Um trecho do Volume 1 de Lie:Bloomed
Depois do feedback legal que o Estalador recebeu, resolvi soltar um trechinho do Capítulo 1 de Lie: Bloomed pra quem ficou curioso.
Aqui vai:
Enquanto isso, em outro momento, um jovem caminhava sozinho por um beco escuro e estreito, onde as paredes pareciam se fechar, trazendo uma sensação de claustrofobia.
A única luz vinha de um poste. Fraca e piscando intermitentemente, iluminando grafites distorcidos nas paredes. Ele os encarava, tentando entender seus significados, mas tudo parecia apenas fragmentos deturpados.
O odor do ambiente era uma mistura sufocante de lixo acumulado e mofo. Cada passo trazia um desconforto crescente, como se o beco o envolvesse em tensão.
— Eu não queria ter voltado aqui ─ disse, com um suspiro. — Estou com um pressentimento nada bom.
Ring-ring.
Ele retirou o celular do bolso e atendeu a chamada.
— Já está no local do desaparecimento? — perguntou a voz do outro lado da linha.
— Sim. Estou investigando novamente, com a esperança de encontrar algo — respondeu Kaluanã, observando o entorno. — Esse lugar está abandonado há tempos.
— Dificilmente fazem uma fiscalização em locais assim — prosseguiu a voz. — Tenho novas informações. O Cacique relatou um aumento repentino na quantidade de Desvirtuados. Alguns desaparecimentos também foram registrados recentemente.
— Isso está saindo do controle — suspirou Kaluanã. — Estamos seguindo todas as pistas e não chegamos a lugar nenhum.
— Entendo sua frustração, mas não podemos subestimá-lo. O sujeito é um desgraçado quando se trata de não ser detectável — disse o outro.
— Temo que as pessoas descubram o que não deveriam — continuou Kaluanã. — Meu povo vai proteger todos, custe o que custar.
— É por isso que vocês têm meu apoio — respondeu a voz. — Tome cuidado, Kaluanã. Não sabemos o que ele está planejando.
— Pode deixar. Estarei de olhos abertos. Não vou te decepcionar.
— Certo. Juliano desligando.
O som seco do click ecoou pelo beco.
Após encerrar a comunicação, ele continuou vasculhando o local. Kaluanã passava pelo ponto onde Ricardo foi visto pela última vez.
Ainda havia pegadas de duas pessoas diferentes no barro molhado. Mais à frente, algo chamou sua atenção: o mesmo símbolo estranho, e sangue fresco espalhado pelo chão.
“Quando isso apareceu aqui?”
O ar se tornou pesado, como se todo o peso do mundo o esmagasse.
Um som seco e ritmado. Cascos batendo no chão ecoavam atrás dele. Kaluanã se virou, gritando:
— Apareça, quem quer que seja!
O suor escorria pela testa. A cada segundo, o ambiente se tornava mais sufocante.
Uma criatura surgiu sorrateiramente atrás dele. Alta, magra, encurvada, coberta por um pelo ralo e escuro.
Os olhos, pequenos e fundos, brilhavam como carvões incandescentes. Sua cabeça era a de uma cabra monstruosa e desproporcional. Um par de chifres espiralados se curvava para cima.
A criatura emitia um som baixo e gutural:
Brrr...
Antes que Kaluanã pudesse reagir, o monstro avançou e...
Crunch.