capítulo 5 do Universo Nakuã: o dia do cortejo
A inversão de papéis
Chegando lá de mãos dadas, Melissa fica desconfiada com o “apego" excessivo do irmão, mas ele só a solta assim que avista seu Feijó, recebe Thales de forma calorosa, como um filho que à casa torna. E de certa forma o abraço de Freijó reacendeu em Thales a vontade que sempre sentia de abraçar seu pai, e as crianças que mataram a saudade de Thales brincando com ele como se fosse um irmão que nascido de Caájara.
E então Thales apresentou sua irmã Melissa ao seu sogro e aos parentes ao redor. Freijó, como um anfitrião principal da casa, acompanhou Melissa a uma breve visita aos anciãos do acampamento, a fim de que ela também se sentisse mais à vontade, assim como seu irmão Thalles, que também foi analisado pela sua conduta, e agora torna-se membro da família.
E durante os diálogos, ela só sorri com gestos de concordância, fingindo interesse real na frente de todos, na expectativa de que eles é quem deviam conquistar sua confiança.
A tolerância estratégica
Mas Flora, mesmo ao fundo, já detectou dissociação no discurso “amigável” de Melissa, que consequentemente ativou o modo defensivo de sua aura Verde. E Thales tentava lhe segurar para não despertar de vez sua fúria contra a irmã.
E no encontro com Flora, Melissa ainda solta uma ironia achando que ela estava se comportando apenas como uma cunhada esnobe com positividade ácida.
Melissa: “Onde está a belíssima moça que sequestrou o coração do meu irmãozinho? Bateu a cabeça e já se apaixonou…”
Isso realçava ainda mais o alerta no barômetro de Flora sobre sua verdadeira índole.
Flora se contém sibilando as palavras, falando para Thales: Nem tente me segurar, amor! Eu vou mostrar à ela a belíssima moça, com uma pisa de Cansanção até a saída! Pois se continuar, futuramente ela vai contaminar a todos nós com o veneno que tens guardado na língua.
Thales então a “acalmou” dizendo:
— Amor, é nosso casamento, fica calma! Não faça nenhuma besteira! Lembra que ela é a única família de sangue presente que tenho! E eu mesmo aturo essa nojenta todo dia, e por mais enjoada que ela seja, eu a amo! Por favor, se concentre em mim, respire fundo... e vá, se apresente a ela.
Após o instinto se conter, Flora então aproximou-se de Melissa dizendo:
— Sou a noiva de seu irmão, me chamo Flora.
Melissa: — O prazer é meu. E olha, Thales não exagerou no elogio, você literalmente é uma menina fantástica! Acho que vamos nos dar muito bem.
Flora, ainda contendo o instinto Nakuã, disse:
— Obrigada. concordo com você! Ele é um amor de pessoa, ele acaba de me contar que te ama muito, embora que você não acredite, ele é o tipo de pessoa que se um dia lhe der as costas, será como escudo, e assim ele faz embora que não mereça.
Melissa: minha cunhadinha tão inocente… acha que me conhece?
Flora olha profundamente nos olhos de Melissa e diz: — Eu sei que diferente de sua progenitora, você expõe as feridas dos outros para anestesiar a sua, acertei?
Sussurrou ela enquanto se afastava em direção ao seu amado Thales. E Melissa engole as palavras a seco, mas com um sorriso forçado para disfarçar aos demais em volta.
Thales: Viu amor, não foi tão difícil. Eu só queria poder ouvir o que disse pra ela, mas seja o que for, acho que funcionou.
Flora: …E um dia você vai! Agora vamos, Guiné já vai dar a nossa benção conjugar.
Kairós e Cronos
Foi então que avisaram para dar início ao culto do cortejo, e Mestre Guiné enfim lhes deu a bênção oficial a Thales e Flora, o novo casal Caájarense.
Enquanto todos no cortejo celebravam, emotivos e alegres, Melissa também mantinha sua pose sorrindo, mas só por alguns instantes, pois após apresentar sinais de tédio e insatisfação; olhando de lado, bufando e bocejando de braços cruzados, ela também olhava pro seu relógio que se mantém parado desde o horário que chegou. Melissa talvez pensou:
— será possível! A bateria do meu relógio deu prego, logo aqui, no meio do mato!
A advertência da noite
(...após o cortejo)
Em seguida, Freijó mostrou os aposentos das mulheres onde ela iria passar a noite.
Freijó: aqui não tem muito luxo, mas é tudo limpinho e as meninas são bem acolhedoras.
Ah, antes de ir, só mais uma coisa, não saia sem estar acompanhada por elas ou pelo seu irmão, ouviu! Pois um ser espiritual chamado Nakuã pode considerar você uma intrusa se andar sozinha por aí. Tenham uma boa noite!
Melissa rindo de nervosa: Depois dizem que o chefe não tem senso de humor. Ele fala isso pra nos assustar antes de dormir, é? Tipo história de Saci, mula sem cabeça, Curupira… É isso? (disse ela à colega ao lado)
Neurice: Não mulher, isso é folclore! O que o chefe Freijó quis dizer foi…
Melissa interrompe: ah, me conta depois, tô com sono, até amanhã!
O selamento do vínculo
Thales e Flora enfim terão sua primeira noite juntos, ao invés da tenda convencional, resolveram acampar à luz das estrelas para respirarem ar puro. Acenderam uma fogueira para se aquecerem do frio durante a noite. E então sentaram-se próximos à fogueira, mas por enquanto sem nenhum contato físico.
Ao saberem que aquela era a noite da consumação, a tensão tomou conta dos dois, tornando-os incapazes de articular uma palavra inteira para o outro.
Flora tentou falar, mas com voz inaudível:
— Noite linda, né, Mor? as estrelas…
Thales, ainda nervoso, respondeu:
— É, tá... bem bacana… (engasgando em suas próprias palavras)
Eis que os dois ficam nesse gelo durante um bom tempo até um deles resolverem puxar assunto ou continuar nesse clima travado a noite toda.