u/Flora_Nakua

capítulo 5 do Universo Nakuã: o dia do cortejo

A inversão de papéis

Chegando lá de mãos dadas, Melissa fica desconfiada com o “apego" excessivo do irmão, mas ele só a solta assim que avista seu Feijó, recebe Thales de forma calorosa, como um filho que à casa torna. E de certa forma o abraço de Freijó reacendeu em Thales a vontade que sempre sentia de abraçar seu pai, e as crianças que mataram a saudade de Thales brincando com ele como se fosse um irmão que nascido de Caájara.

E então Thales apresentou sua irmã Melissa ao seu sogro e aos parentes ao redor. Freijó, como um anfitrião principal da casa, acompanhou Melissa a uma breve visita aos anciãos do acampamento, a fim de que ela também se sentisse mais à vontade, assim como seu irmão Thalles, que também foi analisado pela sua conduta, e agora torna-se membro da família.

E durante os diálogos, ela só sorri com gestos de concordância, fingindo interesse real na frente de todos, na expectativa de que eles é quem deviam conquistar sua confiança.

A tolerância estratégica

Mas Flora, mesmo ao fundo, já detectou dissociação no discurso “amigável” de Melissa, que consequentemente ativou o modo defensivo de sua aura Verde. E Thales tentava lhe segurar para não despertar de vez sua fúria contra a irmã.

E no encontro com Flora, Melissa ainda solta uma ironia achando que ela estava se comportando apenas como uma cunhada esnobe com positividade ácida.

Melissa: “Onde está a belíssima moça que sequestrou o coração do meu irmãozinho? Bateu a cabeça e já se apaixonou…”

Isso realçava ainda mais o alerta no barômetro de Flora sobre sua verdadeira índole.

Flora se contém sibilando as palavras, falando para Thales: Nem tente me segurar, amor! Eu vou mostrar à ela a belíssima moça, com uma pisa de Cansanção até a saída! Pois se continuar, futuramente ela vai contaminar a todos nós com o veneno que tens guardado na língua.

Thales então a “acalmou” dizendo:

— Amor, é nosso casamento, fica calma! Não faça nenhuma besteira! Lembra que ela é a única família de sangue presente que tenho! E eu mesmo aturo essa nojenta todo dia, e por mais enjoada que ela seja, eu a amo! Por favor, se concentre em mim, respire fundo... e vá, se apresente a ela.

Após o instinto se conter, Flora então aproximou-se de Melissa dizendo:

— Sou a noiva de seu irmão, me chamo Flora.

Melissa: — O prazer é meu. E olha, Thales não exagerou no elogio, você literalmente é uma menina fantástica! Acho que vamos nos dar muito bem.

Flora, ainda contendo o instinto Nakuã, disse:

— Obrigada. concordo com você! Ele é um amor de pessoa, ele acaba de me contar que te ama muito, embora que você não acredite, ele é o tipo de pessoa que se um dia lhe der as costas, será como escudo, e assim ele faz embora que não mereça.

Melissa: minha cunhadinha tão inocente… acha que me conhece?

Flora olha profundamente nos olhos de Melissa e diz: — Eu sei que diferente de sua progenitora, você expõe as feridas dos outros para anestesiar a sua, acertei?

Sussurrou ela enquanto se afastava em direção ao seu amado Thales. E Melissa engole as palavras a seco, mas com um sorriso forçado para disfarçar aos demais em volta.

Thales: Viu amor, não foi tão difícil. Eu só queria poder ouvir o que disse pra ela, mas seja o que for, acho que funcionou.

Flora: …E um dia você vai! Agora vamos, Guiné já vai dar a nossa benção conjugar.

Kairós e Cronos

Foi então que avisaram para dar início ao culto do cortejo, e Mestre Guiné enfim lhes deu a bênção oficial a Thales e Flora, o novo casal Caájarense.

Enquanto todos no cortejo celebravam, emotivos e alegres, Melissa também mantinha sua pose sorrindo, mas só por alguns instantes, pois após apresentar sinais de tédio e insatisfação; olhando de lado, bufando e bocejando de braços cruzados, ela também olhava pro seu relógio que se mantém parado desde o horário que chegou. Melissa talvez pensou:

— será possível! A bateria do meu relógio deu prego, logo aqui, no meio do mato!

A advertência da noite

(...após o cortejo)

Em seguida, Freijó mostrou os aposentos das mulheres onde ela iria passar a noite.

Freijó: aqui não tem muito luxo, mas é tudo limpinho e as meninas são bem acolhedoras.

Ah, antes de ir, só mais uma coisa, não saia sem estar acompanhada por elas ou pelo seu irmão, ouviu! Pois um ser espiritual chamado Nakuã pode considerar você uma intrusa se andar sozinha por aí. Tenham uma boa noite!

Melissa rindo de nervosa: Depois dizem que o chefe não tem senso de humor. Ele fala isso pra nos assustar antes de dormir, é? Tipo história de Saci, mula sem cabeça, Curupira… É isso? (disse ela à colega ao lado)

Neurice: Não mulher, isso é folclore! O que o chefe Freijó quis dizer foi…

Melissa interrompe: ah, me conta depois, tô com sono, até amanhã!

O selamento do vínculo

Thales e Flora enfim terão sua primeira noite juntos, ao invés da tenda convencional, resolveram acampar à luz das estrelas para respirarem ar puro. Acenderam uma fogueira para se aquecerem do frio durante a noite. E então sentaram-se próximos à fogueira, mas por enquanto sem nenhum contato físico.

Ao saberem que aquela era a noite da consumação, a tensão tomou conta dos dois, tornando-os incapazes de articular uma palavra inteira para o outro.

Flora tentou falar, mas com voz inaudível:

— Noite linda, né, Mor? as estrelas…

Thales, ainda nervoso, respondeu:

— É, tá... bem bacana… (engasgando em suas próprias palavras)

Eis que os dois ficam nesse gelo durante um bom tempo até um deles resolverem puxar assunto ou continuar nesse clima travado a noite toda.

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u/Flora_Nakua — 5 days ago

capítulo 4 do universo Nakuã: "os dias em Caájara"

Ato IV . Os 5 dias em Caájara

O vínculo com a natureza

No dia seguinte, Thales começou sua primeira aula: “A Importância do Cultivo”. Mas Thales precisava se desligar da dependência emocional que tem com a irmã e ter raízes próprias. Ele estava sendo ensinado inconscientemente de forma espiritual. Cinco dias parece pouco, mas aqui em Caájara, o tempo é Kairós e tudo faz parte do processo: cada gesto minucioso entregava mais sobre seu caráter do que qualquer confissão falada.

O simples ato de Thales e Flora por trabalharem juntos como um casal unido; pegar água no riacho e até as pequenas demonstrações de afeto faziam com que o vínculo entre eles se ligasse ainda mais com a natureza original, despertando aos poucos a Zoe que também há dentro dele, tornando-se visível na cor de uma chama que revela seu aspecto interno (Aura).

…Compartilhando expressões, gírias e conhecimentos paralelos de seus mundos conforme a convivência ia crescendo; Flora, tirando fotografias naturalmente com Thales, usando o celular dele para registrar seus momentos de ternura (brincadeiras de casal); fazendo cócegas, roubando beijos… Flora, por estar em uma alegria constante, fazia com que as rosas levitassem em resposta de sua emoção pura na presença de Thalles. Ele já sabendo que sua insígnia só tem relação com a aura verde do tempo, ele perguntou:

— Como fez para levitar a rosa?

— Acredite, amigo! Não foi só eu, você quem fez isso junto comigo, disse Flora.

— Eu?! Disse Thales com olhar de espanto.

— Sim, conhecendo seu jeito pacífico, creio que você deve ter a aura azul do espaço, mas sinto que ainda há muito resíduo impedindo você. Vamos na cozinha conhecer a tia Neurice? Você precisa se alimentar de verdade.

Resgatando as raízes

Diferente dos alimentos processados da cidade que Thales era acostumado a comer, ele aprendeu a preparar e degustar cada prato da culinária Caájarense com a “tia” Neurice:

— “o peixe fresco do rio, pirão, beijus, feijoada, bolo de fubá, macaxeira, frutas exóticas, pamonha e todos os seus derivados caseiro de milho e mandioca.

Thales em sua honestidade pura, fala: tia, o peixe estava um pouco insosso, mas devo admitir que é mil vezes melhor que nuggets, sem dúvidas! [risos]

E essa água deliciosa? como pode um recipiente feito de barro manter a água tão gelada? Quem colocou gelo dentro, foi você Arandu?

Tô brincando, Eu sei como é feito… [risos]

Mas falando sério, a última vez que provei algo assim, eu tinha 7 anos na casa dos meus avós, eu ia lá só pelo prazer de sentir esse cheirinho de barro molhado; coisa que os médicos da cidade diziam fazer mal, aliás, quase tudo estamos fazendo aqui!”

E enquanto ele aprendia a cultura ancestral e o artesanato com Dona Senhorinha, a mesma também tecia e costurava as roupas de seu cortejo com sua netinha, e ao mesmo tempo, envolvia Thales com histórias de sua época e seus ditados, oferecia petiscos caseiros quando chegava, e toda essa cortesia o fazia espelhar momentos com sua avó, que ele ia visitar quando criança. É como se eles quisessem que o rapaz recuperasse esta essência pura da infância.

Ele além de aprender mais sobre a agricultura, e a história de Caájara com os outros professores, ele também teve aulas diárias de Biomagia com Mestre Guiné. Thales só tinha um “defeito"; ele interrompia os seus professores com perguntas ideias a todo momento, e sempre que não entendia algo, ele pedia para repetir mais uma vez. O que pro mundo isso era visto como atraso mental, era Caájara isso é a mente de um gênio sendo subestimado e silenciado. Thales só era incapaz de filtrar suas próprias palavras dando respostas diretas e espontâneas. Sem saber que isso o qualificava ainda mais, pelo desejo de aprender de forma genuína, podendo extravasar sua capacidade ao nível máximo.

… Agora consolidava de vez o seu vínculo com o povo através da ternura das crianças ao seu redor que espelhava a sua pureza.

Então, os cinco dias se passaram, e Guiné aconselhou Thales a voltar, presumindo a preocupação com sua irmã. E como prometido, encheu-lhe os cestos com vários mantimentos para ele levar consigo.

Noivo em Zero Hora

Thalles saiu pela manhã e Melissa já o esperava preocupada à beira da sua chácara, pois seu irmão ficou de voltar antes do anoitecer. E então se espanta ao avistar seu irmão de longe com a coluna baixa de tanto peso em suas mãos.

Melissa se impressiona dizendo:

— "Uau, quantas delícias você trouxe! não acredito, meu irmãozinho conseguiu mesmo encher tudo isso sozinho? Sempre achei que você era capaz! Mas agora que tô percebendo, não me lembro de você ter ido com essa roupa, e essa comida pronta, onde arranjou?... ah, você roubou?

Thales: "É… então Mel, acho melhor a gente entrar pra gente conversar…"

Thales revela sem rodeios onde realmente estava. Disse que conheceu uma comunidade chamada Caajara, e relatou com empolgação tudo que viu e aprendeu neste lugar. E mesmo voltando com tantos presentes como prova, ela ainda não acreditava nesse papo de "Universo Nakuã”.

Foi então que Thales também resolveu mostrar as fotos que ele tirou junto com sua noiva Flora.

Melissa, reage com desdém:

— Deu pra mentir agora menino? Foi tu que fez essa montagem aí, tá muito na cara que isso tudo é IA, não existe ninguém assim!

Thales: Exatamente, minha querida Melzinha! Isso realmente é impossível, até pra mim que sou profissional em criar Scripts de IA; E eu digo com toda certeza que nem o chat.GPT, Dola ou Gemini conseguiria gerar uma imagem perfeita com tamanha exatidão de seus caracteres, porque ela é única e literalmente fantástica!

E a propósito, eu estou noivo dela, irei casar com ela ainda nessa semana.

Melissa, ainda confusa, pediu-lhe tempo para processar tanta informação e o interrompeu dizendo: — Pera aí! Como é, menino? Acho que não ouvi direito, tu vai se casar? não, agora tu esticou viu! Fazer fotos com IA tudo bem, mas inventar nomes…? Por um acaso você bateu com a cabeça por aí garoto?" indagou Melissa com sarcasmo.

Thales respondeu com uma sinceridade ingênua: — Sim, e o pior é que foi ela quem me acertou, na cabeça e… enfim, sei que parece loucura, o fato é que eu fiquei lá por 5 dias, e voltei nesse mesmo horário que fui nocauteado e levado por ela, acredite em mim! Olha a minha cara, como a barba pode crescer em apenas 10 horas que passei fora de casa?

Melissa: Hum, Suponhamos que eu acredite nessa história. Pelo que eu entendi, a sua suposta namoradinha te deu uma voadora, te raptou e estão aí apaixonados, blá blá blá… Mas e essas coisas aí? tu ainda não explicou onde pegou.

Thalles: Pois foi meu próprio sogro Freijó, quem me doou tudo isso de presente. Seria mentira se eu chegasse aqui dizendo que consegui isso tudo sozinho, você não acha? ou você acha que tapioca pronta dá em árvore? Eu hesitei em responder, porque de certa forma fui nocauteado por está roubando recursos alheios, mas não esses aqui, pois ganhei por merecer. Se quiser que eu te leve amanhã mesmo pra conhecer o Caájara.

Melissa desperta um certo interesse após seu irmão falar que a “noivinha” em questão era filha do chefe tribal que o presenteou, ela fala internamente com aquele olhar de rapina: “ se for mesmo verdade, não custa nada eu ir com ele conferir…” (e a mesma disfarça dizendo): você que vai casar, me convença a ir!

Thalles: Eu te daria até mil motivos pra ir, mas no momento só lhe direi dois: primeiro que o mestre e sacerdote chamado Guiné; exigiu sua presença como minha representante da família Bandeira.

Melissa se sentindo toda importante diz: Hum, é mesmo‽ E por quê não senta aqui na mesa pra comer dessa pamonha que deve estar uma delícia! Vai, me conta mais! Qual o segundo motivo?

Thales: O segundo motivo tem a ver com aquele lance que aconteceu com os nossos avós; não achei estranho o fato de nós nunca termos ficado doentes? Eu sempre te estresso com minhas brincadeiras, mas nem mesmo essa notícia te fez ficar zonza ou com pressão baixa ou alta, e de saudável a nossa família não tem nada!

Melissa: O que quer dizer com isso, que a gente fale o que aconteceu?

Thalles: Calma, não é isso! Eu tô dizendo que eles podem ter respostas sobre eles, e sobre nós…

Melissa: E né, vamos ver no que dá, não tenho nada a perder. Eu vou lhe desejar felicidades meu irmãozinho querido.

Thalles: Olha só que legal! As duas mulheres que eu amo vão enfim se conhecer. (respondeu ele extasiado de felicidade, e Melissa sorrindo forçado enquanto comia)

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u/Flora_Nakua — 8 days ago

Capítulo 3 oficial do Universo Nakuã: Thales acorda em Caájara

Ato III. A intuição e instinto

Gritando em silêncio

Thales no acampamento, ainda meio atordoado, ele vê o rosto de Flora novamente assim que desperta e diz:

— "Eu morri mesmo? Vi esse anjo pela segunda vez hoje, por acaso você veio me buscar?

Flora logo presumiu: Devo ter batido tão forte que o coitado ainda está delirando.

Logo em seguida, Thales toma um susto (espasmo de humor) ao ver o Mestre Guiné ao seu lado, contrastando a visão de Thales, que admirava a moça à sua frente.

Guiné fala sussurrando: Calma rapaz! só vim lhe oferecer chá, quer?

Thales: O que eu tô fazendo aqui? Quem é o Senhor‽ Porque o senhor tá gritando comigo?

Guiné: Eu sou o mestre Guiné, e essa moça aqui do lado é minha sobrinha Flora, foi ela quem te trouxe, e creio que ela não lhe encontrou passeando à toa na floresta, estou certo?

E Thalles constrangido, consente em silêncio me conta toma um chá vagarosamente aos sopros…

Guiné pergunta: mas você deve ter um bom coração, pois se não fosse, Flora te deixaria lá mesmo.

Thales indaga: Como assim… o que acontece, senhor?

Guiné volta a falar normal: melhorou, filho?

Thalles: É, meu ouvido tava zunindo, e agora tá bom, O que houve?

Guiné: Digamos que você seja um bom ouvinte, e tem um potencial fora do comum que o mundo despreza.

Instinto de pai e estratégia de líder

Freijó corta a conversa chamando Flora discretamente para uma conversa particular entre pai e filha.

Freijó: Flora, minha filha, sabe que não devemos trazer estranhos ao nosso acampamento? Ainda mais sendo lenhador ou caçador, você ao menos leu sua índole antes?

Flora: Sim, e o senhor tem toda razão, papai! Mas o senhor também sabe que o meu instinto Nakuã não se engana, não é?

Pois apesar de meus sentidos terem captado a maldade no roubo em flagrante, fora isso, ele não apresentava uma ameaça direta.

Eu o neutralizei. Fui ver sua índole mais de perto, e senti que o coração dele era puro. Se eu o deixasse lá, ele permaneceria em estado de coma, por isso eu trouxe pra cá. Ele acordou me chamando de 'anjo' o tempo todo, e o mais estranho é que eu também não sentia interesse secundário de me agradar, como fazem os meninos daqui, e nem malícia alguma foi encontrada em suas palavras. Isso me deixou confusa pela primeira vez, por um momento, eu realmente achei que ele estava apenas delirando, porque eu nunca vi ninguém falar essas coisas com tanta inocência… Até agora.

Freijó: Ah, menos mal, filha.

Flora: por que, pai?

Freijó: Porque se o seu instinto coração o acusa como inocente, então ele pode ser apenas um 'pau mandado', pois isso também ativa o instinto através de sua ação.

Flora: Ah! então ele estava fazendo isso a mando de Alguém?

Freijó: Isso! E outra coisa, vi seu tio lhe oferecer chá, por ter um instinto onisciente, ele não pode falar tudo, mas fala com gesto e sinais sutis. Uma coisa é certa, ele não faria isso por qualquer um que vem aqui.

Flora (impressionada diz): Pai, isso explica tudo! Meu “barômetro da pureza” estava lutando contra minha própria intuição humana todo esse tempo! Então, isso quer dizer que quando ele me chamou de “anjo”, não era delírio e nem maldade? ele realmente gostou de mim?!

Feijó: É, tudo indica que sim minha filha, e isso é muito raro hoje em dia…

Flora: Papai, será que devo ir até a tenda do tio Guiné para ver se ele já está recuperado? Queria falar com ele e também pedir desculpas pelo que aconteceu.

Freijó: Claro que pode, filha. E em seguida também irei ter uma conversa particular com ele, preciso confirmar uma hipótese junto com Guiné…

Amor ao primeiro nocaute

No minuto seguinte, encontramos os dois (Thales e Flora) conversando pertinho um do outro, rindo à beça à frente da fogueira, nem parece que acabaram de se conhecer, mas eram como se fossem conhecidos de muito tempo...

Flora: (...) pois é como eu te disse, o delírio confunde a leitura do meu barômetro, por isso não pude discernir se o que falava era mesmo espontaneidade sua me chama assim.

Thales: Acho que você mirou a minha cabeça e acabou acertando o meu coração. [risos]

Flora: Com certeza! Então você me acertou de volta, ou estou delirando também? [risos]

Thales: Sério? Você realmente gostou de mim?

Flora: Eu nunca minto, você tem um coração especial, é uma jóia que não se pode comprar.

Thalles: Se você não viu malícia em mim, deve ser porque eu fui bem literal quando eu te chamei de anjo, te vi com aquela luz Verde Neon em sua volta, aí fiquei pensando, isso vem de você?

Flora: De certa forma sim, Isso se chama aura.

Thalles: Aura? É tipo Farma Aura?

Flora: Quê? Não faço ideia do que está falando, amigo. Isso veio de mim desde que nasci…

Thalles: farmar aura é quando…

Freijó chega e interrompe os dois com uma pigarreada seca que se dirige a Thales com um tom curto e grosso; Quer me acompanhar?

Thales fica nervoso e sem jeito, achando que o chefe ia lhe dar bronca por estar falando perto demais de sua filha.

A interrogação:

Freijó então perguntou: De onde você vem, rapazinho? E como se chama?

Thales (ainda nervoso): Me chamo Thales, senhor, Thales Bandeira. Minha irmã e eu nos mudamos recentemente da cidade para uma chácara no interior da Serra do Pinhal, fica aqui vizinho!

Freijó Questionou: O que estava fazendo aqui? Para quê você queria tantos recursos a ponto de invadir o nosso território? No seu terreno não tem?

Thales: O senhor tem toda razão! Estávamos extraindo em nosso terreno até que acabou, mas Melissa, minha irmã, que só pensa em trabalho igual ao nosso pai, mas ela é chegada mais no lucro do que no hobby de cultivo em si. Ela nunca me ouve quando eu aviso as coisas, inclusive quando eu a adverti sobre um termo de cultivo da fábrica em que trabalha à distância. Quando eu disse que não tinha mais de onde tirar, ela só sugeriu que eu procurasse mais à frente, aí eu vim.

Guiné sutilmente perguntou: Como assim? Ela já não ganhava o suficiente?

Thales: Ela cresceu o olho, meu senhor! Insistiu que eu pegasse melhores recursos, e vim parar nessa região.

Guiné: E para você, apoia seus ideais, também pensa assim como ela?

Thales: Pelo contrário! Apenas faço isso por ela (Melissa). Juro que eu não sabia que esse lugar tinha dono, muito menos de senhores. Minha mãe está desaparecida desde que nós éramos crianças, e eu só sei que a mim nenhum material vai preencher a saudade que eu sinto dela.

Freijó ficou pensativo na decisão em silêncio junto com seu irmão Guiné…

Guiné: Vejo que você procura fazer o que é certo, que erra tentando acertar. Não se sinta só, acredite! Tudo na nossa vida tem um propósito, até as coisas ruins. Não é coincidência você estar aqui com a gente.

Freijó: É, e por falar nisso, eu não pude deixar de reparar na conversa que você estava tendo com a minha filha…

A confissão involuntária

Thales (suando frio) falou agoniado: Senhor, eu posso te explicar!

Mas explicar o quê? disse Freijó.

Thales: Senhor, pode parecer ousadia da minha parte, mas eu queria confessar logo de uma vez, com todo respeito, eu me apaixonei de verdade por sua filha, desde o momento em que a vi, e Só estava um pouco confuso sobre o que eu realmente estava sentindo naquele momento, mas conversando com ela, eu tive certeza, e meus sentimentos são os mais sinceros possíveis. Pronto, falei! Era isso que o senhor queria saber, né?

Freijó, disse: Que surpresa! É mesmo, meu filho?! …Na verdade eu ia me referir a minha filha Flora, ela me disse primeiro que também gostou de ti, e sabe por quê? justamente por ter enxergado em você um coração puro dentre tantos outros rapazes que só a elogiava com segundas intenções. Então se você já confirmou que gosta dela, e ela de você, só resta lhes dar a minha bênção.

Guiné interrompeu a tempo dizendo: espere meu irmão, em um porém! Você pode dar a nossa benção, mas ele ainda precisa da “aceitação pública” e de um tempo aqui conosco para aprender nossos costumes.

E então filho, você faria esse acordo?

Thales ficou pensativo…

Mas Guiné já sabe da preocupação de Thales com a irmã, e acrescentou dizendo: Olha, ficarás aqui apenas 5 dias de aprendizagem até selarmos o cortejo oficial, tá bom pra você? Nem vai ver o tempo passar (Literalmente).

Thales perguntou: E se minha irmã perguntar o que fiz todo esse tempo? Sendo que ainda não consegui o que ela queria? Ela é capaz de arrancar meu couro se eu chegar em casa sem nada.

Guiné: diz em concordância com o irmão: Fique tranquilo! Sabemos que está fazendo isso por causa dela e seu negócio na cidade. Podemos te doar um pouco mais do que você tentou pegar hoje para não voltar de mãos vazias, certo?

Freijó reforçou com tom de prosa: Mas é só dessa vez! Não vá se acostumar! [risos]

Thales sorriu mais descontraído dando um abraço no seu novo líder e sogro que agora chama de “paizão”.

E Flora sorri ao sentir que o motivo da comemoração era sobre sua união com Thales, ela vem correndo para os braços de seu amado; dando-lhe um beijo espontâneo.

Guiné lembrou Thales: Após os cinco dias quando partir, convide sua irmã para o dia do cortejo! Também precisamos de um “representante da família do noivo”. E em um momento de celebração, será bom para ela esquecer um pouco do trabalho. Ah, e pro bem de sua irmã, em hipótese alguma poderá largar a mão dela até chegar aqui!

Thales: E por que isso, senhor?

Guiné: Por que você foi interceptado como um corpo estranho por causa dela, e agora que você tem a nossa benção, pode convidar qualquer um, desde que esteja contigo por livre e espontânea vontade.

E foi Thales dormir na tenda dos homens sobre vigilância de Freijó.

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u/Flora_Nakua — 11 days ago

Capítulo 2 do Universo Nakuã: o contraste de Mundos

Ato II . Os novos vizinhos

10 Anos depois…

A cena corta para a família Bandeira. Eles chegam da cidade rumo ao interior da "Serra do Pinhal" para fazer uma última visita à chácara do seu avô de nome Ambrósio. Thales e Melissa vão ao velório do seu avô, que faleceu em desgosto no ano seguinte ao enterro de sua esposa. A causa da morte ainda permanece em sigilo pelos familiares, mas o que se sabe desse ambiente é que o velho Ambrósio deixou essa chácara no nome dos netos; Thales e Melissa, em seu testamento ainda lúcido anos antes de partir, transferiu oficialmente a propriedade para o nome dos dois irmãos só três anos após a maioridade do neto menor, Thales, cumprindo assim a condição final para a herança.

A inauguração da herança

3 anos se passaram, e hoje os irmãos Bandeira se mudam para a chácara que ganharam. Foi o presente perfeito! Pois essa casa não só trouxe boas lembranças nostálgicas, mas também foi a oportunidade que lhes foi dada pelo avô para saírem do aluguel e garantirem um futuro melhor.

Melissa, após se formar em Finanças, e tendo maior experiência no mercado, resolve empreender em seu próprio negócio com seu irmão: um ateliê de produtos naturais. Thales, já perito em design e prompts de imagem, fez uma logomarca para sua irmã que combinasse com o estilo do lugar, tipo: “Meliss Ateliê”, mas como usaram o dinheiro que tinham para mudanças, mantimentos e novas fiações elétricas para instalação da internet, enfim, ainda precisavam levantar capital para começar.

Pesquisando horas na internet sobre "atelier natural", encontraram o site de uma fábrica que trabalhava exatamente no nicho que procuravam, oferecendo as principais opções remuneradas de forma online, como: afiliado, vendedor e fornecedor.

A princípio, inscreveram-se como Afiliados Digitais, apenas indicando os produtos e recebendo comissão por venda. Era perfeito para eles começarem a vida do zero! Com o tempo, tornaram-se vendedores com o pouco que ganhavam, e aos poucos a lojinha de Melissa foi criando forma até se tornar um atelier de verdade, com pedido de entrega e vendas de produtos agrícolas nas zonas rurais e fazendas vizinhas.

Tempos depois, ao ver que os negócios dos irmãos Bandeira iam bem, Melissa tentou verificar direito os termos da fábrica para saber o que era preciso para ser fornecedora da mesma. Melissa checou todas as lista de produtos possíveis para extração, vendo inclusive no Google maps se havia isso em algum lugar próximo dali. E descobriu que o terreno onde morava, por coincidência, era repleto de árvores e hortaliças ricas em minerais cultivadas pelo seu avô Ambrósio antes de morrer. Melissa então decide extrair esses recursos brutos, só para se tornar fornecedora de matérias-primas da empresa em que trabalha a distância.

A burla do contrato

Porém, ao marcar a opção 'fornecedor’, surgiu outra lista com os termos obrigatórios do contrato. Exemplo:

você possui terreno [confere]

próprio/proprietário [confere]

a posse é licenciada/sem pendência [confere]

E, por último, concorda em manter o cultivo do terreno…

Marcou todos como 'sim', mesmo sem interesse algum em cuidar do plantio (GUARDEM BEM ESSA INFORMAÇÃO!).

Como ela apenas revendia produtos, seu logo de sustentabilidade não passava de um nome bonito. Ela prefere infringir o sistema ético da fábrica enviando um currículo mentiroso, do que simplesmente continuar tocando sua lojinha pra frente. Mas segundo Melissa, ainda era pouco!

E a situação ainda consegue ficar pior, Melissa ainda se aproveita da boa fé de seu irmão através de chantagens emocionais. Thales, em sua inocência, deu a Melissa uma sugestão a respeito do orçamento de trabalho, achando que ela realmente ia cumprir mesmo cada termo à risca.

Thales: Mel, vamos precisar chamar quantos peões para cuidar do nosso terreno? Eu posso dar nota se quiser...

Melissa: Ficou doido, menino?! Sabe o quanto pesaria se eu contratasse peões de cultivo? Se fosse apenas a diária e alimentação, tudo bem. Mas aqui é isolado! Eu teria que pagar passagem diariamente para cada um todos os dias. E eu também não confio em estranho dormindo na minha casa! De esquisito aqui só basta tu.

Thales indagou: Então sou eu que vou fazer tudo isso sozinho?

Melissa, já impaciente: Oh meu Deus, claro que não! Eu só preciso das matérias-primas contidas nesse terreno! Você faria isso por mim, né?

Thales: Afinal de contas, Mel, por que você assinou isso mesmo? Já não estamos bem de vida? E onde é que tu vai guardar tanta coisa, mirmã? Até teu quarto tá sem espaço, não tem nem por onde passar de tanto bregueço que tu compra, Muié.

Melissa: Ah, sei lá! Depois eu desmancho isso e faço outro mais amplo, só não vou me desfazer das minhas coisas, deixe lá que um dia eu preciso!

Thales: Tá bom, faça do seu jeito! eu só tô avisando… eles não colocam esses termos à toa.

Melissa expressou: Mas será possível, que menino lerdo! O terreno e a casa podem até constar no sistema como minha propriedade e tal, pago tudo direitinho, mas que diferença faz se eu não quiser cultivar? Não foi eu e nem você quem plantou essas coisas, vamos só aproveitar. Qualquer coisa a gente procura em outro lugar. Não tem como eles saberem. Relaxa!"

Thales ainda brincou: "Oxe, mas eu tô falando na moral, quem tá estressada aqui é você!"

Melissa, desconcertada, retrucou: "Ah, vê se me erra, garoto!

Então Thales bateu a mão em seu Bloco de Notas fazendo a errar, rendendo uma cena cômica com esse trocadilho que a deixou mais irritada.

Melissa: vaza daqui oh menino mongolóide! vai logo fazer o que te mandei, cuida!

O encontro de auras

Thales saiu da chácara, mato adentro, em busca de materiais e mantimentos na floresta, a mando de Melissa. Com seu facão e cestos na mão, circulava por ali mesmo em seu terreno. E enquanto ainda tinha recursos, ele sempre voltava pra casa com bons materiais, entre eles: cascas, raízes, ervas, troncos, seivas e afins. Assim, complementava a renda e mantinha o ateliê de sua irmã.

E foi quando os recursos ficaram mais escassos, que Melissa mandou seu irmão ir mais à frente, além da fronteira de seu território, onde ela dizia que poderia haver mais.

Thalles sabia que se fizesse isso seria errado, a começar por invasão de propriedades alheias ou desconhecidas. Mas ele acreditava em seu pensamento que estava ajudando sua irmã mais que tudo.

Caminhando mais à frente da sua fronteira,Thales ao retirar o primeiro tronco de árvore, começou a sentir um clima pesado de suspense entre os animais da mata, mas não via ninguém. Ele então se depara pela primeira vez com Flora, vista de relance como uma criatura arisca e defensiva. Thales se assusta com suas aparições bruscas, como aqueles vultos que se movem com rapidez entre os galhos.

Eis que Flora para em uma das copas das árvores, e somente ali, com a sua imagem nítida, Thales fica boquiaberto ao ver sua beleza tão exótica. Ao olhar para ela, ele não conseguia definir se era negra ou branca, vendo apenas uma pele em um tom Dourado de cor mel. Seus cabelos também o confundiam, pois não eram nem lisos e nem cacheados, tendo um aspecto próprio que ele nunca tinha visto. Para Thales, sua aparência era indecifrável igual a de um anjo, ainda mais por causa dessa aura Verde ao redor dela.

Flora o fez perder de vista outra vez, mudando rapidamente para outro galho sem que ele percebesse. Inesperadamente, Thales foi nocauteado pelos pés da moça, que vinha em sua direção na velocidade em que se balançava em seu cipó. Com o impacto, Flora fez com que ele soltasse o facão e o que estava surrupiando da floresta. Só então, ela se aproximou do moço desacordado.

Flora precisou neutralizar o rapaz, não por medo, mas para certificar a leitura de sua índole. Pondo a mão acima de seu peito, ela viu que, mesmo sendo pego em flagrante, não havia sinais de más intenções em seu coração. Flora decide então levá-lo ao acampamento para reanimação e receber os cuidados de seu tio Guiné, e o veredito oficial do pai mesmo sendo ela a juíza daquele lugar.

(obra registrada: Flora Nakuã, o barômetro da pureza.

Todos os direitos reservados ao autor Francisco Antônio Coelho Soares)

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u/Flora_Nakua — 11 days ago

O capítulo 1 oficial do universo Nakuã: a lenda do Elo triássico

Ato I . O coração de Nakuã

Logo no início já nos mostra “A origem da lenda”, quebrando propositalmente a expectativa do público: essa não é apenas a história de uma menina que possui poderes mágicos como em fábulas infantis, mas é sobre a principal semente do instinto Nakuã; uma jovem que nasceu do sacrifício materno. E por causa de sua essência de ser quem ela é; tornou-se o coração de Nakuã. Ela não possui traços étnicos exatos, mesmo crescendo em uma tribo "indígena”. Pois sendo pura de coração, ela recebeu o instinto de julgar a índole dos bons e maus; a fim de limpar o mundo espelhando a dor da sua própria perversidade até restar apenas a sua inocência, ou seja, separar o lado bom do lado ruim de alguém, se houver.

Existe uma profecia no qual ela faz parte; um Elo escolhido para esmagar o mal que cega o mundo. Eles são o trio que completa a existência: o tempo, espaço e matéria conectando suas respectivas auras "RGB" ao seu dom astral chamado de instinto Nakuã, mas só o verdadeiro trio cumprirá.

"A voz, é a matéria do passado que antes enganava, e será então lapidada pela ferida do próprio sangue; ele é o espaço futuro, que ouve o coração do tempo presente, ligando-se enfim, à terceira corrente do triângulo que faltava na alma. E eles se tornarão o Elo triássico".

Parece confuso? Mas para entendermos como isso tudo irá acontecer, precisamos voltar um pouco no tempo da história.

O mal hereditário

O conflito geral dessa história começou há milhares de anos, onde havia um confronto interminável entre a comunidade de Caájara e a Serra do Pinhal. Os Caájarenses, por sua vez, apenas lutavam em defesa do povo e principalmente, para conservar a integridade do seu território contra a ambição de uma antiga linhagem corrompida da Serra do Pinhal que tentavam saquear as suas matérias-primas a todo custo. Mas o momento crucial que devemos focar aqui é no que aconteceu há 20 anos antes do nosso principal guerreiro, Freijó (pai de Flora). O fazendeiro ruim que mesmo enfermo de todo mal que há na velhice, ele comandava seu pelotão de caçadores e lenhadores da Serra para profanar o lugar sagrado em busca de extrair os insumos da árvore de Acácia; na qual residia o Nakuã astral, e também a essência de um elixir chamado Zoe, desenvolvido por um curandeiro Caájarense de nome Guiné. O velho fazendeiro queria os insumos de todas as árvores que servissem para sua automedicação e futuramente poder comercializá-la. E o simples fato dos Caájarenses de restringir esses recursos poderosos, só fez aumentar ainda mais a desconfiança do povo da Serra, e o desejo de perseguir os Caájarenses, por acharem que eles estavam suvinando o Vigor Extraordinário vinda desse elixir, talvez por mero egoísmo da parte deles de não quererem dividir, ainda que tentassem negociar.

Mas a teimosia do velho era sem igual, pois com o tempo, conseguiram tomar posse de informações valiosas a respeito do elixir e os ingredientes que haviam subtraído durante a época passada até então. Mas o Fazendeiro, que foi apelidado de "besta vigilante", ao tomar a réplica do elixir, sim, o velho se curou de toda enfermidade que um idoso tem, inclusive a sua artrite, diabetes, e principalmente a esterilidade daquela época (guarde bem essa informação!). E por conta do seu desejo interno de andar, baseando-se no seu instinto Nakuã, ele ganhou a rapidez como de uma onça. Ele conseguiu o que queria, agora ele se dá por satisfeito? Não! Pois ele volta para buscar mais e mais, a fim de abusar ainda mais desse poder, e quem sabe, testar isso em seu subordinados, e obter seu próprio exército de feras humanas assim como ele.

Mas não era atoa que os Caájarenses escondiam a Zoe da vista deles, o velho estava mexendo com forças que ele não compreendia! Com isso, ele oprimia o povo querendo achar alguém páreo para ele. Não demorou muito para que o velho sentisse seus efeitos; As crises no peito vinham sem motivo aparente. Ele sempre sumia, mas após se recuperar, ele voltava quase todo mês, só pelo vício de sentir essa adrenalina, que ironicamente, quem toma a Zoe, precisava sentir algum estímulo ou motivação pura para viver e se manter vivo. Bem, ele já tinha sua esposa e seu filho que nasceu semanas após tomar do elixir, mas ele só enxergava a solução na agressividade, achando que era só isso que estimulava seu coração a bater.

E assim foi durante 20 anos, essa ambição verdadeiramente era uma maldição hereditária que se perpetuou nossa família, a ponto de precisar nomear um trio de guerreiros a cada geração de Caájarenses, entre eles, está hoje crescido o nosso jovem Freijó de 22 anos; dono de uma força descomunal, o braço de Nakuã capaz de amassar até exércitos na mão, ele possui a aura vermelha por ser um líder com instinto de protetor, e foi o único capaz de peitar a Besta Vigilante de igual para igual, já que tinham a mesma aura. Mas mesmo detendo a besta vigilante e todos os que vinham contra ele, Freijó não entendia o porquê da sensação de não conseguir ter paz de forma plena, talvez por saber que algum descendente voltaria para repetir esse mesmo ciclo. O povo comum já não aguentava mais viver apenas de esperança, mesmo assim, ainda anseiam e oram com súplicas pela chegada do verdadeiro trio Nakuã, o único que realmente dará fim ao mal e trazer a paz entre os povos.

Na mesma comunidade, conhecemos ela, a jovem senhora Relva, esposa de Freijó, aquela que traria a semente Valente ao mundo. Sua aura era azul, por isso, seu instinto Nakuã permitia detectar se ainda reside vida em alguém ou em um determinado lugar, e também anestesiar a alma, como ansiedade, medo e raiva… Seu papel na comunidade era manter acesa esperança e a serenidade do povo todos os dias, principalmente em meio à guerra, para que os mesmos não entrassem em desespero coletivo, ou que Freijó não perdesse o controle, e acabar matando alguém sem querer. Mas enquanto ela estiver viva e os dois ainda mantiverem essa conexão genuína, não tem do que se preocupar.

Mas uma coisa muito estranha aconteceu, passou-se meses, 1 ano, 2 anos, 3 anos, e nada do Fazendeiro aparecer, e nem os seus capangas eram mais vistos por perto. “O que houve? Parece que a guerra cessou de vez” (pensou o Freijó) mas o radar de Relva continuava acusando que o velho ainda está vivo, e muito bem por sinal, disse Relva. E ele ainda continua acompanhado por mais alguém em sua chácara; por duas pessoas além da senhora a sua mulher para ser exato. Quem será? indagou Relva.

Freijó diz: - Amor, a pergunta certa seria: o que esse velho sem vergonha deve estar aprontando, isso sim! Como ele não morreu com a sobrecarga da Zoe? do jeito que aquilo era ruim, Não duvido nada. mas de qualquer forma, se ele estiver tentando alguma gracinha pra pegar a gente de surpresa, não me segure, que dessa vez o mato! disse Freijó bufando indignado.

Relva o repreendeu dizendo:

- Ei, não pense assim, amor! Tenha em mente que estamos apenas nos defendendo, pois se levarmos nossa ira pro coração, nós também alimentamos a nossa própria guerra dentro de si, em outras palavras, nos tornamos semelhante aquilo que evitamos ser; o nosso inimigo, por mais que ele seja ruim, o homem fera, não é o nosso verdadeiro inimigo! Até porque seu filho Tarcísio também gosta da gente, creio que ele não vai se voltar contra nós, e sabemos também que ele é pai de uma linda mocinha, lembro-me que da última vez que a vimos, ela devia ter por volta de seus 4 a 5 anos, não posso adivinhar que seja ela, pois eles foram embora pra cidade da Serra com a Dra Talita sua mulher, longe do velho, assim a neném poderia ser ensinada no caminho correto, pena que o dom dela ficaria abafado.

Freijó: - Então, quem será que está naquela casa não tem ninguém além da dona Maria, o velho e essas novas auras desconhecidas?

Relva: - Bem amor, Isso realmente é confuso de se pensar, mas quando ela veio se despedir da gente há uns 3 anos atrás, eu detectei que a doutora Talita carregava uma sementinha no ventre, De toda forma, partiram daqui sem dizer mais nada. meu espírito não é de adivinhar, mas seja lá quem esteja na casa daquele ‘Homem Fera, o importa é que estão conseguindo apaziguar seu coração.

Freijó então diz: - Pois desculpa, amor! Eu me precipitei falando aquelas coisas, você como sempre tem toda razão. Mas posso ao menos desejar um dia conhecer esses que fizeram a guerra cessar? de certa forma acho que devemos agradecer por eles.

Relva responde: - sim, pois a nossa ética é preservar a vida em defesa dos mais vulneráveis, e dar continuidade a nossa descendência.

Freijó com um semblante mais sereno e olhar fixo em sua mulher, disse:

- Que bom Amor, Por falar nisso, quando teremos o nosso filho? Já que tá tudo calmo por aqui, e não há mais com o que se preocupar, podemos enfim conceber uma família juntos, o que acha?

Relva sorriu em concordância, abraçando ele lentamente com um beijo, terminando a noite deitados ao leito para dar continuidade a um novo ciclo de vida.

Meses depois, Relva pôde sentir uma sementinha de luz pulsando em seu ventre, e Freijó acaba de receber a notícia da gravidez de sua esposa:

- vou ser pai! Disse Freijó todo contente.

E durante a gestação, aconteceu algo inusitado; as plantas e animais faziam sinais de reverência e proteção ao bebê em seu ventre enquanto Relva caminhava; as árvores abriam caminho para ela passar, e as bestas selvagens se mostravam pacíficas na frente dela e muitas das vezes defensivas a seu favor. O povo já deduziu que esses sinais, também descritos na profecia, apontavam que a criança em seu ventre seria o coração de Nakuã, a nova juíza de aura Verde que eles tanto esperavam, mesmo que ainda esteja faltando mais dois elementos para compor o Elo, isso já acendeu uma faísca de esperança no povo.

No dia seguinte, Relva estava distraída com seus afazeres, quando sentiu o ventre apertar de repente. Não era apenas mais um sinal profético de que ela iria nascer, mas que havia algo errado, pois sua bebê não dava mais sinal de vida.

Ela precisava urgentemente ser acudida pelo mestre Guiné: o curandeiro local e irmão de seu marido Freijó.

Guiné era e continua sendo o sábio daquela comunidade com o instinto da mente e onisciência também com a aura verde. O guardião intelectual da árvore de Acácia, também é conhecido por dominar métodos da Biomagia e medicina natural baseados em raízes, cascas, ervas e seus derivados. Entre seus conhecimentos, estava o desenvolvimento da Zoe: o último elixir de sua criação foi reservado exclusivamente para esse momento, como ele previu. A Zoe era capaz de restaurar o vigor e a saúde de qualquer indivíduo até em estado crítico. Contudo, Guiné também advertiu sobre as regras da Zoe; A poção foi preparada em uma dosagem precisa, e seu efeito dá mesma só era garantido para uma única pessoa e ainda em vida, ou nesse caso, uma troca de energia Vital semelhante a uma “autofagia”. Pois tratando-se de uma gestante, o elixir também seguiria a mesma regra biológica da nutrição materna: fluindo diretamente para o ventre, priorizando a nova vida. O mestre Guiné também disse que qualquer dosagem em excesso seria fatal para todos por conta da alta concentração de sobrecarga, pois tudo isso também passaria para o bebê, e todo sacrifício seria em vão.

Até havia uma alternativa: Se Relva não tomasse do elixir. Ela viveria, mas o filho que ela carrega, nasceria morto de seu ventre. O cordão umbilical é o único canal para a criança tomar o elixir.

Agora o clima ficou tenso! Mas sem hesitar, Relva optou pela vida da criança. Sua decisão refletia a ética espiritual da aura azul mais profunda: ela seria incapaz de colocar o próprio bem-estar acima das necessidades dos outros, ainda mais se tratando daquele pedaço de seu ser. Relva fez esse sacrifício e conseguiu ter a criança, que tomou a poção através da mãe antes de cortar o cordão umbilical. Relva foi enfraquecendo aos poucos por estar se esvaindo de sua vida para criança, enquanto isso, uma luz intensa envolvia seu ventre, e ainda disse suas últimas palavras para sua filha sussurrando (com voz enfraquecida):

- Pelo instinto espiritual de Nakuã que reside em mim, seu nome será Flora! A semente que a natureza irá obedecer através da sua aura Verde do instinto Coração, pela pureza em ti, terás a autoridade para julgar sem olhar, os bons e maus, nos guardando do verdadeiro mal que cega este mundo.

Relva então se esvaiu de toda sua força vital, desaparecendo em uma luz que rasgava o céu ligando se ao espírito Nakuã de onde veio.

Guiné segurava a menina enquanto presenciava o que aconteceu com sua cunhada Relva, após isso, ele a entregou a seu irmão Freijó, que também recebeu a triste notícia; a perda de sua esposa. mas é certeza era uma só, Freijó, mesmo relutante por algumas horas refletindo o porquê da perda de sua amada, ele também não se continha ao ver a Filha que estava morta e lhe foi entregue viva em seus braços através do sacrifício espiritual de Relva. Freijó vai ao público e apresenta Flora ao Povo, que espontaneamente diz:

“Alegrem-se, meu povo! Acredito que esse sacrifício não foi em vão! Nasce hoje a tão esperada personificação do Nakuã astral, creio que ela irá se tornar a nossa “princesa guerreira”, batizada com o nome Flora, ela será a nova guardiã da terra assim como eu, que irá lutar pela paz do povo oprimido! Eu, não posso mais ser o braço de Nakuã sem a minha querida Relva para me conter, mas ela disse que nossa filha é quem iria julgar os maus, e nos guardar de tudo que assola esse mundo!”

Eis que todo o povo gritava com fervor sob as palavras de efeito de seu líder, agradecendo genuinamente de joelhos por suas preces finalmente ouvidas.

…Mas Guiné em plena comemoração, se isola em seu pensamento mais profundo conectando sua mente ao Nakuã astral, refletindo nas palavras ditas diretamente por sua cunhada Relva. Guiné pensava em voz alta:

“Eu não consigo assimilar a empolgação do povo com o peso que essa profecia carrega. Mas se for para esperar a profecia se cumprir, que seja com a esperança acesa. Mesmo que o real destino dessa criança seja outro, eu não posso dizer. Dentre todos aqui, só eu sei que ela é apenas a peça de uma composição. Se eu falar algo em falso, a linha do tempo pode desabar, e ao mesmo tempo que tenho consciência, não posso ficar calado diante dessa responsabilidade! Já que a profecia tá cada vez mais perto de se cumprir, devo ter cuidado redobrado em tudo que eu digo, tenho que ser bastante sutil em minhas palavras, talvez fazer delas um ensinamento de filosofia, e metáforas, o que eu não posso é entregar tudo ou comprometer o fluxo dos acontecimentos.”

E Flora desperta seu dom astral aos 5 anos. Ela crescia sob os olhares atentos de seu pai Freijó e de seu tio Guiné, que sabia desde sempre que nesse dia aquela menina despertaria o seu dom naturalmente. Ela era o coração vivo de Nakuã; que já envolvia as forças etéricas da natureza em sua espontânea alegria; e desabrochar as flores através de sua aura Verde ao vê-la murchar, fazendo não só as flores levitarem, mas também solidificando a água, firmando seu pai Freijó em pé sobre o riacho enquanto andava em frente aos olhares de admiração das outras crianças.

Agora, imagine como será essa portadora da Zoe quando crescer? o que a profecia reserva de tão misteriosa para nossa protagonista?

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u/Flora_Nakua — 12 days ago