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Aos recém-formados: dicas óbvias (e as não tão óbvias assim)

A quem já está formado a mais de ano por aí, se quiserem deixar outras dicas pra sobrevivência hospitalar…

- Criança com febre sempre parece 10x pior do que está. A não ser que tenha outros sinais de alarme óbvios, dê um antitérmico antes de achar que a criança está super prostrada e grave
- Não entre na pira de achar que, como recém-formado, você sabe diferenciar o que é verdade e o que é mentira. Trate o que seu paciente te conta, e não o que você acha que é verdade ou não
- Não fofoque. O que mais rola no hospital é fofoca e gente falando mal da vida alheia. Acredite, você só vai se complicar se fizer isso. Além de ter seu nome no meio de briga, vai acabar ouvindo o que não quer
- Não coloque sua integridade física em risco pra não dar atestado. De novo: paciente falou, você acreditou. Se disser que está com lombalgia, atestado. Você não é juiz nem perito pra ficar gastando neurônio pensando se a queixa é verdadeira ou não
- Não se ache tão importante no serviço. Você é totalmente trocável, mesmo que pareça que não. Então, não ache que existe qualquer senso de família nos lugares em que trabalhar
- Ter drives de prescrição é ok, mas nada é melhor do que suas anotações no bloco de notas do celular. Coloque as principais doses e diluições ali, nas tuas palavras
- Não entre na onda da equipe de zoar paciente
- Não seja amigo de ninguém dentro do hospital. Pode ser que isso aconteça em algum momento, mas fuja disso o máximo que puder
- Não fale nada íntimo sobre sua vida. Não pergunte nada demais sobre a vida dos outros. Small talk ok, mas hoje em dia não faço nada além disso
- Faça o que você puder pra ajudar a facilitar a vida dos outros, desde que isso não prejudique seu trabalho
- Bom dia, obrigado, senhora/senhor e por favor pra TODO MUNDO.
- Trate toda a equipe como se vc fosse subordinado a eles, como se eles estivessem te fazendo um grande favor. Meio bizarro, mas muita gente já foi pisada e só precisa de alguém amaciando o ego.
- NUNCA fale sobre salário na frente da equipe multi

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u/Hungry-Ad4428 — 2 days ago

Fazer só o mínimo na residência: impacta no futuro?

Oi pessoal! Gostaria de saber a opinião de vcs

Sou R1 de ped em um hospital do interior. É uma residência relativamente nova, com poucos residentes por ano, mas como somos poucos o serviço não é tocado pelos residentes e há muitos médicos contratados, pq apesar de ser no interior, é um hospital grande.
O problema é que sinto que a residência foi criada muito mais para suprir demanda assistencial do que para formar especialistas. De todos os meus preceptores, só 1 gosta de ser preceptor e de ensinar coisas baseadas em evidências. Não temos aulas regulares, discussões de casos aprofundadas são raras e a preceptoria é muito limitada no quesito acadêmico, apesar de serem bons pediatras. Tenho a impressão de que ninguém gosta muito da parte de ensinar

Agora que já passaram alguns meses do R1, a situação ficou ainda mais evidente. Eu passo diariamente em cerca de 15 a 20 pacientes e, na maior parte das vezes, faço isso praticamente sozinha e as condutas acabam sendo definidas por mim, e só tiro dúvidas pontuais quando surge alguma insegurança. Muitas vezes preciso insistir de forma incisiva para que um preceptor passe os pacientes comigo. Eles nos tratam como médicos assistentes, e não como residentes que ainda estão em formação… veem o residente como um a mais na divisão de pacientes, sem considerar que temos que aprender tb. Claro que isso também tem um lado positivo. A equipe respeita bastante nossa autonomia e confia na gente. Mas autonomia sem supervisão não é exatamente o que eu esperava de uma residência… sinto que estou aprendendo porque estudo muito em casa e porque a exposição aos pacientes inevitavelmente ensina, mas zero por mérito dos preceptores em si. Se dependesse apenas do ensino dos chefes, sinceramente acho que aprenderia muito pouco.

E o que tá acontecendo é que eu sempre fui aquela pessoa que faz além do necessário. Me ofereço para assumir mais pacientes, ajudar em outras atividades, participar de projetos… Mas comecei a perceber que esse esforço extra não estava se convertendo em mais aprendizado. Eu só trabalhava mais. Até meu interesse por pesquisa e produção científica, que sempre foi grande, diminuiu bastante dentro do serviço. Será que vale a pena continuar dando 110% em um ambiente que não investe na minha formação? Ou faz mais sentido cumprir bem minhas obrigações, estudar por conta própria e preservar um pouco minha energia?

Minha dúvida para quem já terminou a residência é justamente essa: vocês acham que, durante a residência, limitar-se a fazer bem o que é esperado de você, sem ficar sempre assumindo tarefas extras ou “abraçando o mundo”, pode trazer algum prejuízo no futuro? Em algum momento vocês se arrependeram de não terem feito mais? Ou perceberam que esse “fazer além” só vale a pena quando existe retorno em aprendizado?

Queria ouvir a experiência de quem já passou por isso,
pq tô num desânimo que não consigo nem me imaginar fazendo mais 2 anos e meio de residência baseada em orelhada

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u/Hungry-Ad4428 — 1 month ago

Como vocês costumam lidar, no quesito relação interpessoal, com a equipe multi?

Sempre prezei pelo cultivo de uma ótima relação com a equipe como um todo; por entender que não há superioridade entre profissões e sim complementariedade no trabalho, e também por entender que convivendo tanto tempo com as mesmas pessoas é difícil não construir uma relação afetuosa. Acontece que, após eu (R1) me tornar próxima da equipe, começou a acontecer coisas como eles negarem fazer medicações prescritas na hora que precisam fazer (não por erro na prescrição, mas por não quererem fazer na hora), pedirem atestado, fazerem piada com coisas que fogem completamente do escopo, acharem que sabem mais do paciente do que eu e quererem ditar as condutas que serão aplicadas para os pacientes. Além disso, acabam me envolvendo constantemente em fofocas (vem falar sobre brigas deles para mim, por ex, sendo que odeio fofoca e odeio ficar sabendo disso). Não vou nem citar o absurdo que é um técnico vir me abraçar do nada e dizer que eu sou maravilhosa (eu odeio abraços, não abraço ninguém fora meu namorado e minha família). Enfim, não sei se sei alcançar um meio termo de forma adequada... tenho pensado em fazer a medicina no modo self defense, fazer o meu e esquecer relações interpessoais no hospital. O que vocês acham?

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u/Hungry-Ad4428 — 2 months ago

Residentes de áreas clínicas: por qtos pacientes vcs ficam responsáveis na enfermaria?

Desconsiderando os pareceres, contando os pacientes que vcs ficam como médicos assistentes

Curiosidade kkkk

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u/Hungry-Ad4428 — 3 months ago