundiram-se os três elementos em um só: um sonho.
Os olhos do homem, agora esbugalhados, resplandeciam mais que qualquer outro corpo celestial. Suas mãos suavam, seu coração doía e o agredia frenético. Seu rosto retraía-se em um espasmo mudo e os olhos marejados ardiam, mas nada escorria. Só podia sentir o impulso, nunca completamente.
Todo o universo, tudo o que existia, não era nada. Tudo _não é_ nada. Nada é tudo. Como distinguir se são tão semelhantes? Indiferença, diferença; não importava. Nada de fato importava; nem mesmo tudo. O vazio também se assemelha a existência. Persistia em coexistir com o seu antônimo.
Sentia toda a luz presente enfraquecer, desaparecer aos poucos, como se regredisse ao que já fora. Cerrou os olhos. Deitou-se. Nenhum corpo mais era intenso, brilhoso ou admirável. Parecia só existir seu coração e a escuridão. Estava imerso em si. _Por que estava ali._ Todos aqueles elementos são parte daquilo, por que ele não? Sentir-se assim o era pior que qualquer toque em uma bolha.
É isso....
De um átimo para o outro, uma luz rutilava e esquentava seu rosto. Temia abrir os olhos e encarar, independente do que fosse. Mas não resistiu. Não podia resistir. Com as pálpebras semicerradas, sua visão estava ofuscada pela luz carmesim a sua frente. Era uma bolha. Uma que nunca tinha visto antes; talvez fosse nova. Àquela vista acalmou-se. Sentia-se incitado à tocá-la, descobri-la. Então, hesitante e fechando os olhos, o fez.
Seu corpo esquentara, seu coração ardia, e, mesmo assim, sentia-se leve, flutuando para onde queria estar mas desconhecia. Assim que abriu os olhos, com a mão ainda estendida, percebeu: não estava mais lá. Estava agora em um lugar onde as correntes o atingiam com força, mas não sussurravam nenhuma voz; se sussurravam, eram indistinguíveis. A imensidão acima de si agora era azul e manchada de branco. Pisava agora em chão, em uma terra fragmentada em milhões de milhares e cáqui, onde água a agredia e depois retornava constantemente. Franzia o cenho com a insistência da água em bater na terra. E, à sua frente, um ser semelhante: uma criatura esbelta que possuía longos cabelos carmesins, como a esfera, cobria o corpo com uma névoa sólida e sorria. Estava segurando sua mão.
-Oi - disse a figura enquanto ria.
Caiu para trás com o que ouviu e largou sua mão. Estava de volta à origem, em frente para a bolha rútila. Nunca vira nada além do Universo. No âmago do seu ser fundiam-se todas as espécies de contradições possíveis: alegria e tristeza, medo e curiosidade, amor e esperança. Como podia viver com tanta intensidade sem nem ao menos ter uma vida? O que é viver, afinal? Talvez devesse encostar mais uma vez. Só para situar-se em sua mente confusa. Do que tinha medo? Isso é irracional, nada de importante pode acontecer com isso. Uma última vez.... Tocou.
Estava de volta ao mesmo lugar.
-Oi - silêncio. - Por que não fala nada? - o rosto fez-se preocupado. - Você se sente bem? Precisa de algo?
-Não sei... - era incomensurável sua surpresa em conhecer aquele outro ser. Tão semelhantes; tão conectados.... Admirava agora o que não notara antes: seus olhos. Bem abertos, tão profundos e puros, cintilando em âmbar como as memórias do universo - ...Do que eu preciso?
-Bom - os olhos surpreenderam-se com a pergunta -, cada um que sabe do que precisa, entende? Mas, pela sua cara, diria que você precisa se tranquilizar, está preocupado demais. Olha onde estamos. Aqui não é lugar de preocupações. Só descansa. Tudo está bem.
Sua voz afetuosa lhe soava tão reconfortante.... como na vez em que ouvira de uma corrente "Boa noite, filho." Filho.... O que significará uma palavra tão melodiosa? Fluía pela mente como as correntes pelo espaço. Talvez significasse amor. Talvez um nome? Difícil de o ser. De qualquer forma, aquele espelho carmesim.... Seria leal a ele. Estaria ao seu lado. O apoiaria. E assim, sentiria toda a satisfação; toda a perfeição. Existiria em função dela. Viveria para si em função dela.
Tudo está perfeito.
-Acertei? - perguntou a mulher sorridente.
-Acho que sim... Quem é você? - perguntou ainda desnorteado.
-Ah! Mas é claro! Desculpe. Meu nome é-
De repente, as mãos se soltaram. A luz rútila voltara a flutuar pelo vácuo, como é de sua natureza. Agitara-se. Não podia perder o objeto de seu juramento solene. Ligeiro, começou a pular pelas bolhas e a jogar-se nas correntes. Agonizava-se pelas mudanças tão bruscas de sensações emanantes. O brilho rutilado parecia correr dele. Tanto se apressava, se agitava; e ainda permanecia equidistante de sua esperança. Então a bolha parou. A alcançou. Não podia a perder outra vez por um mero deslize, então atirou-se para ela, e ali permaneceu deitado.
Estava de volta.
-Alice, prazer - em um tom de voz afável. - E você, quem é?
Olhou para baixo; a água fria agora também investia contra os seus pés. Quem era? Teria nome, por acaso? Seria o tipo de criatura que possui um nome? Tudo o que importa o bastante no Universo tem nome, e, no entanto, ele não o tinha. Ninguém o dera. Ele nunca olhou para si, nunca sentiu necessidade de nomear-se. Era, para si, como as bolhas; não um ser individual, apenas algo. Algo único. Indiferente para o sistema universal e, como agora descobrira, indiferente para si.
-Meu nome é... - seus lábios contraídos e os olhos apreensivos. - Filho; meu nome é Filho. Mas pode me chamar de Bolha. Prazer.
A moça caiu na gargalhada; mal conseguia se manter em pé. E ele, confuso, como agora era seu normal. Mas como o era encantadora aquela risada. Já ouvira risadas pelos fluxos; lhe eram apenas indecifráveis e um tanto contagiosas. Mas, como aquela, jamais ouvira.
-Filho!? No cartório tá escrito Filho? - parou de rir em descontrole. - Me desculpa. É um nome bonito, eu só não esperava. E Bolha? Ok, vou te chamar assim, _Bolha._
-O que é "cartório"?
-Você não é da cidade, né? Ou, por acaso, de qualquer cidade, é? Da onde você veio, afinal? Eu mesma nasci e cresci aqui, o melhor lugar do mundo - ele contorceu o rosto em desentendimento, de novo.
"Nascer", "crescer", era disso que precisava para ser alguém? Para, de fato, fazer parte de algo maior?
-Esquece. O lugar de onde você veio não importa. O importante é que agora está aqui. E, ei, por que não passa aqui hoje a noite? Vai ter uma festa bem havaiana. Vou vir com uns amigos meus. Você pode vir junto, se quiser. Quer?
-Quero! Claro que quero!
-Perfeito. Te encontro aqui ao pôr do sol. Não se atrase! Todos eles são muito pontuais e também devemos ser. Vê se traz alguma bebida.
-Claro, pode deixar...
-Adoro caminhar sentindo a areia. O que acha de dar um passeio agora?
-Tá bom.
Ela começou a se afastar. Afastava-se pondo uma perna na frente e depois a outra, alternadamente, enquanto os braços soltos balançavam no ar. Como fazia isso tão bem? Parecia especialista nisso.
-Você não vem?
-Eu posso ir?
-Claro que pode. Por que não poderia, bobo? Só vem.
Uma perna.... Depois a outra.... Funciona! Ainda estava naquele lugar. Só precisa manter-se assim. E os braços? Melhor juntos; soltos e balançando não faz sentido. Chegou a ela.
-Meu deus. Por que você anda assim? Relaxa. Pode soltar os braços. Melhor: vem, oferece o seu braço pra mim - ele a encarou com os olhos arregalados. - É só dobrar o braço pra minha direção que eu seguro ele. Assim você não vai precisar balançar eles enquanto caminha. Isso. Vamos.
Caminhar.... Era bom sentir a areia nos pés. Pela primeira vez, sua mente estava silenciosa o bastante para ouvir o som das águas que iam e vinham. De novo e de novo. Sentia o toque da pele de Alice na sua, a areia abaixo de si, a luz que emanava da imensidão acima de si, uma brisa do horizonte no corpo. Tudo era calmo.
-Qual é o nome disso tudo? - inquiria.
-Você...? Eu juro que eu não te entendo. O nome disso tudo é praia. Aquilo azul que vem e vai é água, mas, nesse caso que é grande, é mar. Isso aqui em baixo é areia. Aquile pontinho branco lá em cima que se move é gaivota - parou por um instante. - Você não tá brincando com a minha cara não, né?
-Não, não! Eu juro.
-Hum, sei. Muito inocente você.
-... O que é "pôr do sol"?
-Haha, muito engraçado você. Parabéns, bela atuação - entreolharam-se: ela com descrença; ele com timidez. - Tenha misericórdia... É quando aquela bola brilhante ali em cima cai no mar. As pessoas amam ver isso. Sou uma delas. Mas, pelo visto, você é de outro planeta.
-Parece bonito.
-Claro. Sabe, me acho parecida com o Sol. Sou uma estrela. E você é o dono do espaço, com certeza. Imagine só nós dois!
-Acho que consigo imaginar...
Admiravam a praia. A areia que se estendia até uma enorme junção de pedras deformadas, a cristalinidade do mar, as gaivotas que agora voavam mais baixo. Gaivotas eram bonitas. E, a qualquer momento, o Sol iria se pôr. Alice não poderia conhecer as bolhas luminosas que se metamorfoseiam sempre, mas ele iria conhecer algo que Alice ama: o cair do Sol no mar. Seria lindo, a qualquer momento.
Pararam e sentaram-se em frente para o mar.
A qualquer momento. O Sol já vai se pôr.... De um instante para o outro pode ser que....? Ainda nada.
-Alice, quando vai acontecer o pôr do Sol?
-Uma hora. Não seja ansioso. Não é como se você nunca tivesse visto.
Ele era ansioso.
Endireitara a postura, cruzara os braços, as pernas e encarava impaciente o mar, enquanto, agitado, ritmava o seu indicador no joelho. Não estava aguentando mais estar ali parado, sem funcionalidade, razão ou algo novo. Um novo mundo inteiramente divergente de onde vivera toda a sua existência infeliz estava bem ali; e ele parado. Não, não ficaria ali para nada. Já aguardou por muito tempo que o Sol se ponha, agora é a vez do Sol esperar por ele. Correria até não poder mais e veria todas as maravilhas daquele admirável mundo novo. Perguntaria a quem encontrasse todas as suas dúvidas, e então entenderia o Universo; entenderia sua existência. Levantou-se rápido.
-Alice, já volto, tá?
-Pra onde você vai, doido?
E ele começou a correr.
-Vou procurar algo! Já volto!
Acelerou. Quase voava. Nos instantes em que ambos os seus pés suspendiam-se no ar durante a corrida, transitava entre a praia e o Universo. Quanto mais rápido corria, mais frenética era a transição. Ora estava pisando em areia, ora na luz rútila que amava. Seu rosto contorcia-se de uma forma que nunca fizera antes. Era tão natural. Seus dentes estavam, sem necessidade alguma, à mostra, mas não fazia diferença; sentia-se bem com isso em toda a sua irracionalidade. Corria. À sua frente, a mesma praia com o rochedo em oposição ao mar. Quando se deu conta, estava vendo Alice ainda sentada na areia.
-Oi! Já voltou?
Não parou. Correu, correu ainda mais rápido. Parecia uma eternidade. E ali estava Alice. De novo. E de novo. E de novo....
Sua pele parecia derreter, virar água. Ofegante, seguiu em direção às pedras e procurou qualquer coisa que pudesse revelar-lhe a finitude daquele lugar ou saída para outra terra que não fosse praia. Nada. O coração o agredia outra vez. Respirava, mas todo o ar do mundo parecia-lhe insuficiente.
E se nada daquilo fosse real? apenas uma ilusão da bolha ou qualquer maldita aberração do tipo? Não. Não podia.
Procurou na água. Não se podia andar sobre ela. O que faria? Andar por de baixo.
Mergulhou.
Esforçava-se para se mover na água densa. Seus movimentos agora eram fluídos e lentos, mas não havia nada encantador nisso. A água passara a invadir o interior do seu corpo. Seus pulmões comprimiam-se. Desespero.
Precisava de ar.
Arrastou-se para fora. Tossiu. Implorava pelo ar que não vinha o suficiente. Mas vinha. Sempre vinha um pouco. Seus olhos ardiam. O calor e o frio no seu corpo, agora molhado, eram indistinguíveis. Sentia algo no interior da boca que nunca sentira antes; era como o cheiro forte do mar; uma réplica desagradável impregnada na sua boca e corpo. Tossiu outra vez.
Não existia saída dali. Nada além daquilo. Apenas Alice. Apenas....
-Dando um mergulho? - ria Alice, que acabava de chegar.
-Não vai ter "festa" nenhuma aqui, não é?
-Você também vai pra festa? Que legal! E é claro que vai ter. Por que não vamos juntos?
Suspirava.