u/Hopeful-Knowledge988

▲ 7 r/HQMC

Mas enganei-me no morto?

Hoje escrevo na esperança de ouvir esta história como só e apenas o Markl consegue contar.

 

Começo por mencionar que esta situação me causa riso, uma ligeira vergonha e um enorme embaraço.

Bem, isto começa com o falecimento de uma familiar da minha chefe (saliento o pormenor de umA). Eu e os meus colegas de equipa juntamo-nos para oferecer uma coroa de flores, como já é habitual fazermos nestas situações.

Eu e a minha colega “Joana”, combinamos ao final de jantar ir ao velório. Acontece que, nem eu nem ela conhecíamos a freguesia, muito menos a pré-disposição da igreja/capela onde estava a senhora.

Seguimos juntas com o auxílio do GPS, quando chegamos ao local deparamo-nos com um montão de gente cá fora reunida, mas quando digo montão era mesmo muitaaas pessoas… Algo que nem colocamos em perspetiva, lá pensamos “ora deve ser uma família grande”.

Chega o momento em que uma, teria que ir deixar a coroa de flores na capela, digo uma, mas que a resposta seria rápida e fácil para nós porque a “Joana” estava grávida.

Como não sei lidar muito bem com estas situações, lá fui eu a mentalizar-me pelo pequeno trajeto que era: entrar, pousar e sair.  E assim foi, entrei, pousei a coroa no chão no primeiro espacinho que vejo à minha frente. Não olhei para nada nem ninguém e fui à minha vida.

Dever de missão cumprida.

Pois bem, quando chego junto da "Joana", como ainda não tínhamos estado nem visto a nossa chefe, ligamos-lhe para lhe dar uma palavrinha.

 

Ela chega, e em conversa menciona que estão a decorrer dois velórios ao mesmo tempo. Eu inocente e inicialmente sem assimilar muito bem aquelas palavras no momento, fico especada a olhar bem para as capelas que realmente eram duas. Ambas que estavam abertas.

Segundos depois, desce sobre mim uma luzinha de consciência e digo com esperança, que aquilo que me estava já a causar um aumento da saliência da minha veia da testa, não seja sequer opção: 

— Coloquei naquela capela uma coroa (e aponto para o lado direito).

 Ao qual responde:

 — Mas o meu familiar(feminino) está naquela (lado esquerdo).

Pensei, mas como assim? Tou???

 … Continua: —sim, nesta está um senhor.

Gelei! Qual é a probabilidade de pararmos numa freguesia que não conhecemos e existirem duas capelas, dois velórios e de um lado está uma senhora de outro um senhor? mas que raio!

(Relembro que não olhei para lado nenhum quando entrei, se visse que era um homem teria evitado a situação).

Agora vão achar que a história fica por aqui. Não! Fiz algo que na altura pareceu-me a melhor forma de emendar o erro. Que foi??

 

Ir novamente à capela onde deixei a coroa, recuperá-la e dizer que foi um engano que era efetivamente para o velório do lado. Sim, eu fiz isso! Chego lá, com o ritual da primeira vez: entrar, pousar, sair. Mas desta vez - entrar, recuperar, sair.

Quando entro, vejo que a coroa não está no sítio onde a tinha deixado.

Vejo-me obrigada a olhar para todo lado e tudo aquilo que queria evitar, estava a fazer. E de repente lá estava ela. Onde? Pousada ao alto no suporte de coroas mesmo atrás do falecido.

Sem saber bem o que fazer, dirigi-me, penso que um familiar e explico-lhe a situação. Ele prontamente e meio que carinhoso compreende e leva-me a um pico de alívio pensando eu que ele a iria trazer, mas contrariamente apenas me diz de forma subtil: “vá lá buscá-la”. (naquele momento, ali, quem morreu fui eu... de desespero)

E eu… fui…

Fui, e coloquei-a no sitio onde sempre devia ter estado...no falecido certo.

Nem sei bem o que pensar em relação a isto, mas certamente é uma das coisas que vai ficar marcada para a vida, pela história, pelas circunstâncias e pelas boas gargalhadas que já tive junto daqueles que sabem deste episódio.

 

 Obrigada Markl e Manhãs Comercial

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u/Hopeful-Knowledge988 — 7 months ago