
Recomendações de Livros e sua importância
A leitura molda a alma
A tradição católica sempre compreendeu que aquilo que o homem contempla constantemente transforma seu interior, é de suma importância um bom católico manter uma vida de leitura ativa, por meio de livros dos santos, doutores e grandes autores espirituais da Igreja.
Boas leituras ajudam a ordenar os pensamentos, fortalecer a alma contra as tentações e aprofundar a vida espiritual, já dizia o Papa Leão XIII na Carta Encíclica “Sapientiae Christianae”
Os fiéis devem conhecer e tutelar a doutrina
- Em presença dessas iniquidades, seja o primeiro dever de cada um entrar em si e aplicar-se com todo o desvelo a conservar a fé profundamente arraigada em sua alma, livrando-se de todos os perigos e nomeadamente mantendo-se armado contra falácias e sofismas. A fim de melhor manter a integridade dessa virtude, julgamos utilíssimo e em conformidade às necessidades dos nossos tempos, que cada qual, segundo seus meios e inteligência, se aplique bem ao estudo da doutrina cristã e faça que sua alma se embeba, o mais possível, das verdades da fé acessíveis à razão. E, como não basta que a fé permaneça intacta nas almas, mas que deva ir crescendo com assíduos progressos, convém reiterar a Deus muito amiúde a suplicante e humilde petição dos apóstolos: “Senhor, aumentai-nos a fé” (Lc 17,5).
Sobre a utilidade da leitura - Um breve resumo da FSSPX sobre a leitura
Se a oração é útil para a vida espiritual, talvez não o seja menos a leitura dos livros de piedade. Segundo S. Bernardo, nós aí aprenderemos, ao mesmo tempo a fazer oração e a praticar as virtudes. Donde concluía que a leitura e a oração são armas com que se pode vencer o inferno e adquirir o paraíso. Nem sempre podemos ter junto de nós nosso padre espiritual, para nos ajudar com seus conselhos em todas as nossas ações, e especialmente em nossas dúvidas; mas a leitura supre tudo, nos fornece as luzes necessárias e nos ensina como havemos de proceder para evitar as ciladas do demônio e do nosso amor próprio, e para nos conformarmos com a vontade de Deus. — Dizia por isso Sto. Atanásio que não se verá ninguém que de propósito se aplique ao serviço de Deus, que não seja dado a leitura espiritual. — É por isso que todos os fundadores de ordens muito recomendaram este santo exercício aos seus religiosos. — S. Bento, entre outros, ordenou que cada um dos seus monges fizesse todos os dias a sua leitura, e que houvesse dois encarregados de ir visitar as celas, para verem se todos observavam esta regra; e quando se achava algum nisto negligente, queria que fosse penitenciado. — Mas, antes de todos, o Apóstolo a impôs a seu discípulo Timóteo, dizendo-lhe: Aplica-te à leitura.
Estas palavras são dignas de nota: Significam que, por mais ocupado que estivesse S. Timóteo nos seus trabalhos pastorais, como bispo, S. Paulo queria que se aplicasse ainda a leitura dos livros santos, e isto não de passagem e por pouco tempo, mas aturadamente.
Tanto é nociva a leitura dos livros maus, quanto proveitosa a dos bons. Assim como esta foi muitas vezes a causa da conversão dos pecadores, assim aquela não cessa de perverter uma multidão de moços inexperientes. — O Espírito de Deus é o primeiro autor dos livros de piedade, ao passo que o autor dos livros perniciosos é o espírito do demônio, que muitas vezes tem a arte de ocultar o veneno aos olhos de certas pessoas, sob o pretexto de que tais livros servem para aprenderem o modo de falar bem e conhecerem as coisas do mundo para seu bom governo, ou ao menos para passarem o tempo sem enfado. — Para as religiosas, sobretudo, eu digo que nada é mais pernicioso do que a leitura dos maus livros. E por maus livros eu entendo não só os proibidos pela Santa Sé que tratam de heresia e de matérias torpes, mas também todos o que versam sobre amores mundanos. Que piedade poderá ter uma religiosa que lê romances, comédias ou poesias profanas? Que recolhimento poderá ter na oração e na comunhão? Deverá essa tal chamar-se esposa de Jesus Cristo? Ou antes, uma má esposa do mundo? Pois que até as jovens do século, que soem ler esses livros, raramente são boas seculares.
Sobre o mal na alma de uma leitura ruim
Mas, dirá aquela, que mal fazem os romances e as poesias profanas, onde não há palavras imodestas? Vós perguntais que dano fazem? Ei-lo: inflamam a concupiscência, despertam, sobretudo, as paixões, as quais facilmente dominam a vontade, ou, ao menos, a enfraquecem de tal modo que, apresentando-se depois a ocasião de conceber alguma afeição desregrada, o demônio acha o coração já disposto para vencê-lo. — Notou um sábio autor: É pela leitura de tais livros perniciosos que a heresia fez e faz todos os dias tantos progressos; porque ela assim deu e dá mais força à libertinagem. O veneno desses livros entra pouco a pouco na alma; apodera-se primeiro do espírito, infecciona depois a vontade e acaba por dar a morte à alma. O demônio talvez não tenha meio mais eficaz e mais seguro para perder uma jovem, do que a leitura de tais livros envenenados. Oh que assolação não fará esse veneno, se acaso se introduzir em uma comunidade? Bastará um só livro mau desta espécie para arruiná-la! — Esposa bendita do Senhor, se vos acontecer ter nas mãos um livro semelhante, lançai-o imediatamente no fogo; digo no fogo, para não aparecer mais. Se fordes superiora, empregai todos os esforços possíveis, para extirpar e afastar essa peste do convento sob pena de dar contas severas a Deus, nosso Senhor.
Adverti, além disso, que certos livros não serão maus por si mesmos, mas serão inúteis para o vosso proveito espiritual. Esses serão também nocivos para vós, porque vos farão perder o tempo que podereis empregar em ocupações proveitosas para a alma. — Eis que S. Jerônimo escreveu para a sua discípula Sta. Eustóquia, para instruí-la: Na sua solidão de Belém, ele apreciava e lia muitas vezes os livros de Cícero; e, ao contrário, tinha certo horror aos livros sagrados, pelo estilo inculto que achava nestes. Sobreveio-lhe uma enfermidade grave, na qual se viu transportado e apresentado ao tribunal de Jesus Cristo. Então o Senhor lhe perguntou: Quem és? — Ele respondeu: Eu sou cristão. — Mentes, replicou o Juiz; tu és cristão? Não. Tu és ciceroniano e não cristão. — E ordenou que imediatamente fosse flagelado. O santo logo prometeu emendar-se, e, voltando a si, achou as espáduas lívidas e contundidas, em consequência do castigo recebido durante a visão. Desde este momento, deixou as obras de Cícero e entregou-se à leitura dos livros sagrados. — É verdade que alguns autores profanos às vezes apresentam algum pensamento útil à vida espiritual; mas o mesmo S. Jerônimo, escrevendo a uma outra sua discípula, faz esta sábia reflexão: Que necessidade tens de procurar um pouco de ouro no meio da lama, quando podes ter livros de piedade onde acharás ouro puro, sem mistura de lama? fonte:
Sobre o bem na alma de uma leitura boa
Voltemos ao nosso assunto, e consideremos os felizes efeitos que produz em nós a leitura dos bons livros.
Primeiramente, se a leitura dos maus livros, como dissemos, nos enche de sentimentos mundanos e perniciosos, a dos bons livros, ao contrário, nos sugere bons pensamentos e santos desejos. Quando uma religiosa passa parte considerável do dia a ler livros curiosos e profanos, que lhe abarrotam o espírito com uma multidão de ideias mundanas e afetos terrenos, como pode recolher-se, ocupar-se de pensamentos piedosos, conservar-se na presença de Deus e produzir frequentes atos de virtudes? — O moinho mói o grão que recebe. Se recebe mau grão, como poderá dar boa farinha? — Depois de ter empregado um bom espaço de tempo em ler algum livro curioso, vá uma religiosa à oração, à comunhão; em vez de pensar em Deus e de fazer atos de amor e de confiança, estará toda distraída; por que a lembrança de todas as vaidades que leu, se apresentará ao seu espírito. — Ao contrário, aquela que nutre seu espírito com coisas edificantes, tais como as máximas espirituais e os exemplos dos santos, não só no tempo da oração, mas ainda fora dela, será sempre acompanhada de santos pensamentos e se conservará quase sempre unida a Deus. — S. Bernardo nos faz compreender bem esta verdade, por uma outra comparação, ao explicar as palavras do divino Mestre: Procurai e achareis. — Procurai pela leitura dos livros de piedade, diz ele, e achareis na meditação, o que houverdes buscado; porque a leitura nos põe na boca a nutrição espiritual, que digerimos depois na meditação.
Em segundo lugar, a alma que se nutre de santos pensamentos na leitura, tem mais força para repelir as tentações interiores. — Eis o conselho que dava S. Jerônimo à Salvina, sua discípula: Procura ter sempre à mão algum bom livro, afim de que te sirva de escudo para te defender dos maus pensamentos.
Em terceiro lugar, a leitura espiritual nos ajuda a descobrir as máculas de nossa alma e a fazê-las desaparecer. O mesmo S. Jerônimo em sua carta a Demetriades, lhe recomenda o uso da leitura espiritual como de um espelho. Queria dizer que, assim como o espelho nos mostra as manchas que temos no rosto, assim os bons livros nos fazem conhecer as faltas que mancham a nossa consciência. — Falando da leitura espiritual, S. Gregório diz: Nela podemos contar nossas perdas e nossos adiantamentos de espírito: nela observamos o atraso ou proveito que temos adquirido no caminho de Deus.
Em quarto lugar, na leitura dos livros santos, recebem-se muitas luzes e inspirações divinas. — Dizia S. Jerônimo que na oração nos falamos a Deus, mas na leitura é Deus que nos fala. O mesmo dizia Sto. Ambrósio: Quando oramos, Deus escuta as nossas preces; mas quando lemos, escutamos a voz de Deus. — Como já vos disse, não podemos ter sempre, perto de nós, nosso padre espiritual, nem ouvir os santos pregadores que nos dirigem e nos comunicam as luzes necessárias para caminhar bem no caminho do Senhor: Os bons livros suprem suas instruções. — Sto. Agostinho diz que eles são outras tantas cartas que o Senhor em sua bondade nos envia, para nos advertir dos perigos que corremos, nos ensinar os caminhos da salvação, nos animar a sofrer as adversidades, nos esclarecer e inflamar de seu divino amor. Quem, pois deseja salvar-se e adquirir o amor divino, deve ter frequentemente estas cartas do paraíso.
Fonte
Com base nisso criamos uma lista de bons livros para a leitura dos quais consideramos úteis para a nossa salvação
Leituras obrigatórias católicas:
- Catecismo de São Pio X
- Preparação para a morte (Santo Afonso Maria de Ligório)
- Filoteia (São Francisco de Sales)
Leituras catequéticas:
- Tratado da Castidade (Santo Afonso de Ligório)
- Tratado da conformidade com a vontade de Deus (Santo Afonso de Ligório)
- Tratado dos escrúpulos (Abade Grimes)
- Tratado das tentações (Padre Jean Michel)
- Tratado sobre o desânimo (Padre Jean Michel)
- Tratado sobre a oração (Dom Juan Monleón)
- A humildade (Monsenhor Ascânio Brandão)
- Para Confessar-se bem: um guia completo (Santo Afonso de Ligório)
- Glórias de Maria (Santo Afonso)
- O segredo do Santo Rosário (São Luís Maria)
Leituras espirituais
Observação: Recomendamos fortemente que leia antes todos os livros catequéticos antes de proceder para as leituras espirituais
- O castelo (Santa Teresa D'Ávila)
- Subida ao monte Carmelo (São João da Cruz)
- História de uma alma (Santa Teresinha)
- Noite escura da alma (São João da cruz)
Leituras adicionais:
- A oração (Santo Afonso de Ligório)
- O calvário e a Missa (Fulton J. Sheen)
Leituras para moças:
- O esplendor do Lírio (Santo Ambrósio)
- A Jovem esposa (Dr. M. Kreuser)
- O privilégio de ser mulher (Alice von Hildebrand)
Leituras para rapazes:
- Glória e poder de São José (Pe. Ascânio Brandão)
- Os moços e a pureza (Mons Francisco Olgiati)
Observação: o r/catolicismobrasil não pertence à FSSPX, não é administrado pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X e também não possui vínculo institucional com ela. O texto utilizado possui finalidade exclusivamente formativa e de recomendação de leitura.