
A pena de morte não resolve o problema dos crimes
Como já foi dito em outros textos, a pena de morte, por si só, não parece ser a solução definitiva para crimes de alta periculosidade. Mas deixe-me explicar por que, na minha visão, apenas a morte não muda o suficiente o cálculo de quem comete (ou pensa em cometer) atos extremos. O ser humano, de forma geral, não tem tanto medo da morte em si quanto tem medo da dor. Medo da dor física intensa, medo do sofrimento prolongado, medo do impacto emocional que sua morte pode causar em quem ele ama. A morte “limpa”, rápida e sem dor, pode ser percebida como algo relativamente brando. Imagine a diferença entre ser esfaqueado várias vezes e sentir cada segundo da dor… versus uma morte instantânea. Qual dos dois pesa mais na cabeça? Em um acidente grave, a morte imediata costuma ser vista como preferível a ficar vivo, mas com um ferimento fatal que provoca sofrimento extremo. Não é difícil entender a lógica, não é?
https://deathpenaltyinfo.org/what-to-know-deterrence-and-the-death-penalty
O que estou dizendo, portanto, é apenas uma ideia especulativa e realista (não uma proposta de política pública nem algo que eu defenda implementar): para criminosos de altíssima periculosidade, a lógica da dissuasão poderia passar por algo mais intenso do que a mera eliminação, talvez uma forma controlada de sofrimento seguido de morte. Porque, do ponto de vista psicológico, a dor parece ser um fator de medo mais poderoso do que a morte isolada. Isso é só um raciocínio teórico, baseado na observação de como o medo humano funciona. Não estou defendendo que se faça isso na prática. Estou apenas sendo realista sobre o que, em tese, poderia pesar mais na decisão de alguém que já não tem limites morais.
https://hbr.org/2014/03/anticipating-pain-is-worse-than-feeling-it